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Após o ouro olímpico, Lucas Pinheiro volta a ser campeão na Eslovênia

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O esquiador brasileiro Lucas Pinheiro Braathen voltou a ser campeão inédito neste sábado (7) na Eslovênia, três semanas após conquistar o primeira medalha de ouro do país na Olimpíada de Inverno Milão-Cortina (Itália). O atleta de 25 anos venceu a prova do slalom gigante na etapa da Copa do Mundo de esqui alpinho, na cidade de Kranjska Gora, com o tempo de  2min11s95.

Lucas é o vice-líder no ranking do slalom gigante, com 447 pontos, atrás apenas do suíço Marco Odermatt (495) que terminou a prova de hoje na quinta posição. A prata ficou com o suíço Loic Meillard e o bronze com o austríaco Stefan Brennsteiner.

Nascido em Oslo (Noruega), filho de mãe brasileira, Lucas Pinheiro volta a competir neste domingo (8) na prova de slalom e tem chances de subir para a liderança da temporada. Lucas está em segundo lugar no ranking com om 451 pontos, um a menos que o líder, o norueguês Atle Lie McGrath (452). No domingo (7), a  primeira descida está programada para às 5h30 (horário de Brasília), e a segunda e última para às 8h30. 

As finais da Copa do Mundo de esqui alpino ocorrerão nos dias 24 e 25 de março, em Lillehammer (Noruega).



Fonte: Agência Brasil

Ataque a escola de meninas no Irã expõe horrores da guerra

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O ataque a uma escola de meninas iranianas, que causou a morte de 168 crianças, marcou o primeiro dia da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último sábado (28). A tragédia expõe os horrores que o conflito no Oriente Médio pode produzir e seus impactos na vida de menina e mulheres nestes países. 

Uma multidão vestida de preto compareceu ao velório das crianças, ocorrido na terça-feira (3). As imagens das valas abertas para receber os caixões enfileirados, acompanhados por milhares de pessoas, correu o mundo.

Durante décadas, as violações de direitos humanos no Irã, inclusive contra as mulheres, foram usadas por potências ocidentais para justificar o isolamento internacional de Teerã, alvo de sanções econômicas que contribuíram para fragilizar sua economia

Em nome de uma suposta “libertação” do povo iraniano do regime dos aiatolás, um dos primeiros alvos de EUA e Israel nesta nova ofensiva foi justamente uma escola de educação infantil feminina na cidade de Minab, no sul do país persa. Além das dezenas de meninas mortas, mais de 90 crianças ficaram feridas. O caso aconteceu pela manhã, enquanto as alunas estavam em aula, segundo a agência de notícias.

 

A socióloga Berenice Bento, professora da Universidade de Brasília (UnB) que estuda as relações de gênero no mundo muçulmano, afirma que o ataque revela justamente que a guerra não tem relação com direitos humanos ou democracia.

Em razão do regime do país, as mulheres sofrem uma série de restrições no Irã, como o uso obrigatório do véu (hijab) para cobrir os cabelos, além de impedimentos para viagem e mobilidade, que geralmente precisam de autorização dos pais ou maridos. O desrespeito aos códigos é duramente punido pela chamada polícia da moralidade, ou Patrulha de Orientação da República Islâmica do Irã.

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que mulheres iranianas lutam há décadas por seus direitos e destaca, em especial, o movimento Mulher, Vida e Liberdade. Ele foi criado em 2022 após a morte da estudante Mahsa Amini, detida em um protesto e espancada pela Patrulha de Orientação,

“Mulheres iranianas organizaram um grande movimento, em 2022, o Mulher, Vida e Liberdade e seguem em luta há décadas. O povo iraniano, os povos árabes, o povo palestino devem decidir seu destino, não os EUA e Israel”, comentou.

A história de luta das mulheres iranianas inclui vítimas de prisões e condenações por sua militância. Uma delas é a advogada e ativista Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023 “pela sua luta contra a opressão das mulheres”.

Narges está atualmente presa no Irã, condenada a 7 anos e meio de reclusão por “conspiração”, segundo seu advogado. Mas, a socióloga Berenice Bento reafirma que a mobilização das mulheres no Irã não pede intervenção externa.

“Quando você analisa as manifestações que aconteceram, nenhuma está dizendo que quer a volta da monarquia, ou que os Estados Unidos  e Israel vá libertá-las. Nunca. O que você tem é uma sociedade que está lutando”, ponderou.

Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações do Mundo Árabe, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Natália Ochôa explica que há um olhar do mundo Ocidental para a necessidade de salvar a mulher muçulmana que, no episódio da escola, foi o alvo. 

