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Até 53% da Dívida Pública Federal poderá ser corrigida pela Selic

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O interesse dos investidores pelos títulos públicos vinculados aos juros fez o Tesouro Nacional elevar a proporção da Taxa Selic (juros básicos da economia) no endividamento do governo. A Dívida Pública Federal (DPF) poderá chegar a 2026 com 49% a 53% do valor corrigido pela Selic, que está em 14% ao ano.

A nova meta consta da revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgada nesta quarta-feira (26) pelo Tesouro Nacional. O documento traz metas e parâmetros para a administração da dívida pública do governo.

Tradicionalmente, o PAF é divulgado em janeiro, mas passa por revisões no segundo semestre de cada ano. A meta para o valor total da DPF no fim de 2026 permanece na faixa de R$ 9,7 trilhões a R$ 10,3 trilhões, mas a composição da dívida pública foi revisada.

Com o aumento nos títulos vinculados à Selic, a revisão publicada nesta quarta trouxe quedas nas fatias dos prefixados e corrigidos pela inflação.

Revisão dos parâmetros da Dívida Pública Federal:

  • Títulos vinculados a Selic: de 46% a 50% para 49% a 53% do total da DPF;
  • Títulos corrigidos pela inflação: de 23% a 27% para 21% a 25%;
  • Títulos prefixados: de 21% a 25% para 20% a 24%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: sem mudanças, de 3% a 7%.

O prazo médio da DPF foi mantido de 3,8 a 4,2 anos. O Tesouro Nacional só divulga o prazo em anos, não em meses.

Diferenças entre os títulos

Os títulos vinculados à Selic (juros básicos da economia) estão atraindo o interesse dos compradores por causa dos juros altos definidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), atualmente em 14% ao ano. O lançamento do Tesouro Reserva, papel atrelado à Selic equivalente aos cofrinhos oferecidos por instituições financeiras, também contribuiu para elevar a demanda.

Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeriam a administração da dívida do governo.

A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.

Fonte: Agência Brasil

Hugo Motta indica presidente da comissão da MP da Taxa das Blusinhas

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quarta-feira (26) o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como presidente da comissão mista que vai analisar a Medida Provisória 1357/26, que a acaba com a chamada taxa das blusinhas. 

O anúncio foi feito após almoço no Palácio da Alvorada, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A MP suspende a cobrança do imposto federal de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. O texto tem que ser votado ainda em setembro, do contrário perderá a validade. 

“Indiquei o deputado @ReginaldoLopes (PT/MG) para a Presidência da Comissão Mista que analisará a medida. A relatoria é de atribuição do Senado Federal. Em diálogo com os presidentes @LulaOficial e @davialcolumbre, acordamos votar a matéria na próxima semana. O fim da taxa é uma demanda da população e vai aliviar o bolso de milhões de brasileiros que compram pela internet”, escreveu Motta em uma rede social.

A MP deve ser votada no esforço concentrado do Congresso Nacional marcado para a próxima semana. 

Além do fim da taxa das blusinhas, na reunião desta quarta-feira foi acordada a votação de outras matérias. 

Os temas definidos foram : 

Após a reunião, Lula comemorou o acordo e disse que o entendimento do esforço concentrado, marcado para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro, foca nas pautas prioritárias para a sociedade brasileira.

“O que é importante é que a gente tenha a dimensão do que é prioritário e votar essas coisas que vocês vão colocar na pauta é uma prioridade do povo brasileiro”, disse Lula ao final do almoço. 

* Colaborou Pedro Rafael Vilela 

Fonte: Agência Brasil

Eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira será visto em todo o Brasil

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A partir das 23h34, hora de Brasília, desta quinta-feira (27), um eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o território brasileiro. O ponto máximo será às 01h31, já na madrugada da sexta-feira (28), quando estará na fase mais obscura.

A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento disse que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol. 

“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra”, explicou à Agência Brasil.

“A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”.

“No ano que vem, vamos ter dois eclipses só penumbrais. A Lua vai passar só pela penumbra e vai sair”, adiantou Josina Oliveira.

