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Corinthians derrota Peñarol para seguir 100% na Libertadores

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Com gols do zagueiro Gustavo Henrique e do atacante inglês Lingard, o Corinthians derrotou o Peñarol (Uruguai) por 2 a 0, na noite desta quinta-feira (30) na sua arena em Itaquera, para permanecer com 100% de aproveitamento no Grupo E da Copa Libertadores da América.

O triunfo deixou a equipe comandada pelo técnico Fernando Diniz com nove pontos em três jogos disputados, liderando sua chave com folga e ficando muito perto de uma vaga nas oitavas de final.

Atuando em casa com o apoio de sua apaixonada torcida, o Timão conseguiu construir a vitória logo nos primeiros minutos da etapa inicial. O primeiro gol saiu aos 11 minutos, quando o argentino Garro levantou a bola na cabeça do zagueiro Gustavo Henrique, que foi muito feliz na finalização.

Sete minutos depois o torcedor corinthiano voltou a soltar o grito de gol em finalização de André, mas o lance acabou sendo invalidado por causa de toque na mão de Lingard. Porém, aos 24 o atacante inglês se redimiu, ao finalizar com precisão jogada criada por Yuri Alberto.

Após a boa vantagem construída nos primeiros 45 minutos, o Corinthians soube administrar na etapa final para sair do gramado com uma importante vitória.

Fluminense se complica

Quem está em situação muito complicada na Copa Libertadores é o Fluminense, que foi derrotado pelo Bolívar (Bolívia) pelo placar de 2 a 0 em partida disputada no estádio Hernando Siles, que fica localizado nos 3.600 metros de altitude de La Paz.

Com este revés, o Tricolor das Laranjeiras ficou na lanterna do Grupo C da competição continental, com apenas um ponto conquistado em três partidas. O líder da chave, com nove pontos, é o Independiente Rivadavia (Argentina), que bateu o La Guaira (Venezuela) por 4 a 1 nesta quinta e que será o próximo adversário do time comandado por Luis Zubeldía na Libertadores.

Com a bola rolando, o Fluminense sentiu demais os efeitos da altitude e foi uma vítima fácil para um Bolívar que não precisou apresentar grande futebol para triunfar com dois gols do volante Robson Matheus, que é filho de mãe boliviana e pai brasileiro.

A única notícia positiva para o Fluminense foi a marca história alcançada pelo goleiro Fábio. Nesta quinta ele se tornou um dos jogadores com mais jogos na história da Libertadores. Ele disputou 113 partidas na competição, assim como o ex-goleiro Éver Almeida, que marcou época defendendo o Olimpia (Paraguai).



Fonte: Agência Brasil

Escala 6×1: jornada menor na Europa manteve empregos e não reduziu PIB

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Um artigo publicado na revista científica alemã Instituto de Economia do Trabalho (IZA) não identificou queda do Produto Interno Bruto (PIB) após redução da jornada de trabalho adotada em cinco países europeus entre 1995 e 2007.

O nível do emprego na França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia também não foi significativamente afetado pelas reformas, segundo os pesquisadores Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini.

O levantamento da IZA, instituição mantida pela Fundação Deutsche Post, também identificou efeitos positivos, “mas insignificantes”, sobre os salários por hora e o valor adicionado por hora trabalhada. Esses cinco países tiveram ainda um crescimento “relativamente robusto” do PIB no período.

“É, portanto, possível que, mesmo em um cenário clássico de oferta e procura, a redução do tempo de trabalho e o aumento do custo do trabalho por hora trabalhada tenham sido rapidamente absorvidos”, conclui o documento.

Os resultados diferem de pesquisas que vem sendo divulgadas no Brasil no contexto da discussão do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), com algumas projeções apontando para redução do PIB e do emprego, e outras indicando aumento de contratações devido à redução das horas trabalhadas.

“Entre 1995 e 2007, os países europeus experimentaram um crescimento relativamente forte. A redução do horário de trabalho padrão e o aumento do custo da mão de obra por hora trabalhada foram rapidamente absorvidos, sem efeitos consideráveis ​​sobre o emprego”, diz a publicação de setembro de 2022.

Ao todo, a pesquisa analisou 32 setores da economia, a partir de bancos de dados de instituições europeias, com corte em 2007 para evitar distorções causadas pela crise financeira de 2008.

Também foram excluídos setores como agricultura, educação, saúde, assistência social, artes e entretenimento “porque geralmente [esses setores] apresentam uma alta proporção de trabalhadores autônomos ou de trabalhadores do setor público”.
 


Brasília (DF), 29/04/2026 - Arte reforma da jornada de trabalho na Europa.
Arte EBC
Brasília (DF), 29/04/2026 - Arte reforma da jornada de trabalho na Europa.
Arte EBC

“Partilha do trabalho”

O estudo destaca que o resultado não valida a teoria da “partilha do trabalho”, usada por algumas analistas para projetar aumento do emprego com redução da jornada.

