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"Estudante deve errar, idealizar e construir", diz professora premiada

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Professora em uma escola pública municipal paulistana, Débora Garofalo começou, em 2015, um projeto de robótica com sucata para alunos do ensino fundamental. O trabalho rendeu diversos prêmios e deixou a profissional entre os dez melhores colocados do Global Teacher Prize, considerado o Nobel da educação, em 2019. Ela foi a primeira brasileira e primeira sul-americana a ser finalista na premiação.

Dez anos depois do início do projeto, Débora foi reconhecida como a professora mais influente do mundo, em nova categoria da premiação. Convidada para a edição 2026, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a educadora recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, um reconhecimento por sua trajetória docente que extrapola o cotidiano escolar. Na última quinta-feira (11), a professora voltou a ser homenageada, com o Prêmio Faz Diferença 2025, na categoria Educação, em cerimônia na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. 

Além dos resultados como redução da evasão escolar e do trabalho infantil na escola, localizada na periferia da zona sul de São Paulo, o projeto de ensino de robótica com sucata ganhou escala e se tornou política pública estadual, sob orientação de Débora.

Em entrevista à Agência Brasil, Débora Garofalo contou sobre a origem do projeto, os obstáculos e as conquistas decorrentes desse trabalho. Ela compartilhou também sua visão sobre o uso de tecnologia no processo de aprendizagem de crianças e jovens, e como isso não depende necessariamente de telas.

Veja os principais trechos da entrevista.

Agência Brasil: Como você começou o projeto de robótica na escola pública em que trabalhava?

Débora Garofalo: O projeto de robótica com sucata nasceu no ano de 2015, na EMEF [Escola Municipal de Ensino Fundamental] Almirante Ary Parreiras, que é uma escola concentrada entre quatro grandes favelas da cidade de São Paulo, com alto índice de violência, alto índice de tráfico de drogas. Ali, também enxerguei a oportunidade de sair da minha zona de conforto, como uma professora de língua portuguesa, para me candidatar a uma vaga de tecnologia e inovação que tinha surgido.

Eu fui com esse olhar, de ressignificar aquele território educativo, trabalhando com programação e robótica. A partir disso, fiz uma avaliação com a escola inteira e me surpreendi, porque 70% dos estudantes relataram que o lixo era um problema na vida deles, que impedia essas crianças de chegar à escola e trazia doenças como dengue e leptospirose. Diante daquele cenário, eu falei: “Bom, eu só tenho dois caminhos. Ou vou me lamentar ou eu vou pegar esse lixo como objeto de conhecimento. Eu preferi a segunda opção, mesmo sabendo que ia dar muito trabalho.

O primeiro protótipo que nós fizemos virou uma febre na escola. Era um carrinho [feito] com o lixo que a gente retirou da rua, utilizando uma bexiga e a lei da física, a Terceira Lei de Newton. No dia seguinte, uma colega bateu assim no meu ombro e falou: “Débora, eu não sei o que você fez com as crianças ontem, mas ali fora tem um monte de criança com tampinha, com rolinho, com bexiga, falando que quer ter aula com a professora de robótica”. Eu soube que tinha encontrado um caminho, só precisava ser lapidado.

 


Dia da Mulher,Débora Garofalo/ Arquivo Pessoal
Dia da Mulher,Débora Garofalo/ Arquivo Pessoal

Agência Brasil: Como vocês alcançaram o envolvimento dos responsáveis e da comunidade?

Débora Garofalo: A gente fazia uma feira de tecnologias, que era uma forma de integrar a comunidade. Nossa última feira, que foi em 2019, tinha mais de 500 pessoas. Para as crianças, foi o máximo. Tinha desde pipoqueira feita com latinha a protótipos incríveis, como filtro de água e sensor para avisar aos moradores que o córrego ia transbordar. Foram coisas fantásticas. Então, as crianças começaram a criar uma cultura diferenciada.

Em três anos e meio de trabalho, a gente saltou no Ideb da escola, nos anos finais, de 4,2 para 5,2, que era a média do país na época. Nós retiramos mais de uma tonelada de lixo das ruas e transformamos em diferentes protótipos. Reduzimos a evasão escolar em 93%, olhando para as crianças com potencial de risco e trazendo para a escola, para que elas ficassem comigo o dia inteiro, ajudando as outras crianças a desenvolverem seus projetos. E, para isso, elas recebiam alimentação e um certificado de voluntariado. 