De acordo com a astrônoma, todos os eclipses ocorrem com Lua cheia e o formato depende do quanto ela vai entrar na sombra da Terra. 

“Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, explicou.

Para ter uma boa observação do fenômeno é preciso paciência.

Segundo Josina Oliveira, ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, ainda não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

“A gente sabe que ela está lá, porque às 22h24 vai entrar na penumbra, mas entre 22h24 e 23h34, que é a hora que ela vai começar a entrar na umbra, a gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença olhando para ela. Agora, quando for 23h34, aí começa a perceber a diferença”, explicou, acrescentando que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou.

Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura. 

“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

Nesse fenômeno de agosto, a fase parcial levará 3h18. Vai começar às 23h34, o máximo vai ser às 1h13, já do dia 28, e o final do eclipse parcial vai ser às 2h52.

Mesmo quem estiver em fuso diferente do horário de Brasília, subtrai a diferença e poderá observar o fenômeno no mesmo instante. 

“Quem estiver no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários [previstos para os movimentos]. O instante é o mesmo, mas a hora no relógio é diferente”.

Olho nu

Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, esse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar. 

“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

Admiração

Para a astrônoma, o fenômeno do eclipse envolve as pessoas por causa da admiração pelo céu, o que ajuda muito na divulgação e educação relacionadas a esses eventos.

“A gente tem muita ligação com escolas, projetos de educação de professores, de observação na praça e em várias cidades do Rio e do Brasil, o Ciência Cidadã, envolvendo as pessoas com a ciência através da astronomia, porque o céu é envolvente. Não conheço, em 47 anos de profissão, e nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de olhar para o céu”, disse.

Transmissão

O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail comunicacao@on.br.

Horários:

  • 23h00: Início da transmissão ao vivo pelo YouTube do ON.
  • 23h34 (27/ago): Início do eclipse parcial. A Lua toca a umbra.
  • 01h13 (28/ago): Máximo do eclipse. Momento de maior obscurecimento (96,2%).
  • 02h52 (28/ago): Fim da fase parcial, com a Lua deixando a umbra.
  • 04h02 (28/ago): Fim do eclipse penumbral e encerramento da transmissão.

Fonte: Agência Brasil

Caravana da Saúde: Dra. Lara e Dra. Raíssa inauguram ponto de apoio e mobilizam a população em Itororó

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Na tarde desta quarta-feira, o município de Itororó foi palco de um grande ato político e comunitário. A Dra. Lara e a Dra. Raíssa, candidatas a deputada estadual e deputada federal pela Bahia, inauguraram oficialmente o seu novo ponto de apoio na cidade. Em um ambiente marcado por entusiasmo e forte adesão popular, os moradores de Itororó compareceram em peso para abraçar as candidatas e demonstrar apoio à caminhada rumo às eleições.

O município, que já havia registrado uma votação expressiva para a Dra. Raíssa em sua disputa ao Senado em 2022, reafirma seu compromisso com lideranças compromissadas com o desenvolvimento regional. A agenda em Itororó integra a intensa caravana que a Dra. Raíssa vem realizando pelo interior baiano, somando centenas de municípios percorridos. Por onde passa, a recepção calorosa do público consolida o reconhecimento do seu trabalho.

Reconhecida nacionalmente por sua atuação firme durante a pandemia, quando defendeu protocolos de atendimento que impactaram milhares de vidas, a médica mantém sua trajetória voltada para o cuidado com as pessoas. Com uma escuta atenta às demandas locais e propostas concretas para o fortalecimento do SUS e da infraestrutura hospitalar, a Dra. Raíssa tem feito a diferença na saúde da Bahia, transformando sua vocação médica em uma força de mudança real para o estado e para o Brasil.

FPF e Liga F anunciam parceria para fortalecer futebol feminino

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A Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Liga F, principal competição feminina de clubes da Espanha, anunciaram nesta quarta-feira (26) uma cooperação institucional voltada ao fortalecimento e ao desenvolvimento do futebol feminino em São Paulo e no cenário internacional.

O acordo foi oficializado durante o evento Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino, realizado na sede da FPF, na capital paulista.