A tese parte do pressuposto de que os empresários tenderiam a contratar mais para repor as horas reduzidas com a reforma.  

“Não há indícios de que a redução do horário de trabalho padrão leve a uma redistribuição do trabalho e a um aumento do emprego total”, comentaram os especialistas.

Por outro lado, a pesquisa também não confirma outra premissa – usada, em especial, em estudos de entidades patronais – de que o aumento do custo do trabalho, por meio da redução da jornada sem redução salarial, tenderia à perda de postos de trabalho.

“Nossos resultados também não apoiam a visão de que reformas na jornada de trabalho padrão, que não implicam também em redução dos salários mensais/semanais, têm um efeito negativo significativo sobre o emprego, como sugeriria um modelo clássico de demanda e oferta de trabalho”, concluíram.

Os estudiosos afirmam que esses resultados sugerem que a redução da jornada, sem alteração nos salários, funciona de forma “muito semelhante” ao aumento do salário mínimo.

Bem-estar do trabalhador

Os pesquisadores descartam que, apesar do estudo focar no nível de emprego após as reformas, é preciso ainda levar em consideração o bem-estar e produtividade dos trabalhadores com a redução da jornada de trabalho.

“Se as reformas do tempo de trabalho não prejudicarem os trabalhadores, seja em termos de salários ou de emprego, ao mesmo tempo que liberam mais tempo de lazer, pode-se argumentar que uma semana ou jornada de trabalho mais curta leva a um aumento do bem-estar”, concluem os estudiosos.

Por outro lado, destaca-se que os retornos “decrescentes” para empresas das jornadas mais longas, indica que uma semana de trabalho mais curta também “poderá beneficiar as empresas em termos de maior produtividade e maior capacidade de atrair e reter trabalhadores”.

Fonte: Agência Brasil

Receita lança painel com dados de todas as empresas do país

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Os empresários ou seus representantes legais têm à disposição desde esta quinta-feira (30) uma nova plataforma digital que permite o acesso e a comparação de dados fiscais e financeiros. O sistema, chamado de “Painel Receita”, foi desenvolvido pela Receita Federal do Brasil e já está disponível para consulta online.

A ferramenta reúne informações que antes estavam dispersas e passa a oferecer uma visão mais clara da situação econômica das empresas, com indicadores que ajudam na gestão e na tomada de decisões.

Como funciona

Para acessar o sistema, o empresário ou representante definido por ele precisa ter cadastro na plataforma Gov.br e estar em situação regular com o Fisco. O acesso pode ser feito tanto pelo site quanto pelo aplicativo da Receita.

Além do dono da empresa, outras pessoas autorizadas, como contadores, executivos e sócios, podem consultar os dados.

Segundo a Receita, a ideia central do painel é simples. Por meio de informações declaradas pelas empresas, o usuário pode gerar indicadores úteis e comparáveis. Esses dados são organizados por setor econômico e porte da empresa, permitindo análises mais precisas.

Quais dados estão disponíveis

As informações são divididas em quatro grandes grupos, que ajudam a entender a saúde financeira de um negócio:

  • Receita: inclui faturamento bruto, líquido e participação de mercado;
  • Lucro e patrimônio: mostra lucro líquido, margens e retorno sobre investimentos;
  • Liquidez: indica a capacidade da empresa de pagar suas obrigações no curto prazo;
  • Endividamento: apresenta o nível de dívida e alavancagem financeira.

O sistema reúne diversos indicadores, como geração de caixa, margem de lucro e nível de endividamento. Outro diferencial é que os dados abrangem até cinco anos, o que permite acompanhar a evolução da empresa ao longo do tempo e compará-la com a média do mercado.

Comparação

Um dos principais recursos do painel é a possibilidade de comparação. A empresa pode verificar como está em relação a outras do mesmo setor, identificando pontos fortes e fragilidades.

Segundo a Receita, isso ajuda a melhorar a gestão e reduz a concorrência desleal, já que empresas mais organizadas tendem a operar com maior eficiência. Além disso, quanto mais completa for a prestação de informações ao Fisco, mais detalhados e personalizados serão os dados disponíveis no sistema.

Próximas etapas do sistema

De acordo com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o projeto ainda está em desenvolvimento e deve ganhar novas funcionalidades.

“Estamos disponibilizando um aplicativo para que as empresas profissionais de contabilidade tenham acesso à essa inteligência, para que os contribuintes e empresários possam ser bem orientados”, afirmou.

Em uma segunda etapa, o sistema deve incluir dados mais detalhados, como informações de vendas por empresa, comparações mais amplas dentro de cada setor e indicadores de comércio exterior, como importações e exportações.

Barreirinhas destacou ainda que a ferramenta foi desenvolvida internamente e continuará sendo aprimorada. “Temos orgulho porque esse aplicativo foi desenvolvido em casa, aqui pela Receita. O projeto está só começando e será mantido e sempre atualizado a partir de agora. Estamos, inclusive, em contato com o Conselho Nacional de Contabilidade para aprimorar o sistema. É um projeto com possibilidades eternas de melhoria”, disse.