“Mulheres muçulmanas vistas e retratadas como oprimidas e sem capacidade de agência precisariam da salvação de mulheres ocidentais, sendo estas últimas o grande exemplo de liberdade a ser seguido. Ora, se um desses pilares é a educação, por que então logo uma escola de meninas, onde elas são alfabetizadas e aprendem sobre seus direitos, é um dos primeiros espaços a se tornarem alvos desses ataques? Se elas precisam de salvação, por que a última coisa que tem sido feita é salvá-las?”, questiona a pesquisadora em artigo

 


Women react during the funeral of the victims following a reported strike on a school, amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, in Minab, Iran, March 3, 2026. Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. REFILE – REMOVING ATTRIBUTION TO STRIKE
Women react during the funeral of the victims following a reported strike on a school, amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, in Minab, Iran, March 3, 2026. Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. REFILE – REMOVING ATTRIBUTION TO STRIKE

Mulher durante o funeral das vítimas da escola de Minab. – Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA/ Reuters/ Proibido reprodução

Apesar dos problemas da República Islâmica, a especialista pondera que houve avanços sociais nos últimos 47 anos. Dados do Banco Mundial e da Unesco apontam que a alfabetização das mulheres passou de cerca de 30%, nos anos 1970, para cerca de 85%, nos anos 2000.

A participação das mulheres iranianas nas universidades subiu de 33%, na década de 1970, para cerca de 60%, nos anos 2000. Por outro lado, a participação delas no mercado de trabalho segue reduzida, algo em torno de 15% a 20% do total das pessoas empregadas.

Autoria do ataque

O ataque à escola de meninas de Minab foi condenado pela comunidade internacional e o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do ocorrido.

Estados Unidos e Israel não reconheceram ainda a autoria do ataque. A Casa Branca diz que está investigando o caso. Já Israel informou que não encontraram “nenhuma ligação” do ataque com as operações militares de Tel Aviv.

Berenice Bento cita a chamada Doutrina Dahiya, do exército israelense, que se baseia na destruição em larga escala de habitações e estrutura, para argumentar que o ataque deve ter sido intencional.

“Com o ataque à escola, eles estão querendo dizer não vão deixar pedra sob pedra. É destruir tudo. Para que a própria população civil, diante daquela destruição, se coloque contra o poder local. Eles destruíram Gaza inteira para fazer com que a população de Gaza se posicione contra o Hamas”, avaliou.

O nome da doutrina faz referência ao bairro Dahiya, zona densamente povoada de Beirute, no Líbano, onde o Hezbollah tinha uma das suas bases, e que foi amplamente bombardeado por Israel na guerra do Líbano de 2006.

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), avalia que o ataque às escolas, hospitais e infraestrutura civil em Gaza abriu espaço para novos crimes em outros países do Oriente Médio.Para Misleh, as mulheres da região não precisam ser “salvas”, e sim de apoio e solidariedade.

O jornal norte-americano New York Times (NYT), após analisar imagens de satélites, publicações nas redes sociais e vídeos verificados, indica que a escola foi severamente danificada por ataque de precisão, que ocorreu simultaneamente a ofensivas dos EUA a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica. 

“As declarações oficiais de que as forças americanas estavam atacando alvos navais perto do Estreito de Ormuz, onde está localizada a base da Guarda Revolucionária Islâmica, sugerem que eles provavelmente foram as responsáveis ​​pelo ataque”, avaliou o NYT.

Levando em consideração a proximidade da escola em relação ao objetivo militar, o major-general português Agostinho Costa avalia que o bombardeio pode ter sido um erro de alvo.

“Já estive em locais submetidos a ataques com mísseis Tomahawk podendo constatar que a margem de erro existe”, comentou o especialista em segurança e geopolítica.

 

Fonte: Agência Brasil

Cidade de São Paulo tem mais de 12,6 mil trabalhadores ambulantes

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Uma pesquisa inédita realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) aponta que a cidade de São Paulo concentra pelo menos 12.671 trabalhadores ambulantes em 12.377 bancas de vendas espalhadas pela capital.

De acordo com o estudo, grande parte desses ambulantes enfrenta longas jornadas, é informal, trabalha sem autorização da prefeitura e tem renda menor do que a média dos trabalhadores da capital.

Além disso, oito em cada dez ambulantes dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver. Mesmo diante das dificuldades, a maioria afirma que pretende continuar no comércio de rua. Segundo o levantamento, 73% dos ambulantes disseram que não gostariam de mudar de profissão.

A maioria é homem (63%) e tem entre 31 e 50 anos de idade (40% do total). Mais da metade desses trabalhadores (53%) são pretos ou pardos; 34%, brancos e 10%, indígenas.

“No caso dos indígenas, isso vem de uma participação grande de pessoas dos Altiplanos, como venezuelanos e peruanos, que se identificam como indígenas”, explicou Tiago Rangel Côrtes, um dos responsáveis pelo estudo, durante entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (6) para apresentação dos dados.

“Quase um terço [31%] dos trabalhadores ambulantes da cidade de São Paulo são imigrantes. Essa é uma informação bastante relevante. Eles também estão em situação mais precarizada que os demais ambulantes”, completou. Segundo a pesquisa, esses imigrantes são de 30 nacionalidades distintas, a maior parte deles vindos da América do Sul.