Nós reduzimos o trabalho infantil, que, para mim, era um ponto essencial, em 95%. Comecei também a fazer um trabalho, trazendo o setor público, trazendo o juiz para dentro da escola, para conscientizar os familiares da importância de não haver esse tipo de situação. Então, foi um trabalho que impactou realmente toda aquela comunidade.

Agência Brasil: Como o projeto se tornou política pública em São Paulo?

Débora Garofalo: Eu aceitei o convite para ir para a Secretaria Estadual de Educação para tornar esse trabalho currículo do Estado de São Paulo e implementar para 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes. Foi um desafio muito grande, porque eu não queria que os professores recolhessem o lixo nas ruas como eu, mas eu queria que eles trabalhassem com essa questão do material por entender o poder da criatividade, e a importância disso para o processo de ensino-aprendizagem.

Só que, estando ali no estado, a gente entendeu que dava para fazer muito mais coisas. Começamos a criar uma prática que chamamos de Expo Movimento Inova, que reuniu os estudantes de todo o estado. Ali, percebemos que o currículo precisava ter a cara dos estudantes, para que a rede tivesse esse pertencimento.

Criamos uma outra política pública integrada a isso, que é o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista. Eram escolas ociosas, com grande risco de fechar por questões demográficas. Transformamos em centros de inovação, para que as crianças também tivessem um local onde elas pudessem pensar coisas diferentes, produzir os seus projetos. Em 2022, eu deixei o estado com 18 dessas unidades, mais uma carreta móvel que circulava pelo estado de São Paulo e um currículo de tecnologia e inovação que foi pioneiro, antes da BNCC [Base Nacional Comum Curricular] da Computação.

Então, eu fui para o Rio de Janeiro, porque eles criaram um projeto muito parecido, mas que faltava estruturar, que são GETs [Ginásios Educacionais Tecnológicos]. Fiquei dois anos e nós lançamos 300 escolas vocacionadas ao uso de tecnologia e inovação. Depois disso, eu comecei a apoiar, através de formação docente e de consultoria, outros estados e municípios.

Agência Brasil: E ainda veio uma surpresa do Global Teacher Prize este ano?

Débora Garofalo: Eu estava em casa bem quietinha este ano, porque para mim eu já atingi o meu máximo, sabe? Agora, é só continuar a trabalhar, continuar essa militância. Aí, eu recebi uma ligação de madrugada, em um sábado. A pessoa insistiu, 3h da manhã, e eu atendi. Eram os organizadores do prêmio, falando que eu tinha que ir para Dubai. Falei: “Não. Não vou. Não tem nada comprado, este ano não fui convidada”. Disseram: “A gente já comprou a passagem para você, você pega o avião agora uma hora da tarde. Você vai ter um reconhecimento”.

Quando cheguei lá e me deram a programação do prêmio, eu já imaginava. Eles fizeram um jantar muito bonito para reconhecer os professores. No final, começaram a falar do meu trabalho, veio uma luz na minha cabeça, todo mundo olhando para mim. Imagina um auditório, um jantar de 1 mil pessoas, e todo mundo olhando para você. Eles fizeram um júri internacional, era uma categoria nova, o Global Teacher Influencer. Então, eu estava sendo reconhecida pelo impacto do meu trabalho fora da sala de aula, por ter causado todo esse impacto como política pública, e eu fui a primeira a receber esse prêmio. Eu desabei.

Eu estava no mesmo lugar de 2019, mesmo hotel. Eu vou confessar para você que eu estava com a mesma roupa. Passou um filme na minha cabeça, sabe? Naquele momento, eu me senti muito feliz, porque eu não estava ali sozinha. Eu estava com todos os professores brasileiros, com todos os estudantes que diariamente lutam. 

 


Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Professora Débora Garofalo ganha prêmio em Dubai.
Foto: Débora Garofalo/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Professora Débora Garofalo ganha prêmio em Dubai.
Foto: Débora Garofalo/Arquivo pessoal

Agência Brasil: Quais os obstáculos para que as escolas utilizem a tecnologia em favor da educação?