Sistema não aumenta fiscalização

Durante o lançamento do sistema, o secretário Barreirinhas explicou que a ferramenta não pretende aumentar a fiscalização para cobrar mais tributos das empresas. Segundo ele, o objetivo é dar mais transparência, e não ampliar a cobrança de tributos.

“A Receita já tem acesso a todos esses dados, então essa é uma preocupação totalmente descabida, que não tem nada a ver com o objetivo do projeto Painel Receita”, justificou Barreirinhas.

Segundo ele, o sistema abre acesso para que as próprias empresas utilizem melhor as informações existentes. “Estamos abrindo uma porta para que cada empresário entre nos dados da Receita, é um canal para as empresas terem mais acesso e participação junto às informações que a Receita já possui sobre o mercado”, afirmou.

Estratégia

O “Painel Receita” pretende transformar dados fiscais em informação estratégica. Com as informações, explicou o Fisco, as empresas poderão:

  • Entender melhor sua situação financeira;
  • Comparar desempenho com concorrentes;
  • Tomar decisões mais informadas;
  • Melhorar a organização tributária.

A expectativa da Receita Federal é que, com mais transparência e acesso à informação, o ambiente de negócios se torne mais eficiente. Segundo o órgão, no longo prazo, o aumento da transparência pode contribuir para o crescimento econômico do país.

Fonte: Agência Brasil

Organizações sociais criticam derrubada de veto ao PL da Dosimetria

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Organizações da sociedade civil manifestaram repúdio à derrubada de veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei (PL) da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados por tentativa de golpe de Estado ligados ao 8 de janeiro de 2023. O veto foi derrubado nesta quinta-feira (30) pelo Congresso Nacional. 

Para as entidades, a medida representa um “grave e histórico retrocesso institucional”, naturaliza a violência e é um risco de impunidade em caso de repetição de ataques golpistas no futuro.

A nota da coalizão Pacto pela Democracia é assinada por mais de 20 organizações, aponta que a derrubada do veto pode ser vista como uma forma de relativizar ataques frontais ao regime democrático e substituir a soberania popular por projetos autoritários.

Segundo a nota, a derrubada fragiliza “o caminho que vinha sendo construído para a devida responsabilização daqueles que atentaram contra a ordem constitucional democrática no país, no contexto da tentativa de golpe de Estado após as últimas eleições presidenciais.”

O texto, assinado por organizações como o Instituto Vladimir Herzog, Instituto Marielle Franco e a Transparência Eleitoral Brasil, destaca ainda que a medida não promove pacificação e que setores do parlamento que votaram pela derrubada do veto abdicam do papel de guardiões constitucionais, nem atuam no sentido de  “corrigir excessos”.

“Na prática, trata-se de um movimento que, além de não contar com respaldo popular nem sólido fundamento constitucional, reabre espaço para a naturalização da violência política contra a democracia e enfraquece a construção da memória coletiva sobre um dos episódios mais graves da história republicana recente”, diz o documento.

As organizações alertam ainda que reduzir a gravidade desses fatos por meio da revisão de penas significa reescrever a história em favor da impunidade. O documento diz que o debate sobre a flexibilização de penas exige cautela e reflexão responsáveis, principalmente por seus possíveis efeitos em outros âmbitos do sistema penal.

“No 8 de janeiro, o povo brasileiro assistiu, atônito, ao vandalismo e ao ódio dirigidos às sedes dos Três Poderes por aqueles que buscavam desacreditar o resultado das eleições e substituir a soberania popular por um projeto autoritário; a perplexidade coletiva não foi apenas reação à violência, mas o reconhecimento imediato de um ataque frontal ao regime democrático”, diz a nota.

“Ficou evidente que não se tratava de mero vandalismo, mas da expressão organizada de uma trama que visava deslegitimar o processo eleitoral e instaurar, pela força e pelo caos, uma ruptura institucional”, diz o documento.

O texto afirma ainda que a derrubada do veto ao PL abre brechas concretas para a repetição desses ataques no futuro.

“A democracia não se sustenta apenas por eleições periódicas, mas pela capacidade de reconhecer seus traumas, responsabilizar seus agressores e impedir que a violência golpista seja incorporada à normalidade institucional. A derrubada deste veto caminha no sentido da normalização da violência”, diz a nota.

Fonte: Agência Brasil

Prefeitura descarta produtos que seriam vendidos no show da Shakira

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A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) apreendeu, na madrugada desta quinta-feira, (30), 80 kg de materiais perecíveis enterrados na areia da Praia de Copacabana, zona sul do Rio, que seriam vendidos ao público durante o show da cantora Shakira, neste sábado (2). A ação foi iniciada ainda na noite de ontem (29) e contou com apoio da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb).