O Mapeamento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Ambulantes da Cidade de São Paulo revela ainda que três em cada quatro trabalhadores ambulantes (76% do total) são proprietários das bancas onde trabalham, 15% são empregados sem carteira assinada e apenas 2% são trabalhadores formais, registrados em carteira. Há também uma parcela deles (em torno de 6%) que são familiares dos proprietários do ponto.

Condições de trabalho

Metade desses trabalhadores exerce essa função há menos de cinco anos e 47,8% ultrapassam esse tempo de trabalho, sendo que 15% estão na profissão há mais de 21 anos. Esse dado indica, segundo o Dieese, que essa não é uma atividade transitória, mas de médio e longo prazo. “A gente vê que o trabalho ambulante é um ofício e que as pessoas levam sua vida nessa atividade econômica, não é algo simplesmente passageiro”, destacou Côrtes.

Isso também remete a outro problema, que traz muito impacto aos ambulantes: o direito ao trabalho em via pública, assegurado a menos de 40% da categoria. “Apenas 39% dos trabalhadores dizem ter permissão da prefeitura para trabalhar onde atua”, disse Côrtes.

A maior parte dos entrevistados (56%) trabalha sem permissão do Poder Público. Desses, 80% revelaram interesse em adquirir a autorização, mas encontram dificuldade para obtê-la por causa dos altos custos, da burocracia ou porque a disponibilização dos pontos é ruim.

Outro dado apontado pela pesquisa é que as jornadas de trabalho dos ambulantes são mais extensas do que as do restante da população ocupada no município de São Paulo. Do total de ocupados na cidade, cerca de três quartos (74%) trabalham semanalmente por até 44 horas, limite máximo permitido pela legislação brasileira, e 26% ultrapassam essa jornada.

Já entre os ambulantes, 56,5% trabalham até 44 horas semanais e 44% superam esse tempo de trabalho. Entre os que superam as 44 horas semanais, quase 30% têm jornadas que ultrapassam 51 horas.

Em relação à remuneração, a média recebida pelos ambulantes no comércio de rua é de R$ 3 mil, o que representa pouco mais da metade (56%) dos ganhos obtidos pelos demais ocupados da capital paulista, R$ 5.323,04 em média.

A pesquisa apontou ainda que as roupas (55%) são a principal mercadoria comercializada, seguidas por alimentos preparados para consumo imediato (14%), eletrônicos (5,4%), bebidas (4,8%), alimentos industrializados (4,5%), livros, jornais e revistas (4,5%), bolsas e carteiras (4,4%) e miudezas ou supérfluos como bijuterias (4%).

O levantamento foi realizado em julho e agosto do ano passado em 70 áreas de grande concentração de ambulantes na capital paulista, entre 244 existentes, tais como pontos de transporte público, instalações públicas de saúde, agências do Poupatempo, parques e outros. Para o levantamento, foram ouvidos 2.772 ambulantes. A pesquisa se concentrou apenas naqueles que trabalham em pontos fixos.

Fonte: Agência Brasil

Rio: assassinos de advogado são condenados a 30 anos de prisão

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O policial militar Leandro Machado da Silva e os comparsas Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes foram condenados a 30 anos de prisão, cada um, pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024. Ele foi morto com mais de 10 tiros, no centro do Rio, em frente ao escritório do qual era um dos sócios, a poucos metros da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

No julgamento que durou de dois dias e terminou na noite desta sexta-feira (6), o tribunal du júri acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. 

Além disso, reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, relacionado à atuação profissional da vítima. De acordo com o MPRJ, Rodrigo “teria contrariado interesses de organização criminosa ligada a jogos de apostas on-line”.

Ainda segundo o MPRJ, os criminosos agiram de emboscada e usaram recurso que dificultou a defesa da vítima. “As investigações apontaram que o crime foi precedido de monitoramento da rotina do advogado”, completou o MPRJ, em nota.  

Durante o julgamento, o MPRJ sustentou que o motivo do assassinato foi assegurar a execução e a vantagem de outros crimes relacionados à exploração ilegal de jogos de azar, apontados aos três denunciados e a integrantes de organização criminosa. Para a acusação, os réus mantinham ligação com o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, investigado por atividades relacionadas ao jogo do bicho. Adilsinho foi preso no último dia 26 de fevereiro, em operação da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

De acordo com o MPRJ, a tese sustenta que o crime também teria o objetivo de intimidar possíveis concorrentes no mercado ilegal de apostas.

“A investigação indicou que Rodrigo Crespo avaliava investir no setor de jogos, com a abertura de um sporting bar em Botafogo, que poderia oferecer apostas esportivas e equipamentos semelhantes a máquinas caça-níqueis conectadas à internet”, apontou, acrescentando que essa atividade “poderia afetar interesses da organização criminosa que atua na região”.