Segundo as entidades, essa é uma parceria inédita que tem como objetivo a promoção e internacionalização do futebol feminino, formação técnica e administrativa, projetos de impacto social, desenvolvimento da arbitragem feminina e a realização de cursos, pesquisas e visitas técnicas. O acordo permitirá ainda a construção de iniciativas conjuntas e o intercâmbio entre profissionais das duas entidades.

“A FPF já possui uma parceria de longa data com La Liga, da Espanha, que contribui muito com o futebol paulista, mas sentíamos a necessidade de falar mais sobre futebol feminino. Queremos fazer uma imersão sobre futebol feminino e impulsionar ainda mais”, disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.

A FPF mantém uma estrutura exclusiva para o futebol feminino desde 2016, sendo a primeira entidade nacional a criar um departamento para a modalidade e é pioneira também na organização de competições de base para meninas.

“Para a Liga F, é um enorme orgulho que uma instituição da dimensão e do prestígio da Federação Paulista tenha se interessado pelo nosso processo de profissionalização, pela nossa estrutura e pelo nosso modelo de governança”, disse Beatriz Álvarez, presidente da Liga F. “Mas esta relação não consiste em a Liga F vir ao Brasil para ensinar um modelo. Viemos para compartilhar. E viemos também para aprender.”

Expansão para todo o país

A jogadora Miraildes Maciel Mota, mais conhecida como Formiga, defendeu a expansão do futebol feminino para outros estados ─ inclusive para além das capitais ─ e investimentos em categorias de base.

“Precisamos sair das sedes”, afirmou.

 


Brasília (DF), 12/03/2026 - Mulheres no Futebol. Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol, atualmente atua no cargo de Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Brasília (DF), 12/03/2026 - Mulheres no Futebol. Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol, atualmente atua no cargo de Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Atuando como volante e meia, Formiga é a futebolista com mais participações, como atleta, na história da Copa do Mundo, independentemente de gênero, tendo disputado sete edições do torneio. A ex-jogadora foi duas vezes vice-campeã olímpica e uma vez vice-campeã mundial de futebol feminino.

“Outros clubes precisam aderir à ideia do futebol feminino, saber que futebol feminino hoje, sim, é realidade. Precisamos espalhar o que está acontecendo hoje [em São Paulo]”, disse Formiga, em entrevista à Agência Brasil, durante o evento.

Para a ex-jogadora, é preciso garantir que meninas de todo o país tenham acesso a uma formação de qualidade e que os clubes ofereçam mais segurança e continuidade ao trabalho das jogadoras.

“Que a Federação Paulista possa servir de exemplo, de espelho, para que possamos cada vez mais manter essas meninas em seus estados, mais tempo com suas famílias. E, quando elas forem migrar para um outro estado, que elas possam estar preparadas; quando forem para a Seleção Brasileira, que possam estar preparadas”, ressaltou.

Trabalho de base

Apesar de o futebol masculino já ter um legado consolidado há mais tempo que o feminino, Formiga lembrou que as jogadoras mulheres têm sido referência não só para meninas, mas para os meninos também, e mencionou a importância do trabalho nas categorias de base.

“Que possamos cada vez mais ter interação entre o futebol feminino e o masculino, e um trabalho de base, que é muito necessário. E que cada vez mais tenhamos parceiros que acreditem nessa evolução, nesses projetos, porque [o futebol] muda vidas”, disse.

Para projetar o futuro, Formiga destacou que é importante lembrar da construção tão dolorosa que resultou no atual legado do futebol feminino no país, além de valorizar cada profissional que contribuiu nesse processo e garantir que suas histórias sejam contadas.

“Que todos realmente estejam envolvidos para que amanhã e depois possamos colher bons frutos. Bons frutos esses que são várias meninas em vários lugares com os seus direitos de jogar futebol, sem preconceito, sem nenhum tipo de machismo”, acrescentou a ex-jogadora.

Fonte: Agência Brasil

Prouni: candidatos têm até amanhã para registro na lista de espera

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Candidatos não selecionados nas duas chamadas regulares do Programa Universidade para Todos (Prouni) já realizadas este ano têm até as 23h59 desta quinta-feira (27) para manifestar interesse em se inscrever na lista de espera e, assim, continuar participando do processo seletivo.