Os agentes apreenderam uma carrocinha, um carrinho com mercadorias e diversos bancos plásticos já posicionados em pontos estratégicos da Praia de Copacabana. Os alimentos perecíveis foram descartados.

As ações se concentraram na faixa de areia, principalmente na altura da Rua Rodolfo Dantas, onde foi montado o palco para o show da Shakira, atração do evento “Todo Mundo no Rio”. A ação teve como objetivo encontrar materiais e produtos enterrados ou posicionados estrategicamente na areia, de forma irregular, principalmente por vendedores ambulantes e barraqueiros. A iniciativa visa também deixar a orla mais limpa e ordenada, além de evitar acidentes com garrafas de vidro.

As ações contaram com o auxílio de agentes da Guarda Municipal. Durante a ação, acampamentos foram desmontados, já que muitas pessoas armam grandes barracas para reservar espaço na faixa de areia para o show.

Um decreto de maio de 2025 impôs novas regras para organizar a orla carioca, proibindo itens como garrafas de vidro e cercadinhos, regulamentando música (com volumes e horários específicos), padronizando barracas com nomes/números e visando coibir irregularidades, visando um uso mais democrático e organizado do espaço público.

Fonte: Agência Brasil

Justiça decide incluir testemunha em julgamento do caso Henry Borel

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A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu ouvir o depoimento da testemunha Miriam Santos Rabelo Costa na sessão de julgamento do caso Henry Borel marcada para o dia 25 de maio.

Miriam acusa Leniel Borel, o pai de Henry, de agressões que, na versão dela, poderiam ter ocasionado a lesão que resultou na morte da criança, em março de 2021.

Ele testemunhará em defesa do réu Jairo Souza Santos Júnior. O ex-vereador Dr.Jairinho é acusado de ser o responsável pela morte do menino Henry Borel.

A ex-companheira de Jairinho e mãe de Henry, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida também será julgada, acusada pelos crimes de homicídio por omissão, além de tortura e coação.

Reunidos em sessão nesta terça-feira (28), os magistrados acompanharam o voto do relator, desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, que havia concedido liminar, no dia 1º de abril, autorizando o depoimento da testemunha.

O juízo da 2ª Vara Criminal da Capital havia indeferido o requerimento da defesa de Jairinho para que Miriam testemunhasse, considerando ser prova irrelevante e impertinente.

O juízo acolheu as manifestações do Ministério Público do Rio de Janeiro e do assistente de acusação de Leniel Borel, pai de Henry, contrárias à participação da testemunha. 

Após conceder liminar reconduzindo Miriam ao rol de testemunhas do júri, o relator manteve seu entendimento: “Voto no sentido de conceder a ordem, para consolidar a liminar antes deferida”. Em seu voto, o relator considerou o risco de eventual requerimento de nulidade do julgamento.

“A exclusão da testemunha justificada apenas por suposta irrelevância e impertinência pode gerar nulidade por cerceamento de defesa e configura constrangimento ilegal, em violação à paridade de armas e risco de, em última análise e por via transversa, estar antecipando juízo de valor, que cabe ao júri popular e, em consequência, usurpando a soberania do Conselho de Sentença”.

Adiamento

O julgamento de Jairo dos Santos Júnior e de Monique Medeiros seria realizado no dia 23 de março deste ano. Com o plenário lotado, testemunhas e corpo de jurados preparados para o início da sessão, um dos cinco advogados que compõem a defesa de Jairinho, Rodrigo Faucz, disse que não seria possível seguir o julgamento com a omissão de documentos, provas e dados entregues à defesa.

“A defesa solicitou essas provas no dia 12 de agosto de 2025. A juíza mandou nos entregar. Recebemos apenas informações parciais. Querem colocar a opinião pública, mais uma vez, contrária. Isso é um absurdo”, disse o advogado.

Os cinco advogados de defesa de Jairinho, então, abandonaram o plenário e a juíza Elizabeth Machado Louro, que presidia o julgamento no 2º Tribunal do Júri, foi obrigada a suspender o julgamento.

 

Fonte: Agência Brasil

Delegada de repressão aos crimes de discriminação recebe título de Cidadã Honorária de Brasília

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Em noite de muita emoção, a Câmara Legislativa do Distrito Federal entregou, na quarta-feira (29), o título de Cidadã Honorária de Brasília para Ângela Maria dos Santos, delegada chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, Orientação Sexual, Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). A homenagem foi iniciativa do deputado Chico Vigilante (PT), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e Procurador Especial do Idoso. 

Ao abrir a sessão solene, Vigilante explicou que homenagem celebra “uma trajetória de dedicação, coragem e profundo compromisso com a dignidade humana”. “Uma mulher que fez da proteção aos vulneráveis a sua missão de vida, ajudando a construir uma capital mais justa, humana e solidária. O que nos move hoje é a gratidão por seu olhar humanizado que resultou em protocolos pioneiros de atendimento e no projeto Decrin vai às escolas”, argumentou o distrital.

