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Trump alega ter resgatado piloto; Irã nega e mostra aeronaves abatidas

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O conflito entre Irã e Estados Unidos foi para além dos mísseis e bombas de parte a parte. O Irã intensifica as respostas em uma guerra midiática proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o começo. O capítulo mais recente, e talvez o de maior tensão até o momento, diz respeito à operação de resgate de um piloto estadunidense em território iraniano, após a queda do caça que ele pilotava, abatido por disparos inimigos.

Donald Trump disse, neste domingo (5), em sua rede social própria, a Truth Social, que as Forças Armadas de seu país resgataram o piloto com vida, embora “gravemente ferido”. “Resgatamos o piloto em plena luz do dia, algo incomum, passando sete horas no Irã. Uma incrível demonstração de bravura e talento de todos!”. Ainda não há, no entanto, fotos ou vídeos desse resgate ou do oficial resgatado.

Como uma resposta às declarações de Trump, a agência de notícias estatal iraniana Tasnin publicou várias fotos de destroços de aeronaves, supostamente norte-americanas. Seriam aeronaves abatidas pelo exército iraniano durante as tentativas estadunidenses de resgate do piloto desaparecido.

“O porta-voz do quartel-general das Forças Armadas do Irã anunciou neste domingo, 5, que forças militares iranianas destruíram várias aeronaves dos Estados Unidos no sul de Isfahan, frustrando uma tentativa de missão de resgate de um piloto de caça americano abatido”, disse a agência iraniana.


Iran, 05/04/2026 - wreckage of a US military aircraft destroyed in southern regions of Isfahan in central Iran.
The spokesperson for the Khatam al-Anbia Central Headquarters of Iran announced on Sunday, April 5, that that Iranian military forces have destroyed several US aircraft in southern Isfahan, thwarting an attempted mission to rescue a downed American fighter pilot.. Foto: Tasnin News/Divulgação
Iran, 05/04/2026 - wreckage of a US military aircraft destroyed in southern regions of Isfahan in central Iran.
The spokesperson for the Khatam al-Anbia Central Headquarters of Iran announced on Sunday, April 5, that that Iranian military forces have destroyed several US aircraft in southern Isfahan, thwarting an attempted mission to rescue a downed American fighter pilot.. Foto: Tasnin News/Divulgação

As fotos mostram destroços do que parecem ser dois helicópteros. Segundo a Tasnin, foram abatidos dois helicópteros Black Hawk e um avião de transporte C-130. “O porta-voz disse que a operação resultou na destruição de várias aeronaves hostis e descreveu o resultado [da operação] como outra derrota humilhante para os Estados Unidos, traçando paralelos com a fracassada operação Eagle Claw, de abril de 1980”, acrescentou a agência.

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Fracasso em 1980

A operação Eagle Claw [garra de águia, em tradução livre] foi uma operação conduzida pelo Exército Estadunidense em 1980 para resgatar 52 reféns na embaixada dos Estados Unidos em Teerã, capital do Irã. Várias aeronaves, entre helicópteros e aviões, foram usados na operação. No entanto, os militares enfrentaram falhas mecânicas e problemas meteorológicos, em uma sequência de revezes que tiraram várias aeronaves de combate. Oito militares morreram na operação, antes mesmo de se aproximarem de Teerã. O resultado cada vez mais desastroso fez o presidente dos EUA na época, Jimmy Carter, concordar em abortar a missão. O fracasso da operação é sempre lembrado e comemorado entre os iranianos.

Fonte: Agência Brasil

Balança comercial tem superávit mais baixo para março desde 2020

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A queda nas exportações de café e o aumento na importação de veículos fizeram a balança comercial registrar o superávit mais baixo para meses de março em seis anos, divulgou nesta terça-feira (7) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 6,405 bilhões.

O resultado representa queda de 17,2% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o superávit ficou em US$ 7,736 bilhões. O superávit é o mais baixo para meses de março desde 2020, início da pandemia de covid-19, quando o resultado ficou positivo em US$ 4,046 bilhões.

O valor das exportações e das importações ficou o seguinte:

  • Exportações: US$ 31,603 bilhões alta de 10% em relação a março do ano passado;
  • Importações: US$ 25,199 bilhões, alta de 20,1% na mesma comparação.

