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Câmara Legislativa vai à escola em Ceilândia ouvir demandas estudantis

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A Câmara Legislativa do Distrito Federal, por meio da Escola do Legislativo (Elegis), realiza, em 24 de abril, às 9h30, mais uma edição do projeto de formação cidadã “A Câmara vai à Escola”. O evento, no Centro Educacional 06 de Ceilândia, terá transmissão ao vivo da TV Câmara Distrital e marca o encerramento das atividades desenvolvidas junto à comunidade escolar, reforçando a aproximação entre o Poder Legislativo e os estudantes do DF.

O projeto faz parte do programa Cidadania em Movimento, que também conta com as iniciativas “A Câmara Legislativa vai à Universidade” e “A Câmara Legislativa vai à Comunidade”. Ao longo de 2025, o programa levou debates, oficinas e experiências democráticas para mais de 1,5 mil participantes, nas regiões administrativas da Candangolândia, da Ceilândia, do Gama, do Lago Norte, do Núcleo Bandeirante, do Paranoá e de Taguatinga.

Durante o evento em Ceilândia, os estudantes vão apresentar as demandas priorizadas ao longo do projeto, acompanhadas de sugestões de proposições legislativas, elaboradas a partir das oficinas formativas realizadas ao longo da edição. Na sequência, os parlamentares presentes assumem o compromisso da escuta ativa, manifestando publicamente os encaminhamentos possíveis em relação às propostas apresentadas.

 

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

“O momento constitui uma vivência prática do exercício democrático, promovendo o diálogo direto entre juventude e representantes do Legislativo e fortalecendo o protagonismo juvenil na construção de políticas públicas”, destaca a deputada Paula Belmonte (PSDB), responsável pela Elegis.

Formação cidadã

O projeto desenvolvido pela Escola do Legislativo busca contribuir para a formação cidadã crítica dos estudantes, aproximando-os do funcionamento do Parlamento e estimulando a participação política de forma consciente e responsável. A metodologia aplicada integra teoria e prática, ao estimular a reflexão crítica aliada à aplicação concreta dos conhecimentos adquiridos.

Ao longo do processo, os participantes são incentivados ao exercício da participação ativa, à escuta qualificada e ao diálogo democrático. Além disso, a construção coletiva das propostas favorece o desenvolvimento de competências essenciais, como empatia, argumentação, negociação, pensamento crítico, colaboração e responsabilidade social.

Fonte: Agência CLDF

Homenagem à Orquestra Filarmônica de Brasília celebra 41 anos de dedicação à música erudita e popular

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A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza sessão solene nesta sexta-feira (24) em homenagem à Orquestra Filarmônica de Brasília (OFB). Proposto pelo deputado Fábio Felix (PSOL), o evento acontece no plenário da Casa a partir das 14h. 

A OFB surgiu em 1985, inicialmente com o nome de “Orquestra Jovem de Brasília”, integrada por estudantes de música da Universidade de Brasília (UnB) e da Escola de Música de Brasília (EMB), com as bençãos do maestro Claudio Santoro, que regeu a primeira apresentação do grupo. O objetivo era democratizar o acesso à música e promover a formação cultural no DF.  

Ao longo dos anos, a Orquestra Filarmônica de Brasília consolidou-se como um dos principais grupos sinfônicos do DF, com um repertório que une música clássica e popular. Além disso, a OFB desenvolve uma série de projetos educativos, de incentivo a novos talentos e de formação de público. 

 

Foto:Andressa Anholete / Agência CLDF

“Celebrar quatro décadas de atuação é reconhecer não apenas a excelência artística da Orquestra, mas também o empenho de músicos, maestros e colaboradores que se dedicaram à construção de um patrimônio cultural de inestimável valor para a sociedade”, destaca o autor da homenagem, deputado Fábio Felix. 