O deputado Fábio Felix (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Legislação Participativa, destacou que a Decrin é “fruto da conquista dos movimentos sociais desta cidade, pois trata de uma pauta muito importante, mas que sempre foi silenciada”. “Trata-se de uma delegacia que tem uma métrica muito diferente de atuação. Uma delegacia especializada que acolhe a população LGBT e faz a diferença. Fico muito feliz com essa homenagem, que acaba sendo uma homenagem a todos os grupos minorizados desta cidade, que sabem do seu acolhimento”, completou o parlamentar.

 

Divulgação/Gabinete Chico Vigilante

 

Amiga de infância da homenageada, Josilaine da Silva Caldeira enalteceu a relevância pública da homenageada e os mais de 40 anos de amizade e convivência. “Somos amigas de momentos de discordância, às vezes iguais e permanecemos amigas fiéis por mais de 40 anos. Porque lidar com as diferenças, aprender com elas e seguir em frente com respeito é uma das marcas mais fortes da personalidade da homenageada. Ela nunca buscou caminhos fáceis. Ângela sempre buscou caminhos verdadeiros. Essa postura se reflete em toda a sua trajetória”, pontuou ela.

Para a ex-diretora da polícia civil do DF Mainline Alvarenga, Ângela construiu uma trajetória “com muita coragem, sensibilidade, coração puro, força e muita dedicação na defesa das pessoas em situação de vulnerabilidade”.  

Já a delegada de polícia e diretora adjunta do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil do DF, Marilise Gomes da Silva, disse que a nova cidadã é “acima de tudo uma profissional que tem contribuído de maneira extraordinária para nossa cidade e para nossa instituição”. “Ângela é destas policiais que entenderam deste cedo que distintivo e empatia caminham juntos, que a Lei sem escuta é apenas texto, e que uma delegacia, quando bem conduzida, ela pode ser um lugar onde uma vida recomeça”, analisou. 

João Monteiro Neto, secretário geral da Câmara Legislativa, registrou seus sentimentos em relação ao que a homenageada fez e faz na polícia civil. Para ele, um aspecto que distingue muito a atuação da delegada Ângela é “a leveza e a doçura no trato com as pessoas, sejam elas colegas da polícia, vítimas ou até mesmo com investigados”.

 

Divulgação/Gabinete Chico Vigilante

 

Maria José dos Santos, mãe da homenageada, agradeceu a Deus pela “vida da filha e pelo reconhecimento merecido”. “A Ângela sempre foi uma mulher dedicada, competente e firme em seus propósitos. Eu tenho certeza de que ela ainda pode ir muito mais longe. Como mãe, meu coração se enche de orgulho”, elogiou ela. 

A solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo biográfico sobre Ângela Maria dos Santos.

Trajetória 

Depois de ouvir os pronunciamentos, a nova cidadã de Brasília agradeceu os familiares e amigos e contou como sua formação familiar foi importante para colocá-la na luta por igualdade de gênero e por uma sociedade mais justa. “Hoje é um dia muito especial para mim e para qualquer pessoa agraciada com o título de cidadã honorária de qualquer lugar que seja, mas ser reconhecida como Cidadã Honorária de Brasília, capital do nosso País, não é qualquer coisa. Brasília me traz a sensação de liberdade, de ser quem se é. Não à toa que trabalho numa delegacia que protege o direito de sermos diferentes; o direito de ser tratado com igualdade de condições sendo branco, amarelo, preto, indígena; o direito de poder existir sendo gay, lésbica, bissexual, transexual, intersexo, assexuado ou todas as formas de orientação sexual e identidade de gênero; o direito de se ter a crença que se quiser e até de não ter crença alguma; o direito de poder envelhecer com dignidade e de se sentir bem em seu próprio corpo, seja este corpo magro, gordo, com ou sem deficiência”, completou Ângela Maria dos Santos.

 

Divulgação/Gabinete Chico Vigilante

 

Natural de Uruaçu (GO), Ângela Maria Santos chegou a Brasília após uma trajetória de superação. Tendo cursado Direito em Goiânia, ingressou na PCDF em 1999. Sua carreira na corporação é marcada por uma forte atuação em Ceilândia, onde trabalhou por 15 anos em diversas unidades, incluindo a Delegacia da Criança e do Adolescente e a Delegacia da Mulher. Além da experiência operacional, a homenageada é especialista no enfrentamento à violência doméstica e familiar, atuando também como professora na Escola Superior de Polícia da PCDF e no Ministério da Justiça.

Desde 2019, Ângela está à frente da Decrin, onde implementou protocolos pioneiros de atendimento para a população LGBTQIA+, pessoas idosas e grupos de diversidade religiosa. 

Fonte: Agência CLDF

Brasileiros estavam em flotilha interceptada por militares israelenses

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Quatro Integrantes da delegação brasileira, participantes da missão humanitária não violenta da Global Sumud Flotilla, estão entre os sequestrados em águas internacionais nas proximidades da Ilha de Creta, enquanto navegavam em direção à Faixa de Gaza.

