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TCU abre inscrições para concurso de nível médio

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O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu inscrições para concurso público de nível médio nesta sexta-feira (30) para o preenchimento de 40 vagas e a formação de cadastro de reserva para o cargo de Técnico Federal de Controle Externo (TEFC).

Os interessados em participar da seleção poderão se inscrever até as 18h do dia 17 de junho pelo site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), a banca examinadora do certame.

O valor da taxa é de R$ 70 e o pagamento poderá ser efetuado até 20 de junho.

Os aprovados terão remuneração de R$ 15.128,26, com jornada de trabalho de 40 horas semanais.

O edital do processo seletivo do TCU detalha que, para concorrer ao cargo, é necessário ter certificado de conclusão de curso de ensino médio, expedido por instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

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Provas

As provas objetivas e discursiva serão aplicadas no dia 3 de agosto e terão a duração de 3 horas e 30 minutos. O julgamento de cada questão da prova objetiva será “certo” ou “errado”.

Além das provas de caráter eliminatório e classificatório, a seleção dos aprovados terá a etapa do programa de formação.

Todas as fases do concurso de técnico do TCU serão realizadas em Brasília, incluindo o procedimento de heteroidentificação para os candidatos autodeclarados negros (pardos e pretos) e a avaliação biopsicossocial dos candidatos que solicitarem concorrer às vagas reservadas às pessoas com deficiência.

Informações

Mais informações podem ser obtidas no site do Cebraspe ou na Central de Atendimento ao Candidato do Centro, pelo telefone (61) 3448-0100 ou 0800 722 1125. 

Fonte: Agência Brasil

Movimentos de direita realizam o Dia da Liberdade de Imposto

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Institutos de direita realizam, na segunda-feira (02/06) e na quinta-feira (05/06), o Dia da Liberdade de Imposto, uma iniciativa para conscientizar a população sobre a alta carga tributária no Brasil. O movimento, apartidário e sem fins lucrativos, relembra que o brasileiro trabalha cinco meses do ano, até o final de maio, exclusivamente para custear os impostos.

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) critica a sanha arrecadatória do governo do PT. “Estamos diante de um governo ineficiente e preocupado apenas em garantir um grande cabide de empregos, sugando recursos dos cidadãos para manter uma máquina pública inchada e corrupta”, afirma Salles, fundador e presidente do Movimento Endireita Brasil (MEB) que há 15 anos organiza o evento em São Paulo . Ele defende um sistema tributário mais justo e simplificado.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), cerca de 40% da renda média do contribuinte será destinada ao pagamento de impostos, taxas e contribuições no ano de 2025.

Os altos números colocam o Brasil entre os países com as maiores cargas tributárias do mundo. Por outro lado, os valores gastos não refletem em uma melhoria na qualidade de vida das pessoas. Hoje, o Brasil ocupa a última posição no Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), indicador que avalia o uso dos recursos públicos em serviços à população.

Neste ano, em São Paulo, serão disponibilizados 10 mil litros de gasolina sem imposto, com limite de 30 litros por carro. Em Porto Alegre, a organização oferecerá 5 mil litros em cada um dos dois postos selecionados, com limite de 10 litros com desconto por abastecimento.

SERVIÇO

Realização da 17ª Edição da Dia da Liberdade de Impostos, nas cidades de São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).

Em São Paulo:
Data: 02 de junho (segunda-feira).
Local: Eco Posto Bandeirantes – Av dos Bandeirantes, 3459 (Rede Monteiro).
Horário: a partir das 10h.

Em Porto Alegre:
Data: 05 de junho (quinta-feira)
Local: Rede self-service, Av Cristóvão Colombo, 128 – Floresta e Av Ipiranga, 8901 – Partenon.
Horário: às 10h

ONU: bloqueio de ajuda torna Gaza "a região mais faminta do mundo"

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Israel está bloqueando a entrada de ajuda humanitária em Gaza, disse o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) e não há quase alimento pronto para o consumo. O porta-voz da organização descreveu o enclave como “o lugar mais faminto do mundo”.

O porta-voz Jens Laerke disse que apenas 600 dos 900 caminhões de ajuda humanitária foram autorizados a chegar à fronteira de Israel com Gaza e, a partir daí, uma mistura de obstáculos burocráticos e de segurança tornou praticamente impossível levar ajuda com segurança para a região.

“O que conseguimos trazer foi farinha”, disse ele em entrevista coletiva nesta sexta-feira. “Isso não está pronto para comer, certo? Precisa ser cozida, 100% da população de Gaza estão correndo o risco de passar fome.”