Serviço 
O que:
sessão solene em homenagem à Orquestra Filarmônica de Brasília 
Quando: sexta-feira (24), às 14h 
Onde: plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal  

Fonte: Agência CLDF

Regulamentação das Escolas Cívico-Militares será discutida em audiência pública

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A Câmara Legislativa realizará audiência pública para discutir a regulamentação das Escolas Cívico-Militares no Distrito Federal. O debate é uma iniciativa do deputado Thiago Manzoni (PL) e acontecerá no próximo dia 24, a partir das 19h, no auditório da CLDF. A audiência contará com transmissão ao vivo pela ‎TV Câmara Distrital e Youtube e é aberta ao público.

Na opinião de Manzoni, o Programa das Escolas Cívico-Militares tem se consolidado como uma iniciativa de grande relevância para o sistema educacional do DF, sobretudo em razão de seus expressivos indicadores de desempenho. “As escolas de gestão compartilhada do Distrito Federal alcançaram índices de aprovação acima dos 80% entre pais, alunos, professores e servidores”, argumenta o distrital. 

 

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

Presente em 25 unidades de ensino atualmente, o modelo cívico-militar é uma parceria entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública. Os dados de satisfação são monitorados com o objetivo de aprimorar os serviços prestados para a comunidade e garantir o bem-estar e o aprendizado dos alunos.

“As unidades escolares que adotam o modelo de gestão compartilhada não apenas promovem avanços no processo de aprendizagem, mas também se destacam como espaços de formação em civismo, disciplina e responsabilidade, que são valores fundamentais para a construção de uma sociedade mais sólida e comprometida com o bem comum. Apesar disso, sua regulamentação ainda não foi formalizada na capital do País, diferentemente do que já ocorreu em outras unidades da Federação”, pontua o deputado.

“Nesse contexto, a audiência pública terá como objetivo reunir subsídios, contribuições e perspectivas que possam fortalecer o debate e viabilizar a consolidação do programa como política de Estado, assegurando não apenas sua continuidade, mas também sua expansão”, justificou o parlamentar.

Fonte: Agência CLDF

STF debate valor do mínimo existencial para evitar superendividamento

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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (22) o julgamento que pode determinar a atualização anual do valor do chamado mínimo existencial, para evitar o superendividamento da população. 

A Corte julga a constitucionalidade de decretos que regulamentaram a Lei 14.181 de 2021, conhecida como Lei do Superendividamento. 

As normas definiram o conceito de mínimo existencial para proteger o consumidor e evitar a concessão de empréstimos que comprometam toda a renda mensal com o pagamento de dívidas. 

Em 2022, um decreto ex-presidente Jair Bolsonaro fixou o mínimo existencial em R$ 303, equivalente a 25% do salário mínimo vigente na época. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corrigiu o mínimo para R$ 600, valor que está em vigor. 

Após a edição dos decretos, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e a Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep) entraram com ações na Corte. As entidades questionaram o valor mínimo fixado nos decretos e alegaram que o valor é insuficiente para garantir condições básicas de dignidade. 

Até o momento, o Supremo tem maioria de votos para determinar que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá propor estudos para atualização anual do valor do mínimo.

Contudo, os ministros decidiram suspender a proclamação do resultado do julgamento para aguardar o voto do ministro Nunes Marques, que não participou da sessão. 

A data para retomada do julgamento ainda não foi definida. 

Bets

O julgamento começou em dezembro do ano passado e foi suspenso por um pedido de vista feito pelo ministro Alexandre de Moraes.

Na sessão desta quarta-feira (22), Moraes disse que o superendividamento cresceu em virtude da regulamentação dos jogos eletrônicos, conhecidos como bets.

“O percentual de famílias endividadas subiu ao patamar de quase 78%. Um quarto dos brasileiros não conseguem pagar suas dívidas nos prazos e entram nos juros rotativos”, afirmou.

Luiz Fux também afirmou que as bets representam o maior meio de endividamento da população.