Estudantes cujas inscrições tenham sido reprovadas porque suas turmas ainda não se formaram também podem participar desta etapa do processo, iniciada nesta quarta-feira (26).

Os requerentes devem registrar, no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, o interesse em participar da lista de espera. A inscrição é gratuita.

A relação dos candidatos inscritos será divulgada em 1º de setembro, quando começará o período de comprovação das informações declaradas na inscrição, previsto para ser encerrado em 14 de setembro.

Para comprovar as informações, os candidatos deverão apresentar à coordenação do Prouni da instituição de ensino indicada todos os documentos exigidos. A entrega poderá ser realizada presencialmente ou por meio eletrônico, quando essa alternativa for disponibilizada pela instituição. 

Para mais informações sobre horários, locais de atendimento e formas de entrega dos documentos, os participantes devem consultar diretamente a instituição escolhida. 

É preciso estar atento a eventuais exigências adicionais estabelecidas pelas próprias instituições de ensino.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), os dois processos seletivos regulares do Prouni já realizados este ano atraíram mais de 1,1 milhão de candidatos, somando mais de 2,1 milhões de inscrições.

Para o segundo semestre, estão sendo oferecidas 471.304 bolsas de estudo para 380 cursos de graduação, em 879 instituições privadas de educação superior. 

Do total de bolsas, 219.725 são integrais. As outras 251.579 concedem 50% de desconto no valor das mensalidades do curso de escolha do candidato.

* Com informações da Ascom/MEC

Fonte: Agência Brasil

Guerra, tarifas e menos imposto a ricos geram dívida recorde nos EUA

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A dívida pública recorde nos Estados Unidos (EUA), que ultrapassou os US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, foi motivada, principalmente, pela redução de impostos para os ricos, pela inflação causada pela guerra no Oriente Médio – que pressionou o preço dos combustíveis –, e pelas tarifas à importação do governo de Donald Trump.

A avaliação é de economistas consultados pela Agência Brasil, que acrescentam como fatores para a dívida recorde: a manutenção dos elevados gastos militares, próximo a US$ 1 trilhão, e o aumento dos gastos com juros da dívida, que chegou a US$ 1,1 trilhão, montante que é mais que o dobro de 2021, quando os juros consumiram US$ 419 bilhões dos contribuintes.  

Entre as razões para o aumento dos juros, estaria a inflação causada pela guerra e o “risco Trump” motivado pela política agressiva da Casa Branca, que causa incertezas no mercado, como no caso do conflito tarifário com o Canadá. Os especialistas sustentam que essa política pressiona os juros cobrados pelos títulos do Tesouro estadunidense.

Apesar do número impressionante de US$ 40 trilhões, que dobrou desde 2017, os economistas rejeitam que os EUA estejam em risco de insolvência, quando não se consegue pagar o que se deve. Além disso, alertam que a situação fiscal da potência econômica tende a pressionar o Brasil a manter as taxas de juros em nível elevado.

Solvência 

O professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos destacou que o número de US$ 40 trilhões não indica risco de insolvência porque, entre outros motivos, os EUA emitem a própria moeda e têm o dólar como principal reserva monetária do planeta.

“Um governo assim não quebra contra a vontade. Se o mercado não quiser esses títulos ao preço corrente, o FED [Federal Reserve, o Banco Central dos EUA] pode comprá-los. Foi o que fez em 2020, quando expandiu o balanço em quase US$ 3 trilhões em três meses. E foi o que fez entre 1942 e 1951, quando travou o juro dos títulos longos em 2,5%”, explicou.

Após o anúncio da dívida pública recorde, a Secretaria de Tesouro dos EUA se apressou em comunicar o aumento das operações para compra de títulos no mercado, que deve dobrar de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.

O economista e doutor em história Pedro Faria ponderou à Agência Brasil que o valor de US$ 40 trilhões, em si, “não diz muita coisa” sobre a capacidade de pagamento dos EUA.

