O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima terça-feira (1°) o julgamento de uma ação protocolada pelo PT contra a divulgação de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro feito por inteligência artificial.
O caso veio à tona após o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) usar a simulação de um pronunciamento do pai, que está em prisão domiciliar, durante o evento de lançamento da sua candidatura, realizado em agosto.
A expectativa é que os ministros possam definir durante o julgamento se a questão se enquadra nos casos de deep fakes e quais as regras que serão aplicadas aos processos semelhantes que serão julgados posteriormente.
As deep fakes ocorrem pela criação de conteúdo artificial para prejudicar ou beneficiar candidatos por meio de situações simuladas. A divulgação desse tipo de conteúdo é proibida pelo TSE.
Regras
Em março deste ano, o TSE aprovou regras sobre utilização de inteligência artificial durante as eleições gerais de outubro.
As normas valem para candidatos e partidos. Os ministros proibiram que provedores de IA permitam, ainda que solicitado pelos usuários, sugestões de candidatos para votar. O objetivo é evitar a interferência de algoritmos na livre escolha dos eleitores.
Para combater a misoginia digital, o TSE proibiu postagens nas redes sociais com montagens envolvendo candidatas e fotos e vídeos com nudez e pornografia.
A Corte eleitoral também reafirmou que os provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.
Eleições
O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.
O segundo turno está marcado para o dia 25 e pode ocorrer na disputa para os cargos de governador e presidente. Os eleitores voltarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.
Cinco vezes medalhista olímpico, o brasileiro Isaquias Queiroz ficou longe do pódio da prova C1 1000 do Campeonato Mundial de Canoagem de velocidade em Poznan (Polônia). Nesta sexta-feira (28), o canoísta baiano de 32 anos cruzou a linha de chegada da final na última posição (9º lugar).
Houve empate na chegada com dois atletas cravando o mesmo tempo: 4min07s44. A medalha de ouro foi dividida entre o tcheco Martin Fuksa, atual campeão olímpico, e o húngaro Daniel Fejes. O bronze ficou com o ucraniano Zakhar Tarnovschi (4min08s74).
“Eu sabia que ia ser uma prova difícil. Lógico que queria o pódio, mas fico feliz pelo que fiz aqui. Esse ano está sendo meio complicado para mim, diferente. Tive que fazer cirurgia no olho, problema também no quadril que não me deixava correr — revelou Isaquias em entrevista ao Sportv.
“Foi uma prova bem difícil no começo. Tinha muito, muito vento. Mas o ritmo é bem mais difícil na final, é outra pegada, ninguém tem mais nada a perder. Tentei acompanhar, mas a falta de ritmo pesa muito”, lamentou o baiano, que assegurou presença na final com o segundo melhor tempo (4min23s65) das baterias das semifinais.
Isaquias coleciona 14 medalhas em Mundiais – sete de ouro tanto em provas C1 1000 quanto em C1 500m e C2 1000 (ao lado de Erlon Silva – entre 2013 e 2022. Ele foi finalista na edição de 2023, mas não levou medalha e não competiu no Mundial de 2025 em razão de uma gripe. O brasileiro soma ainda cinco pódio olímpicos (três na Rio 2016, ouro em Tóquio 2020 e prata em Paris 2024).
O canoísta baiano volta a competir neste sábado (29), às 9h30 (horário de Brasília) na final do C1 500m com transmissão ao vivo no canal do Time Brasil no YouTube.
Outros resultados
Também baiano, Gabriel Nascimento ficou a 24 centésimos de conquistar o bronze no mundial na final da prova C1 200m. O atleta de 20 anos, apontado como o sucessor de Isaquias Queiroz, cruzou a linha de chegada em quarto lugar, como tempo de 41s19. O ouro ficou com o polonês Oleksii Koliadych (40s95), seguido do uzbeque Artur Guliyev (41s05), com a prata, e o bielorrusso Andrei Zholobov (41s15), com o bronze.
A renegociação de dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com descontos e condições facilitadas pelo programa Desenrola Fies 2026 pode ser feita até o dia 31 de agosto.