 

Fonte: Agência Brasil

Defesa de Vorcaro pede acesso à perícia de celulares apreendidos

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A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reiterou neste sábado (7) ao Supremo Tribuna Federal (STF) um pedido de acesso às perícias realizadas pela Polícia Federal (PF) nos aparelhos eletrônicos que foram apreendidos na investigação da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no banco.

Segundo os advogados, o acesso foi solicitado no dia 14 de fevereiro para verificar a integridade do material e avaliar se houve o manuseio precipitado ou tecnicamente inadequado.

A defesa quer acesso aos dados brutos extraídos dos celulares e outros dispositivos de Vorcaro.

“O objetivo é permitir a análise independente por assistente técnico da defesa, conforme previsto na legislação processual, garantindo que a prova digital seja examinada com transparência, integridade e respeito ao devido processo legal”, declarou a defesa.

Os advogados também demonstraram preocupação com o vazamento de conversas pessoais do banqueiro.

“A defesa reiterou mais uma vez sua preocupação com vazamentos seletivos de conteúdos que estariam sob sigilo judicial e reafirmou seu compromisso de utilizar qualquer material obtido exclusivamente para fins processuais, preservando o sigilo das informações”, completaram os advogados.

Na sexta-feira (6), o ministro André Mendonça, relator do caso, determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal (PF) para investigar o vazamento.

Relembre o caso

Daniel Vorcaro foi preso novamente na quarta-feira (4)  de manhã pela Polícia Federal, na terceira fase da Operação Compliance Zero. 

No ano passado, o empresário também foi alvo de um mandado de prisão da operação, mas ganhou direito à liberdade provisória, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. Nas mensagens, Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.

A Compliance Zero apura fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores. 

 

Fonte: Agência Brasil

Brasil se prepara para ser destaque em feira de tecnologia na Alemanha

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Famosa por sediar grandes feiras internacionais, a cidade de Hannover, no norte da Alemanha, será palco, no fim de abril, de uma ampla demonstração de tecnologias industriais desenvolvidas por empresas brasileiras.

A Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que acontecerá de 20 a 24 de abril, escolheu o Brasil como país parceiro. Representantes de centenas de países são esperados para o evento na cidade de cerca de 550 mil habitantes.

Essa é a segunda vez que o Brasil alcança esse status. A última vez foi em 1980, justamente quando a Hannover Messe iniciou a prática de escolher países parceiros.

Em uma área com mais de dez pavilhões, expositores e representantes de empresas de diversos países poderão trocar informações, conhecer e apresentar tecnologias, além de fechar negócios.

De IA à energia limpa

A Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe, espera a presença de 123 mil pessoas de todas as partes do mundo, além de 3,5 mil expositores de 60 países. Estarão lá companhias como Amazon Web Services (AWS), Bosch, Siemens, SAP, Microsoft, Huawei e Accenture.

A Hannover Messe vai reunir demonstrações de tecnologias relacionadas a inteligência artificial (IA), robótica, automação, digitalização, defesa e descarbonização, com incentivo à energia limpa. Há também ambiente para a troca de informações sobre pesquisas e transferências de tecnologia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler (chefe de governo) da Alemanha, Friedrich Merz, confirmaram presença.

 


Hannover, 05/03/2026 - A feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação
Hannover, 05/03/2026 - A feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação

País parceiro

Com a parceria, o Brasil terá direito a ocupar pavilhões que somam 2,7 mil metros quadrados. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) ─ vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ─ organiza a participação do país.

Serão 140 expositores brasileiros e uma delegação formada por 300 empresas, como a fabricante de aviões Embraer e a WEG, especializada em motores elétricos. Há espaço também para quase 60 startups ─ empresas de tecnologia com alto potencial de crescimento rápido.

Em um encontro com jornalistas, no fim de fevereiro, para anunciar detalhes da Hannover Messe, o CEO (diretor-executivo) da Deutsche Messe AG, Jochen Köckler, comentou por que o Brasil foi escolhido país parceiro.

“O Brasil é a maior economia da América do Sul. É um país jovem, digital, com empresas muito bem desenvolvidas”, apontou.

Para o organizador, o ambiente colocará em evidência vantagens competitivas do Brasil.

“É mais forte em energias renováveis do que muitos imaginam, tem uma população 20 anos mais jovem que a europeia e que enxerga oportunidades”, citou.

“Todos os esforços devem estar voltados para uma parceria confiável e duradoura e, no fim, bons negócios para todos que estarão aqui”, previu.

 


Hannover, 05/03/2026 - Dr. Jochen Köckler, CEO da Deutsche Messe, na feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação
Hannover, 05/03/2026 - Dr. Jochen Köckler, CEO da Deutsche Messe, na feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação

Empresas brasileiras

A ApexBrasil foi a responsável pela curadoria de empresas brasileiras representadas na Hannover Messe. A agência de fomento à exportação atuou também na capacitação, especialmente de pequenos negócios, e viabilizou a infraestrutura para expositores brasileiros.