O valor das exportações é o segundo maior para meses de março desde o início da série histórica, só perdendo para março de 2023. As importações registraram o maior valor da série, que teve início em 1989.

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Setores

Na distribuição por setores da economia, as exportações em março variaram da seguinte forma:

  • Agropecuária: +1,1%, com queda de 2 no volume e alta de 3% no preço médio;
  • Indústria extrativa: +36,4%, puxada pelo petróleo, com alta de 36,4% no volume e de 0,2% no preço médio;
  • Indústria de transformação: +5,4%, com alta de 4,2% no volume e de 1% no preço médio.

Produtos

Os principais produtos responsáveis pela alta das exportações em março foram os seguintes:

  • Agropecuária: animais vivos, exceto pescados ou crustáceos (+49,4%); algodão em bruto (+33,6%); e soja (+4,3%).
  • Indústria extrativa: outros minerais brutos (+55,9%); outros minérios e concentrados de metais de base (+66,8%); e óleos brutos de petróleo (+70,4%);
  • Indústria de transformação: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29%); combustíveis (+30%); e ouro não monetário (excluindo minérios de ouro e concentrados) (+92,7%).

Apesar do crescimento das exportações agropecuárias, as vendas de café despencaram em março. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 437,1 milhão a menos que em março de 2025 (-30,5%). A queda deveu-se à redução de 31% na quantidade exportada, por diferença de cronogramas de embarque.

Em relação ao petróleo bruto, a alta nas exportações chega a US$ 1,971 bilhão em relação a março de 2025. Tradicionalmente, as vendas de petróleo registram forte variação mensal por causa da manutenção programada de plataformas.

No entanto, a expectativa é de queda nos próximos meses por causa da alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março como medida para segurar a alta dos combustíveis após o início da guerra no Oriente Médio.

Importações

Em relação às importações, a alta está vinculada principalmente a veículos, cujas compras do exterior subiram US$ 755,7 milhões em março na comparação com o mesmo mês de 2025. Na divisão por categorias, os principais produtos são os seguintes:

  • Agropecuária: pescados (+28,9%); frutas e nozes não oleaginosas (+26,6%); e soja (+782%);
  • Indústria extrativa: minérios e concentrados de metais de base (+33,7%); carvão não aglomerado (+59,9%); e óleos brutos de petróleo (+19,4%);
  • Indústria de transformação: outros medicamentos, incluindo veterinários (+72,2%); adubos ou fertilizantes químicos (+61%) e automóveis de passageiros (+204,2%).

Acumulado

Nos três primeiros meses do ano, a balança comercial registra superávit de US$ 14,175 bilhões, valor 47,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O crescimento deve-se à importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação que não se repetiu em 2026.

A composição ficou a seguinte:

  • Exportações: US$ 82,338 bilhões, alta de 7,1% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado;
  • Importações: US$ 68,163 bilhões, alta de 1,3% na mesma comparação.

O superávit acumulado é o terceiro maior da série histórica, só perdendo para o primeiro trimestre de 2024 e de 2023.

Projeções

O Mdic atualizou as estimativas para a balança comercial em 2026. Para este ano, a pasta projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões em 2025. Em janeiro, o ministério tinha estimado superávit de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões neste ano.

Segundo o Mdic, as exportações deverão encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2025. As importações deverão chegar a US$ 280,2 bilhões em 2026, aumento de 4,2% na comparação com o ano passado.

As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em julho. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.

As estimativas do Mdic estão mais otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial encerrará o ano com superávit de US$ 70 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

Senado reconhece estágio como experiência profissional

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O Senado aprovou nesta terça-feira (7) o Projeto de Lei (PL) 2762/2019 que determina que o estágio realizado pelo estudante será contado como experiência profissional. 

A proposta, que altera a Lei de Estágio, de 2008, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Caberá ao poder público regulamentar as hipóteses em que o período de experiência profissional de estágio valerá para provas de concursos públicos.

O autor da proposta, deputado Flávio Nogueira (PT-PI), argumenta que a dificuldade de obtenção de emprego, especialmente dos jovens de 18 a 24 anos, é devido à falta de experiência profissional, e que o projeto vai preencher essa lacuna.

“O jovem não consegue trabalhar porque não teve um emprego anterior e não adquire experiência pelo fato de antes não ter trabalhado”, diz o deputado ao justificar a iniciativa.

