“Estamos dando uma mensagem para o Brasil: um Estado que não tem equilíbrio fiscal, não tem governabilidade”, destacou o governador Ronaldo Caiado ao criar Fundo de Estabilização Fiscal (Fotos: Walter Folador e Wesley Costa)
Goiás inovou no cenário fiscal brasileiro com a criação do Fundo de Estabilização Econômica (FEG), visando garantir a solidez financeira ao Estado no enfrentamento de adversidades na economia ou de desastres naturais.
Ao anunciar a criação do FEG, nesta quinta-feira (20/03), em Goiânia, o governador Ronaldo Caiado afirmou que alcançar o equilíbrio fiscal foi fundamental para a implantação de políticas públicas que hoje fazem de Goiás referência para o país.
“Estamos dando uma mensagem para o Brasil: um Estado que não tem equilíbrio fiscal, não tem governabilidade”, reforçou.
A criação do Fundo de Estabilização Econômica, com reserva inicial estipulada em 1,5% do Produto Interno Bruno (PIB) de Goiás, será implantada por Lei Complementar que será enviada de imediato para Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
A estimativa é que o FEG seja iniciado com aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
“Sem o equilíbrio fiscal alcançado por Goiás, não conseguiríamos manter os serviços públicos como fazemos hoje”, afirmou Caiado, destacando o processo de recuperação iniciado quando chegou ao governo, em 2019.
“Hoje, atingimos o melhor grau de liquidez do país”, afirmou o governador (Fotos: Walter Folador e Wesley Costa)
Além de ser referência em gestão fiscal, o governador listou diversas áreas em que o Estado se destaca nacionalmente:
primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb),
selo único de transparência junto aos Tribunais de Contas,
líder no alcance dos serviços digitais,
exemplo de implantação efetiva das ações sociais e modelo de segurança pública.
O mecanismo fiscal foi criado para reservar recursos em períodos de arrecadação positiva e ser utilizado em momentos de crise econômica. Estratégico, o fundo reforça a posição de Goiás como referência nacional em gestão fiscal.
“Hoje, atingimos o melhor grau de liquidez do país”, afirmou o governador.
“Isso prova que, quando um Estado é bem gerido, há respeito ao dinheiro público e regras claras de aplicação, ele se torna autossuficiente e capaz de implementar políticas públicas com segurança”, destacou.
“Soa como música para nós um fundo de estabilização como esse. Nós tivemos fundos em outros anos que nós fomos contra porque vinham para tapar buraco”, destacou.
Estiveram presentes ainda auxiliares de governo, o presidente da Assembleia Legislativa (Alego), Bruno Peixoto, bem como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha.
“Não foi o RRF que nos legou à condição que estamos hoje. Foram as políticas implementadas e a rigidez fiscal”, pontuou o vice-governador Daniel Vilela (Fotos: Walter Folador e Wesley Costa)
Controle Fiscal
Entre 2016 e 2019, as despesas do Estado cresceram 26,06%, enquanto a receita avançou menos de 18,9%. Em 2019, eram R$ 7,6 bilhões em dívidas imediatas e a dívida total chegava a R$ 19,6 bilhões.
Passados seis anos, o Governo de Goiás implementou uma das mais robustas estratégias de controle fiscal entre os entes subnacionais.
Entre 2019 e 2024, as despesas correntes cresceram apenas 6,5%, enquanto a receita corrente teve alta de 23,8%. Desde 2021, o teto de gastos do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) manteve as despesas primárias estáveis.
Como resultado, o caixa estadual se aproxima de R$ 17,6 bilhões, com cerca de R$ 13 bilhões concentrados na Conta Única do Tesouro Estadual.
“Mais importante do que as ações específicas, é a postura da gestão do Estado de não ultrapassar aquilo que é possível ser feito com promessas populistas, e sim avançar como o Estado de Goiás merece”, reforçou o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, que apresentou a estruturação do fundo.
O FEG chega para assegurar a efetividade da política econômica, para além do RRF.