O diretor de operações da ApexBrasil Europa, Alex Figueiredo, avalia a feira como uma forma de ampliar a imagem do país no exterior, na visão dele, muito associada à “agricultura, carnaval e futebol”.

“É uma grande oportunidade de mostrar esse outro lado do Brasil, um Brasil inovador, um Brasil que projeta e fabrica aviões, carros, caminhões, maquinário e software”, diz.

Ele destaca que o país já possui protagonismo em um dos temas de interesse da feira, a transição energética.

“Somos líderes em biocombustíveis. Sabemos que muitos países estão lutando para reduzir emissão de gases do efeito estufa [causadores do aquecimento global] no transporte. O Brasil tem, por décadas, trabalhado com flex fuel, que é uma invenção brasileira”, assinala ele, lembrando que uma multinacional de origem alemã, a Volkswagen, foi a primeira montadora a ter um carro flex no Brasil.

Um dos pavilhões ocupados por expositores brasileiros contará com 30 empresas dedicadas à energia renovável, aos biocombustíveis e à eletrificação.

Para o representante brasileiro, a mensagem que o país passará é a de que “o Brasil está pronto para colaborar, investir e inovar juntos”.

Emprego e renda

Em conversa com a Agência Brasil, a representante regional da ApexBrasil, Márcia Nejaim, assinalou a relação entre inovação e desenvolvimento econômico.

“As empresas que exportam inovam mais, geram empregos com melhores salários e geram mais empregos”, sustenta.

“Na medida que esse círculo virtuoso vai acontecendo, a gente consegue gerar um impacto real na vida do brasileiro, na geração de empregos de boa qualidade e de mais empregos”, conclui.

À plateia de cerca de 100 jornalistas, quase todos estrangeiros, o embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, apresentou o país sul-americano como democracia estável e forte economia emergente.

“Compartilhamos valores, compartilhamos instituições democráticas, assim como os desafios comuns em nossas capacidades industriais, mas também a prontidão para agir juntos para maximizar resultados ganha-ganha para nossas sociedades”, declarou.

 


Hannover, 05/03/2026 - Embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, na feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação
Hannover, 05/03/2026 - Embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, na feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação

Em conversa com a Agência Brasil, o diplomata classificou a indústria brasileira como de muita criatividade e com grande conteúdo tecnológico.

“Temos uma indústria que vai mostrar ao público, não só o alemão, mas também ao europeu, a sua enorme capacidade de encontrar soluções para diversas áreas”, antecipou.

*O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe.

Fonte: Agência Brasil

Conflito no Irã não deve afetar exportações da Petrobras, diz diretor

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A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio não deverão afetar as exportações da Petrobras para a Índia, China e Coreia, que não utilizam rotas que estejam ameaçadas pela guerra no Oriente Médio. 

A análise foi feita nesta sexta-feira (6), no Rio de Janeiro, pelo diretor de Logística, Comercialização e Mercados da companhia, Claudio Romeo Schlosser, durante coletiva à imprensa. “Não vejo risco à exportação de petróleo”, disse Schlosser.

Segundo ele, a importação de óleo específico para a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a cada três meses, da ordem de 100 barris/dia, poderá ser feita pelo Estreito de Ormuz, pelo Mar Vermelho ou por porto no norte do Mar Mediterrâneo, razão pela qual avaliou que a “previsão é sem risco”. Schlosser não está vendo nenhuma ameaça do conflito à importação.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, por sua vez, admitiu que o cenário é de extrema volatilidade, com o preço do petróleo tanto podendo atingir US$ 180 o barril, como US$ 53 o barril. Segundo ela, a Petrobras tem que ser resiliente para enfrentar qualquer cenário que possa acontecer. 

Magda comparou o momento atual externo com o da epidemia da Covid-19, quando houve corrida da população aos supermercados diante da ameaça de faltar papel higiênico, o que acabou não ocorrendo. Segundo ela, não há lógica econômica nenhuma na possibilidade de o botijão de gás de cozinha, por exemplo, atingir preços extraordinários. 

“É especulação. Se todo mundo correr para comprar, vai aumentar o preço”, disse.

E recomendou: “Vamos viver um dia depois do outro, com a noite no meio”.

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Lucro

Em relação ao lucro líquido de R$ 110,1 bilhões registrado em 2025, com aumento de quase 200% sobre o resultado de 2024 (R$ 36,6 bilhões), a presidente considerou que foi um “resultado espetacular” que reflete a disciplina de capital, a efetividade do trabalho da companhia, com melhoria da eficiência, celeridade, lógica empresarial e produção e entrega de produtos de forma verticalizada. 

Ela destacou que a Petrobras mostrou resiliência, tendo em vista que o preço do petróleo Brent no mercado internacional, em 2025, saiu de mais de US$ 80 o barril, chegando a US$ 59 o barril. Mesmo assim, a companhia “entregou esse resultado, superando todas as metas”.

