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Semelhanças entre Brasil e África do Sul vão além do verde e amarelo

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A África do Sul estreia na Copa do Mundo nesta quinta-feira (11), na abertura do Mundial, contra o México. A partida será às 16h, na Cidade do México, capital do país que sedia o torneio de futebol ao lado de Canadá e Estados Unidos. 

>> Jogando em casa, México é o grande destaque do Grupo A da Copa

Assim como a seleção brasileira, a equipe sul-africana entrará em campo vestindo as cores verde e amarelo. Mas as semelhanças entre os dois países vão além do uniforme. Brasil e África do Sul compartilham características socioeconômicas e políticas, além de defenderem posições convergentes internacionalmente, como a busca pela paz.

Em termos de futebol, a seleção sul-africana é uma das favoritas do ex-técnico Joel Santana. Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que, depois de um jejum de dez anos, os “Bafana Bafana” exibem um futebol com crescente nível técnico.

“Depois que nós, brasileiros, fomos lá, o nível do futebol deles tem subido gradativamente”, afirmou Joel, que comandou os sul-africanos entre 2008 e 2009. “Vou apostar neles até o final”, completou.

Cooperação com o Brasil

Fora dos gramados, os sul-africanos não querem rivais, mas parceiros, conforme afirma o presidente, Cyril Ramaphosa. Em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março deste ano, em Brasília, ele disse que espera ampliar as relações com a América Latina, começando por cooperações econômicas com o Brasil.

“Deveríamos [Brasil e África do Sul] cooperar em um nível muito mais alto”, declarou, à época. “Somos os dois países mais industrializados em nossos continentes, e o comércio entre nós precisa ser muito maior”, afirmou Ramaphosa. 

Para o sul-africano, é preciso atuar juntos em setores como agricultura e pecuária, energia, mineração e defesa. Lula acrescentou que o intercâmbio anual entre Brasil e África do Sul está estagnado há quase 20 anos, chegando a US$ 2,3 bilhões.

 “Não existe nenhuma explicação política para que o comércio entre os países não seja de US$10 bilhões”, disse Lula. 

Atualmente, o Brasil exporta para o país africano, majoritariamente, carnes de aves, açúcar e veículos rodoviários, enquanto compra prata, platina e outros minerais. 

Em março, os países fecharam acordo para reforçar a cooperação no turismo, mirando o aumento da conectividade aérea e a promoção de destinos. Depois, vieram parcerias técnicas em agropecuária, com foco no enfrentamento da febre aftosa e no aprimoramento de medidas de vigilância sanitária animal no outro país.

 


Brasília, 09/03/2026 Declaração a imprensa, durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília, 09/03/2026 Declaração a imprensa, durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Apartheid e a guerra no Oriente Médio

Na visita de Estado ao Brasil, Ramaphosa também endossou o posicionamento internacional do Brasil por uma solução pacífica para as guerras no Oriente Médio. As agressões, afirmou, violam a Carta das Nações e causam mortes e destruição.

Na avaliação de especialistas, o posicionamento da África do Sul tem um peso importante, diante da autoridade moral do país que enfrentou, por 50 anos, o apartheid. O regime político segregava negros e brancos, privilegiando o segundo grupo. 

“A África do Sul tem autoridade moral, porque viveu um momento interno escabroso e conseguiu superar isso sem guerra civil”, analisou o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia (INCT), William Gonçalves. 

Professor aposentado de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e testemunha de fatos históricos, ele afirma que essa “autoridade” faz com que a  África do Sul se sinta à vontade para condenar Israel por ações em Gaza e no Líbano. “Eles podem dizer: isso é crime de guerra, isso é genocídio”, completou.

Bem depois do fim do apartheid, em 2015, a África do Sul ajudou a própria ONU a aprovar as Regras Nelson Mandela ─ ex-presidente daquele país detido por sua luta contra o apartheid. A série de normas proíbe a tortura no sistema penal e assegura um julgamento justo, o que Mandela não teve, assim como centenas de pessoas da Palestina detidas nas prisões israelenses, segundo denúncias de entidades de defesa dos direitos humanos.