“A gente sempre compara com o tamanho do país e com a realidade econômica ao redor. É uma realidade das principais economias desenvolvidas estarem em déficit desde 2008”, comentou Faria, que é associado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


26/08/2026 - O economista e doutor em história Pedro Faria. Ele é membro do Instituto Economias e associado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foto: Pedro Faria/ Arquivo Pessoal
26/08/2026 - O economista e doutor em história Pedro Faria. Ele é membro do Instituto Economias e associado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foto: Pedro Faria/ Arquivo Pessoal

Juros dos títulos sobem  

Desde o final da 2ª Guerra Mundial, os títulos do Tesouro dos EUA são considerados o ativo “mais seguro” no mundo. Segundo o professor Pedro Bastos, ainda não há desconfiança no mercado em relação a capacidade de pagamento da dívida pelos EUA.

“Os estrangeiros continuam comprando. O que subiu foi o preço cobrado, não a recusa em comprar”, pontuou, acrescentando que dois terços da dívida no mercado estão em mãos domésticas nos EUA e US$ 4,5 trilhões estão no próprio FED, o que reduz riscos de insolvência.

Além disso, US$ 8 trilhões da dívida estão nas mãos do próprio governo, com US$ 32 trilhões no mercado: “O mercado detém cerca de 100% do PIB em dívida, similar ao recorde de 106% de 1946, ao fim da 2ª guerra”, acrescentou o especialista da Unicamp.

O único risco de calote dos EUA seria político, quando o Congresso se recusa a autorizar o aumento do teto da dívida, mas o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos alertou também para o problema dos gastos crescentes com juros.

“O único risco ligado à dívida hoje é o de juros longos mais altos. Mas a causa imediata não é o tamanho da dívida. É a inflação, puxada pelo petróleo do conflito no Oriente Médio e pelas tarifas”, explicou.

Em apenas cinco meses, a dívida cresceu US$ 1 trilhão, superando as expectativas de analistas. O Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO) calculava chegar aos US$ 40 trilhões apenas em 2027.

Corte de imposto no topo


Brasília (DF), 09/04/2025 - Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp
Brasília (DF), 09/04/2025 - Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

A política econômica focada no corte de impostos para os ricos, adotada nos dois mandatos de Trump, motivou parte do aumento do endividamento ao reduzir a arrecadação, explicou o economista Pedro Faria.  

“O Trump aposta nessa política característica dos republicanos, que é tirar a tributação dos ricos sob a justificativa de tentar expandir a economia. O que se vê é um aumento do endividamento dos EUA no governo Trump 2 por conta dessa abordagem de política econômica”, explicou.

Em 2025, o governo Trump aprovou projeto com mais corte de impostos para ricos que aumentaram a previsão do déficit dos EUA em US$ 4,7 trilhões em 10 anos, ao mesmo tempo que cortou US$ 1 trilhão da saúde pública nesse período.

O professor da Unicamp Pedro Bastos acrescentou que a menor tributação dos ricos nos EUA tem contribuído ainda para concentrar a renda do país, sendo a dívida recorde um sintoma do conflito pela distribuição dessa riqueza dentro dos EUA.

“A receita do imposto sobre lucros caiu 23% neste ano fiscal. Já os juros vão para quem tem títulos: fundos, bancos e as famílias mais ricas. O 1% mais rico detém metade das ações do país”, comentou Bastos.

O especialista da Unicamp argumentou que os EUA não gastam demais, mas arrecadam de menos. A carga tributária nos EUA é de cerca de 25% do PIB, contra 34% na média da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne países entre os mais desenvolvidos do mundo).

Risco Trump

Para o especialista Pedro Faria, do Instituto Economias, o que pode preocupar o Tesouro dos EUA é a tendência, observada entre governos, Estados e empresas em todo o mundo, de reduzir o uso de títulos dos EUA como opção para manter a liquidez da economia.

“Diversos governos têm reduzido o estoque de títulos dos EUA, como Brasil e China. Isso porque veem a política econômica da Casa Branca como errática e não muito racional. Os agentes econômicos têm medo de se expor a sanções ou ter os ativos congelados, como ocorreu diversas vezes”, comentou.

Para o economista da Unicamp Pedro Bastos, os juros mais altos cobrados pelos títulos dos EUA é a resposta do mercado aos ataques do governo Trump aos pilares que dão confiança a esses papéis: um FED autônomo, tribunais judiciais independentes e aliados sendo tratados como aliados.