A adesão à renegociação de dívidas da graduação deve ser firmada diretamente com a instituição financeira responsável pelo contrato do Fies: o Banco do Brasil ou a Caixa, por meio de seus canais digitais.
As condições de renegociação de dívidas variam de acordo com a situação de cada contrato.
O Fies oferece financiamento para quem deseja estudar em uma instituição privada de ensino superior. Após a formatura, o estudante precisa devolver o montante financiado pelo governo com juros baixos e condições facilitadas de pagamento, respeitando o limite da renda do ex-estudante.
Quem pode renegociar
A iniciativa é voltada para estudantes com contratos do Fies firmados até 2017 que estavam na fase de amortização em 4 de maio de 2026, período em que o estudante começa a pagar o valor principal do financiamento estudantil e os juros acumulados para quitar a dívida após terminar a faculdade. A renegociação contempla contratos adimplentes e inadimplentes.
Também podem participar do Desenrola Fies 2026 os estudantes com o nome inscrito em cadastros de inadimplentes por atraso neste financiamento estudantil. Após a formalização da renegociação e o pagamento da parcela de entrada, ocorre a retirada do nome do estudante e dos fiadores desses cadastros, quando aplicável.
Não estão aptos à renegociação os estudantes que contrataram o Fies a partir de 1º de janeiro de 2018, assim como aqueles com contratos nas fases de uso do financiamento ou de carência.
*texto corrigido às 12h15 para correção de informação sobre o prazo, após retificação do MEC
O judô brasileiro arrematou três medalhas de bronze no Grand Slam de Lausanne (Suíça) nesta sexta-feira (28), abertura da competição. Além de subirem ao pódio, os atletas Clarice Ribeiro (categoria até 48 quilos), Michel Augusto (-60 kg) e Rafaela Rodrigues (- 52kg) somaram pontos 500 cada um no ranking mundial classificatório para a Olimpíada de Los Angeles 2028. A etapa inédita do circuito mundial em Lausanne vai até domingo (30), com transmissão ao vivo no site Judo TV.
A amazonense Clarice Ribeiro, de 18 anos, faturou sua primeira medalha em Grand Slam da carreira ao derrotar a multimedalhista portuguesa Catarina Costa, 11 anos mais velha. Na luta final pelo bronze, Clarice levou a melhor ao desferir um yuko sobre a adversária, logo no início do combate.
Antes da disputa do bronze, Clarice somou três vitórias consecutivas: bateu a japonesa Yua Mori na estreia; derrotou a chilen Mary Dee Vargas nas oitavas e nas quartas superou a chinesa Wenna Zhuang, atual número 3 do mundo. No entanto, na semifinal, a amazonense sofreu revés por ippon da russa Marina Vorobeva.
O segundo brasileiro a subir ao pódio nesta sexta (28) em Lausanne foi o paulista Michel Augusto, recém-campeão do Grand Prix de Lima. O paulista de 21 anos assegurou o bronze nos 60 kg após um difícil embate com o atual campeão asiático Ruslan Poltorastskii (Bahrein). Michel garantiu a vitória ao encaixar um yuko sobre o adversário no golden score (tempo extra de luta).
Na estreia, o judoca paulista bateu o belga Oliver Naert e depois, nas oitavas, venceu o israelense Yehonatan Veksler. Na luta seguinte, nas quartas, Michel perdeu para o sul-coreano Harim Lee e caiu para a repescagem. Na luta para seguir vivo na competição, o brasileiro reencontrou um velho conhecido: o francês Luka Mkheidze, atual vice-campeão olímpico. Diferentemente da final do ano passado no Grand Slam de Tbilisi (Geórgia), quando o francês levou o título, nesta sexta foi o paulista que derrotou Mkheidze com imobilização no golden score. A vitória garantiu o paulista na briga pelo bronze.
A sexta (28) também foi de comemoração para a santista Rafaela Rodrigues, de 19 anos. Assim como a compatriota Clarice, a judoca subiu hoje pela primeira vez na carreira ao pódio de um Grand Slam. No combate pelo bronze, Rafaela venceu a uzbeque Sugdiyona Rafkatova, após sete minutos de golden score.