“Não foi o RRF que nos legou a condição que estamos hoje, se fosse assim todos os demais estados que estão no RRF estariam em boas condições e não estão. Foram as políticas implementadas e a rigidez fiscal”, pontuou o vice-governador Daniel Vilela.
Secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, apresentou a estruturação do fundo. “Mais importante que ações específicas, é a postura da gestão do Estado em não ultrapassar aquilo que é possível ser feito” (Fotos: Walter Folador e Wesley Costa)
Provimento
A reserva será abastecida com o excedente financeiro resultante do ano anterior. Ou seja, a parcela dos recursos que permanece após a quitação de todas as despesas e obrigações financeiras de curto prazo. Além disso, o Fundo poderá receber uma parte das receitas extraordinárias e não recorrentes do Estado.
O diretor-executivo do Instituto Mauro Borges (IMB), Erik Alencar, destacou que a iniciativa é recomendada internacionalmente e tem um desenho inédito baseado no percentual do PIB.
“Esse recurso tem de ficar no Fundo. Abaixo desse mínimo, o Fundo pode ser sacado sempre que estiver uma situação de calamidade decretada pela Alego ou uma frustração de arrecadação estrutural”, detalhou Erik Alencar.
“Acima desse limite mínimo, podem haver saques de forma discricionária, desde que para investimento exclusivo em infraestrutura”, explicou diretor-executivo do IMB.
O Brasil estreou com medalha de prata conquistada por Michel Augusto, de 20 anos, na abertura do Grand Slam de Tiblisi (Geórgia), que vai até domingo (23), com transmissão ao vivo no site JudoTV. Foi a primeira final de Grand Slam na carreira do paulista peso ligeiro (até 60 quilos). Na luta decisiva pelo pódio, ele foi superado no golden score pelo multimedalhista francês Luka Mkheidze, vice-campeão olímpico em Paris 2024. Esta é a segunda medalha de Michel nesta temporada do circuito mundial: no início do mês ele já conquistara bronze no Grand Prix da Áustria.
“Estou muito feliz com meu desempenho. Essa foi minha segunda medalha internacional do ano, e minha primeira em Grand Slam. Achei a competição muito forte, com todas as lutas. Deixei a medalha de ouro escapar, mas vou continuar treinando e dando meu melhor para, nas próximas, ser campeão”, comemorou Michel, número 62 no ranking mundial.
Para chegar à final, o paulista enfileirou três vitórias seguidas nesta sexta (21). Cabeça-de-chave número dois, ele estreou direto nas oitavas de final, derrotando com dois waza-ari o o brasileiro naturalizado português Rodrigo Lopes. Na sequência, nas quartas, superou o francês Enzo Jean com um yuko, e na semifinal venceu o anfitrião Tornike Maziashvili por waza-ara.
Outras estreias
Na disputa feminina em Tbilisi, Jéssica Lima teve a melhor performance ao terminar na sétima posição na categoria até 57 kg. Cabeça de chave 2, ela venceu a estreia nas oitavas contra a suíça Binta Ndiaye, com um yuko. No entanto, perdeu as lutas seguintes por ippon para a anfitriã Nino Loladze nas quartas, e para a mongol Ichinkhorloo Munkhtsedev, na repescagem.
O Brasil contou ainda com Natasha Ferreira (categoria até 48 kg), cabeça de chave, que perdeu a estreia nas oitavas para a espanhola Eva Pérez Soler. Estreante em Grand Slam, Clarice Ribeiro de 16 anos, venceu a primeira luta contara a anfitriã Julieta Rodonaia, mas foi superada em seguida, nas oitavas, pela francesa Shirine Boukli.
A delegação brasileira conta com 14 judocas no Grand Slam de Tbilisi.
Durante a manhã desta sexta-feira (21), foi realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal sessão solene para marcar o Dia Mundial da Síndrome de Down e enaltecer a inclusão das Pessoas com T21 (Trissomia 21 ou Síndrome de Down). Por iniciativa do deputado Eduardo Pedrosa (União), o evento buscou homenagear a luta das famílias e de associações pela autonomia das pessoas com Síndrome de Down (SD), enaltecendo formas de quebrar as barreiras sociais e proporcionar desenvolvimento e autonomia para pessoas com síndrome de Down.