“Por exemplo, o uso do acesso ao mercado americano como chantagem [tarifaços]. Os bancos centrais compram ouro em ritmo recorde desde 2022 por isso, não pelo tamanho da dívida. Se a dívida um dia virar problema, não será por chegar a US$ 40 trilhões ou US$ 50 trilhões. Será porque a política destruiu o que a tornava desejada”, completou.

Para o especialista, é o “risco Trump” que pressiona o rendimento dos títulos públicos de 30 anos dos EUA, que alcançaram 5,33% em 18 de agosto, o maior nível desde 2007. Esse nível de juros dos títulos longos é o que pressiona os gastos com a dívida do país norte-americano.  

Apesar dos juros mais altos cobrados pelos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA, Bastos avalia que o mercado segue investindo nos papéis do Estado do país norte-americano.

“A China reduziu o estoque de títulos dos EUA de US$ 1,3 trilhão, em 2013, para US$ 700 bilhões, e nada aconteceu. O dólar ainda responde por 57% das reservas mundiais, o euro por 20% e o yuan por 2%”, ponderou.

 

Fonte: Agência Brasil

Receita arrecada R$ 3,1 bilhões com IR sobre dividendos

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Principal alternativa do governo para compensar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, a tributação sobre lucros e dividendos continua a arrecadar menos que o previsto. De janeiro a julho, a Receita Federal recebeu R$ 3,145 bilhões com a medida, o equivalente a apenas 18,3% da previsão revisada de R$ 17,2 bilhões para todo o ano.

A estimativa inicial do governo era arrecadar cerca de R$ 28 bilhões com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês. O valor foi reduzido para R$ 17,2 bilhões no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, divulgado em julho.

Do total arrecadado até julho:

• R$ 2,043 bilhões vieram de dividendos pagos a residentes no Brasil;

• R$ 1,102 bilhão correspondeu a valores pagos ou remetidos ao exterior;

• somente em julho, foram arrecadados R$ 906,65 milhões, maior resultado mensal desde o início da cobrança.

Receita sobe mês a mês

Apesar de o montante acumulado estar abaixo da previsão anual, a arrecadação vem crescendo ao longo de 2026.

Os valores passaram de R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 906,65 milhões em julho. A evolução mensal foi:

• Janeiro: R$ 5,5 milhões;

• Fevereiro: R$ 151,5 milhões;

• Março: R$ 306,6 milhões;

• Abril: R$ 421,5 milhões;

• Maio: R$ 651,9 milhões;

• Junho: R$ 701,5 milhões;

• Julho: R$ 906,65 milhões.

Fonte: Receita Federal

A parcela relacionada a dividendos remetidos ao exterior também ganhou peso durante o ano. Em julho, foram arrecadados R$ 419,28 milhões nessa modalidade, contra R$ 5 milhões em janeiro.

Receita vê incerteza

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que ainda não há elementos técnicos suficientes para concluir que a arrecadação esteja abaixo do esperado.

“Tecnicamente, não há fundamentos para dizer que a arrecadação com IRRF sobre dividendos está abaixo do esperado”, respondeu.

Segundo Malaquias, a distribuição de lucros pelas empresas não segue um calendário fixo e pode variar ao longo do ano.

“A distribuição de dividendos é um ato voluntário das empresas, com critérios próprios, e não existe uma data prédeterminada para que as companhias façam a distribuição”, justificou.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita afirmou ainda que as projeções são reavaliadas periodicamente.

“A base de dividendos que foi considerada na projeção é a base de dividendos que vinha sendo apresentada pelas empresas. Pode ser alterado? Pode. Por isso a cada dois meses fazemos a revisão”, declarou.

Nova regra

A tributação dos dividendos começou a valer em 1º de janeiro de 2026, após mudanças promovidas pela Lei 15.270, de novembro de 2025.

Para pessoas físicas residentes no Brasil, passou a incidir IR de 10% sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa no mesmo mês quando o valor ultrapassa R$ 50 mil a cada 30 dias.