Antes, Rafaela superou a holandesa Naomi Van Krevel na estreia e, nas oitavas, ganhou da russa Karina Efimova. A brasileira cravou a terceira vitória do dia nas quartas, contra a japonesa Rin Takeuchi, campeã em junho do Grand Prix de Qingdao (China). No entanto, na semifinal, Rafaela sofreu revés para francesa Blandine Pont – medalhista este não no Grand Slam de Tbilisi e Cazaquistão – e caiu para a disputa do bronze.
Programação*
Sábado (29)
Categorias: Feminino (-63kg, -70kg) e Masculino (-73kg, -81kg)
Atletas: Nauana Silva (-70kg), Luana Carvalho (-70kg), Daniel Cargnin (-73kg), Guilherme de Oliveira (-73kg), David Lima (-81kg) e Gabriel Falcão (-81kg)
Horários: eliminatórias a partir das 3h e disputas por medalhas a partir das 12h
Domingo (30)
Categorias: Feminino (-78kg, +78kg) e Masculino (-90kg, -100kg, +100kg)
Atletas: Beatriz Freitas (-78kg), Marcelo Fronckowiak (-90kg), Rafael Macedo (-90kg), Giovani Ferreira (-100kg) e Leonardo Gonçalves (-100kg)
Horários: eliminatórias a partir das 3h e disputas por medalhas a partir das 12h.
Em reunião extraordinária na tarde desta sexta-feira (28), a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativada Câmara Legislativa do Distrito Federal debateu os dados do primeiro censo sobre a situação das lésbicas no Brasil e no Distrito Federal, o LesboCenso. O presidente da Comissão, deputado Fábio Felix (Psol), destacou a importância dos dados da pesquisa para a formulação de políticas públicas.
Fábio Felix ressaltou que a produção de dados é uma demanda provocada pelo próprio segmento. “Não é possível produzir política pública sem dados. Se para todos os segmentos os dados já são escassos, a realidade para a comunidade LGBT é ainda mais escassa, por causa de sua invisibilidade histórica”, analisou.
O LesboCenso é uma iniciativa nacional da sociedade civil, conduzida pela Liga Brasileira de Lésbicas, a partir de uma iniciativa local do movimento Coturno de Vênus. Os dados nacionais já foram apresentados em outras quatro regiões do país.
Os dados foram apresentados pelas articuladoras nacionais da Liga Brasileira de Lésbicas. Segundo Leo Ribas, da Liga, a pesquisa contou com a participação de 21.050 lésbicas em mais de mil municípios de todos os estados e em todas as regiões do país, cobrindo cerca de 25% das cidades brasileiras.
De acordo com os dados nacionais, oito em cada dez entrevistadas já sofreram lesbofobia (aproximadamente 16 mil respondentes). O estudo aponta que 13.158 das participantes conhece alguém que já sofreu violência, sendo que 1.063 pessoas conheciam alguém que morreu por ser lésbica. O censo também indicou que 6.079 entrevistadas disseram que foram impedidas de sair de casa e 15.334 foram interrompidas em suas falas.
Tiago Hardman/Agência CLDF
Para Leo Ribas, o principal achado da pesquisa está relacionado à violência sexual. “10.651 pesquisadas foram estupradas, sendo 4.125 com penetração e 6.526 sem penetração. 11.872 não falam da sexualidade em atendimentos médicos por medo. Ainda, 4.059 sofreram discriminação no atendimento ginecológico”, revelou ela, acrescentando que a pesquisa foi referendada como a maior do mundo com este tema.
A apresentação dos dados nas regiões brasileiras é a etapa atual da incidência política do movimento. Na opinião de Dayana Brunetto, uma das articuladoras da Liga Brasileira de Lésbicas, quanto mais a mulher se apresenta com características menos femininas, mais ela está sujeita à violência.