Tommaso della Longa, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, acrescentou que metade de suas instalações médicas na região está fora de ação por falta de combustível ou de equipamentos médicos.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

Saiba o que acontece com quem não declara o Imposto de Renda

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Termina nesta sexta-feira (30), às 23h59, o prazo para a declaração do Imposto de Renda 2025 e a pergunta de muitos é: o que acontece se eu não declarar ou perder o prazo? Natalia de Fátima, professora de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera, fala da primeira das consequências:

“A Receita Federal aplica uma multa por atraso, no valor mínimo de R$ 165,74, podendo chegar, no máximo, a 20% do valor do Imposto de Renda devido. Além da multa, também serão acrescidos juros”, explica a professora.

Como há juros, a recomendação é de que a declaração de quem perdeu o prazo seja feita o mais rapidamente possível. Neste caso, é gerada uma Darf para que a multa seja paga após a entrega dos dados. José Carlos Fonseca, auditor-fiscal da Receita Federal, aponta que, além da multa, o contribuinte pode sofrer sanções no registro do seu CPF.

“Se a pessoa está obrigada a declarar e não apresenta a declaração, o CPF dela pode ficar com status de “pendente de regularização” ou “omisso na entrega da declaração”. Nessa situação, ela pode enfrentar dificuldades para obter financiamento, participar de programas sociais do governo ou até mesmo para emitir passaporte. A única forma de regularizar a situação é entregando a declaração à qual estava obrigada”. 

A dica dos especialistas neste último momento para quem sabe que vai perder o prazo é fazer a entrega da declaração com o que sem tem em mãos, mesmo sem toda a documentação e dados necessários. Neste caso, mesmo que o contribuinte tiver que retificar a declaração posteriormente, pelo menos não terá que pagar a multa por atraso. 

>>Ouça na Radioagência Nacional:

Correção de erros

Quem declarou o Imposto de Renda precisa ficar atento, pois sempre há a possibilidade de o próprio contribuinte encontrar erros na declaração. Neste caso, ele mesmo deve gerar uma declaração retificadora. O professor Hugo Dias Amaro, da PUC do Paraná, explica como proceder. 

“Com o programa da Receita Federal aberto, selecione “Declaração Retificadora”. Insira o número do recibo da declaração que você quer retificar. Uma vez identificado o erro, altere os dados incorretos e inclua os que foram esquecidos”.

A retificação quando identificada pelo contribuinte pode ser enviada mesmo após o prazo final para a entrega da declaração e não gera multa. Quem esclarece é Paulo Pêgas, do CRC do Rio de Janeiro:

“Se você fizer essa declaração retificadora até o prazo final, o sistema simplesmente apagará a declaração anterior e considerará apenas a nova. Se você entregar a declaração e só perceber o erro depois do prazo, você também pode retificar. A diferença é que, nesse caso, o sistema não apaga a declaração anterior. Ele mantém as duas e vai verificar o que foi alterado, analisando se a mudança tem documentação, respaldo legal e amparo legal”.

O professor Deypson Carvalho, da UDF, alerta que há apenas uma questão para quem entregar a Declaração Retificadora após o dia 30 de maio: 

“Após o encerramento do prazo para a entrega da Declaração, em 30 de maio, caso seja necessário retificar as informações, não será permitida a mudança da forma de tributação que foi escolhida na última declaração entregue pelo contribuinte, mesmo que a outra forma de tributação seja a mais vantajosa quando da elaboração da declaração retificadora. Daí a importância de não deixar para apresentar a declaração próximo do prazo final”. 

Vale lembrar que se o contribuinte identificar erros na declaração e não fizer a correção, corre o risco de cair na malha fina e ser multado. 

>>Ouça na Radioagência Nacional

Após a declaração

Após a entrega da Declaração de Ajuste Anual, é recomendável que o contribuinte faça o acompanhamento do seu processamento na base de dados da Receita Federal do Brasil. O monitoramento  feito pelo portal e-CAC na página da Receita Federal, com a conta gov.br nos níveis Ouro ou Prata. Dentro do e-CAC, o contribuinte deve acessar a opção Meu Imposto de Renda e escolher o exercício da declaração pretendida.

“O acompanhamento se faz necessário porque permite a visualização do resultado de processamento da declaração e, em caso de malha fiscal, possibilita ao contribuinte fazer a autorregularização, isto é, identificar as inconsistências apontadas pela Receita Federal e adotar os procedimentos corretivos antes de qualquer procedimento de ofício por parte do fisco”, é o que explica o professor Deypson Carvalho, da UDF.

O professor David Daniel, da Faculdade Anhanguera, cita outras medidas que podem ser tomadas pelo contribuinte após a entrega:

“É essencial guardar todos os comprovantes e documentos utilizados na declaração por, no mínimo, 5 anos, já que a Receita pode solicitá-los nesse período para conferência. Se houver imposto a pagar, é preciso ficar atento aos prazos, para não incorrer em juros e multa. O pagamento pode ser feito à vista ou parcelado.”