A tortura de crianças, mulheres e homens palestinos é sistemática, generalizada e se tornou doutrina de Estado em Israel, segundo as Nações Unidas (ONU)

Nos anos 1970, quando a nação africana vivia a segregação racial, o Brasil foi um dos países que pressionaram pelo fim do regime, lembrou o professor.

O país da América do Sul congelou relações diplomáticas e comerciais com Pretória, forçado pela pressão interna do movimento negro e por uma coalizão de países africanos que ameaçavam suspender o envio de petróleo ao Brasil. Naquele momento, o país africano era o maior parceiro comercial brasileiro no continente, e o Brasil produzia menos petróleo.

 


Exposição Centenário Mandela, no Palácio Itamaraty. A mostra apresenta a trajetória do ativista (Nelson Mandela) que combateu o regime do apartheid e tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul.
Exposição Centenário Mandela, no Palácio Itamaraty. A mostra apresenta a trajetória do ativista (Nelson Mandela) que combateu o regime do apartheid e tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul.

Defesa da soberania

Com a transição para um regime democrático liderado por Nelson Mandela nos anos 1990 , a África do Sul passou por mudanças positivas, como o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), queda do desemprego e da inflação, além de melhorias no sistema de educação e saúde, embora as desigualdades ainda persistam. 

A África do Sul é a principal economia do continente africano e voltou a se aproximar do Brasil nos anos 2000. O interesse não se restringiu a objetivos econômicos de curto prazo, mas incluiu a construção de uma aliança pelo desenvolvimento no sul global. 

“A experiência do desenvolvimento do Brasil e sua atuação no cenário mundial contra as desigualdades atrai parceiros com os mesmos objetivos”, afirmou Gonçalves.

Para o pesquisador, os dois países lutam pelo desenvolvimento, apesar de suas complexidades. “Lutam com dificuldade, mas deram passos significativos”, disse Gonçalves. Ele informa que os sul-africanos conquistaram a autonomia nuclear, sendo o único país do continente africano a produzir energia nuclear em escala comercial, por exemplo.

 


Rio de Janeiro (RJ), 06/07/2025 - Foto ofical do Brics com seus membros.
Da esquerda para direita:
Minister Sergei Lavrov (Rússia),
Khaled bin Mohamed Al Nahyan (Emirados),
Prabowo Subianto (Indonésia)
Cyril Ramaphosa (África do sul)
Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)
Primeiro ministro, Narendra Modi  (Índia)
 Premier Li Qiang (China)
Abiy Ahmed (Etiópia)
Mostafa Madbouly (Egito)
 Abbas Araghchi (Irã)
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 06/07/2025 - Foto ofical do Brics com seus membros.
Da esquerda para direita:
Minister Sergei Lavrov (Rússia),
Khaled bin Mohamed Al Nahyan (Emirados),
Prabowo Subianto (Indonésia)
Cyril Ramaphosa (África do sul)
Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)
Primeiro ministro, Narendra Modi  (Índia)
 Premier Li Qiang (China)
Abiy Ahmed (Etiópia)
Mostafa Madbouly (Egito)
 Abbas Araghchi (Irã)
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Hoje, Brasil e África do Sul têm parcerias também em saúde, na luta contra o HIV-AIDS, no combate à pobreza, se posicionam contra o racismo e pelo desenvolvimento sustentável.

Na Conferência das Partes (COP), em novembro de 2025, no Brasil, a África do Sul apoiou a proposta brasileira de criar o Fundo de Florestas Tropicais, além de publicamente compartilhar valores como a defesa da soberania e independência dos países.

Na avaliação de Gonçalves, ambos buscam consolidar suas democracias, crescer economicamente e buscar maior papel de influência no cenário global, sendo a aproximação benéfica para os dois lados.