De acordo com os dados do DF, das 790 entrevistadas, 498 relataram ter sofrido violência sexual e seis são sobreviventes de estupro coletivo. Para Dayana Brunetto, os dados regionais agora precisam ser apropriados pelos territórios. Todos os dados da pesquisa estão disponíveis em https://lesbocenso.com.br. Em março de 2027 vai ser lançado o segundo LesboCenso.
Durante a discussão sobre os dados, a diretora do Distrito Drag, Rhayane Mayara, reforçou seu compromisso com a sistematização de dados para municiar as políticas públicas. Já a diretora da Associação Lésbica Feminista Coturno de Vênus, Melissa Navarro, entidade responsável pelo primeiro LesboCenso DF, afirmou que os direitos da comunidade LGBTQIA+ nunca estão garantidos e estão sempre sendo ameaçados. A Coturno de Vênus foi a primeira associação lésbica do DF e está completando 21 anos de atuação.
A presidenta da Associação Trafeminista (Trafem), Lucci Laporta, destacou a importância da atuação dos movimentos lésbicos como inspiração para o segmento trans e feminista. Laporta classificou a parceria como uma aliança estratégica para combater a onda fascista. Segundo ela, o momento atual é de aumento da perseguição aos direitos das pessoas trans.
Tiago Hardman/Agência CLDF
A representante da Atenção à Saúde da População LGBTQIA+ da Gerência de Saúde de Populações Vulneráveis da Secretaria de Saúde, Maria Aureni de Lavor Miranda, avaliou que os sistemas oficiais atuais não têm campos sobre a sexualidade nos atendimentos, o que dificulta a coleta de dados. Para ela, a inclusão do campo é fundamental para se coletar informações mínimas na atenção básica. Ela considerou ainda que os dados levantados pela pesquisa na área de saúde são assustadores e devem provocar muitas reflexões.
O coordenador de Políticas para a Juventude da Secretaria de Segurança Pública do DF, Henrique Neuro Tavares, considerou a apresentação do primeiro LesboCenso um momento histórico. “Esses dados precisam deixar de ser apenas diagnósticos para passar a orientar a formulação de políticas públicas, ações de prevenção, protocolos para a segurança pública. O desafio é fazer que cada dado produzido provoque um questionamento ao Estado sobre o que é necessário para mudar a realidade”, argumentou.
Já Patrícia Souza Melo, representante da Secretaria de Educação do DF, lembrou que estamos no período da campanha agosto lilás, que alerta sobre a violência contra todas as “mulheridades”, que inclui mulheres trans e lésbicas. Ela destacou a necessidade de se trabalhar com prevenção nas escolas. Segundo ela, há um aumento de solicitações de formação continuada sobre a pauta de diversidade e gênero para os profissionais da rede educacional. “Nossa preocupação é que o letramento sobre diversidade chegue aos professores e demais profissionais da educação”, completou.
Os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que 58.568 postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em julho. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.
O saldo é 57,3% menor em relação a junho, quando o país criou 137.044 empregos.
A criação de empregos caiu 56,3% em comparação a julho do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 133.932 postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.
Em relação aos meses de julho desde 2020, esse é o resultado mais baixo da série. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação com anos anteriores a 2020.
Acumulado
De janeiro a julho, o Caged registrou queda de 20,9% no acumulado de vagas formais:
972.203 (sete meses de 2026);
1.229.107 (sete meses de 2025).
Os dados trazem ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os dados de meses anteriores.
Setores
Na divisão por ramos de atividade, quatro dos cinco setores pesquisados criaram empregos formais em julho.
Serviços: +24.098 postos;
Construção civil: +12.691;
Agropecuária: +12.523;
Indústria (de transformação, de extração e de outros tipos): +11.315
Um setor demitiu mais do que contratou em julho:
Tradicionalmente, o mês de julho é fraco para o comércio, principalmente para o varejo, que dispensou 3.674 pessoas a mais do que admitiu.
Destaques
Nos serviços, a criação de empregos foi puxada pelo segmento de transporte, armazenagem e correio, com a abertura de 18.150 postos formais. A categoria de saúde humana e serviços sociais abriu 12.235 vagas. O setor de educação, no entanto, fechou 7.352 postos.