Já quem tem direito à restituição pode acompanhar o calendário de pagamentos pelo próprio portal e-CAC ou pelo aplicativo da Receita Federal. As restituições são pagas em lotes e corrigidas pela taxa Selic até a data do crédito. Portanto, mesmo após o envio da declaração, ainda há etapas importantes: acompanhar, corrigir, se necessário, manter os documentos organizados e controlar os pagamentos ou restituições”.

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Fonte: Agência Brasil

Sonia Guajajara é a primeira indígena doutora honoris causa da Uerj

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“Registro número 155. Aos 28 dias do mês de maio do ano de 2025, em cerimônia solene realizada no Teatro Odylo Costa, filho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foi outorgado o título de doutora honoris causa a Sonia Guajajara, concedido pelos Conselhos Superiores em reconhecimento por sua relevante trajetória em nossa sociedade”.

Com essas palavras foi concedido o título à ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, registrado no Livro Tombo de Ocorrências Históricas da Uerj

O livro, escrito à mão, que registra os atos e acontecimentos considerados de expressiva relevância histórica na trajetória da universidade, agora guarda o nome da primeira pessoa indígena a receber a honraria mais importante da universidade.

O nome de Sonia Guajajara está a algumas páginas de distância de outros que também receberam o mesmo título, como o compositor Antônio Carlos Jobim, o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o artista Gilberto Gil.

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A ministra recebeu a homenagem emocionada: “Como diz o maranhense, eu tô bestinha sem saber nem como é que se comporta. A gente não sabe se chora, se sorri, se sente, se paralisa”.

Segundo Sônia Guajajara, receber o título de doutora honoris causa é “antes de tudo o reconhecimento à trajetória coletiva dos povos indígenas do Brasil e do mundo”. 

A ministra também destacou a relevância da Uerj, que foi a primeira universidade pública a instituir o sistema de cotas. Posteriormente, esse sistema viraria lei nacional para todas as universidades federais.

“A Uerj entendeu isso muito antes de muitas outras instituições, quando há mais de duas décadas, de maneira pioneira no Brasil implementou as cotas raciais e sociais”, destacou a ministra.

“[A Uerj] reconheceu formalmente que o mérito acadêmico não pode ser separado das desigualdades estruturais que marcam a nossa sociedade. Com isso, possibilitou que milhares de jovens, negros, indígenas e periféricos, ocupassem lugares de produção de conhecimento e de transformação social”, disse.

Diante de um teatro ocupado por estudantes, parlamentares, representantes de movimentos sociais e professores, Sônia reforçou a importância da presença indígena nas mais diversas instituições brasileiras. 

“Espero abrir aqui muitos caminhos às crianças indígenas e a toda nova geração que conquista cada vez mais espaços dentro da nossa sociedade. Sinto uma alegria profunda ao ver a nossa geração ocupando as salas de aulas, os meios de comunicação, as artes, os parlamentos, o judiciário e também os espaços do Poder Executivo nos municípios, estados e também nos ministérios do Governo Federal”.

A ministra defendeu ainda a demarcação de terras e prestou solidariedade à ministra Marina Silva, atacada no dia anterior em audiência no Senado Federal. 

“Eu faço aqui esse registro e esse convite para que todas, que todos vocês abracem esta causa dos povos indígenas nessa luta pelo reconhecimento e demarcação dos nossos territórios. Nunca mais o Brasil sem nós”, finalizou.


Rio de Janeiro (RJ) 28/05/2025 - A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva (c), discursa durante entrega título de Doutora Honoris Causa a ministra dos povos indígenas, Sonia Guajajara
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ) 28/05/2025 - A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva (c), discursa durante entrega título de Doutora Honoris Causa a ministra dos povos indígenas, Sonia Guajajara
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Também em discurso, a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, reforçou a importância do título. 

“É uma imensa homenagem que a gente faz hoje para ela, mas para nós é um prazer enorme e é uma honra muito grande poder conceder o título de doutora honoris causa à ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. Essa é a primeira vez que a Uerj entrega a uma personalidade indígena o nosso grau máximo de reconhecimento, por contribuição à sociedade, à cultura e à ciência”.

Segundo Gulnar, a universidade conta hoje com 38 estudantes indígenas, ingressantes por meio das cotas sociorraciais, distribuídos em 24 cursos.

Os alunos de história Tangwa Puri e de pedagogia Thaís Guajajara, que estavam presentes na cerimônia, são dois desses estudantes. 

“Quando uma parente nossa está ali recebendo essa manifestação – que é simbólica, mas também que é muito real –, demonstra que a gente não precisa só estar na resistência. Demonstra que a gente também está existindo no Brasil, também está recebendo honrarias e reconhecimento dos nossos saberes”, disse Tangwa.

Thaís complementou: “A gente tem alguém que nos representa e que mostra que a gente pode estar lá um dia. É muito importante”.