Para lucros e dividendos pagos, creditados ou remetidos ao exterior, também foi estabelecida alíquota de 10%.

A mudança foi criada como parte do mecanismo de compensação pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que passou a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil por mês, além da redução do imposto para contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350.

Impacto nas contas

A equipe econômica estimou inicialmente que a ampliação da isenção do IRPF provocaria uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 28,04 bilhões em 2026.

A tributação dos dividendos foi planejada para compensar parte desse impacto. Entretanto, a arrecadação até julho ainda está distante da previsão anual, mesmo considerando a estimativa revisada de R$ 17,2 bilhões.

A Receita ressalta, porém, que a arrecadação com dividendos não ocorre de maneira linear. Enquanto o imposto descontado dos salários produz efeitos mensais mais previsíveis, a receita sobre dividendos depende das decisões das empresas sobre quando distribuir seus lucros.

O ajuste definitivo relacionado ao chamado imposto mínimo sobre altas rendas será feito posteriormente, na declaração anual.

Revisão em setembro

Questionado sobre a possibilidade de arrecadar cerca de R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro para alcançar a previsão revisada, Malaquias afirmou que o Fisco seguirá o calendário oficial de acompanhamento das contas públicas.

“A Receita Federal obedece a esse regramento. Qualquer antecipação feita de informações de natureza fiscal e econômica fora das regras, a Receita estaria extrapolando seu papel institucional”, disse.

A próxima revisão das projeções ocorrerá na divulgação de setembro do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

 

Fonte: Agência Brasil

Candidaturas negras avançam e se aproximam de perfil racial do país

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Levantamento feito a partir do total de candidaturas para as Eleições 2026 identificou ligeira mudança nos perfis raciais dos candidatos. O número de participantes negros – pretos e pardos – chegou a 49,8% do total. Na população, este grupo representa 55,5% dos brasileiros.

A pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da consultoria CommonData usou a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e identificou que, entre os 20.448 nomes válidos identificados até 16 de agosto, 10.191 autodeclararam-se pretos ou pardos. 

Do total de candidatos este ano, 2.789 são pessoas pretas (13,6% do total) e 7.402 pardas (36,2%). Na população, são 10,2% de pessoas pretas e 45,3% de pardos. Em 2022, quando ocorreu a primeira edição da pesquisa, as candidaturas de pessoas negras correspondiam a 35,5%. 

Sobre a autoidentificação e migração de brancos para o grupo de pessoas negras, 338 mudaram a indicação para pardo e seis para preto. Na direita, 11,2% de brancos mudaram para pardos; no centro, 11,6%; e na esquerda, 11,7%. 

De acordo com a assessora do Inesc Carmela Zigoni, os participantes podem estar ampliando sua plataforma na pauta racial, que tradicionalmente é mais pautada na esquerda, para conquistar mais eleitores negros e/ou interessados nesses debates. 

Mas é importante ressaltar que o cenário de recursos piorou para esse grupo, pois o TSE alterou a norma e mudou a distribuição proporcional para a cota. “Se antes um partido tinha 50% de candidaturas negras, ele deveria repassar 50% para elas, e agora mesmo com 50% de candidaturas, o percentual é 30% do recurso.”

A Emenda Constitucional nº 133, de 2024 alterou a distribuição de recursos destinados a essas candidaturas. Por isso, Carmela Zigoni ressalta que a presença nas listas partidárias deve ser analisada junto com o acesso efetivo a financiamento, estrutura de campanha e tempo de propaganda. Nesse contexto, ela destaca ainda ser fundamental a atuação de bancas de heteroidentificação para evitar fraudes nas cotas raciais.

Gênero

Os resultados integrais serão divulgados no final de setembro, porém os dados parciais indicam que o avanço em gênero não seguiu proporção equivalente e, quando o gênero entra na conta, a diferença ainda é sentida. 

Os homens brancos continuam sendo o maior grupo isolado, com 6.688 candidaturas, ou 32,7% do total. Em seguida aparecem homens pardos, com 4.917 (24,1%); mulheres brancas, com 3.271 (16%); e mulheres pardas, com 2.485 (12,2%). 