Débora Garofalo: Estamos num momento especial no nosso país, em que temos um documento norteador, que é a BNCC e agora a BNCC da Computação. Esse documento foi aprovado em 2022, nós estamos em 2026, com a obrigatoriedade de fazer este ano, e os professores não sabem como fazer. Por quê? Se a gente olha os dados, as secretarias não têm suporte técnico, não têm recursos, não têm infraestrutura, não têm equipe técnica, não têm como fazer formação. Temos que evoluir nesses quesitos.

Por outro lado, a tecnologia chega muito rápido na sala de aula. Esses meninos que estão nascendo, já nascem conectados. O que falta? Trazer esse aporte na educação para a gente falar de criticidade, de ética, de responsabilidade. Não dá mais para deixar a tecnologia do lado de fora da sala de aula, é impossível.

Para mim, só proibir celular na sala de aula é um tiro no pé. A gente proibiu o celular porque era muito mais fácil, mas isso não vai resolver o problema da educação. O que resolveria? Trazer uma educação midiática para dentro da sala de aula, ou seja, formar professores para isso e os professores poderem então formar os estudantes para essa concepção.

A tecnologia por si só não resolve o problema, porque ela precisa vir acompanhada de resoluções de problemas, de amabilidade. O estudante precisa passar por erro, por processo de frustração, e é isso que a educação 5.0 vai falar, que a gente precisa humanizar esse processo, trabalhar essas habilidades e competências socioemocionais.

Agência Brasil: O uso de tecnologia na escola não está necessariamente atrelado ao uso de telas em sala de aula, é isso?

Débora Garofalo: Eu queria desmistificar. Vou te dar exemplos práticos: São Paulo tem um tablet para cada estudante. Resolveu o problema da educação e melhorou os índices de aprendizagem? Não. Por quê? Porque isso não está atrelado à questão da intencionalidade pedagógica. A crítica que eu faço não é sobre a questão de ter ou não infraestrutura. Eu vou sempre brigar, até como gestora pública, para que a gente tenha infraestrutura. O ponto que eu quero chegar é a intencionalidade que vai chegar na ponta.

Muitas coisas você faz por atitude. Eu comecei a trabalhar com os meus estudantes, eu não tinha conhecimento, eu queria trabalhar programação, robótica, sem ter um kit específico. Onde eu encontrei a solução? No próprio problema que eles trouxeram. O lixo foi uma solução e abriu portas para que a gente pudesse trabalhar de maneira diferenciada. O que a gente precisa muitas vezes é olhar para o lado e entender que o simples funciona.

Agência Brasil: Você lançou o livro Robótica com Sucata – Uma aventura pela criatividade, pela editora Moderna. Como foi o processo de construção desse almanaque?

Débora Garofalo: O livro foi uma grande alegria, porque muitos professores perguntavam: “como eu aplico o seu projeto em sala de aula?” A ideia foi criar um livro muito “mão na massa”, mas que trouxesse também a questão da leitura e da literatura, para que o estudante pudesse percorrer momentos da história [da ciência].

O livro é uma forma de democratizar um pouco mais esse acesso para meninos e meninas, e entender que eles podem transformar um copo, por exemplo, em um abajur. Essa é a proposta, [mostrar] que a criança pode desmontar um brinquedo e utilizar as peças para criar um robô.

A gente passou muito tempo com uma educação tradicional passiva. E a gente sabe que a aprendizagem, para ser efetiva, ela precisa ser ativa. Para isso, o estudante tem que errar, tem que idealizar, tem que construir, tem que testar, tem que colaborar. Por isso, é tão importante uma educação mão na massa.

O livro traz várias reflexões de como pegar os problemas e transformar em soluções. Deu tão certo, que a gente lançou o primeiro livro Robótica com Sucata e foi um sucesso. Saiu o segundo livro e, vou dar um spoiler, no segundo semestre chega o terceiro.

Fonte: Agência Brasil

Escócia vence Haiti e vira líder do grupo do Brasil na Copa do Mundo

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O Grupo C da Copa do Mundo, em que está o Brasil, tem um líder isolado ao final da primeira rodada. Na noite de sábado (13), a Escócia derrotou o Haiti por 1 a 0 no Gillette Stadium, em Boston.

Os três pontos da estreia deixam os escoceses na ponta da chave sediada nos Estados Unidos. Mais cedo, a seleção brasileira empatou por 1 a 1 com Marrocos no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e as duas seleções somaram um ponto. Os haitianos permanecem zerados.