A relatora da matéria, senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também ressaltou o desafio da comprovação de experiência profissional para conseguir um emprego.

“O estágio, embora seja uma atividade educacional supervisionada, já ocorre no ambiente de trabalho, onde o estudante desempenha atividades profissionais, com vistas à sua preparação para o mercado de trabalho”, avalia.

Repouso

Ainda na sessão desta terça-feira, os senadores aprovaram o PL 1.732/2022, que permite dividir o repouso anual de 30 dias de médicos residentes e outros profissionais da saúde em partes menores, com um mínimo de 10 dias cada. O texto também segue para sanção presidencial.

Pelo projeto, médicos residentes e outros profissionais em programas de residência na área de saúde poderão dividir os 30 dias de repouso anual em períodos menores de, no mínimo, 10 dias, desde que o pedido seja feito pelo próprio residente e conforme regulamento.

A nova regra entra em vigor após 180 dias da publicação da lei.

Os senadores aprovaram ainda o projeto de resolução do Senado que cria a Frente Parlamentar Mista de Defesa dos Feirantes, com foco na articulação de políticas públicas e iniciativas voltadas ao setor. 

O projeto vai à promulgação. 

Fonte: Agência Brasil

"Estamos nos tornando indiferentes à violência", alerta Papa Leão XIV

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Pela primeira vez desde que se tornou representante máximo da Igreja Católica, o papa Leão XIV presidiu a missa do Domingo de Páscoa, na Praça São Pedro, no Vaticano. Dirigindo-se a milhares de fiéis em todo o mundo, ele encorajou os líderes mundiais a se desarmarem e a buscarem o diálogo para encerrar os conflitos bélicos. 

“Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”, disse Leão XIV, neste domingo (5).

O líder religioso criticou a falta de sensibilidade e a apatia diante do sofrimento alheio.

“Estamos nos habituando à violência, nos resignando a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos”.

Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada, para retomar uma expressão cara ao papa Francisco. “Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo”, ponderou o líder católico.

Leão XIV citou o exemplo de Cristo para defender o diálogo e a cooperação como forma de superar o ciclo de ódio que gera e perpetua guerras e conflitos.

“Esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas em todos os níveis: entre as pessoas, famílias, grupos sociais e nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para o conceber e o concretizar em conjunto com os outros”, acrescentou o papa;

Ele lembrou que, para os cristãos, a Páscoa representa “uma vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”.

“Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar; uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora”, disse o papa, insistindo na crítica à indiferença. “Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar, mas não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal!”

Segundo o Vaticano, cerca de 50 mil pessoas assistiram, na Praça São Pedro, à celebração litúrgica deste domingo, concluída com o papa apelando a todos que “façamos ouvir o grito de paz que brota do coração”. “Não àquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós.”

Fonte: Agência Brasil

Governo do Rio diz que entregou imagens da Operação Contenção à PF

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O governo do estado do Rio de Janeiro informou nesta terça-feira (7) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as imagens capturadas pelas câmeras corporais dos policiais militares que participaram da Operação Contenção foram entregues à Polícia Federal (PF).

A manifestação foi enviada à Corte um dia após a PF afirmar que o material não foi recebido pela corporação, que é responsável pela perícia das imagens.

“O estado do Rio de Janeiro esclarece que o acervo audiovisual da PMERJ foi regularmente compartilhado com a Polícia Federal, na forma já informada e comprovada nos autos”, disse o governo.

Ontem (6), em ofício enviado a Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que a corporação já estava realizando a perícia do material enviado pela Polícia Civil, mas as imagens da Polícia Militar ainda não tinham sido recebidas.

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Em março deste ano, o ministro determinou que as polícias Militar e Civil deveriam enviar à PF as imagens da operação, que foi realizada no ano passado e que deixou mais de 120 mortos.

A apuração sobre a legalidade da operação ocorre no âmbito do processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635.

Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Brasil

Evocar raízes culturais dos alunos transforma a aula, diz pesquisador

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A sala de aula não pode ser espaço hermético de mera reprodução de pensamentos e que não encoraje a participação e ousadia dos alunos. Mais do que isso, todo professor tem a obrigação de privilegiar a raiz e o saber cultural dos estudantes. Essa é a visão que o artista e pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres, de 42 anos, tem levado Brasil afora em programas de capacitação que chegam a redes públicas de ensino. 