Fonte: Agência Brasil

Brasil assina acordo que prevê perseguição policial além de fronteiras

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O governo brasileiro assinou decreto, nesta quarta-feira (10), a fim de ampliar a cooperação policial para as áreas de fronteira e transfronteiriças com a Argentina, Paraguai e Uruguai, incluindo perseguições de fugitivos e investigações conjuntas.

O decreto é resultado de acordo firmado em Bento Gonçalves (RS), em dezembro de 2019. O documento estipula que os países podem atuar, em conjunto, para prevenir e investigar crimes de acordo com as respectivas legislações.

Cerco a fugitivos

No caso de perseguições, o decreto autoriza que policiais de um determinado país busquem fugitivos que ultrapassarem as fronteiras nesses países.

“[Os policiais] poderão adentrar o território da outra Parte, em comunicação e coordenação com a autoridade policial da outra, para realizar a apreensão preventiva das pessoas perseguidas”, diz o documento.

Ficou definido que essas perseguições devem ser combinadas bilateral ou trilateralmente. Estão previstos, para essa finalidade, intercâmbio de metodologias e tecnologias, capacitação com cursos e treinamentos e troca de informações para prevenir ilícitos.

Quando houver prisões desses fugitivos, as autoridades policiais entregarão essas pessoas às autoridades do país onde os fugitivos foram encontrados. “Os agentes e veículos do Estado perseguidor deverão estar devidamente identificados.”

Além disso, os países decidiram aperfeiçoar os sistemas de comunicações e trocar de  conhecimentos de interesse para a investigação de crimes com utilização de centros de operações.

Fonte: Agência Brasil

Construção empregou 2,5 milhões e pagou média de 2,1 salários mínimos

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A indústria da construção civil no Brasil ocupava 2,5 milhões de pessoas em 2024 e pagava remuneração média de 2,1 salários mínimos. Eram 191 mil empresas que injetavam R$ 95,6 bilhões nos bolsos dos trabalhadores.

Os dados fazem parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento traz informações de empresas de três grandes grupos de atividade: construção de edifícios (inclui residenciais, comerciais, industriais e reformas); obras de infraestrutura, como pontes, rodovias e praças; e serviços especializados para construção, que englobam pintura e instalação elétrica, por exemplo.

A edição de 2024 do levantamento absorveu mudanças de metodologia, de forma que o IBGE não aplica comparações com anos anteriores. A série histórica anterior era iniciada em 2007.

Onde estão os empregos

O levantamento revela que as empresas classificadas no grupo construção de edifícios são as maiores empregadoras. Nesses empreendimentos estão 894,8 mil pessoas, o que representa 35,7% dos ocupados.

Logo em seguida figuram as firmas de serviços especializados, com 34,4% da mão de obra do setor. Já as obras de infraestrutura empregavam 29,9% dos trabalhadores em 2024.

Apesar de estarem no grupo com o menor número de ocupados, as empresas de obras de infraestrutura têm a maior média de funcionários por empresa: 39 pessoas.

Nos empreendimentos destinados à construção de edifícios, o contingente médio é de 13 trabalhadores. Nos de serviços especializados, oito funcionários.

Salários

As companhias que trabalham com obras de infraestrutura são as que pagam maiores remunerações, com média de 2,6 salários mínimos.

As empresas de atuam na construção de edifícios pagaram 1,9 salário mínimo, à frente das de serviços especializados (1,8). Em 2024, o salário mínimo nacional era R$ 1.412.
 


Brasília (DF), 09/06/2026 - Arte sobre construção civil. Arte/Agência Brasil
Brasília (DF), 09/06/2026 - Arte sobre construção civil. Arte/Agência Brasil

Valor de obra

Os pesquisadores do IBGE chegaram ao valor total de incorporações, obra e serviços de construção, que alcançou R$ 522,5 bilhões em 2024.