“As pessoas gastam o dinheiro do consumo e do mínimo existencial em bets. É um problema emergencial”, disse.

O relator do caso, ministro André Mendonça, afirmou que o valor do mínimo existencial poderia ser superior. Contudo, segundo o ministro, o aumento poderá restringir o acesso ao crédito.

“Se nós elevássemos por decisão judicial ou ao menos tivesse uma regulamentação específica, atribuindo o valor de um salário mínimo, nós retiraríamos do mercado de crédito uma gama de 32 milhões de cidadãos”, comentou. 

Flávio Dino defendeu o consumo saudável e disse que o acesso das famílias ao crédito é um direito fundamental.

“Sem crédito não existe consumo, e o consumo é o elemento necessário para a dignidade humana. O consumismo, não. O consumismo é a negação da dignidade da pessoa humana, fruto de manipulações perversas, que conduzem a desastres familiares”, completou. 

Fonte: Agência Brasil

Governo de Goiás lança edital de artes visuais para Fica 2026

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Governo de Goiás lança edital de artes visuais para o Fica 2026
Chamada pública selecionará propostas artísticas para compor programação de exposições do festival, de forma presencial, na cidade de Goiás (Fotos: Vinícius Schmidt)

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) abriu, nesta quarta-feira (22/04), o edital de artes visuais do 27º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2026), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural (RTVE).

A chamada pública selecionará propostas artísticas para compor a programação de exposições do festival, que será realizado dos dias 16 e 21 de junho, de forma presencial, na cidade de Goiás.

Voltado à valorização da produção artística goiana, o certame é destinado a artistas residentes na cidade de Goiás e em outros municípios do Estado. A iniciativa integra as ações de fomento cultural do Fica, que articula cinema, artes visuais, meio ambiente e sustentabilidade.

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas exclusivamente de forma on-line, por meio da plataforma Plateia Editais (https://web.ufg.br/plateia-editais/#/edital/cp02fica2026), até as 17 horas, do dia 13 de maio. O processo seletivo será dividido nas etapas de habilitação e avaliação, conduzidas por comissões específicas, conforme critérios estabelecidos no edital.

Categorias

Serão selecionadas dez propostas de artes visuais, distribuídas em três categorias:

  • artistas da cidade de Goiás;
  • artistas do interior do Estado (exceto Goiânia);
  • artistas regionais, residentes em qualquer município goiano.

Cada proposta contemplada receberá o valor de R$ 4 mil, a título de pagamento bruto, para participação na exposição durante o festival.

O resultado preliminar da etapa de habilitação será divulgado no dia 16 de maio, com prazo para recursos no dia seguinte. O resultado final da habilitação será publicado em 19 de maio. Já o resultado preliminar da avaliação artística está previsto para 22 de maio, com resultado final homologado em 26 de maio.

As exposições ocorrerão, prioritariamente, nas salas expositivas do Museu Palácio Conde dos Arcos, no Centro Histórico da cidade de Goiás, com visitação aberta ao público durante todo o período do Fica 2026.

Desde que dialoguem com a temática do festival: Água e Clima no Brasil das Nascentes, as propostas poderão contemplar diferentes linguagens das artes visuais, como:

  • pintura;
  • escultura;
  • desenho;
  • gravura;
  • fotografia;
  • videoarte;
  • objetos e instalações.

O edital completo, com todas as regras, critérios, documentação exigida e cronograma detalhado, está disponível no site oficial do Fica e na plataforma Plateia Editais.

Fica

O Fica é um dos principais eventos do país, reunindo cinema, cultura e meio ambiente em uma programação gratuita, promovendo debates atuais e fortalecendo a produção cultural e o intercâmbio entre artistas, pesquisadores e público.

Nesta 27ª edição, o festival conta com a parceria estratégica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a cooperação de diferentes órgãos do Governo de Goiás, como as secretarias de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), da Retomada, Saúde (SES), Esporte e Lazer (Seel), Educação (Seduc), Desenvolvimento e Inovação (Secti) e Desenvolvimento Social (Seds).