“A brincadeira vira a base da pedagogia. É necessário promover a cultura de cada região para que os alunos possam reconhecer as raízes do seu próprio território”, afirma.

As premissas do artista vão ao encontro do que exige a Lei nº 11.645/2008, que completou, em março, 18 anos. A legislação tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados de todo o Brasil.

Lucas dos Prazeres afirma que a “tecnologia” que deve ser desenvolvida é a da rede de apoio comunitária típica dos povos tradicionais, em uma lógica de que cuidar da criança está além dos pais biológicos.

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Capacitação

O artista, educador e mestre em cultura popular capacita, nesta semana 60 professores do Distrito Federal em um projeto promovido pela Caixa Cultural.

“É uma formação que se chama ‘Reaprender Brincando’. É um olhar que traz a cultura, as brincadeiras das tradições populares para dentro da ementa escolar”.

Ele defende a união de ensino e identidade sob uma proposta inclusiva, antirracista e representativa sem cair na ideia de que a arte deve ser apenas contemplada durante as atividades escolares.

Para o artista, a cultura está na dimensão cotidiana de cada lugar. Por isso, o caminho seria praticar todas as disciplinas com base nas histórias do município, do bairro e no modo de vida de cada comunidade. Lucas dos Prazeres afirma que seu grande aprendizado foi no  Morro da Conceição, onde nasceu e se criou. 

“Lá é uma encruzilhada de saberes, onde a diversidade cultural de Pernambuco se encontra e convive harmoniosamente na mesma praça”,diz.

Ele conta que o início das proposições da mãe, Lúcia, e da tia, Conceição, está relacionado a uma história de 1981. A família tinha uma creche-escola comunitária que recebia material do governo do estado e da prefeitura. “O material didático não correspondia à realidade daquelas crianças”. Havia textos, por exemplo, que indicavam que uma criança havia visitado a fazenda do vovô. “Tinha bastante criança na escola, mas nenhuma delas tinha um familiar com fazenda”.

Território

Lucas dos Prazeres explica que cabe aos professores de todos os níveis da educação formal (e informal) incluir a arte em sala. Até em áreas menos conhecidas para essas ousadias, como as de exatas. Sejam adultos ou crianças. “É preciso, por exemplo, conectar a primeira infância com a sua própria história, com a sua própria cultura em termos de território nacional e construir identidade cultural desde o início”, defendeu. 

Para o pesquisador, os gestores precisam entender que cultura na escola não é apenas levar um artista para fazer uma apresentação e cantar na festa. “É muito mais profundo do que isso. É necessário utilizar a cultura popular como ferramenta de aprendizado”.

Fonte: Agência Brasil

Crime de genocídio: Trump ameaça eliminar civilização de 3 mil anos

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“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, anunciou nesta terça-feira (7) o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em mais uma ameaça de genocídio contra o Irã, caso o país não reabra o Estreito de Ormuz.

Estima-se que a civilização persa, da qual o Irã é herdeiro, tenha entre 2,5 mil e 3 mil anos de história, com inúmeras contribuições culturais, filosóficas e científicas deixadas para toda a humanidade.

Agora, o presidente da maior potência militar e nuclear do planeta vem, repetidamente, ameaçando destruir o Irã como nação, dizendo que vai devolver o país à “idade das pedras”.

Em entrevista à Agência Brasil, o professor de direito internacional da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) Gustavo Vieira avaliou que as ameaças de Trump são gravíssimas e colocam em risco toda a paz mundial.

“Essa fala vai contra todas as bases que fundam o direito internacional, que busca a coexistência das nações. Isso é uma ameaça de um crime de genocídio, de crimes contra a humanidade e de guerra que já foram categorizados desde o Tribunal de Nuremberg e estão normatizados pelo Estatuto do Tribunal Penal Internacional Permanente”, explicou o especialista.

Convenções internacionais, como a Convenção de Genebra ou a Convenção sobre Prevenção do Genocídio, proíbem o ataque contra infraestruturas civis ou ações que causem danos a civis, exigindo que os Estados usem ainda a proporcionalidade em suas ações militares.

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Vieira ponderou que é desproporcional aniquilar uma nação para poder abrir o Estreito de Ormuz. “O legado disso para a comunidade internacional é muito preocupante. A gente vai ver uma escalada de investimentos em armas e sistemas de defesa”, completou.