Segundo o estudo as mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, equivalentes a 6% do total, enquanto os homens pretos são 1.555, ou 7,6%.

A participação de mulheres cresceu apenas 1%. A de mulheres negras avançou menos, somente 0,5%.  Entre as 7.116 mulheres candidatas, 3.719, ou 52,2%, são negras. Desse total, 2.485 são pardas e 1.234, pretas. As mulheres negras representam 18,2% de todas as candidaturas, ante 17,3% em 2022. Já a participação dos homens negros recuou de 32,3% para 31,7%.

“O perfil geral das candidaturas demonstra avanços muito discretos em relação à representatividade, como o aumento de apenas 1,5% de mulheres concorrendo e, neste universo, aumento de apenas 0,5% de mulheres negras”, destacou Carmela Zigoni.

Ela explica que os números mostram retrocessos, como a redução de mulheres candidatas ao Senado e de homens negros candidatos. Da totalidade de mulheres competindo ao pleito atual, 52,2% são negras, sendo 34,9% pardas e 17,3% pretas. Em 2022, entre as mulheres, 51,8% eram negras, sendo 33,7% pardas e 18,2% pretas. 

Além disso, os dados demonstram redução no ritmo de crescimento da participação das pessoas negras no processo eleitoral, que pode ser resultado de retrocessos no estímulo à participação”, complementa Carmela.

Indígenas

O levantamento também registra 191 candidaturas de pessoas autodeclaradas indígenas, equivalentes a 0,9% do total. Em 2022, eram 172, ou 0,6%. Entre as candidaturas indígenas de 2026, 84 são de mulheres. 

As candidaturas quilombolas somam 212, ou 1% do total. A distribuição por gênero é próxima do equilíbrio: 110 homens (51,9%) e 102 mulheres (48,1%). O grupo é majoritariamente negro, com 140 pessoas pretas (66%) e 43 pardas (20,3%). 

Fonte: Agência Brasil

Criminosos usam ônibus em barricadas contra operação policial no Rio

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Criminosos atravessaram 18 ônibus em ruas de Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em retaliação a uma operação da Polícia Militar realizada na manhã desta quarta-feira (26) nas comunidades do Campinho e do Fubá.

A ação conjunta das equipes do 9° Batallhão de Polícia Militar (Rocha Miranda) e do 18° BPM (Jacarepaguá) resultou na prisão de quatro suspeitos. O comando da operação informou que homens armados entraram em confronto com as equipes e fugiram para uma região de mata.

A polícia afirma que “um quinto [suspeito] foi atingido e socorrido ao Hospital Estadual Carlos Chagas e um sexto teria sofrido uma parada cardíaca e não resistiu”.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), coletivos usados no transporte urbano foram atravessados nas ruas Clarimundo de Melo e Ernani Cardoso, em Cascadura, e também na Avenida Dom Hélder Câmara. No início desta tarde, havia 33 linhas de ônibus que passam na região com itinerário impactado.

Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), o objetivo dos criminosos era “desmobilizar a atuação das equipes”, que reprimiam uma facção criminosa que atua nas comunidades do Campinho, do Fubá, do Morro do 18, da Praça Seca e diversas outras de Jacarepaguá.

Foram apreendidos uma pistola, uma granada, um rádio comunicador, seis carregadores de fuzis, um carregador de pistola e quantidade de entorpecentes a serem contabilizado, completou a secretaria.

O policiamento foi reforçado com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e do 3º BPM (Méier). Policiais do Recom também atuam nas regiões atingidas. 

Educação

A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que, até 12h15, nenhuma escola da rede estadual precisou ser fechada em consequência dos conflitos na região.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, as unidades escolares na região das comunidades do Fubá e do Campinho, “atendem presencialmente” apesar do ocorrido.

Saúde

No início da tarde, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que uma unidade de atenção primária suspendeu o início do funcionamento nesta quarta-feira e avalia a possibilidade de abertura nas próximas horas.

“Outras duas unidades mantêm o funcionamento, porém as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares, estão suspensas”, completou.

Já as unidades estaduais de saúde, conforme a Secretaria de estado, funcionam normalmente.

Fonte: Agência Brasil