Veja o valor de obra por segmento:

  • Infraestrutura: R$ 200,9 bilhões;
  • Construção de edifícios: R$ 1989 bilhões;
  • Serviços especializados: R$ 122,8 bilhões.

Com os dados sobre valor de obra, a pesquisa chegou ao RC8, indicador que aponta o tamanho do mercado abocanhado (grau de concentração) pelas oito principais empresas do setor, que ficou em 3,1%. Esse patamar indica uma indústria pouco concentrada, sem monopólios.

Saiba mais sobre a pesquisa no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Obras entregues

A pesquisa revela os principais empreendimentos entregues no país pelo setor de construção civil em relação ao valor de obra. Confira o ranking:

  • Rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais: 22,8%;
  • Obras residenciais: 22,2%;
  • Serviços especializados para construção: 19,2%
  • Obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos: 12,8%;
  • Edificações industriais, comerciais e outras edificações não residenciais: 10,7%;
  • Construção de outras obras de infraestrutura: 10,5%;
  • Incorporação de imóveis construídos por outras empresas: 1,9%.

Custos

Sob a ótima dos custos, a mão de obra é o que mais pesa no orçamento das empresas, com 30,7% do total.

Logo em seguida, a maior fatia ficou com o chamado “consumo intermediário”, que reúne despesas operacionais como combustíveis, manutenção, aluguéis de máquinas e serviços prestados por terceiros (excetuando materiais e empreiteiras), respondendo por 22,5%.

Os demais custos foram materiais de construção (22,3%), demais despesas ─ compostas por impostos, taxas, custos com terrenos, depreciação e gastos financeiros ─ (14,7%) e obras e serviços contratados a terceiros (9,7%).

Contratantes de obras

De acordo com o IBGE, de cada R$ 3 em valor de obra em 2024, R$ 1 foi demandado pelo setor público, ou seja, 33%, cabendo 67% à iniciativa privada.

No caso específico das obras de infraestrutura, o setor público representa 48,2% da demanda por construção. Na atividade construção de edifícios, a participação dos governos como contratante se reduz a 22,9%. Em serviços especializados, 19,5%.

Para o analista do IBGE Marcelo Miranda Freire de Melo, esses dados revelam a relevância do setor público para a construção civil no país.

“Essa demanda está muito concentrada no segmento de obras de infraestrutura, onde quase metade da demanda é feita pelo setor público. Nos outros dois segmentos, essa relevância do setor público é um pouco menor, a grande parte é o setor privado”, avalia.

Fonte: Agência Brasil

TCU aprova com ressalvas contas do governo Lula de 2025 

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O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (10), por unanimidade, as contas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes a 2025, mas com diversas ressalvas e alertas relacionadas à execução orçamentária e financeira.

Os ministros seguiram na íntegra o parecer do relator das contas da União, Benjamin Zymler, que em seu voto afirmou que “as contas são fidedignas”. Contudo, Zymler apontou problemas no controle de renúncias fiscais e na trajetória da dívida pública, entre outros.

Entre aș principais ressalvas indicadas está o empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, que, na avaliação do relator, foi aprovado pelo governo sem análise técnica adequada.

“Não houve um exame adequado do plano de recuperação nem dos riscos fiscais associados à concessão de garantia, pela União, ao empréstimo tomado à Empresa de Correios e Telégrafos”, disse Zymler ao apresentar o resultado do exame nas contas feito pelo corpo técnico do TCU.

As contas foram examinadas em sessão extraordinária na sede do TCU, em Brasília, que contou com a presença de três ministros de governo: Bruno Moretti (Planejamento), Vinícius de Carvalho (Controladoria-Geral da União) e Miriam Belchior (Casa Civil).

No relatório, Zymler reconheceu o cumprimento da meta fiscal para 2025, que era de gastos iguais às receitas, com tolerância de 0,25% de déficit. Contudo, ele ressalvou que o déficit do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) ficou em 0,47%, o equivalente a R$ 58,6 bilhões.