Magda Chambriard destacou que, em 2025, um dos fatores que contribuíram para o aumento de 11% da produção de óleo e gás foi a entrada em operação e o aumento da capacidade da FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência) Almirante Tamandaré de 225 mil barris/dia para 270 mil barris/dia.

Essa é a meta da presidente para outras três plataformas que estão em construção em Singapura. 

A primeira deverá chegar ao Brasil em agosto e a segunda, ainda este ano, com projeção de começar a produzir no primeiro semestre de 2027.

“Nós vamos seguir acelerando as entregas, com muita parceria interna entre as equipes da Petrobras”, afirmou. 

Fonte: Agência Brasil

Frigorífico é obrigado a transferir grávidas de setor após abortos

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Eram 3h40 da manhã quando uma trabalhadora venezuelana, grávida de oito meses, em um frigorífico da MBRF, em Lucas do Rio Verde (GO), teve dores, tontura e falta de ar. Chegou a ser impedida de sair pela chefia sob o pretexto que prejudicaria a produção, segundo divulgou a Justiça do Trabalho. O resultado é que ela entrou em trabalho de parto na portaria da empresa e as filhas gêmeas não sobreviveram.  

Quase dois anos depois daquele 23 de abril de 2024, um acordo judicial firmado nesta semana entre a empresa e o Ministério Público do Trabalho (MPT), diante da juíza Priscila Assunção Lopes Nunes, da Vara do Trabalho da cidade, garante que gestantes devem trabalhar afastadas de ambientes com excesso de ruído (acima de 80 decibéis)

Segundo apurou o MPT, na empresa, foram detectados ambientes nos frigoríficos com 93 decibéis. Incidências de abortos ou ameaças de aborto eram, segundo a procuradora Priscila Dibi Schvarcz, do MPT, em entrevista à Agência Brasil, relacionados à exposição de trabalhadoras a ruídos acima do nível máximo.

144 ocorrências

O caso, ocorrido há dois anos com a trabalhadora venezuelana, não foi isolado. Um levantamento da procuradoria identificou 144 ocorrências de aborto ou ameaça de aborto relacionados a 116 trabalhadoras. 

Houve ainda 71 atestados médicos referentes ou agravados pela exposição ao ruído intenso, incluindo hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e insuficiência de crescimento fetal.

Mudança de ambiente

Com o acordo celebrado nesta semana, a empresa se comprometeu a realocar imediatamente todas as gestantes expostas a níveis de ruído iguais ou superiores a 80 decibéis em setores com exposição comprovadamente inferior a esse limite, sem redução de remuneração, benefícios ou direitos trabalhistas.

“Nós requisitamos uma série de documentos de saúde e segurança que foram analisados para que nós pudéssemos avaliar a situação da empresa”, afirmou a procuradora. 

O trabalho dentro de unidades frigoríficas inclui o frio, atividades repetitivas, risco ergonômico e carregamento de peso, por exemplo. Os ruídos, segundo a pesquisadora, causam até efeitos além do auditivos, como problemas cardiovasculares, neurológicos e metabólicos. Além disso, estariam expostas a agentes químicos e biológicos.

A procuradora Priscila Schvarcz atua em um projeto nacional de fiscalização do trabalho em frigoríficos pelo MPT desde 2018. Ela explica que há outras ações em outros frigoríficos pelo país. Somente no ano passado, o MPT firmou termos de ajustamento de conduta com outras cinco empresas frigoríficas.

“Essas empresas se comprometeram em adequar a conduta nesse aspecto, afastando as gestantes de ambientes com ruído. É uma situação de risco e de vulnerabilidade (para as mulheres)”.

Prevenção

A procuradora aponta que existem estudos que relacionam a perda auditiva fetal à exposição ao ruído no ventre materno. “Por isso, essa atuação do MPT funciona como prevenção”. Ela destaca que em ambientes de frigorífico que ela já visitou, particularmente de abate de aves, há uma quantidade mais expressiva de trabalhadoras mulheres. 

Os acordos e as decisões da Justiça, segundo entende Priscila Schvarcz, ajudam a criar uma conscientização sobre direitos profissionais na categoria. Inclusive, ela identifica que empresas do ramo de alimentação chegam a recrutar profissionais com baixo nível de instrução em cidades das redondezas e em vulnerabilidade que conhecem menos os direitos.  

Pedido de demissão

Outro contexto que os procuradores do MPT perceberam é que mulheres trabalhadoras do ramo costumam extinguir o vínculo após o nascimento dos filhos. Isso porque a jornada de trabalho começa por volta de 3h da manhã. 

“Essas características do setor tornam inviável às mães retomar as atividades porque elas não têm onde deixar a criança. Outra característica do setor é que há muitas trabalhadoras que não moram no município onde está instalado frigorífico”.