A realização também envolve instituições e parceiros como o programa Goiás Social, a Saneago, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, a Polícia Militar de Goiás, a Universidade Estadual de Goiás (UEG), o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e a Prefeitura de Goiás, reforçando o caráter colaborativo e multidisciplinar do evento.

Secretaria de Estado da Cultura (Secult) – Governo de Goiás

Fonte: Portal Goiás

Como a ditadura militar criou um império do ensino privado

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Em 1976, no auge da ditadura militar brasileira, um prédio construído com verba pública para ser uma escola da rede municipal de ensino – a Escola Politécnica de Foz do Iguaçu, no Paraná – foi entregue à iniciativa privada dias antes da inauguração. O beneficiário foi o Colégio Anglo-Americano, contratado pela Itaipu Binacional para educar os filhos dos funcionários da hidrelétrica. O episódio marcou o nascimento de uma rede nacional de ensino particular sustentada, em grande parte, por recursos federais.

O edifício da escola Politécnica tinha sido construído para ajudar a reduzir o déficit escolar em Foz do Iguaçu, que, na época, segundo relato do governo estadual à imprensa local, tinha 3 mil pessoas em idade escolar fora das salas de aula. 

O professor aposentado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) José Kuiava era o inspetor de ensino do município na ocasião e recorda o momento em quem recebeu a ordem de entregar as chaves da recém-construída escola para o dono do Colégio Anglo Americano, Ney Suassuna. “A ordem veio de Curitiba, via telefone, do diretor-geral da SEC [Secretaria de Educação] professor Ernesto Penauer, determinando que eu entregasse as chaves do prédio ao senhor Ney Suassuna”, lembra Kuiava. 

Segundo ele, a situação gerou constrangimento: “eu já tinha dado na rádio, nas notícias dos jornais da inauguração do colégio, para que os alunos da região fossem atendidos lá. De repente tive que suspender tudo e dizer ‘olha, o colégio foi entregue nas mãos do Anglo-Americano, à disposição da Itaipu’”.

O contrato foi  assinado entre o Anglo-Americano, Itaipu e a Unicon, o consórcio de empreiteiras responsáveis pela construção da usina, em fevereiro de 1976. No acordo, as empreiteiras – remuneradas com recursos públicos de Itaipu – asseguravam o pagamento mínimo de 1.000 vagas. Mas no primeiro ano de funcionamento, o colégio tinha mais de 10 mil alunos matriculados. No auge das obras, chegou a ter mais de 14 mil estudantes. 

Esta reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos, o podcast da Radioagência Nacional que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada.

Mais detalhes sobre a política da ditadura que beneficiou uma escola privada em detrimento da rede pública de ensino estão no episódio 3 da 2ª Temporada: Pedagogia do Privilégio.


FOTO DE ARQUIVO - Colégio Anglo-Americano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação
FOTO DE ARQUIVO - Colégio Anglo-Americano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação

Galinha dos ovos de ouro

O contrato com o Anglo-Americano fixava os valores das mensalidades que variavam de CR$ 300 a CR$ 500 (cruzeiro, a moeda então adotada pelo Brasil) a serem pagas por Itaipu, além do reajuste anual das mensalidades. Como referência, em 1975, a creche Casa da Criança, para crianças de baixa renda no Rio de Janeiro, cobrava uma mensalidade de CR$ 70. Diferente de outras escolas privadas, o Anglo-Americano não corria o risco de inadimplência. 

Denise Sbardelotto, professora da Unioeste, estudou o projeto pedagógico de Itaipu e avaliou o contrato com o Anglo-Americano como desvantajoso para a administração pública.