Outro ponto ressalvado pelo relator foi o tamanho das despesas que ficaram, por aprovação do Congresso, de fora da meta fiscal formal, na ordem de R$ 48,7 bilhões. Isso prejudica a confiança nas regras fiscais, destacou Zymler.

O corpo técnico do TCU apontou a discrepância entre o esforço fiscal realizado e aquele necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública. Segundo cálculos da corte de contas, seria necessário um superávit primário de 1,94% no Governo Central.

Entre os alertas, o relatório apontou, por exemplo, a rigidez na execução orçamentária, com 91,4% dos gastos realizados pelo governo sendo de natureza obrigatória.

Outro alerta diz respeito ao tamanho das renúncias fiscais, que chegam a R$ 544 bilhões, ou 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse montante, 47% não têm prazo de vigência, enquanto mais de 47% de 21 das principais politicas não passam por avaliação periódica. Tais renúncias comprometem o esforço para que o governo cumpra a meta fiscal.

O TCU também destacou a pressão sobre as contas públicas exercida pelo patamar elevado da taxa básica de juros da economia, a Selic, que se encontra em 14,5% ao ano e majora o custo da dívida pública.

O parecer aprovado pelo plenário do TCU deverá agora ser encaminhado ao Congresso Nacional, a quem cabe a decisão final sobre a aprovação das contas de governo, ou seja, se elas atendem ao novo arcabouço fiscal.

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Fonte: Agência Brasil

PF combate tráfico internacional de drogas por rotas marítimas

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (11), a Operação Balcãs, para combater uma organização criminosa transnacional investigada por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

A apreensão de, aproximadamente, 2,7 toneladas de cocaína escondida em veleiro, interceptado em águas internacionais perto de Cabo Verde, na costa africana, deu início à investigação, segundo a PF.

Ao longo de quase três anos de trabalho investigativo, os policiais federais identificaram uma “estrutura criminosa voltada ao envio de cocaína da América do Sul para a Europa mediante rotas marítimas transatlânticas”.

As ações policiais ocorrem em cidades de São Paulo onde foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos em Santos, Guarujá e na capital paulista. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia.

“A Justiça Federal também determinou bloqueio de contas bancárias, de aplicações financeiras, bem como sequestro de veículos, imóveis e demais ativos patrimoniais aos investigados, até o limite de R$ 20 milhões”.

De acordo com a PF, o material apreendido passará por perícia e “analisado no contexto das investigações, com o objetivo de aprofundar a identificação dos envolvidos, de esclarecer a dinâmica dos fatos apurados e de subsidiar a continuidade da persecução criminal”.

Fonte: Agência Brasil

Deolane e Marcola são denunciados por lavagem de dinheiro para o PCC

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O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra seis pessoas acusadas de integrar organização criminosa destinada a lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).  Entre os denunciados estão a advogada e influencer Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), apontado como líder do PCC.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o núcleo operava uma estrutura financeira “voltada à dissimulação e à reinserção na economia formal dos recursos ilícitos obtidos pela facção criminosa”, que atuou entre 2018 e 2025 através de uma empresa de transportes administrada por Ciro Cesar Lemos, já condenado por organização criminosa.

Lemos recebia ordens de Marcola e de seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, outra liderança da organização, para repassar rendimentos aos outros membros da rede. 

A rede também era composta pelo operador financeiro Everton de Sousa e pelos filhos de Alejandro, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho. De acordo com o Gaeco, Leonardo e Paloma estão foragidos no exterior.

Segundo o Gaeco, Deolane recebia depósitos fracionados provenientes da transportadora, ocultando sua origem mediante o uso de contas próprias.