Na construção civil, o destaque positivo ficou com o segmento de obras de infraestrutura, que abriu 7.087 empregos formais. Em segundo, vêm os serviços especializados para construção, com 4.253 postos.
Na indústria, o maior gerador de empregos foi a fabricação de produtos alimentícios, com 6.994 vagas, seguida por fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (+3.440) e fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+1.950).
Regiões e estados
Quatro das cinco regiões registraram abertura de vagas formais em julho.
Veja abaixo o desempenho de cada região:
Sudeste: +21.668 postos
Nordeste: +18.973
Centro-Oeste: +9.943
Norte: +8.375
Sul: -628
Na divisão por unidades da federação, 22 registraram saldo positivo e cinco demitiram mais do que contrataram. Os destaques na criação de empregos foram em São Paulo (+17.814), Mato Groso (+5.766) e Minas Gerais (+5.199).
As unidades da federação que eliminaram empregos formais em julho foram Espírito Santo (-2.605), Rio Grande do Sul (-903), Tocantins (-366), Santa Catarina (-248) e Distrito Federal (-134).
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Espírito Santo, as demissões decorrem do fim da safra de café. No Tocantins, estão relacionadas ao comércio e à agropecuária. No Rio Grande do Sul, concentraram-se na indústria do fumo e no comércio.
Carteira assinada
Com a criação de empregos formais, o número de trabalhadores com carteira assinada encerrou julho em 48.082.866, alta de 0,12% em relação a junho e de 1,02% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, sancionou a Lei nº 11.297, que cria o Disque Autismo. O novo canal vai receber denúncias de maus-tratos e de desrespeito aos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A lei foi publicada na quinta-feira (27), no Diário Oficial do estado.
O número do telefone será anunciado posteriormente, tão logo seja designada pelo governador a secretaria que ficará responsável pelo serviço e ocorra a contratação de pessoal para atender a população.
O canal servirá também para orientar as famílias sobre como devem buscar atendimento e ter acesso a ações e serviços de saúde voltados para pessoas com autismo.
As queixas poderão ser feitas de forma anônima, de modo a garantir o sigilo do denunciante.
O canal encaminhará os relatos aos órgãos competentes para que as providências sejam tomadas.
Além do contato direto por telefone, o atendimento será realizado ainda por meios digitais, por sites e aplicativos de celular.
O número do Disque Autismo será divulgado em unidades de saúde e escolas públicas e particulares, além dos sites oficiais do governo fluminense.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28). A oitiva durou cerca de quatro horas e foi realizada por videoconferência.
Vorcaro está preso na Papudinha, presídio localizado no Distrito Federal, e foi ouvido no inquérito que apura a conduta de dois ex-servidores do Banco Central que são suspeitos de receberem propina por atuarem a favor do Banco Master, durante o trabalho de supervisão da instituição.
Em nota, a defesa de Vorcaro disse que o depoimento representou a primeira oportunidade que o ex-banqueiro teve de se manifestar sobre as investigações do caso Master e de responder a “insinuações” que foram levantadas contra ele.
Segundo os advogados, o ex-banqueiro respondeu “de forma clara e consistente” a todos os questionamentos dos investigadores da PF.
“Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso”, afirmaram os advogados.
O ex-banqueiro é alvo da Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
A operação apurou fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores.
A renegociação de dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com descontos e condições facilitadas pelo programa Desenrola Fies 2026, pode ser feita até a próxima segunda-feira (31) pelos estudantes que foram beneficiados pela política pública.
O prazo considera a vigência da Medida Provisória nº 1.355/2026 que institui o Novo Desenrola Brasil e também o calendário legislativo do Congresso Nacional.
As renegociações das dívidas da graduação devem ser feitas diretamente com a instituição financeira responsável pelo contrato do Fies: o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal.
Cada contrato do Fies pode passar por apenas uma renegociação durante a vigência do Desenrola Fies, avisa o Ministério da Educação.