“Itaipu e a Unicom constroem todos os prédios, toda a infraestrutura, desde carteiras, mobiliários, de coisas mais simples às mais complexas, como o material pedagógico, e entrega para o Anglo-Americano administrar, por muitos e muitos anos. E lucrar. Era uma galinha dos ovos de ouro”, conclui Denise.   

Crescimento de 2.800%

Até então, o Colégio Anglo-Americano era uma escola tradicional do Rio de Janeiro, com duas unidades na zona sul da capital fluminense. Depois de Itaipu, registrou um crescimento de 2.800%, considerado extraordinário pelo próprio dono da instituição, Ney Suassuna: “Eu fiquei pasmo de ver que era um mundo. O meu colégio no Rio tinha 500 alunos, o de lá tinha 14  mil”.

O Anglo-Americano foi comprado por Ney Suassuna cerca de um ano antes do contrato com Itaipu. Paraibano, o hoje suplente de senador e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, fincou raízes no Rio de Janeiro ao trabalhar no Ministério do Planejamento, um dos mais poderosos do período ditatorial. Ele era assessor de ministros da pasta, entre eles Roberto Campos, figura central do regime autoritário. 

Ação entre amigos

Segundo Ney Suassuna, o contrato foi firmado a partir de um encontro que ele solicitou com o então diretor-geral de Itaipu, general José Costa Cavalcanti. Os contatos políticos garantiram a reunião.

“Cheguei dizendo que era do Ministério do Planejamento, que tinha trabalhado com o ministro. Eu cheguei com o meu currículo na frente”, conta.

Além da confirmação do próprio Suassuna, não encontramos indícios de que houve um processo público para a contratação da empresa. Denise Sbardelotto também não achou nada que comprovasse um processo licitatório:

“Estive muitas vezes nos arquivos de Itaipu, busquei por todos os lugares, todas as fontes em Foz do Iguaçu, Câmara Municipal, e eu realmente não encontrei nenhum documento que garanta que foi licitação. Nós temos realmente um caso de escolha política arbitrária de um grupo educacional”, disse Sbardelotto.

Ramo lucrativo 

O contrato abriu as portas de outras estatais para Ney Suassuna, como o contrato com a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, e com a Petrobras para atender famílias brasileiras no Iraque. O Anglo-Americano também ficou responsável por atender os filhos dos funcionários que trabalharam na construção de Itaipu no lado paraguaio. Os contratos turbinaram a empresa.

“De repente, eu tinha quase 50 mil alunos. Começou a crescer e eu comecei a fazer faculdades. Fiz nada mais, nada menos, do que faculdades desde o Rio Grande do Sul até a Paraíba. De tudo medicina, economia, direito, tudo”, lembra Suassuna.

Só seis anos depois do fim das obras de Itaipu, em 1988, o Anglo-Americano passou a receber alunos de fora da usina. Em 1990, repassou a escola mais simples para o Poder Municipal. E três anos depois começou a pagar o aluguel do prédio ocupado por quase 20 anos.

Chuta-barros

Reproduzindo uma lógica que permeou toda a obra de Itaipu, a estrutura educacional era diferente conforme a classe social. O Anglo-Americano era, na verdade, mais de um. Existiam duas unidades do colégio.

Existiam três vilas habitacionais para abrigar os funcionários de Itaipu e da Unicon, divididas conforme a posição dos trabalhadores na empresa. A vila A e B, onde viviam funcionários com melhores salários, eram atendidos por uma escola mais bem equipada. A unidade ficava em uma área arborizada da cidade e contava com biblioteca, laboratórios de química e física, hortas, fanfarra, área de exposições e auditório.

Já os filhos dos trabalhadores braçais moravam na Vila C e estudavam numa unidade feita de madeira pré-fabricada, 60 salas de aula, um ginásio e duas quadras descobertas.

Valdir Sessi estudou em ambas as escolas, pois a unidade melhor eventualmente recebia alunos da vila operária, e lembra que as desigualdades – e a diferença de tratamento – eram evidentes na sala de aula. 