São eles: Amanda Coelho Marzall, conhecida como Mandi Coelho, militante pelo PSTU, parte da liga internacional dos trabalhadores e pré-candidata ao cargo de deputada federal por São Paulo; Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro da Petrobras Transporte, diretor do SindiPetro-RJ e da Federação Nacional de Petroleiros; Thiago de Ávila e Silva Oliveira, militante internacionalista e membro do Comitê Diretor Internacional da GSF; e Thainara Rogério.

Segundo a Global Sumud Flotilla, outra brasileira, Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens, está a bordo do barco Amazona, que conseguiu despistar as forças de ocupação israelense até entrar em águas territoriais da Grécia. 

Também escaparam as coordenadoras da Global Sumud Brasil, que estavam a bordo do barco SAF SAF, Lisi Proença e Ariadne Teles, que desembarcaram na Sicília (Itália) para ajudar no trabalho da equipe de terra. As embarcações haviam saído de Catania na Itália em 26 de abril.

Os navios de ajuda humanitária foram interceptados por Israel na noite dessa quarta-feira (29) ao largo da península grega de Peloponeso, localizada a centenas de quilômetros de Gaza, segundo os organizadores da flotilha.

Em comunicado, o grupo disse que a ação se trata de pirataria e captura ilegal de seres humanos. “Essa é uma afirmação de que Israel pode operar com total impunidade, muito além de suas próprias fronteiras”.

Imagens divulgadas pelo grupo mostram israelenses abordando o navio, e a tripulação com coletes salva-vidas e as mãos para cima. Todos foram levados para embarcações israelenses. 

Em outubro do ano passado, os militares israelenses abordaram uma flotilha da organização e prenderam mais de 450 participantes, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.
 

Fonte: Agência Brasil

Dia do Trabalho tem origem em greve de operários nos EUA, em 1886

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O Dia Internacional do Trabalhador, também conhecido como Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho, comemorado anualmente em 1º de maio, é feriado em muitos países.

A data tem origem na greve geral iniciada por trabalhadores norte-americanos em 1º de maio de 1886, em Chicago, que reivindicavam melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada que chegava a 17 ou 16 horas por dia para 8 horas diárias. A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais.

O reconhecimento internacional ocorreu durante o congresso socialista Segunda Internacional, em Paris, em 1889, que convocou uma manifestação internacional para 1º de maio de 1890, consagrando a data como dia de luta pela conquista da jornada de trabalho de 8 horas/dia e em memória aos operários mortos de Chicago.

“Aí, tornou-se uma efeméride mundial. A partir daí, os países e os trabalhadores foram adotando essa data, cada um de um jeito. Mas, de forma geral, o significado é confronto. Era um dia de greve, um dia de luta, porque o patronato não queria absorver isso. Entendia que era custo a redução de trabalho”, disse à Agência Brasil o professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bernardo Kocher.

Naquele momento, a indústria estava trocando a produção: a remuneração por peça, passava a ser de remuneração por carga, ou seja, por hora trabalhada.

”Então, era possível reduzir a jornada, mas os patrões não queriam isso, porque era aumento de custo: menos trabalho e mesmo salário. Implicava diminuir jornada, mas não o salário.”

A produção ia diminuir, porque eram menos horas trabalhadas e o custo continuaria igual. Então, os trabalhadores lutavam, através de um dia de greve, como forma de manifestar a viabilidade de sua reivindicação.

Kocher explicou que com menos horas de trabalho, o operário teria condições de trabalhar melhor e isso resultaria em mais emprego, mais consumo. “Foi uma batalha um tanto, digamos, física. Em alguns lugares, era confronto com a polícia enquanto uma coisa simbólica, de narrativa, para que a lógica dos trabalhadores se sobrepusesse à lógica do capitalismo”.

No Brasil

Ao contrário das informações que remetem a oficialização do Dia do Trabalho no Brasil a 1924, com o início da celebração da data em 1925, pelo então presidente Artur Bernardes, o professor de História da UFF assegurou que o feriado começou em 1890, junto com a proclamação da República.

“Eu fiz uma dissertação de mestrado sobre 1º de maio no Rio de Janeiro e constatei isso: 1890. O significado no Brasil, porém, foi diferente, afirmou o professor. Não foi de confronto. Por isso, dá impressão que não existiu. Foi uma coisa de cidadania, de manifestação do direito republicano.”

“A classe operária era muito segmentada. Mal comparando, é como o povo das comunidades, que hoje é segmentado. Então, ninguém sabe o que acontece lá, não tem serviço. A classe operária era quase um gueto. Os operários se esforçavam para serem cidadãos, mas isso foi em 1890”. Quando ocorreu o 1º Congresso Operário Brasileiro, em 1906, os anarquistas sindicalistas conseguiram mudar o significado. Aí passou a ser um dia de greve, um dia de guerra, um dia de luta de classes.”