Nesses casos, o que se prevê é que a empresa disponibilize locais para a guarda dos filhos sob vigilância durante o período de trabalho para garantir que a mãe possa amamentar.

“A lei garante a essas mães que estão amamentando dois intervalos de 30 minutos durante a jornada de trabalho”. Segundo a representante do MPT, a maioria das mulheres não sabia que tinha esse direito.

Em geral, os contratos de trabalho dessas trabalhadoras são de 48 horas semanais a serem cumpridos em cinco dias. “Jornadas longas, trabalhos pesados e monótonos que exigem um elevado nível de concentração. É muito rápida a linha de produção executando uma mesma tarefa e um mesmo tipo de corte. Então é preciso prestar atenção o tempo inteiro”, diz a procuradora.

“O que a gente percebe é que a mulher paga um preço ao escolher ter uma família.”

O MPT explicou que a empresa se comprometeu com programa específico de gestão em saúde para gestantes, incluindo a busca ativa para identificação do estado gestacional, avaliação imediata dos riscos do posto de trabalho, realocação obrigatória diante de qualquer agente nocivo não neutralizado, acompanhamento médico multidisciplinar durante todo o período gestacional e capacitação contínua de lideranças.

Além disso, o acordo prevê atendimento presencial obrigatório por médico ou enfermeiro do trabalho antes de qualquer liberação e fornecimento de veículo exclusivo para transporte emergencial com disponibilidade de 24 horas por dia, em todos os turnos

O descumprimento de cláusulas pode gerar multa de R$ 50 mil por irregularidade constatada, além de R$ 20 mil por trabalhadora prejudicada. Os valores devem ser revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou ao Fundo de Direitos Difusos (FDD).

Empresa garante que respeita lei

A juíza do trabalho Priscila Assunção Lopes Nunes, da Vara do Trabalho da cidade, destacou que houve disposição das partes em fazer o acordo. 

Em nota à Agência Brasil, a MBRF garantiu que segue a “legislação vigente” e que garante o uso de equipamentos de proteção individuais para a equipe. 

A assessoria da empresa ainda argumentou que, conforme avaliação médica e com os atestados apresentados, não foi identificada correlação entre os casos citados no processo e as atividades desempenhadas. 

A empresa informou que vai apresentar defesa diante da ação do MPT e argumentou que tem um “programa estruturado de acompanhamento às gestantes, desde 2017”. 

“Esse acompanhamento incluiria suporte médico, adequações de função de acordo com a etapa gestacional e monitoramento contínuo”. Já teria havido prestação desse serviço a mais de 13 mil colaboradoras.

Fonte: Agência Brasil

Uber terá que indenizar passageira vítima de intolerância religiosa

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A Justiça da Paraíba condenou a plataforma de transporte urbano Uber a pagar indenização de R$ 15 mil a uma líder religiosa por danos morais.

O episódio que motivou o processo ocorreu no ano de 2024, em João Pessoa, cidade onde a mulher solicitou uma corrida pelo aplicativo e teve a viagem cancelada depois que o motorista identificou o local de partida como sendo um terreno de candomblé. Na ocasião, ele teria dito pelo chat da plataforma:  “sangue de Cristo tem poder… quem vai é outro… tô fora”, recusando-se a realizar o transporte.

O pedido de indenização da mulher foi negado em primeira instância e ela recorreu. Na decisão proferida nesta quinta-feira (5), o juiz José Ferreira Ramos Júnior, relator do processo, considerou que a plataforma falhou em garantir a segurança e o respeito “inerentes à sua atividade econômica”.  

Responsabilidade solidária

A Uber foi considerada responsável pela conduta do motorista por assumir os riscos inerentes à atividade que desempenha, respondendo “solidariamente” pelos atos praticados pelos condutores que usam a plataforma.

Conforme o magistrado, não se tratou de apenas um cancelamento de corrida mas, antes, um ato de real intolerância religiosa.

Na decisão foi destacada ainda a “lógica histórica de segregação” reforçada pelo episódio, lógica segundo a qual espaços sagrados afro-brasileiros são tratados como “indesejáveis ou moralmente inferiores”.

O magistrado acrescenta que as práticas persistem em ações como invasões, destruição de terreiros, ameaças para forçar conversão religiosa, demonização pública de religiões de matriz africana, entre outras atitudes.

“Condutas dessa natureza reforçam estereótipos discriminatórios, naturalizam a exclusão de pessoas negras e praticantes dessas religiões do pleno exercício de sua fé e contribuem para a perpetuação de desigualdades estruturais”, resumiu o juiz Antônio Silveira Neto, que acompanhou o voto do relator pelo pagamento da indenização.

Plataforma

Frente à condenação, a Uber reafirmou em nota o compromisso de “promover o respeito, igualdade e inclusão para todas as pessoas que utilizam o aplicativo”.  