O Fies é o programa federal que oferece financiamento para quem deseja estudar em uma instituição privada de ensino superior. Após a formatura, o estudante precisa devolver o montante financiado pelo governo com juros baixos e condições facilitadas de pagamento, respeitando o limite da renda do ex-estudante.
Quem pode renegociar
O Desenrola Fies 2026 é voltado aos estudantes com contratos do programa firmados até 2017 que estavam, em 4 de maio de 2026, na fase de amortização. Esse é o período em que o estudante começa a pagar o valor principal do financiamento estudantil e os juros acumulados para quitar a dívida após terminar a faculdade.
A renegociação contempla contratos adimplentes e inadimplentes, conforme as condições previstas para cada perfil.
A data de 4 de maio de 2026 é adotada como referência para verificar a situação do contrato e aplicar critérios como o tempo de inadimplência e o enquadramento do estudante no Cadastro Único de Programas Sociais do governo federal (CadÚnico).
Também podem participar do Desenrola Fies 2026 os estudantes com o nome inscrito em cadastros de inadimplentes por atraso nesse financiamento estudantil.
Não estão aptos à renegociação os estudantes que contrataram o Fies a partir de 1º de janeiro de 2018, assim como aqueles com contratos nas fases de uso do financiamento ou de carência.
Descontos na renegociação
As condições oferecidas para renegociação de dívidas do fundo variam de acordo com a situação de cada contrato de financiamento.
Dependendo do perfil da dívida e da quantidade de dias de inadimplência (atraso no pagamento da parcela), os benefícios podem ser aplicados tanto para quitação à vista quanto para o parcelamento, conforme as regras específicas de cada faixa de renegociação.
Os descontos disponíveis devem ser consultados nos canais oficiais dos agentes oficialmente responsáveis pelo financiamento: Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
A renegociação somente é efetivada após o pagamento da parcela de entrada. Caso esse pagamento não seja feito, a proposta é cancelada.
Como renegociar
A formalização da renegociação pode ser feita pelos aplicativos oficiais dos agentes financeiros para dispositivos móveis (tablets e smartphones) ou presencialmente, em qualquer agência do banco responsável pelo contrato.
Na Caixa Econômica Federal, a renegociação está disponível também no aplicativo Fies Caixa. Mas, em situações específicas, como parcelamentos mais longos que exigem fiador, o beneficiário do financiamento poderá ser orientado a procurar atendimento presencial nas agências da instituição.
No Banco do Brasil, a adesão está disponível pelo aplicativo ou em agência, conforme a modalidade escolhida.
Após a formalização da renegociação e o pagamento da parcela de entrada, o nome do estudante e dos fiadores será retirado dos cadastros de inadimplentes, quando aplicável.
Ao som de uma versão do Hino Nacional executada com guitarra distorcida, teclado e voz, a Câmara Legislativa homenageou as roqueiras do Distrito Federal na noite desta quinta-feira (27). Com o tema “Mulheres do Rock: cultura, trabalho e políticas públicas para o fortalecimento da cena independente no DF”, a solenidade reconheceu as contribuições de artistas, produtoras, técnicas de som, roadies, fotógrafas, gestoras culturais, comunicadoras e demais profissionais que integram a cadeia produtiva do rock na capital.
A sessão solene, no plenário da Casa, foi proposta pela deputada Dayse Amarilio (PSB) para debater desafios e reivindicar maior reconhecimento ao segmento. Entre as principais dificuldades encontradas pelas fãs e profissionais do rock estão a insegurança, a desigualdade de oportunidades, a baixa representatividade em grandes festivais e a ausência de mecanismos específicos de incentivo.
Em seu pronunciamento, Dayse Amarilio destacou a importância histórica do Distrito Federal para o gênero musical e defendeu a organização coletiva para ampliar a visibilidade do movimento. “Nós somos a capital nacional do rock e vocês fazem muito mais do que música. Mantêm um sonho vivo, transformam vidas e formam um movimento muito grande que, neste momento, está sendo inviabilizado”, afirmou a parlamentar. Ela também ressaltou que a homenagem representa um ponto de partida para a construção de políticas públicas voltadas ao setor.