O triunfo, além de ser o primeiro em uma Copa do Mundo desde 1990, aproxima a Escócia de um feito histórico. O país disputa o Mundial pela nona vez e tenta, de maneira inédita, ir além da fase de grupos. Nesta Copa, os oito melhores terceiros colocados entre as 12 chaves também avançam à segunda etapa da competição.

As equipes voltam a campo na próxima sexta-feira (19). Os escoceses enfrentam Marrocos, às 19h (horário de Brasília), novamente em Boston. Em seguida, às 21h30, o Haiti será adversário do Brasil, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia.

Primeiro tempo equilibrado

Quem esperava um Haiti retraído por ser estreante em Mundiais viu um primeiro tempo de equilíbrio. Foram oito finalizações da seleção caribenha contra sete da Escócia. Os europeus trocavam mais passes em busca de espaço, enquanto os haitianos tentavam sair em velocidade, ainda que pecando tecnicamente.

Os escoceses foram mais eficientes. Se, aos 16 minutos, o chute de Scott McTominay parou na trave esquerda, John McGinn não desperdiçou a oportunidade que teve aos 27, mandando para as redes o rebote de Johny Placide, que fez grande defesa em finalização do atacante Che Adams. O desvio do também meia Jean-Ricner Bellegarde, do Haiti, tirou a bola do alcance do goleiro.

Os caribenhos não se intimidaram e deram trabalho à defesa escocesa. Aos 33 minutos, o lateral Martin Experiénce recebeu na área, pela esquerda, e bateu cruzado. O goleiro Angus Gunn rebateu nos pés do atacante Frantzdy Pierrot, mas o zagueiro Grant Hanley travou a finalização na hora certa.

Haiti pressionou no 2° tempo

O ritmo de jogo caiu sensivelmente na volta do intervalo. Foram necessários 25 minutos para o primeiro lance de perigo do segundo tempo: um chute de McGinn na saída de Placide, que saiu rente à trave.

A resposta haitiana veio no ataque seguinte, em batida cruzada de Ruben Providence, da entrada da área pela esquerda, que o também atacante Wilson Isidor, por muito pouco, não completou para as redes.

Nos minutos finais, a seleção caribenha se lançou de vez ao ataque, e a Escócia se fechou na defesa. Esgotado fisicamente, o Haiti abusou das bolas aéreas nos acréscimos, buscando a boa estatura de Pierrot, mas os europeus conseguiram segurar a pressão e garantir a vitória.

Fonte: Agência Brasil

Austrália e Escócia vencem no terceiro dia da Copa; Brasil só empata

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O terceiro dia da Copa do Mundo de 2026 foi marcado pela estreia da seleção brasileira, em um duelo contra Marrocos. Mas também teve as estreias de Escócia e Haiti, do mesmo grupo do Brasil, da Suíça, Catar, Austrália e Turquia.

O primeiro jogo do dia foi entre Suíça e Catar em Santa Clara, na Califórnia. E mesmo amplamente favorita, a Suíça não conseguiu segurar a vantagem mínima e sofreu o empate nos minutos finais do jogo, já nos acréscimos. Esse 1×1 garantiu o primeiro ponto catari em uma Copa do Mundo. O grupo B está embolado, com todos os times – Canadá, Bósnia, Catar e Suíça – com um ponto ganho.

Em seguida, foi a estreia do Brasil, em Nova Jersey. Foi o primeiro país campeão do mundo a jogar nesta Copa. Mas o desempenho passou longe de um time favorito ao título. O Marrocos saiu na frente aos 20 minutos do primeiro tempo, com Ismael Saibari. Mesmo jogando mal, o Brasil conseguiu o empate em ótima jogada individual de Vinícius Júnior.

Quando finalmente encontrou os espaços que queria, já no segundo tempo, a seleção brasileira não conseguiu aproveitar. O cansaço parecia pesar as pernas de brasileiros e marroquinos. Nos minutos finais o time africano parecia satisfeito com o empate por 1 a 1. Já o Brasil lamentou não ter conquistado os três pontos.

Na outra partida do grupo, a Escócia venceu o Haiti por 1 a 0 em Boston. John McGinn fez o gol da vitória, mas ela não veio fácil. Os escoceses precisaram suportar a pressão haitiana para garantir a liderança provisória do grupo C.