“A violência simbólica já definia. A roupa, o cabelo, o tênis, já denunciavam a classe social dentro do colégio, então não precisava ser um vidente para dizer quem era rico e quem era pobre. A professora não tinha dificuldade na aula para dirigir a palavra dela, entendeu? Tinha colega que usava a botina que o pai dava para ele quando já não dava mais para usar no canteiro de obra”, disse. 

Em sua pesquisa, Denise Sbardelotto descobriu que havia um nome para os estudantes da escola mais simples, os chuta-barros. “Porque eles vinham com barro nas solas dos calçados”, explica. 

Diferente da Vila A, que foi asfaltada antes, a Vila C, onde moravam os trabalhadores braçais, não tinha asfalto e a lama marcava os estudantes. 

Denise conta que outra diferença mais profunda era o projeto pedagógico. Na ditadura, o ensino médio profissionalizante era obrigatório. No Anglo-Americano da Vila A, os cursos preparavam para o ensino superior. Já na Vila C, nem existia o segundo grau. 

“Aos filhos dos trabalhadores mais subalternos, era destinada uma educação de primeiro grau e na sequência eles eram encaminhados para cursos profissionalizantes, no Senai ou qualquer outro curso ofertado nos centros comunitários. Alguns poucos que queriam fazer o segundo grau tinham que ir para Vila A. Aceitava-se [como alunos], mas eram os famosos chuta-barros”, conta Denise.

Déficit educacional

Para os moradores de Foz de Iguaçu, os problemas educacionais aumentaram. Quando Itaipu começou a ser construída, o município tinha apenas duas unidades de ensino de segundo grau, sendo uma de educação agrícola. 

A partir da construção da hidrelétrica, a situação só se agravou. Para se ter uma ideia, em 10 anos, a população de  Foz de Iguaçu quadruplicou. Eram 34 mil habitantes em 1970, antes da construção da hidrelétrica. Saltou para 136 mil em 1980.

Para a construção da usina foram desapropriados 1,8 mil km², incluindo territórios indígenas, no Brasil e no Paraguai. Cerca de 40 mil pessoas foram retiradas de suas terras só no lado brasileiro. Nesse processo, Denise calcula que 95 escolas na região também foram por água abaixo.

Com o inchaço populacional, Foz do Iguaçu precisou reduzir a carga horária de todos os estudantes da rede pública para implantar um terceiro turno de aula no que seria o intervalo de almoço.

“Foi difícil, porque tinha um turno que era das 11h às 14h. Na hora do almoço”, lembra Kuiava.

Itaipu indenizou parte das escolas inundadas e investiu em projetos específicos para construir novas unidades, mas em número inferior às instituições fechadas. Denise Sbardelotto considera o investimento feito à época inexpressivo diante do montante direcionado ao Anglo-Americano.

“Algumas iniciativas pontuais de reforma de algumas escolas de periferia, rurais, algumas escolas em outros municípios nos arredores, mas eram reformas e ampliações muito ínfimas, muito inexpressivas, comparadas ao montante de recursos canalizados ao Anglo-Americano por muitos anos”.

Outro lado

Procuramos a Itaipu Binacional e perguntamos se o contrato com o Anglo-Americano era um acordo razoável, se seguiu boas práticas do setor público e se existiam registros do motivo que levou Itaipu a optar pela educação privada ao invés de estruturar a rede pública de ensino.

A empresa não respondeu diretamente as dúvidas, mas afirmou que a chegada de milhares de trabalhadores a Foz do Iguaçu exigiu a criação de infraestrutura inexistente, como moradias, hospital e o Anglo-Americano. E afirmou que havia qualidade de ensino.