A plataforma diz enviar constantemente materiais educativos e de conscientização para motoristas parceiros sobre racismo e discriminação. Entre as ações que afirma implementar a respeito do tema estão um episódio de um podcast que promove e “pílulas educativas regulares na Rádio Uber”, programa diário que mantém em uma rádio comercial.

Não é a primeira vez que a Uber é condenada por intolerância religiosa por parte de um de seus motoristas. No ano passado, por exemplo, a Justiça do Paraná se debruçou sobre o caso de uma consumidora do Estado que, ao sair de um terreiro da umbanda, solicitou uma corrida pelo aplicativo que, da mesma forma, foi cancelada. A justificativa: “macumbeiro não anda no meu carro”.

Fonte: Agência Brasil

CLDF celebra 45 anos do SindEnfermeiro-DF e debate pautas da saúde

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Fundado em 1981, o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF) foi homenageado pela Câmara Legislativa (CLDF) em sessão solene nesta sexta-feira (6). O evento foi uma iniciativa da presidente da Comissão de Saúde, a deputada e enfermeira Dayse Amarilio (PSB).

“A história dos 45 anos do Sindicato dos Enfermeiros conta a história de cada um de nós, conta a história de pessoas que plantaram sementes e hoje estamos colhendo”, definiu a parlamentar.

O evento reuniu representantes de entidades da categoria, profissionais da área e seus familiares para celebrar a trajetória do SindEnfermeiro-DF. Uma das principais conquistas citadas foi a obtenção, desde 2007, da carga horária de 20h para enfermeiros da Secretaria de Saúde do DF.

Enquanto isso, nacionalmente, a enfermagem luta para que o piso salarial seja aplicado a uma carga horária de 30h, medida prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19/2024, em tramitação no Senado Federal. A lei que estabeleceu o piso da categoria não determinou a carga horária, por isso o valor está sendo aplicado para 44 horas semanais, permitida a redução proporcional da remuneração para jornadas inferiores.

A PEC foi considerada uma das “pautas prioritárias” da enfermagem, pelos participantes do evento. Os profissionais também defenderam, entre outras questões:

•    O combate a iniciativas de “pejotização” ou “uberização”, por exemplo, a contratação, por meio de plataformas digitais, de profissionais da saúde para serviço de plantão, sem vínculos ou direitos trabalhistas;

•    O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com mais recursos no orçamento e a redução de terceirizações realizadas por meio de organizações sociais, associações e cooperativas.

“Infelizmente, nos últimos 20 a 30 anos, temos vivenciado um processo avançado de flexibilização e terceirização dos serviços”, analisou o presidente do SindEnfermeiro-DF, Jorge Henrique Filho. Ele afirmou que o governo local tem dedicado percentuais cada vez menores do orçamento para a saúde. “Não existe enfermagem forte dentro do SUS com um processo categórico de desfinanciamento da saúde pública do Distrito Federal”, avaliou.
 

O presidente do SindEnfermeiro-DF, Jorge Henrique Filho. Foto: Carlos Gandra/Agência CLDF

O líder sindical ressaltou que o avanço técnico e científico da enfermagem nas últimas décadas se confunde com a construção do Sistema Único de Saúde, previsto na Constituição Federal de 1988 e oficialmente criado em 1990. “O SUS é uma das maiores políticas públicas de saúde no mundo, é a nossa Big Tech”, classificou Jorge Henrique Filho.

União dos profissionais

Os participantes da solenidade incentivaram o engajamento de todos os enfermeiros nas demandas da categoria. “Às vezes é muito penoso se dedicar à luta coletiva, ainda mais em uma sociedade que celebra o individualismo. Mas, no final das contas, o que muda a conjuntura social e política e garante os direitos trabalhistas é a luta na rua, é a organização sindical do trabalhador, é bater na porta dos parlamentares”, defendeu a presidente da seção DF da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn-DF), Karine Afonseca. 
 

A presidente da seção DF da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn-DF), Karine Afonseca. Foto: Carlos Gandra/Agência CLDF

A deputada Dayse Amarilio também se pronunciou nesse sentido. “Nós só conseguimos falar quando temos o microfone, quando fortalecemos o nosso sindicato, quando paramos de reclamar no WhatsApp e afirmamos: ‘Eu posso sim fazer a construção de uma enfermagem mais forte’”, encorajou. “Quando um de nós está precarizado, todos estamos precarizados, isso desrespeita a todos nós”, disse a parlamentar.

Amarilio considera que “a maior função do sindicato é transformar a realidade social”. “Se a enfermagem fosse colocada em espaços de poder e decisão, o mundo seria mais democrático e a saúde seria melhor para todos. Nós teríamos uma sociedade mais justa”, analisou.

Ao final da sessão solene, Amarilio entregou moções de louvor a profissionais da área e também ao Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal, “em homenagem aos 45 anos de reconhecimento público, compromisso e legado de cuidado com a categoria”.

O evento completo pode ser assistido no YouTube da TV Câmara Distrital.

 

Fonte: Agência CLDF