“A acusada planejava, segundo a investigação, reestruturar suas empresas e transferi-las para fundos sediados no exterior, operando a lavagem de dinheiro dos valores oriundos de integrantes do PCC. Sousa supervisionava prestações de contas e o fluxo de valores como operador intermediário. Já Paloma e Leonardo recebiam parcelas dos rendimentos ilícitos por determinação do pai, cabendo a Paloma orientar Lemos sobre a distribuição dos valores, a partir de informações repassadas por Alejandro”, afirmou o Gaeco, por meio de nota.

Deolane continua presa e teve pedido de habeas corpus negado pela Justiça nesta terça-feira (9). Marcola foi preso em 1999 e Alejandro está preso desde 2006. 

Apesar disso, sua influência é considerada central para as operações da facção, através de advogados, familiares, outros presos e de redes clandestinas de comunicação, denunciadas pelas autoridades penais e judiciárias. 

Defesa

A defesa de Deolane Bezerra  afirmou que não teve acesso à acusação e que ela não faz parte de nenhuma organização  criminosa ou cometeu qualquer crime. 

A defesa de Marco Willians Herbas Camacho disse que ele e seu irmão Alejandro estão em presídio de segurança máxima desde 2019, o que torna inviável sua participação no esquema. Também acrescentou que Leonardo e Paloma “refutam integralmente as imputações formuladas”, embora não negue a relação patrimonial e os “elementos financeiros” da denúncia, que serão esclarecidos e são regulares, assim como são improcedentes as acusações.

Fonte: Agência Brasil

Copa do Mundo 2026 expõe tensões fora do campo

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Espaço de celebração esportiva e encontro entre povos, a Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada também por polêmicas e controvérsias que extrapolam o futebol, colocando em evidência os efeitos das políticas interna e externa de um de seus países-sede, os Estados Unidos.

Do ponto de vista externo, a guerra dos EUA contra o Irã, que também participa da competição, tem implicado em dificuldades para o país visitante, a ponto de sua delegação chegar a ser proibida de pernoitar em território estadunidense.

Do ponto de vista interno, a política migratória implementada pelo presidente Donald Trump tem causado problemas para delegações, torcedores e até mesmo para a arbitragem da competição.

Diante da situação, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) buscou, nos períodos que antecederam a Copa, negociar com autoridades dos EUA a flexibilização de algumas regras durante o torneio, de forma a reduzir algumas das barreiras impostas pelo controle migratório daquele país.

Apesar do esforço – e diante do fato de a entidade atuar mais como mediadora do que como decisora – são muitos os relatos de dificuldades para a entrada de fãs, delegações e outros profissionais do esporte no país.

Para além disso, há também questionamentos sobre custos de ingressos e organização, o que reforça as expectativas de que a Copa será marcada por tensões que vão além do futebol.

Delegação iraniana

As polêmicas por conta das políticas migratórias dos EUA começaram muito antes da Copa. Entre as delegações que tiveram mais problemas, a de maior destaque é a do Irã, país contra o qual os EUA declararam guerra.

As tensões começaram meses antes do evento, com a dificuldade dos jogadores iranianos para obter visto, o que só aconteceu às vésperas do torneio. Integrantes da comissão técnica e dirigentes foram impedidos de viajar aos EUA, a tempo de possibilitar uma preparação adequada da equipe.

Para piorar, a delegação iraniana foi proibida de se hospedar no estado norte-americano do Arizona, conforme era previsto inicialmente. Vale lembrar que as três partidas iniciais do Irã serão disputadas em território estadunidense.

A solução adotada emergencialmente foi a de mudar a base da delegação para a cidade de Tijuana, no México. Na sequência, o governo dos EUA informou que não permitiria que a delegação pernoitasse nos EUA, antes ou após as partidas. Essa decisão, no entanto, foi revista, de forma a permitir o pernoite da equipe na noite anterior a cada partida.

Os torcedores iranianos também têm encontrado dificuldade para participar do maior evento futebolístico do planeta. Há, segundo agências internacionais, relatos de torcedores iranianos que tiveram seus ingressos cancelados a poucos dias do início do mundial.