Para a professora de direito internacional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Elaini Silva, a ameaça de Trump viola a Carta da ONU.

“É a imagem da barbárie. Quando a ameaça é mais do que um uso da força pontual para coação, mas de extermínio de um povo, já estamos falando de crimes tão graves que podem envolver a responsabilidade pessoal dos governantes”, disse Elaini Silva, doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

A avaliação do antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), é de que guerra e as ameaças de Trump têm o efeito de fortalecer a República Islâmica devido ao nacionalismo da população.

“Os iranianos são uma sociedade com uma identidade nacional e com uma consciência nacional muito forte. Então, essa ideia de que o Irã vai ser destruído, humilhado ou subjugado, obviamente, faz com que as pessoas prefiram apoiar qualquer regime que defenda a soberania nacional”, disse.

O antropólogo acrescentou que, ainda que a ameaça de Trump não se concretize, a destruição já está em curso. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) calcula que 160 monumentos históricos tenham sido danificados ou destruídos pelos ataques dos EUA e de Israel.

 


Mapa Estreito de Ormuz. Foto: Arte/EBC
Mapa Estreito de Ormuz. Foto: Arte/EBC

Mapa do Estreito de Ormuz – Arte/EBC

Trump evita comentar crime de guerra

Questionado nessa segunda-feira (6) por um jornalista nos jardins da Casa Branca sobre a ameaça ser um crime de guerra, o presidente Donald Trump ignorou a pergunta.

“Você está se comprometendo a cometer um crime de guerra?”, disse o profissional de imprensa em áudio captado pela transmissão oficial. O presidente apenas virou o rosto e pediu novas perguntas aos jornalistas. “O que mais?”, desconversou.

Em coletiva de imprensa no mesmo dia, um jornalista do New York Times questionou Trump se ele não estaria violando o direito internacional ao ameaçar atacar infraestruturas civis.

O presidente estadunidense acusou o jornal de “falta de credibilidade” e disse que não permitiria que o Irã desenvolva armas nucleares, uma das tantas justificativas da guerra. Porém, mesmo os serviços de inteligência dos EUA apontam que Teerã não buscava desenvolver esses armamentos.

Na mesma postagem em que promete um genocídio no Irã, Trump diz que não quer que isso aconteça, “mas provavelmente acontecerá”.

“Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo”, completou. Contraditoriamente, Trump finaliza o comunicado pedindo para Deus abençoar “o grande povo do Irã”.

Confira mais informações sobre a guerra no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

A civilização persa

O antropólogo Paulo Hilu explicou que, se for considerada a língua persa, a história da civilização que Trump promete eliminar tem entre 2,5 mil e 3 mil anos. Porém, desde o período neolítico existe ocupação humana na região do atual Irã, o que pode chegar a até 10 mil anos atrás.

Um dos principais legados da civilização persa, esta com até 3 mil anos de história, é a noção filosófica-teológica de que a divindade é boa e que se opõe às forças malignas, sendo essa uma herança passada do zoroastrismo, com origem no atual Irã, para o judaísmo e depois o cristianismo.

“A ideia de que existe um bem absoluto que se opõe a um mal absoluto é uma ideia filosófico-teológica que foi criada com Zoroastro, que teria vivido no Irã.  Isso vai passar para o judaísmo e depois para o cristianismo. A nossa civilização também é herdeira da civilização do império persa, não é uma civilização exótica”, ponderou Hilu.

Crimes de guerras anunciados

Entre os tantos crimes de guerra cometidos por Estados nacionais ao longo da história, entre eles, os EUA, o professor Gustavo Vieira avalia que a novidade, sob Trump, seria o desrespeito aberto e reiterado ao direito internacional.

“Mesmo o caso do Putin [presidente da Rússia], quando ele ataca a Ucrânia, ele se senta com o secretário-geral da ONU e justifica suas operações com base no direito internacional”, comparou.

O professor da Unila destaca que o direito internacional foi construído com muito sangue, após crimes contra humanidade graves, como os da 2ª Guerra Mundial, numa tentativa de construir um consenso para superar o imperialismo.