 

Fonte: Agência Brasil

STF: Ciro Nogueira e Tarcísio negam saber de tentativa de golpe

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Os ex-ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), hoje senador, e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), atual governador de São Paulo, disseram nesta sexta-feira (30) desconhecer qualquer envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro com alguma tentativa de ruptura institucional ou golpe de Estado. 

Os dois foram ouvidos por videoconferência como testemunhas de defesa de Bolsonaro, na ação penal sobre uma trama golpista que teria tentado manter o ex-presidente no poder mesmo com derrota na tentativa de reeleição, em 2022. A  audiência foi presidida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Cotado como possível representante do bolsonarismo na próxima corrida presidencial, Tarcísio afirmou “jamais” ter tratado ou ter ouvido Bolsonaro tratar de qualquer assunto relativo a algum tipo de golpe, seja antes ou depois de eleição. “Assim como nunca aconteceu enquanto fui ministro”, acrescentou. 

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Após a derrota no pleito, quando já eleito governador e afastado do governo federal, Tarcísio disse ter visitado Bolsonaro ao menos duas vezes, “por amizade”, no Palácio da Alvorada, em Brasília.

“Da mesma forma, nesse período, na reta final [do governo], nas visitas, tivemos várias conversas, jamais se tocou nesse assunto, jamais mencionou ruptura”. 

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) deu resposta similar, ao ser questionado pelo advogado Celso Vilardi, que defende Bolsonaro, sobre se o ex-presidente mencionou algum tipo de ruptura nos vários encontros entre os dois após a derrota eleitoral. 

“Em hipótese nenhuma. Nunca aconteceu isso”, afirmou Nogueira, que é também presidente do PP. “Todas as determinações que o presidente me deu foi para que fizesse a transição da melhor forma possível”. 

Assim como Tarcísio, o ex-ministro-chefe da Casa Civil voltou a relatar que Bolsonaro chegou a ficar depressivo durante o período pós-eleitoral, com “falta de interesse pela situação do país”, mas que a transição ocorreu “dentro da normalidade”, assegurou. “O presidente em momento nenhum quis obstacular qualquer situação”. 

Dispensados

Estava previsto para a manhã desta sexta também o depoimento de Valdermar da Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro. O líder partidário, entretanto, foi dispensado pela defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu na ação penal. 

Valdemar chegou a ser indiciado pela Polícia Federal (PF) por envolvimento na trama golpista, mas acabou depois sendo poupado na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Outras testemunhas dispensadas nesta sexta foram os ex-ministros Gilson Machado (Turismo) e Eduardo Pazuello (Saúde), que falariam a tarde como testemunhas de Bolsonaro, mas foram dispensados pela equipe de defesa do ex-presidente. 

Foi dispensado também o advogado Amaury Feres Saad, apontado no inquérito policial como um dos mentores intelectuais de uma minuta de decreto com teor golpista, mas que também não foi denunciado pela PGR. 

Testemunhas de Torres 

Ainda nesta sexta, foi ouvido o deputado distrital Hermeto (MDB), como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Hermeto foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por apoiadores de Bolsonaro. 

Hermeto foi questionado sobre o motivo de não ter indiciado Torres, que era secretário de Segurança Pública do DF em 8 de janeiro, no relatório final da CPI.

“Eu não indiciei o secretário Anderson porque não vi nele a responsabilidade, porque o secretário de Segurança em exercício, o secretário-executivo [Fernando Souza de Oliveira], que estava no comando, e as forças de segurança respondiam a ele”.

A testemunha seguinte, a secretária de Desenvolvimento Social do DF, Ana Paula Soares Marra, confirmou ter participado de uma reunião no dia 6 de janeiro, junto com o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, então chefe do Comando Militar do Planalto, e Torres. 

A pauta na ocasião, segundo ela, foi a desmobilização do acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, onde bolsonaristas acampavam há meses e defendiam uma intervenção militar no país. 

“No dia cinco, uma quinta-feria, eu recebi uma mensagem às oito e meia da noite, ainda tenho essa mensagem. O chefe de gabinete do secretário de Segurança Pública praticamente me convocando, dizendo que era uma reunião urgente”, contou Ana Paula. 

No encontro, foram mostradas fotos que demonstraram uma relativa desmobilização do acampamento e estabelecido um plano para a retirada das pessoas do local na semana seguinte, junto com equipes de abordagem social, devido ao grande número de pessoas em situação de rua nos arredores, contou a secretária.

Entenda

A ação penal 2668 foi aberta depois que a Primeira Turma do Supremo aceitou, em março, a parte da denúncia da PGR relativa ao chamado núcleo “crucial” do golpe, composto pelo que seriam as principais cabeças do complô. 

Entre os réus dessa ação penal está o próprio Bolsonaro, apontado pela PGR como líder e principal beneficiário da trama golpista, além de Torres e outros sete ex-ministros de seu governo e assessores próximos. 