Aymen Hussein

Um outro caso polêmico envolve o jogador iraquiano Aymen Hussein. Ele foi retido por várias horas na imigração dos EUA no aeroporto de Chicago, onde passou por um interrogatório rigoroso poucos dias antes do início do mundial.

Considerado destaque da equipe, ele teve o celular inspecionado antes de ser liberado para entrar no país.

Hussein não foi o único da delegação iraquiana a ter problema. O fotógrafo da equipe, Talal Salah, foi impedido de entrar nos EUA, após ficar por mais de 10 horas retido na imigração.

Árbitro barrado

A imigração dos EUA barrou também a entrada daquele que seria o primeiro árbitro da Somália a apitar uma partida de Copa do Mundo. Omar Abdulkadir Artan foi considerado “inadmissível” pelas autoridades estadunidenses ao desembarcar no aeroporto de Miami, vindo de Istambul.

Segundo comunicado da alfândega, ele teve a entrada negada devido a “preocupações com a verificação de antecedentes”. As autoridades, no entanto, não especificaram quais seriam tais preocupações.

Mesmo tendo visto aprovado e estando oficialmente credenciado pela Fifa, Artan foi impossibilitado de participar do torneio. A Fifa lamentou o episódio sob o argumento de não ter controle sobre decisões de imigração nos países-sede.

Preço dos ingressos

Outra polêmica da Copa de 2026 envolve o preço cobrado pelos ingressos. Segundo a imprensa internacional, a atual edição é considerada uma das mais caras da história, com preços que vão de US$ 2 mil a US$ 7,8 mil, no caso da final.

Na Copa do Catar, em 2022, o valor do ingresso da final estava em cerca de US$ 1,6 mil.O modelo adotado para o Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México segue a lógica tradicional da Fifa de dividir os ingressos por categorias — o que determina tanto o preço quanto a localização do torcedor no estádio.

O ingresso mais barato custa cerca de US$ 60, para a fase de grupos. Eles, no entanto, foram vendidos em quantidade bastante limitada, levando a maioria a pagar até US$ 620 para as primeiras partidas.

Para as fases eliminatórias, os ingressos chegam a custar mais de US$ 3 mil. Já os preços cobrados para a grande final vão de US$ 2.030 a cerca de US$ 7,8 mil.

Fonte: Agência Brasil

CLDF realiza sessão solene em homenagem aos 40 anos do Nesp/UnB

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Dedicado à saúde pública, o núcleo consolidou-se como espaço de produção de conhecimento, formação acadêmica e articulação institucional

A Câmara Legislativa do Distrito Federal fará, na próxima sexta-feira (12), a partir das 14h, sessão solene em homenagem aos 40 anos do Núcleo de Estudos de Saúde Pública da Universidade de Brasília (Nesp/UnB). A iniciativa é do deputado distrital Fábio Felix (PSOL) e ocorrerá no plenário da Casa, reunindo autoridades, pesquisadores, estudantes e profissionais da área da saúde.

O deputado Fábio Felix ressalta a importância da homenagem para reconhecer a trajetória da instituição e das pessoas que contribuíram para sua construção. “Celebrar os 40 anos do Nesp/UnB representa reconhecer a dedicação de pesquisadores, professores, estudantes, profissionais da saúde e colaboradores que, ao longo de décadas, contribuíram para o fortalecimento da saúde pública brasileira”, afirmou.

Instituição de reconhecida relevância acadêmica, científica e social, o Nesp/UnB desempenha papel central no desenvolvimento de pesquisas científicas ligadas à saúde pública. 

O núcleo consolidou-se como espaço de produção de conhecimento, formação acadêmica e articulação institucional. Sua atuação contribui diretamente para o debate sobre temas centrais como o Sistema Único de Saúde (SUS), a promoção da saúde, a participação social e a redução das desigualdades.