“São todos anúncios de violações ao direito internacional, em menor ou maior grau. O direito internacional é construído a duras penas, com muito esforço, e acaba sendo resultado de muita dor e muito sangue. Os Estados entram em certos entendimentos e consensos, por vezes, depois de gravíssimos erros já consolidados”, completou Vieira.

Segundo autoridades iranianas, pelo menos 300 unidades de saúde e cerca de 600 centros educacionais, incluindo escolas e universidades, foram atacados por Israel e pelos EUA desde o dia 28 de fevereiro. Dezenas de unidades e profissionais de saúde também foram atacados no Líbano.

Fonte: Agência Brasil

Exportações para o Oriente Médio caem 26% desde início da guerra

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As exportações brasileiras para o Oriente Médio caíram 26% em março, primeiro mês da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o valor exportado para os 15 países da região recuou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões neste ano.

A queda atingiu principalmente produtos do agronegócio. A exportação de carne suína recuou 59%. As vendas de frango, principal item vendido ao Oriente Médio, caíram cerca de 22%. As vendas de soja para a região diminuíram 25%.

Segundo o diretor de Estatísticas da pasta, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir todos os efeitos do conflito sobre o comércio internacional.

“Para fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo [comercial], é necessário esperar um pouco mais”, disse Brandão.

No fim de março, o Brasil fechou um acordo com a Turquia para a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio exportadas para o Oriente Médio e a Ásia Central. Os efeitos, no entanto, só começarão a aparecer na balança comercial de abril.

Petróleo

O destaque positivo das exportações brasileiras foi o petróleo. As exportações de óleo bruto avançaram 70,4% em valor, alcançando US$ 4,7 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 75,9%.

Segundo o governo, ainda não é possível afirmar que a alta esteja diretamente ligada ao conflito, embora a guerra já tenha afetado cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevado significativamente o preço do barril no mercado internacional.

Para os próximos meses, a expectativa é de queda nas vendas do produto. Para compensar parte dos subsídios ao diesel, o governo introduziu, em meados de março, uma alíquota de 12% sobre as exportações brasileiras de petróleo.

Impacto global

Além do Oriente Médio, outros mercados importantes também reduziram compras de produtos brasileiros em março na comparação com o mesmo mês do ano passado. 

As exportações para os Estados Unidos caíram 9,1%, enquanto houve recuos de 10% para o Canadá e de 5,9% para a Argentina.

No entanto, as vendas para a China cresceram 17,8% no mês, reforçando o papel do país asiático como principal parceiro comercial do Brasil.

Resultados

Em relação aos Estados Unidos, o Brasil registrou déficit comercial em março, com exportações de US$ 2,8 bilhões e importações de US$ 3,3 bilhões. Já com a China, houve superávit de US$ 3,8 bilhões no período.

As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%, enquanto para a Argentina houve queda nas vendas, mas manutenção de saldo positivo na balança. 

O cenário reflete os impactos iniciais da guerra sobre o comércio global, com efeitos variados entre regiões e produtos, especialmente nas cadeias ligadas a energia e alimentos.

Apesar das quedas pontuais, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março. As exportações totais somaram US$ 31,7 bilhões, alta de 10%, enquanto as importações cresceram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

Câmara aprova Medida Provisória com novas regras para seguro-defeso

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A Câmara dos Deputados aprovou hoje (7) a Medida Provisória (MP) 1323/25, que traz mais rigor para a concessão do seguro-defeso. O objetivo é evitar fraudes no pagamento do benefício. Entre outros pontos, a medida traz novas condições de cadastro e identificação, além de autorizar a quitação das parcelas pendentes em 2026 se o beneficiário atender aos requisitos exigidos em lei. A nova legislação segue para análise do Senado.

O benefício é pago aos pescadores artesanais que não podem praticar a atividade devido à piracema. O projeto determina que o interessado deve ter solicitado o benefício dentro dos prazos legais para receber o seguro-defeso de anos anteriores dentro dos prazos legais.

Além disso, o pagamento ocorrerá em até 60 dias depois da regularidade plena do pescador no programa. A MP estabelece ainda que as despesas ficarão de fora do limite previsto na Lei 10.779/03, que trata do seguro.

A legislação diz que o seguro terá a dotação orçamentária do ano anterior mais a correção permitida pelo arcabouço fiscal (IPCA + até 2,5% da variação real da receita primária).

Para 2026, o total do seguro-defeso previsto, exceto esses atrasados, é R$ 7,9 bilhões.