As testemunhas do caso começaram a ser ouvidas em 19 de maio, por videoconferência, e seguem até 2 de junho. Na tarde desta sexta, às 14h, estão marcados os depoimentos de mais quatro testemunhas de Bolsonaro.

As audiências são presididas pelo ministro Alexandre de Morares, relator do caso. Em despacho, ele proibiu qualquer tipo de gravação das audiências. Jornalistas foram autorizados a acompanhar as falas da sala da Primeira Turma, no Supremo. 

Fonte: Agência Brasil

Solenidade encerra Semana Legislativa com homenagens às mulheres

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Solenidade realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal marcou o encerramento da 6ª Semana Legislativa pela Mulher, que teve como objetivos a conscientização da importância do papel da mulher e a promoção da equidade entre homens e mulher em todos os seus aspectos.

A deputada Paula Belmonte (Cidadania), segunda vice-presidente da CLDF e titular da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Legislativa, ressaltou o objetivo da equidade. “Aqui nós não queremos enfatizar a competição, mas mostrar a importância da mulher na política e nas políticas públicas. Isso é fundamental. É uma honra estar aqui representando homens e mulheres, mas principalmente preocupada com a nossa geração de jovens. A gente precisa ter mulheres que estejam em lugar de liderança, mas isso só é possível se houver oportunidade de uma escola de qualidade para essas meninas”, afirmou Paula.

O Procurador Especial de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, deputado Chico Vigilante (PT), falou da necessidade de avançar mais em questões importantes. “Já avançamos, mas precisamos avançar mais. Até algumas décadas atrás estava na lei que mulher era proibida de votar, que para trabalhar tinha que ter autorização do marido e que para viajar também dependia de autorização do marido. Estava tudo na lei. Foi a luta de mulheres guerreiras que fez com que essas amarras fossem sendo quebradas. Precisamos avançar mais. Mulher não pode continuar sendo assediada no local de trabalho. Não podemos aceitar a desigualdade salarial que ainda impera. Sonho com o dia em que o direito à igualdade das mulheres não seja só discurso, que efetivamente esteja na prática”, argumentou Vigilante.
 

 

Já a deputada Jaqueline Silva (MDB) registrou que a solenidade é mais do que um momento de homenagem. “Muito mais do que essa entrega de reconhecimento [moções de louvor]. Por aqui, passaram oficinas, palestras e debates. Tudo isso para fortalecer esse movimento que é tão importante para a sociedade do Distrito Federal”, falou Jaqueline.

O deputado Max Maciel (PSOL) disse que os homens já têm muito espaço para falar. “Estou aqui para ouvir. Nosso papel aqui é ouvir. Já temos espaço demais conquistado de fala e de privilégio. Que a gente possa ensinar nossos filhos, irmãos e amigos que algumas piadas não cabem mais. Essa cidade ainda é muito hostil com as mulheres. É nosso papel lutar para que isso se transforme e garantir que direitos aconteçam”, defendeu Max.

 

 

A senadora Leila Barros (PDT), uma das homenageadas durante a solenidade, lembrou a necessidade do combate permanente à violência contra as mulheres. “Vivemos um cenário de banalização da vida das mulheres. Quando tratamos de políticas públicas para as mulheres não estamos falando de competição, mas sim de dignidade e oportunidade. As mulheres, principalmente as mais vulneráveis, estão cada vez mais desassistidas pelo Estado e aí vem o papel de muitas mulheres que estão no terceiro setor e fazem o que o governo não faz. O último Atlas da Violência mostra que no Brasil todos os homicídios diminuíram, exceto o feminicídio. Foi o único que aumentou. Queremos o apoio dos homens. Queremos oportunidade, equidade, paridade e, acima de tudo, dignidade”, declarou a senadora.

Por sua vez, o deputado Gabriel Magno (PT) corroborou com a necessidade de avançar. “Garantir direitos fundamentais das mulheres brasileiras e da nossa cidade ainda é um desafio porque eles ainda têm sido negados pelo Estado, pelo poder público e pela sociedade. A gente ainda tem um país que não garante a autonomia das mulheres à própria identidade, ao corpo, à essência de vocês. A cidade não é igual para homens e mulheres, por exemplo, devido à escuridão das ruas e a gente sabe que são muito mais perigosas para mulheres. Precisamos pensar juntos em políticas de garantia e proteção”, asseverou Gabriel.

 

O deputado João Cardoso (Avante) também falou sobre a igualdade. “Tenho comigo a concepção de que os direitos das mulheres sempre existiram. Mas, infelizmente, existem homens sem caráter, que não respeitam as mulheres. Esses casos têm que vir à tona e esses homens têm que ser punidos”, explanou João Cardoso.

 

 

O deputado Fábio Felix (PSOL) e o bispo-auxiliar de Brasília, Dom Denilson Geraldo, também participaram da cerimônia. Ao fim da solenidade foram entregues moções de louvor em homenagem às mulheres.
 