No último jogo do dia, realizado em Vancouver, no Canadá, a Austrália venceu a Turquia por 2×0. Já era madrugada no Brasil quando os times entraram em campo, mas o sol ainda brilhava na costa oeste canadense. Irankunda e Metcalfe fizeram os gols do jogo. A Austrália está em segundo no grupo D, atrás dos Estados Unidos no saldo de gols. Pelo mesmo critério, a Turquia está em terceiro e o Paraguai em quarto lugar.

Fonte: Agência Brasil

Lula no G7 gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne pela UE

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira

Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões”, apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão

Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Sessões deliberativas

O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante o G7.

O primeiro, no dia 16, é uma sessão de líderes em que o presidente brasileiro discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula vai abordar o tema do crescimento econômico equilibrado, ocasião em que falará com ênfase sobre a necessidade de reforma da governança global, especialmente instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).

Fonte: Agência Brasil

Veja os jogos deste domingo na Copa do Mundo 2026

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Todos os jogos da primeira rodada dos grupos E e F da Copa do Mundo Fifa 2026 serão disputados neste domingo (14).

Grupo E:

  • Alemanha x Curaçau, às 14h, em Houston (EUA).
  • Costa do Marfim x Equador, às 2h, na Filadélfia (EUA).

Grupo F:

  • Holanda x Japão, às 17h, em Dallas (EUA).
  • Suécia x Tunísia, às 23h, em Monterrey (MEX).

Grupo E

Com um currículo de quatro Copas do Mundo (1954, 1974, 1990 e 2014) e uma equipe tecnicamente qualificada, a Alemanha é apontada como a equipe favorita do Grupo E, que tem, ainda, Curaçau, Costa do Marfim e Equador.

A equipe favorita para a ocupar a segunda vaga do grupo é o Equador. Com um time sólido e competitivo, o Equador fez uma ótima campanha durante as eliminatórias da América do Sul, ficando na segunda posição, à frente do Brasil e atrás apenas da Argentina.

Costa do Marfim, um time de força física e velocidade, e Curaçau, estreante em Copas do Mundo, correm por fora. Caso se classifiquem, serão certamente grandes surpresas no torneio.

Grupo F

Uma das chaves mais equilibradas desta edição da Copa do Mundo é o Grupo F, com Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.

Não há um favorito absoluto, ainda que, historicamente, a Holanda e a Suécia tenham feito campanhas mais bem sucedidas do que as demais equipes em outras copas. Os dois países também têm um elenco de qualidade, organizado defensivamente.

O Japão, por sua vez, possui uma das melhores gerações de sua história. Costuma fazer um jogo de transições rápidas e muita disciplina tática, o que pode acabar surpreendendo seus concorrentes. Já a Tunísia pode ser apontada como azarão do grupo, apesar da boa campanha feita durante as eliminatórias africanas.

Fonte: Agência Brasil

Lula pede para seleção do Brasil “jogar com a alma” na Copa do Mundo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste sábado (13) uma mensagem de apoio à seleção brasileira de futebol antes da estreia na Copa do Mundo contra o Marrocos. Em um vídeo bem-humorado em uma rede social, Lula manda um recado para o técnico do elenco, o italiano Carlo Ancelotti. 

“Dê um conselho para esses meninos: além de jogar a bola que vocês sabem, joguem com um pouco de alma. Quando cair, levante. Quando cair, não fique reclamando, levante e vá tirar a bola do adversário”, disse o presidente. 

Lula disse que, nesta Copa, o que vale é essa “meninada” compreender que jogar bola eles sabem, mas para ganhar o torneio mundial é necessário mais do que jogar o que eles sabem. Segundo o presidente, o time está jogando para o povo brasileiro.

“Cada jogador desses nasceu em uma periferia, cada jogador desse tem amigos pobres e eles sabem como esses amigos torciam quando eram meninos. Então, diga para eles, Ancelotti, que eles precisam jogar para o povo brasileiro, para os adolescentes, para os meninos e meninas que estão com expectativa muito grande da nossa seleção conquistar o hexacampeonato”, afirmou.

Lula mencionou que o país não tem a melhor seleção do mundo, mas é a seleção escolhida por Ancelotti, que sabe que eles podem fazer o que o técnico espera deles. Ele pediu que os jogadores entrem em campo com alma, que levantem quando caírem e chutem a bola no gol do adversário.