Na década de 1920, os comunistas ocuparam o lugar dos anarcossindicalistas e começaram também a associar com a revolução. Isso foi até os anos de 1930, quando ocorreu a Revolução liderada por Getulio Vargas. “Aí, o Estado começou a se voltar para a questão do trabalho”.

Nos anos de 1938 e 1939, foi a proibida a comemoração como dia de greve e só em 1940 foi decretada a data como feriado. Segundo o professor Kocher, foi aí que o movimento operário perdeu a capacidade de monopolizar o significado do 1º de maio. “O presidente Getulio falava: Não precisa mais ser dia de greve, nós já estamos fazendo a legislação”.

E, então, a data deixou de ser Dia do Trabalhador para ser Dia do Trabalho.

Significado

Ao longo dos anos, Bernardo Kocher concluiu que a data passou a significar quase nada. “Tanto que isso já foi dito várias vezes e você tem que fazer entrevista, porque a cultura se perdeu. Eu não sei de nenhuma manifestação operária. Sei que é feriado e assim ficou.”

Na concepção do professor da UFF, o próprio mundo do trabalho mudou muito no decorrer do tempo. A jornada de 8 horas foi incorporada.

“A classe operária perdeu protagonismo com a intervenção estatal na economia e no mundo do trabalho. Isso em todo o planeta. E foi perdendo o significado”. Hoje, o número de trabalhadores industriais em relação à população economicamente ativa é bem menor do que era na época das lutas operárias. Vários setores industriais vêm usando tecnologia, flexibilização, importam partes da China, e isso acabou modificando totalmente o conteúdo da classe operária, manifestou Kocher. “E se perdeu um pouco essa memória coletiva. Se não fosse feriado, ninguém praticamente ia se preocupar”.

Jornada 6×2

Ao ser indagado sobre o projeto de redução da jornada de trabalho 6×2, Bernardo Kocher avaliou que se trata da mesma discussão do 1º de maio. “É igualzinho. Eu li os jornais da época (do início da República) e estou vendo a mesma palavrória. Os argumentos são os mesmos”.

Ele destacou que a produtividade hoje é imensa e o empresário tem mil recursos para aumentar a produtividade, mas não quer ceder.

Segundo o professor, embora um dia a menos de trabalho se faça necessário para a vida humana, mas não para o capital, o empresariado não quer assumir.

“Ele quer que o Estado assuma, alega que tem que cortar benefícios dos trabalhadores, cortar o salário principalmente. A última análise é isso aí, diminuir o salário. É a mesma situação.”

No passado, com a redução da jornada para 8 horas/dia, o trabalhador produziu mais e melhor, houve mais emprego, mais consumo. “Então; se perde por um lado, ganha pelo outro. Isso só ocorreu no passado com a intervenção do Estado obrigando. Foi uma ditadura (Getulio Vargas) que obrigou, porque todo o mundo já estava fazendo isso. A Revolução Russa, por exemplo, ameaçou e obrigou os empresários a cederem”. Segundo expressou, os governos tiveram que entrar na questão “porque não ia ter auto-regulamentação nenhuma”.

 A Reforma da Previdência de 2019, que foi o principal projeto da equipe do ministro Paulo Guedes, na gestão do então presidente Jair Bolsonaro, consolidou na Constituição Federal que a aposentadoria compulsória para servidores públicos (União, Estados e Municípios) ocorra automaticamente aos 75 anos de idade, com proventos proporcionais.

Na avaliação de Bernardo Kocher, a emenda provocou a perda de direitos trabalhistas ao dar aos empresários a opção de demitir os trabalhadores celetistas com 75 anos de idade sem direito a receber indenização pelo tempo trabalhado, nem à multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Eles estão há décadas cortando direitos, porque o mundo do trabalho mudou muito. O mundo hoje é de serviços. A competição é global, a China produz tudo muito mais barato. Então, se a classe trabalhadora está vulnerável, essa legislação (da emenda Paulo Guedes) passa”.

Para o professor da UFF, a perspectiva para o trabalho não é nada boa. “Hoje, o mercado domina o mundo do trabalho. E isso leva à precarização, leva à pejotização (contratação de pessoas jurídicas), à redução de salários e o Estado não quer intervir mais na economia.”

Sociologia do trabalho

Na ótica do professor de Sociologia do Trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ), Marco Santana, o 1º de Maio mantém um significado profundamente político, ainda que seu sentido tenha se transformado ao longo do tempo.

“É, como se diz, dia de luta e luto. Ele surgiu no final do século 19 como um dia de luta, ligado à memória das greves operárias de 1886 em Chicago, que reivindicavam a jornada de oito horas e foram violentamente reprimidas.”

De acordo com Santana, desde então, o 1º de Maio simboliza a afirmação de que os direitos trabalhistas não são concessões naturais do progresso ou mesmo das classes dominantes, mas conquistas obtidas por meio de lutas, conflito social e organização coletiva.