Resumo

Entre as diversas ações realizadas durante a 6ª Semana Legislativa aconteceram debates, palestras, exposições, rodas de conversa, homenagens, solenidades e reflexões. Foram mais de mil inscrições que tiveram 18 horas de atividades exclusivas.
 

 

A diretora da Escola do Legislativo, Jane Marrocos, valorizou o sucesso do evento. “Nossa semana foi marcada por muitas emoções, histórias que se cruzaram em suas peculiaridades. A história que cada uma de nós carrega faz diferença para a sociedade. Esse encontro que fala sobre a equidade reforçou e qualificou muito o quórum e as discussões dessa Semana Legislativa”, disse Jane.

Leia mais: 

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Deputadas defendem aumento da representatividade feminina na política

Fonte: Agência CLDF

Governo oferece mais de 900 vagas gratuitas em cursos de tecnologia e inovação

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Cursos abrangem temas estratégicos para mercado digital, como e-commerce, marketing digital, inteligência artificial, programação de computadores, criação de conteúdo digital, mídias sociais, entre outros (Fotos: Secti-GO)

O Governo de Goiás está com inscrições abertas para 901 vagas para cursos gratuitos de qualificação profissional nas áreas de tecnologia e inovação. As oportunidades são oferecidas pelas Escolas do Futuro de Goiás (EFGs), com aulas 100% on-line, duração de 160 horas e realização em 40 dias letivos.

As vagas atendem moradores de todo o estado com idade mínima de 16 anos e ensino fundamental completo. Os interessados podem se inscrever no site https://efg.org.br/editaiscursos.

Cursos

Os cursos abrangem temas estratégicos para o mercado digital, como e-commerce, marketing digital, inteligência artificial, programação de computadores, criação de conteúdo digital, mídias sociais, entre outros.

A seleção é feita por ordem de inscrição, seguindo o modelo de fluxo contínuo. A convocação para matrícula ocorrerá conforme o preenchimento das turmas.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), e reforça o compromisso do Governo de Goiás com a democratização do acesso ao conhecimento e à formação profissional de qualidade.

Com foco nas demandas do mercado e na transformação digital, o programa busca preparar profissionais qualificados para os desafios da nova economia e impulsionar o desenvolvimento tecnológico em todo o estado.

As vagas estão distribuídas entre as cinco unidades das EFGs, localizadas em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Valparaíso, Mineiros e Santo Antônio do Descoberto. Do total, 60% são destinadas, prioritariamente, a públicos em situação de vulnerabilidade social, como estudantes da rede pública, pessoas com deficiência, com altas habilidades/superdotação e com renda familiar per capita de até um salário-mínimo e meio.

Escolas do Futuro

Desde sua criação, as Escolas do Futuro de Goiás atuam como polos de formação técnica e cidadã voltados para as profissões do futuro. Desde 2021, as unidades são geridas pela Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (Cett/UFG).

Saiba mais

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Equipe da Escola do Futuro disputa etapa do Campeonato Internacional de Robótica

Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) – Governo de Goiás

Fonte: Portal Goiás

TV Brasil transmite final da Copa de basquete feminino no domingo

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A TV Brasil transmite, ao vivo e com exclusividade na TV aberta, a grande final da Copa da Liga de Basquete Feminino (LBF) 2025, neste domingo (1º), a partir das 13h50. 

A competição reúne os quatro times de melhor campanha no primeiro turno da temporada: Sampaio Basquete, SESI Araraquara, Corinthians e Unimed Campinas. As semifinais acontecem no sábado (31), quando serão definidos os finalistas que disputarão o título no dia seguinte.

Realizada no Ginásio Castelinho, em São Luís (MA), a Copa LBF é uma disputa intertemporada, de tiro curto, com formato eliminatório. 

“A LBF está muito contente em realizar a segunda edição da Copa que é um torneio que se solidifica no cenário nacional. É mais uma oportunidade para as equipes disputarem um título durante a temporada”, comenta o presidente da LBF, Valter Ferreira.

Telespectadores de todo o país podem acompanhar os jogos por meio das emissoras que compõem a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). 

Saiba como sintonizar a TV Brasil em sua cidade.

Visibilidade 

A transmissão da LBF está alinhada à estratégia de ampliar a visibilidade das mulheres no esporte. A TV Brasil também transmite partidas do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol.

Na próxima semana, a TV Brasil volta a exibir as disputas do torneio principal da LBF. O canal público exibirá o duelo entre Cerrado Basquete e Ourinhos Basquete, no domingo (8), às 10h45.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica.

Os programas da emissora pública estão no TV Brasil Play, ou por aplicativo no smartphone. 

O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV.