Sara Marques/Agência CLDF
Trajetórias e representatividade
A guitarrista da banda Estamira e produtora cultural, Sara Abreu, relembrou sua trajetória de superação até se tornar profissional da música. A artista, que adquiriu seu primeiro instrumento com a venda de amendoim em semáforos, destacou o papel de mulheres que a incentivaram ao longo do caminho.
“Hoje vivo da música graças ao incentivo de mulheres fortes que acreditaram em mim e me ajudaram a chegar a um lugar que eu jamais imaginei alcançar quando era criança”, relatou. Para ela, o fortalecimento de outras mulheres passa pela capacidade de inspirar novas gerações. “Vamos nos colocar para cima. Onde estivermos estaremos influenciando alguém com algo de bom que a gente faz”, afirmou.
Já a pesquisadora e produtora cultural Nina Puglia Oliveira apresentou reflexões a partir de estudos sobre a cadeia produtiva da música e a economia da cultura no DF. Segundo ela, as questões de gênero atravessam todo o setor cultural.
Nina argumentou que a cultura é importante fonte de renda para mulheres, mas que a insegurança ainda limita o acesso e a participação feminina nos espaços culturais. “As pesquisas mostram que muitas mulheres têm medo de consumir cultura. Em eventos noturnos e de grande porte, a segurança continua sendo uma questão fundamental para que possamos usufruir desses espaços como cidadãs”, comentou.
Sara Marques/Agência CLDF
Origens do rock e protagonismo feminino
A atriz, comunicadora e pesquisadora Sheila Campos, por sua vez, defendeu o reconhecimento das raízes negras do rock e do protagonismo das mulheres na construção do gênero musical. Ao lembrar a trajetória da cantora e guitarrista norte-americana Sister Rosetta Tharpe, precursora do rock, Sheila destacou que a contribuição feminina foi historicamente invisibilizada.
“Se o rock é preto e seu primeiro registro é criação de uma mulher, é mais do que legítima a nossa presença não apenas aqui na CLDF, mas em todos os espaços culturais, econômicos e criativos relacionados ao rock”, afirmou.
Ela também reivindicou maior participação das mulheres em posições de comando. “Não queremos ser apenas musas ou vocalistas. Queremos mulheres instrumentistas, mulheres compositoras, empresárias, produtoras, responsáveis por estúdios, gravadoras, meios de comunicação, academia e ocupando os espaços de poder”, disse.
Políticas públicas e participação social
A pesquisadora e professora Ludmila Gaudad, vocalista da banda Estamira, ressaltou a importância da representatividade de gênero no rock e da presença feminina nos espaços de decisão. “É preciso sair do discurso para construção de política pública. E onde a gente consegue isso? Estando aqui dentro, fazendo controle social”, afirmou.
Já a jornalista, produtora cultural e multiartista Luciana Ribeiro apresentou o trabalho do coletivo Roqueiras BR, criado em 2025 no Distrito Federal com o objetivo de fortalecer e ampliar a participação feminina no rock, tanto nos palcos quanto nos bastidores. Segundo ela, além de visibilidade, as mulheres do setor reivindicam condições concretas para trabalhar.
Sara Marques/Agência CLDF
“Como produzir cultura sem rede de apoio? Essa rede precisa vir também do Estado. Precisamos de creches. Muitas vezes a mulher fica presa num relacionamento nocivo, pois não consegue deixar o filho para trabalhar. A gente está buscando representatividade, visibilidade, mais segurança, mais espaço para a gente tocar, produzir, para a gente estar”, defendeu.
A produtora cultural Ivanete Feitosa destacou o caráter coletivo da mobilização e lembrou a importância da união e da resistência entre as mulheres da cena cultural. “Vai dizer que eu não realizei o sonho de ser revolucionária? É isso que a gente faz todos os dias sendo mulher”, afirmou.
Também presente ao evento, a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) destacou que a presença feminina no rock representa uma forma de enfrentamento ao machismo e à exclusão. “As mulheres no rock significam a luta contra uma sociedade sexista e a defesa do direito de ocupar todos os espaços que a nossa humanidade permite”, declarou.