Ao longo do século 20, o dia, marcado por um feriado, acompanhou a consolidação dos direitos do trabalho em muitos países, por meio de legislação trabalhista, sindicatos reconhecidos, previdência social e limites à jornada. Em vários contextos, porém, esse caráter combativo acabou por ser institucionalizado.

“O 1º de Maio passou a ser celebrado como data cívica, com cerimônias oficiais e discursos, muitas vezes esvaziando sua dimensão de protesto e de críticas ao capitalismo”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

Marco Santana observou, entretanto, que no século 21, o significado do 1º de Maio volta a se tensionar. “As transformações recentes do mundo do trabalho — como a precarização, a informalidade, o trabalho por aplicativos, o enfraquecimento sindical e a redução drástica de direitos laborais — recolocam o 1º de Maio como um dia de denúncia e reinvenção das lutas trabalhistas”.

Ao mesmo tempo, as pautas se ampliaram. “Não se trata apenas e somente do emprego industrial clássico, mas também do trabalho de cuidado, do trabalho racializado, das questões ambientais e da relação entre trabalho, tecnologia e vida. A luta contra a escala 6×1, por vida além do trabalho, por exemplo, é uma pauta central e inescapável nesse 1º de Maio em nosso país”.

No entender do professor do IFCS/UFRJ, o 1º de Maio expressa hoje uma dupla dimensão: é memória histórica das lutas que fundaram direitos sociais e, simultaneamente, um alerta sobre sua fragilidade. “Mais do que comemorar conquistas passadas, o feriado reafirma que o direito ao trabalho digno, ao tempo livre e à vida para além da mercantilização continua sendo uma questão aberta e disputada”.

Outras datas

Nos países onde o dia 1º de maio não é feriado oficial, são organizadas manifestações nesta data, em defesa dos trabalhadores. Por outro lado, algumas nações celebram o Dia do Trabalhador em outras datas.

Um exemplo é a Nova Zelândia, que celebra o Dia do Trabalho na quarta segunda-feira de outubro, em homenagem à luta dos trabalhadores locais, que levou à adoção da jornada de 8 horas diárias, antes da greve geral que resultou no massacre nos Estados Unidos.

Na Austrália, o Dia do Trabalho varia de acordo com a região. Já os Estados Unidos e o Canadá celebram o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Nos Estados Unidos, a escolha teria como objetivo evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, então com alguma relevância no país.

 

Fonte: Agência Brasil

Congresso derruba veto de Lula e mantém PL da Dosimetria

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O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei (PL) da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados por tentativa de golpe de Estado ligados ao 8 de janeiro de 2023. O projeto de lei segue para promulgação. 

No Senado, foram 49 votos favoráveis à derrubada do veto e 24 contrários Eram necessários 41 senadores para derrubar o veto presidencial.

Na Câmara dos Deputados, 318 parlamentares votaram para beneficiar os golpistas, enquanto 144 deputados votaram contra e cinco se abstiveram. Eram necessários 257 votos para derrubar o veto.  

Antes da votação, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), fatiou a votação, excluindo os trechos que beneficiariam criminosos comuns ao reduzir o tempo para progressão de pena, mudança prevista no texto aprovado em dezembro de 2025.

O PL 2.162 de 2023 foi incluído como pauta única na sessão de hoje, entrando na frente de mais de 50 vetos, parciais ou totais, que aguardam na fila para análise do Parlamento.

O líder do governo na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), pediu questão de ordem contra a votação do PL por entender que outros vetos teriam preferência, mas o apelo foi rejeitado por Alcolumbre.

“Nós estamos votando o tema da democracia e, portanto, o futuro de novas aventuras golpistas se derrubar este veto, uma vez que está defendendo um grupo determinado, que é o de Jair Bolsonaro, e os generais golpistas que tentaram implantar golpe no país”, disse a liderança governista.

Uczai lembrou ainda do plano de assassinatos contra o presidente eleito e o vice previsto na trama golpista.

“Não é esquerda ou direita. É se nós queremos democracia ou golpe ou ditadura, autoritarismo no Brasil. Liberdade, democracia, sim, ditadura nunca mais.”

A derrubada do veto foi defendida pelo senador Espiridião Amim (PP-SC), relator do PL, que justificou que o julgamento da trama golpista não teria sido justo.

“Eu quero, em primeiro lugar, dizer a todos os congressistas que estão aqui que este é um dia que pode permitir que se galgue ou se supere o primeiro degrau para a justiça e para a harmonia política no Brasil”, disse o parlamentar.

Razão do veto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o chamado PL da Dosimetria por entender que a proposta é inconstitucional e viola o interesse público ao reduzir penas de crimes contra a democracia.

“[O PL] daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem democrática e indicaria retrocesso no processo histórico de redemocratização que originou a Nova República”, justificou o Palácio do Planalto.

Entenda

O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”.

Tais mudanças devem beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

*Com informações de Luciano Nascimento

Fonte: Agência Brasil