Serviço

Copa LBF – ao vivo na TV Brasil

Domingo (1º), a partir das 13h50

Fonte: Agência Brasil

IBGE reúne 30 países em Fortaleza para discutir integração de dados

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Debates sobre indicadores de áreas como saúde, educação, trabalho, desigualdade e meio ambiente vão integrar o Triplo Fórum Internacional de Governança do Sul Global, na cidade de Fortaleza (CE), entre os dias 11 e 13 de junho. 

O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o governo local e apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Está prevista a participação de mais de 100 conferencistas brasileiros e estrangeiros, que tratarão de novos indicadores em relação ao Sul Global na “era digital”. Representantes de pelo menos 30 países já confirmaram presença no evento. As inscrições, que são gratuitas, estão abertas até o próximo dia 8 (Inscreva-se aqui) .

Neste mês em que o IBGE completou 89 anos, o presidente do instituto, Marcio Pochmann, entende que será uma possibilidade de troca de experiências que deve interessar a estudantes de diferentes áreas e níveis de formação. 

Em entrevista à Agência Brasil, Pochmann destacou que existem desafios importantes que países em desenvolvimento enfrentam em relação à soberania dos dados. Confira abaixo a entrevista:

Agência Brasil – O IBGE atravessa um desafio tão grande do ponto de vista de gestão dos dados como na época em que foi criado, no século passado?

Marcio Pochmann – Nós estamos partindo de um posto avançado. Estamos falando de uma instituição que tem quase 11 mil servidores. É uma das instituições de pesquisa, estatística e geografia maiores do mundo, inclusive. É uma referência internacional, uma instituição que tem 566 agências distribuídas, Não há outra instituição no Brasil com essa representatividade. São 27 superintendências. 

O IBGE tem credibilidade e é uma das pouquíssimas instituições que entra na casa dos brasileiros. Há o sigilo estatístico. As informações não são passadas para ninguém porque a gente trabalha no conjunto dos brasileiros. Não na especificidade ou na individualidade. Isso já é uma base muito importante que nos dá condições de avançar para um desafio que me parece mais importante, que é a integração dos vários bancos de dados do país.

O IBGE é como o grande coordenador do Sistema Nacional geoestatístico, que nos daria condições de integrar dados da saúde, como o DataSus, dados tributários e também dos beneficiários de programas sociais, o CADúnico.

O Brasil tem uma riqueza de informações, de dados, mas eles não estão integrados. E o IBGE pode, então, fazer isso e nos daria mais informações para quem toma decisão, seja no setor privado, seja o prefeito, o governador, o presidente. Nós estamos vivendo também um período de disputa. Hoje temos empresas estrangeiras que utilizam as informações prestadas nas redes sociais para ter acesso mais rápido aos dados dos brasileiros do que o próprio IBGE. 

Essa é questão sobre a soberania de dados. É dramático um país que não tem a soberania dos seus próprios dados, que tem empresas estrangeiras, que têm mais informação daquele país. 

Agência Brasil – Esse não é um desafio só brasileiro. No evento em Fortaleza, a ideia é também tratar dessas questões?

Márcio Pochmann – Esse é um destaque importante do ponto de vista do protagonismo que o IBGE está tendo no plano internacional. Neste ano, O IBGE foi eleito pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas para passar a fazer parte da elite do Sistema Estatístico internacional. 

Ao mesmo tempo, o IBGE vem também protagonizando a coordenação dos institutos de estatística em diferentes blocos de país. No ano passado, coordenou o bloco de país do G20, fazendo questões de discussão metodológica sobre, por exemplo, as pessoas em situação de rua. 

O Brasil hoje lidera o Brics [grupo formado por 11 países] e também o grupo de países do Mercosul. Nesse sentido, o IBGE está reunindo os institutos nacionais estatísticos, representantes dos sistemas dos países dos Brics, daqueles em língua portuguesa, e também do Mercosul. 

Estamos vivendo um momento excepcional no mundo, que é o deslocamento do centro dinâmico do Ocidente para o Oriente e do Norte para o Sul. 

O Brasil está tendo o protagonismo de trazer essa discussão a respeito de quais são as especificidades do Sul global em relação a temas como desigualdade. 

Olha-se a partir do Sul global, que são países que têm florestas. 

Nós temos hoje uma situação em que os direitos trabalhistas, o salário, o reconhecimento é apenas para quem trabalha fora de casa. Mas quem está em casa não tem reconhecimento.

Essa é uma realidade de muitos países do Sul global. Então, são temas que estamos trazendo, as oportunidades de trabalho na era digital, especialmente para jovens.

Agência Brasil – O evento terá representantes de 30 países. Existem temas prioritários?

Marcio Pochmann – Nós vamos trazer pelo menos 35 temas amplos. E é um convite para a juventude brasileira se envolver nessa temática. Que terá a presença de pesquisadores, estudiosos, gestores.

Talvez seja o maior evento realizado até agora no âmbito do Sul global. Foi até por isso que o IBGE divulgou um mapa invertido que causou discussão no Brasil.