O texto prorroga até 31 de dezembro de 2026, o prazo para os pescadores artesanais apresentarem o já exigido Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.

O relatório deve ser apresentado anualmente para que o pescador continue habilitado a contar com o auxílio no ano seguinte. Quem estiver em atraso não recebe o valor pago para sustento da família enquanto houver proibição de pesca para preservar as espécies em sua época de reprodução.

No entanto, para receber os benefícios relativos a 2026 será necessário apresentar o Reap apenas de 2025.

O relator da proposta, deputado Beto Faro (PT-PA) disse que a medida visa resgatar a integridade e virtudes do seguro defeso ao pescador artesanal, dificultando a realização de fraudes que acabam prejudicando os “seus beneficiários legítimos e da moralidade pública.”

“A iniciativa do governo busca preservar o significado essencial do seguro defeso, ou seja, a garantia de uma renda básica ao pescador artesanal durante o período de impedimento do exercício da pesca para permitir a reprodução das espécies pesqueiras”, explicou. 

 

Fonte: Agência Brasil

Jornalista não tem o que comemorar em seu dia, diz presidente da Fenaj

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O 7 de abril, Dia do Jornalista, não é mais uma data festiva da categoria há quase duas décadas.

“É um momento desafiador. Nós somos atravessados não só pela violência cotidiana, mas pela precarização cada vez mais aguda da nossa profissão”, lamenta Samira de Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O mal estar dos profissionais da imprensa tem origem em 2009, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 8 votos a 1 dispensar a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista.

A decisão da Corte acatou recurso extraordinário do Ministério Público Federal (MPF) e do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp).

O recurso alegava que havia “caducado” o Decreto-Lei 972/69, publicado à época da ditadura militar (1964-1985), que estabelecia a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Ou seja, a norma afetava a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal de 1988

Passados 16 anos da decisão, o incômodo dos jornalistas piorou em janeiro, de acordo com Samira Castro, após a sanção da Lei nº 15.325, aprovada pelo Congresso Nacional, regulamentando o exercício da profissão de multimídia.

“Quando a gente pensa que o problema já é ruim, aparece essa lei”, comenta a presidente da Fenaj. Para ela, a nova lei amplia a desregulamentação de atividades no campo da comunicação.

“O multimídia é uma profissão que não tem jornada de trabalho, não tem garantia de salário, sequer tem garantia de representação.”

Prerrogativa em risco

A presidente da Fenaj assinala que ao usufruir das funções do jornalismo, põe em risco “uma prerrogativa da nossa categoria muito importante, que é o sigilo da fonte”, conforme previsto na Constituição Federal (artigo 5º, inciso 14) e estabelecido pelos jornalistas no Código de Ética (também artigo 5º).

A tramitação da Lei do Multimídia desde a apresentação na Câmara dos Deputados (3 de outubro de 2023) correu 7 vezes mais rápida (2 anos, 3 meses e 3 dias) os corredores do Congresso do que a debutante Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 206/2012, que há 15 anos, 9 meses e 5 dias prevê o reestabelecimento da obrigatoriedade do diploma de jornalista.

A PEC apresentada em 2 de julho de 2009, já aprovada no Senado Federal, está parada desde 31 de outubro de 2023 na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, apesar de ter status de “regime de tramitação especial”, conforme o portal da Casa.

Influência Digital

Para Samira de Castro, a rápida regulamentação dos multimídias interessa às plataformas estrangeiras de redes sociais e “à própria classe política que veio a ter relevância a partir da influência digital.”

A representante dos jornalistas avalia, no entanto, que a não exigência do diploma dos jornalistas agrava qualidade de informação que tramita hoje em dia na sociedade, causa prejuízo às empresas tradicionais de comunicação e afeta também à classe política.

“Eu tenho percorrido muito o Brasil e conversado com secretários de comunicação dos estados. Eles falam que os governos sofrem verdadeiros achaques por pessoas que publicam em rede social e passam a querer verba pública, dizendo que fazem jornalismo.”

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre os anos sem exigência de diploma caiu o emprego formal de jornalistas. No intervalo entre 2013 e 2023 o universo de 60.899 jornalistas contratados com carteira de trabalho assinada diminuiu para 49.917 (queda de 18%).

Fonte: Agência Brasil