“No Anglo-Americano, os filhos dos chamados barrageiros tinham acesso a uma educação integral, gratuita e inovadora para o período, que incluía, além das disciplinas tradicionais, atividades artísticas, culturais e de campo, apresentações de dança e teatro e sessões de cinema. Relatos de ex-alunos e professores indicam que esse modelo educacional contribuiu significativamente para a formação dos estudantes”, disse Itaipu em nota.

A nota também cita ações atuais para afirmar que o “apoio à educação permaneceu ao longo dos anos”.

“Como evidenciado pela atuação da Itaipu na mobilização para a instalação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em 2010″.

A íntegra da nota está na página do podcast.

Hoje, o Anglo-Americano de Foz do Iguaçu não pertence mais a Ney Suassuna. Entramos em contato com a instituição, mas não houve retorno. 

Questionado sobre a escolha de Itaipu em direcionar os recursos públicos de educação para sua empresa, Ney Suassuna disse que o poder público não teria condições de estruturar a rede pública de ensino. “A cidade de Itaipu tinha muito pouca gente e não tinha os prédios, não tinha nada, não tinha outra forma a não ser essa. Não tinha a menor chance. Nem no municipal e nem tampouco no estadual. Em nenhum lugar, não tinha nada. Nós éramos os desbravadores”.

Fonte: Agência Brasil

STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no Exército

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O ministro Carlos Vuyk de Aquino, do Superior Tribunal Militar (STM), acolheu nesta quarta-feira (22) pedido feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas enviem documentos sobre a trajetória dele no serviço militar.

Os documentos deverão ser remetidos ao STM para auxiliar no julgamento que vai decidir se Bolsonaro será expulso do Exército em função da condenação na ação penal da trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro é capitão da reserva.

Com a decisão, o Exército deverá remeter ao tribunal o prontuário funcional referente ao período de 1971 a 1988, histórico disciplinar completo, certidão de existência ou não de punições disciplinares, eventuais elogios recebidos e relação de condecorações, medalhas e honrarias.

A Marinha, a Força Aérea e o Ministério da Defesa deverão informar se há registros de condecorações e honrarias.

No dia 3 de fevereiro deste ano, o Ministério Público Militar (MPM) protocolou no STM ações para decretação da perda do oficialato de Bolsonaro. 

De acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão por condenação criminal. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo a 27 anos e três meses de prisão. 

Além de Bolsonaro, o MPM também pediu a perda da patente dos generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier, que também foram condenados pelo STF. 

Fonte: Agência Brasil

Fla estreia na Copa do Brasil com triunfo de 2 a 1 sobre o Vitória

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O Flamengo iniciou sua trajetória na edição 2026 da Copa do Brasil com um triunfo de 2 a 1 sobre o Vitória, na noite desta quarta-feira (22) no estádio do Maracanã. A partida contou com transmissão ao vivo da Rádio Nacional.

Após a vitória diante de sua torcida, o Rubro-Negro da Gávea avança para a próxima fase da Copa do Brasil até mesmo com um empate no confronto de volta, que será disputado apenas no dia 14 de maio, uma quinta-feira, a partir das 21h30 (horário de Brasília) no estádio do Barradão, em Salvador. Já o Leão precisa de um triunfo na capital baiana para continuar sonhando com as oitavas de final.

O confronto, que colocou frente a frente duas equipes da Série A do Campeonato Brasileiro, foi muito movimentado. Apesar de o Flamengo sair em vantagem, logo aos nove minutos do primeiro tempo com um belo gol do volante Evertton Araújo, que acertou um chutaço de fora da área, o Vitória criou muitos problemas para o goleiro Rossi.

E os baianos precisaram de apenas dois minutos para voltar a deixar o marcador igualado. Após Ramon levantar a bola na área, o zagueiro Léo Ortiz cortou parcialmente e a bola sobrou para Erick, que acertou um voleio que morreu no ângulo do gol defendido por Rossi.