É um mapa em que o Brasil está no centro do mundo e não na parte inferior do planeta. Hoje, o Brasil tem um protagonismo que, talvez no passado, nunca teve, Mas esse protagonismo tem que ter responsabilidade do ponto de vista do encaminhamento de questões que são fundamentais para a humanidade.

Agência Brasil – O evento, então, tratará desses desafios comuns?

Marcio Pochmann – Haverá uma quantidade expressiva de pesquisadores e gestores de um conjunto equivalente a 30 países. É uma convergência para pensar o mundo a partir do Sul global, a partir da nossa realidade em transformação, de temas como a queda na taxa de fecundidade e o crescimento menor da população. 

Temos as questões ambientais, as relativas ao tipo de desenvolvimento das cidades, assuntos ligados à juventude, ao emprego, às condições de acesso à educação. 

Trata-se de uma pauta muito grande, mas de interesse nacional, inclusive de jovens que estão no ensino médio, superior ou na pós-graduação.

Mas também gestores do município e brasileiros envolvidos com o setor privado. É um evento que vai marcar época na medida em que estamos pensando além do Brasil, em função da realidade, do dinamismo do Sul global, que hoje responde a mais de 70% do crescimento do mundo. 

Agência Brasil – Por que é importante essa integração de dados entre os países?

Marcio Pochmann – Na reunião dos Brics, que ocorreu em Cazã (Rússia), no final do ano passado, houve um documento que disciplinou a questão estatística. 

O Brics precisa ter, na verdade, grande referência em indicadores. Estamos autorizados, nesse sentido, a avançar na temática dos indicadores de dados. Mas também na integração metodológica, que permitiria certa uniformidade nas informações.

Não adianta, às vezes, você ter uma informação que é importante para o país, mas sem poder comparar com outros países.

Agência Brasil – A discussão que o senhor tem levantado, sobre a necessidade de soberania dos dados, é uma preocupação também do Sul global?

Marcio Pochmann – Estamos falando de países que têm uma disposição de oferecer alternativas ao modelo que veem hoje nos Estados Unidos.

É um modelo eficiente do ponto de vista da comunicação do acesso à informação, No caso dos Estados Unidos, há uma lei que obriga as grandes empresas, chamadas big techs, a disponibilizar seus dados toda vez que o Departamento de Estado exigir. 

O IBGE, por exemplo, está fazendo um deslocamento dos seus bancos de dados para o Serpro, que é uma empresa pública e nacional. Essa preocupação, obviamente, com a questão da soberania, interessa ao Brasil, mas está relacionada aos demais países que não dispõem dessas empresas, dependem de empresas do exterior.

Agência Brasil – Quanto menos acesso a essa soberania de dados, mais vulnerável fica a sociedade, certo?

Marcio Pochmann – Exatamente, porque você não controla a informação. Alguém do exterior tem mais informações da realidade brasileira. Há empresas que têm a fotografia e o vídeo de nossas cidades.

No início do século 20, a preocupação foi pela soberania econômica. Agora, a questão é da soberania de dados. Isso assumiu uma centralidade muito grande.

Agência Brasil – O senhor pode falar também sobre o que podemos aprender com outras experiências?

Marcio Pochmann – Temos a experiência avançada aqui no âmbito da América Latina. A Colômbia, por exemplo, tem um centro importante de produção de dados com metodologias inovadoras. Nós temos a experiência da China, por exemplo, que tem feito pesquisas muito oportunas no âmbito da chamada economia digital. 

Não se pergunta mais se a pessoa trabalha ou não trabalha. Pergunta-se se ela leva uma renda para casa. Esse tipo de inovação metodológica, tecnológica, é fundamental para melhorar a pesquisa que o IBGE faz.

Agência Brasil – E dados representam recursos e participação efetiva da comunidade com a gestão pública, não é?

Marcio Pochmann – Sem dúvida. O nosso papel também é de reduzir custos e gastos para fazer essas pesquisas. Por exemplo, o IBGE é responsável pela produção do Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse indicador é um levantamento que é feito por cerca de 2 mil pessoas, que estão em dez regiões metropolitanas. 

É um trabalho rigoroso, técnico e fundamental. Nesse sentido, estamos avançando nas chamadas pesquisas experimentais, em passar a utilizar preços de nota fiscal eletrônica. 

Agência Brasil  – Os debates desse evento em Fortaleza servirão para intercâmbios na reunião do Brics, no Rio de Janeiro [nos dias 6 e 7 de julho]? Para a COP30 também, em novembro [em Belém], certo?

Marcio Pochmann – O Fórum tem esse papel de gerar subsídios que possam, na verdade, ser avaliados pelos chefes de Estado nas suas declarações. Como também gerar subsídios para a COP, que é um evento fundamental que vai discutir a temática climática.

Fonte: Agência Brasil