Para o parlamentar, o trabalho desenvolvido pelo Nesp “ultrapassa o ambiente universitário”, impactando a formulação de políticas públicas e o aprimoramento das práticas de gestão e atenção à saúde.

Serviço
Evento: Sessão solene em homenagem aos 40 anos do Nesp/UnB
Data: 12 de junho de 2026 (sexta-feira)
Horário: 14h
Local: Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Fonte: Agência CLDF

Comissão de Saúde debate desafios e direitos de servidores com deficiência

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Comissão de Saúde pretende criar espaço de escuta, diálogo e construção coletiva sobre os desafios enfrentados pelos servidores com deficiência

A Comissão de Saúde da Câmara Legislativa promove, em 12 de junho, às 9h30, audiência pública com o tema “Servidor com Deficiência – seus desafios e direitos”. O encontro será realizado na Sala das Comissões e reunirá servidores públicos, gestores, especialistas, entidades representativas e membros da sociedade civil para debater inclusão, acessibilidade e valorização dos profissionais com deficiência no serviço público do Distrito Federal. A audiência será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com o requerimento apresentado pela Comissão, o objetivo é criar “um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva sobre os desafios enfrentados pelos servidores públicos com deficiência na administração pública”. Entre os temas a ser debatidos estão políticas voltadas à inclusão dentro do serviço público e o aperfeiçoamento de ações.

O documento destaca que, apesar dos avanços na legislação brasileira voltada à proteção e garantia de direitos das pessoas com deficiência, ainda existem obstáculos que comprometem a inclusão efetiva desses profissionais no ambiente de trabalho. Entre os principais pontos citados estão dificuldades relacionadas à acessibilidade, adaptação razoável, progressão funcional, saúde ocupacional e combate à discriminação.

Segundo a presidente da Comissão de Saúde, deputada Dayse Amarilio (PSB), “ainda persistem barreiras estruturais, institucionais e atitudinais que impactam diretamente as condições de trabalho, a acessibilidade, a inclusão e a valorização desses profissionais no serviço público”.

A deputada ressalta que muitos servidores convivem diariamente com empecilhos. “Eles enfrentam dificuldades que vão desde a falta de estrutura física adequada até a ausência de políticas institucionais que reconheçam e valorizem suas competências e contribuições”, complementa Dayse Amarilio.

Fonte: Agência CLDF

Lei distrital garante enfrentamento a doenças sazonais no Distrito Federal

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Lei, de autoria de Joaquim Roriz Neto, incluiu trechos que haviam sido vetados pelo Executivo, mas foram reincorporados ao texto pela CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) derrubou vetos do Poder Executivo à lei distrital que institui protocolo de gestão de crise no enfrentamento a doenças sazonais, a ser seguido pelo governo do Distrito Federal. A Lei 7.518/2024 é de autoria do deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL).

O então governador Ibaneis Rocha havia vetado partes da lei que garantiam a aquisição de vacinas, de repelentes e testes rápidos para o combate à dengue, assim como a aplicação de fumacê e a contratação de tendas para o atendimento à população. Outros pontos que haviam sido vetados pelo governador diziam respeito a medidas para o enfrentamento da gripe, bronquiolite, bronquite, bem como quaisquer doenças provocadas pelo vírus sincicial respiratório, com sazonalidade prevalente entre março e julho. Foram vetados ainda pontos referentes ao controle da rinite alérgica e asma, com sazonalidade prevalente no período de seca, entre junho e outubro.

Com a derrubada dos vetos parciais em votação na Câmara Legislativa, a Lei Distrital 7.518/2024 mantém os artigos que garantem o combate às doenças sazonais.  “A falta de planejamento custa caro. Com esse protocolo, conseguimos agir antes da crise e evitar desperdícios. Esse planejamento reduz a pressão nas emergências das UPAs e hospitais. A população não pode esperar horas ou até um dia inteiro por atendimento. Quem tem dor, tem pressa”, ressalta Joaquim Roriz Neto. 

Fonte: Agência CLDF