“Ancelotti, você que foi um grande jogador, diga a eles que o que vale é a garra, é a coesão, a unidade, a harmonia do time. Ele (o time) tem que estar bem, motivado e tem que jogar pensando no povo brasileiro que está precisando de uma vitória. Se você conseguir isso, Ancelotti, você vai ser o nosso herói. Copa do Mundo, a gente não disputa, a gente ganha”, finalizou Lula desejando boa sorte e dizendo que estará torcendo.

Fonte: Agência Brasil

INPC, inflação usada para reajustar salários, soma 4,42% em 12 meses

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que costuma ser utilizado para correção anual de salários de diversas categorias, fechou maio em 0,65%. O resultado faz com que o acumulado de 12 meses marque 4,42%.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O monitoramento de preços do IBGE identificou que em maio, os produtos alimentícios subiram 1,33%; enquanto os não alimentícios, 0,43%.

Reajuste de salários

O INPC influencia diretamente a vida de muitos brasileiros pois o acumulado móvel de 12 meses costuma ser utilizado para cálculo do reajuste de salários de diversas categorias ao longo do ano.

O salário mínimo, por exemplo, leva o dado de novembro no seu cálculo. O seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados com base no resultado do INPC acumulado até dezembro.

Inflação oficial

O IBGE divulgou também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como inflação oficial. Em maio o índice ficou em 0,58%, acumulando 4,72% em 12 meses. 

A diferença entre os dois índices é que o INPC apura a inflação para as famílias com renda de um até cinco salários mínimos. Já o IPCA, para lares com renda de um até 40 salários mínimos. Atualmente o mínimo é R$ 1.621. 

De acordo com o IBGE, a apuração do INPC “tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, através das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento”.

O instituto confere pesos diferentes aos grupos de preços pesquisados. No INPC, por exemplo, os alimentos representam cerca de 25% do índice, mais que no IPCA (aproximadamente 21%), pois as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida. Na ótica inversa, o preço de passagem de avião pesa menos no INPC do que no IPCA.

A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A coleta também é feita em Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

 

Fonte: Agência Brasil

Herói na estreia dos EUA na Copa, Balogun nasceu no país por acaso

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Destaque na vitória dos Estados Unidos sobre o Paraguai por 4 a 1, o atacante Foralin Balogun representa o país nesta Copa do Mundo por um mero golpe do acaso. Autor de dois gols na partida desta sexta-feira (12), Balogun nasceu nos EUA apenas porque a companhia aérea impediu sua mãe, Florence, grávida de sete meses de retornar para a Inglaterra, onde morava.

Sem poder voar, Florence e o marido, Ben, permaneceram em Nova York, onde Folarin nasceu no dia 3 de julho de 2001, obtendo assim a cidadania norte-americana. Poucas semanas após o nascimento, ele e os pais, de origem nigeriana, retornaram para a Europa.

A situação inusitada chama atenção já que o atacante, estreante na Copa do Mundo, jamais morou nos EUA ou defendeu um time do país.

Criado na Inglaterra, Balogun iniciou sua carreira no futebol em Londres, onde vivem seus pais. Ele chegou ao Arsenal aos 8 anos de idade. Passou por todas as categorias, chegando a jogar pelas seleções de base da Inglaterra, e teve sua estreia profissional em 2020.

Ainda em solo inglês, jogou também pelo Middlesbrough antes de ir para a França defender o Reims, onde explodiu para o mundo na temporada 2022-23, marcando 21 gols na Ligue 1 francesa. De lá foi para o Monaco, seu clube atual, onde brilha, após uma transferência de cerca de €40 milhões em 2023.

Ainda em 2023, Balogun optou por exercer seu direito de cidadania e defender os EUA. Consagrado em sua estreia na Copa de 2026, a história do “americano por acidente” chama atenção ainda mais, em razão das políticas migratórias restritivas adotadas pelo governo de Donald Trump.

“Bebê âncora”

Uma delas é a forte oposição ao conceito de cidadania por direito de nascimento, chamada pejorativamente pelo atual governo de “bebês âncora”. Em janeiro, de 2025, Trump assinou uma ordem executiva para acabar com a cidadania por nascimento de filhos de pais que não estão em situação regular no país.