Porém, a qualidade técnica da equipe comandada pelo técnico português Leonardo Jardim era muito maior. E ela fez a diferença na etapa final, aos seis minutos. Quando uma boa trama coletiva do ataque do Flamengo terminou na ponta esquerda, de onde Bruno Henrique cruzou na medida para Pedro, que, de cabeça, venceu o goleiro Lucas Arcanjo. Resultado final Flamengo 2, Vitória 1.

Outros resultados:

Bragantino 1 x 1 Mirassol
Goiás 2 x 2 Cruzeiro
Bahia 1 x 3 Remo
Santos 0 x 0 Coritiba
Fortaleza 2 x 1 CRB
Athletic Club 1 x 2 Internacional



Fonte: Agência Brasil

Ibovespa cai e dólar fecha estável em dia de tensão externa

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Num dia marcado por cautela nos mercados diante das tensões no Oriente Médio, a bolsa caiu mais de 1,5%, enquanto o dólar ficou praticamente estável, abaixo de R$ 5. Investidores reagiram à realização de lucros (venda de ações para embolsar ganhos recentes) na bolsa brasileira e às incertezas geopolíticas, que também impulsionaram os preços do petróleo.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira recuou 1,65%, aos 192.888 pontos, no menor nível desde 8 de abril. O movimento reflete ajustes após altas recentes e uma reavaliação de riscos por parte dos investidores.

As ações de bancos e de mineradoras, com grande peso no índice, lideraram as perdas e pressionaram o desempenho geral. Por outro lado, ações ligadas ao setor de energia ajudaram a limitar as perdas, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, o saldo do dia foi negativo.

Dados recentes também apontam uma redução na entrada de capital estrangeiro na bolsa, o que contribuiu para o enfraquecimento do índice.

Dólar estável

O dólar à vista encerrou o dia praticamente estável, com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 4,974. A cotação está no menor nível desde 25 de março de 2024.

Apesar da estabilidade no fim do pregão, a moeda oscilou ao longo do dia, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas externas, especialmente relacionadas ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

No ano, o dólar acumula queda de 9,39% frente ao real, indicando um movimento de valorização da moeda brasileira em meio ao fluxo de capital e à diferença de juros entre o Brasil e o exterior.

Petróleo em alta

Os preços do petróleo subiram com força e voltaram a superar o patamar de US$ 100 por barril, impulsionados pelas tensões no Oriente Médio.

O barril do tipo Brent, referência para as negociações internacionais, avançou 3,5%, a US$ 101,91. O barril WTI, do Texas, subiu 3,66%, a US$ 92,96.

A alta foi motivada por incertezas sobre a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã, além de novos episódios na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

Mesmo com a prorrogação do cessar-fogo anunciada pelo presidente Donald Trump, o cenário permanece instável, sustentando a pressão sobre os preços do petróleo.

* com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

"Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles", diz Lula sobre EUA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta quarta-feira (22) a ação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília.

Segundo Lula, a medida corresponde ao princípio da reciprocidade.

“Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula, em vídeo nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

A iniciativa brasileira ocorreu após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, do país. O delegado teria atuado na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota publicada na rede X, que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada ontem (21) que o Brasil iria aplicar o princípio da reciprocidade “diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, como prevê acordo bilateral de cooperação na área policial.

“A medida tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”, diz a nota.

“O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança”, acrescenta, afirmando ainda sobre a adoção do mesmo tratamento ao agente norte-americano. 

Entenda o caso 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou na última segunda-feira (20) que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do território dos Estados Unidos. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida. O ex-deputado Alexandre Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista.

Após a condenação, ele perdeu o mandato e fugiu do país para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos.

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo a corporação, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Novos agentes 

No vídeo nas redes sociais, Lula anunciou ainda a contratação de 1 mil novos agentes, que irão reforçar a atuação da PF nos portos, aeroportos e regiões de fronteira. De acordo com o presidente, a medida faz parte do compromisso do governo de combate ao crime organizado. 

Fonte: Agência Brasil