A medida foi contestada por juristas que entraram na Justiça contra a ordem de Trump. Dois meses depois, em março, o governo pediu à Suprema Corte que permita que as restrições à cidadania por direito de nascença entrem em vigor parcialmente enquanto as disputas legais na Justiça ainda se desenrolam.

Se as propostas radicais de restrição migratória estivessem em vigor em 2001, o destino de Balogun teria sido completamente diferente e a seleção norte-americana não contaria com sua estrela principal.

Artilharia

A estreia de Balogun na seleção sob o comando de Mauricio Pochettino foi de gala, no estádio localizado na região de Los Angeles, na Califórnia (EUA).

Na vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai que abriu o Grupo D, o camisa 20 marcou dois gols ainda no primeiro tempo, garantindo a artilharia provisória do torneio.

Em uma Copa do Mundo com traços nítidos de preconceito do governo do EUA a estrangeiros, com recusa de vistos a atletas, integrantes de delegação, torcedores e até a um árbitro da Somália, sobra espaço ao menos para uma ironia. O grande herói dos Estados Unidos só tem de estadunidense um pedaço de papel que atesta seu local de nascimento. Nada o conecta ao povo que Trump tanto celebra. Na verdade, o liga intimamente aos estrangeiros que o presidente insiste em repelir.

Fonte: Agência Brasil

Ancelotti garante que empate na estreia da Copa não abala confiança

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O técnico Carlo Ancelotti foi sucinto na entrevista coletiva que concedeu no MetLife Stadium, em Nova Jersey, após o empate da seleção brasileira com Marrocos, por 1 a 1, na estreia da Copa do Mundo. Apesar da cara fechada e de respostas mais curtas que o usual, o italiano garantiu que a confiança do elenco segue inabalada.

“O primeiro tempo foi difícil. A equipe estava ansiosa, com muitas bolas perdidas. Fizemos um segundo tempo muito melhor. O resultado não é mau. A Copa não se ganha no primeiro jogo”, comentou o treinador.

“A confiança é total. No futebol, nem tudo sai perfeitamente. A estreia, por muitas razões, pode não sair como se quer. O objetivo é classificarmos, passarmos da fase de grupos e melhorarmos com o tempo”, acrescentou.

Durante a entrevista, Ancelotti foi questionado sobre as escolhas de Ibañez (que é zagueiro de ofício) para a lateral direita e Igor Thiago para o comando do ataque no time titular. Ele também teve de responder sobre a opção por manter o atacante Endrick no banco. O treinador optou por não entrar em detalhes.

“Não estou aqui para falar individualmente de jogadores. Falei que a escalação inicial não é a que termina o jogo. E quem entrou fez um bom jogo”, avaliou o italiano.

O próximo compromisso do Brasil será na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), contra o Haiti, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C, que tem jogos nos Estados Unidos e ainda conta com a Escócia. Segundo Ancelotti, há possibilidade de a formação titular ser diferente da que encarou Marrocos.

“[A escalação] Pode mudar, dependendo das características do rival”, resumiu.

O técnico aguarda, ao longo da semana, a presença de Neymar aos treinos. O atacante se recupera de uma lesão na panturrilha direita e ainda não foi a campo desde a convocação para a Copa.

Fonte: Agência Brasil

Bancos terão expediente especial em dia de jogos do Brasil na Copa

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Agências bancárias terão horário especial de atendimento ao público nos dias de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. O horário de abertura será o habitual de cada agência, já fechamento dos locais será duas horas antes do horário de início do jogo.

Caso a partida se inicie às 14h, o encerramento do atendimento ao público será as 12h. No dia de jogo do Brasil às 16h, o fechamento será 14h. E caso a seleção entre em campo às 17h, as agências fecharão às 15h.

Já os horários de expediente dos postos de atendimento e das agências que funcionam em locais especiais, como shoppings e aeroportos, serão informados diretamente pelo estabelecimento, caso a caso.

Os canais digitais e remotos dos bancos, como internet e aplicativos, assim como as salas de autoatendimento, funcionarão normalmente nos dias de jogos da seleção brasileira, seguindo os horários estabelecidos por cada instituição.

O Pix, que funciona 24 horas todos os dias e feriados, poderá ser feito normalmente.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) explicou que a medida também busca conciliar o atendimento à população com a segurança operacional das agências e dos serviços de transporte de valores.

 

Fonte: Agência Brasil