A cerimônia teve início com uma criativa apresentação do grupo Dançarte Especial, reinterpretando o conto Alice no País das Maravilhas. “Olhe para mim. Você me vê atrás do espelho? Você já se sentiu excluído? Eu me sinto todos os dias”, afirma a personagem. Ao fim da apresentação, o deputado Eduardo Pedrosa agradeceu a participação. “Uma mensagem muito forte e bonita. Trouxe voz a muita gente, muitas famílias e associações. Que não fiquemos só nas leis, mas que isso se torne ações práticas”, declarou o parlamentar.
Para iniciar sua participação, Pedrosa fez sua autodescrição, buscando valorizar uma cerimônia inclusiva, tônica seguida por todos que tiveram oportunidade de falar. O deputado reforçou o objetivo do encontro. “Este ano o tema é: melhore nosso sistema de apoio. O objetivo é pedir às autoridades que melhorem o sistema de apoio para as pessoas com Síndrome de Down. Cada vez mais, as pessoas com SD desfrutam de uma vida saudável e produtiva. Elas podem, por sua independência, ser capazes de confrontar os discursos que insistiam em limitar a construção de laços sociais e profissionais”, destacou Pedrosa.
Maria Clara é assessora do deputado Eduardo Pedrosa
O parlamentar enfatizou ainda mais seu envolvimento com a causa. “Em meu gabinete tenho orgulho de contar com a assessoria da Maria Clara, que exerce suas habilidades e competências em igualdade de condições com qualquer outra pessoa. Creio que os pais devem incentivar o desenvolvimento autônomo de crianças e adolescentes com Down. Respeitar a privacidade dos filhos, incentivar a socialização com amigos e fomentar atividades extracurriculares são exemplos de práticas positivas que aceleram o desenvolvimento autônomo de quem tem SD”, ressaltou o deputado.
Por fim, Eduardo Pedrosa registrou que o trabalho vem produzindo frutos positivos. “Temos que lutar para garantir a efetividade de políticas públicas na educação, saúde, inclusão e empregabilidade. Temos tido conquistas como a aprovação da lei Cuidando de Quem Cuida, com foco em mães atípicas, a implementação da Casa da Mãe e do Pai Atípico e da construção do novo Centro de Referência Interdisciplinar em Síndrome de Down (CrisDown), cuja licitação está prevista para o segundo semestre deste ano. E teremos mais uma novidade que será a disponibilização da credencial de estacionamento digital pelo Detran/DF para as famílias e pessoas com SD. Tenho um compromisso com vocês de que vamos incomodar muita gente se for para garantir aquilo que é certo e de direito para cada um”, afirmou Pedrosa, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down.
A coordenadora dos autodefensores da frente parlamentar, Maria Clara Machado Israel, que trabalha na assessoria de gabinete do deputado Eduardo Pedrosa mostrou que toda pessoa com SD é capaz de brilhar. “Garantir igualdade para as pessoas com SD é fundamental para criar um mundo onde todos tenham sucesso e felicidade. Quando desenvolvemos nossas potencialidades, temos uma vida plena e nos sentimos pertencentes. Sou protagonista na minha vida. Quero ser respeitada e valorizada por quem eu sou. Esta sessão é um momento de reflexão para conscientizar a população de que nós temos luz própria”, garantiu Clarinha.
Já o ativista da Unicef, João Vitor Paiva, contou rapidamente a trajetória que o levou a ser considerado um dos cinco influenciadores com deficiência mais importantes do Brasil e exaltou o benefício social que busca com suas atividades. “Esse reconhecimento mostra o quanto meu trabalho tem feito a diferença na vida das pessoas”, agradeceu João Vitor.
A escritora Vitória Mesquita falou sobre a importância de a sociedade compreender como ajudar as pessoas com Síndrome de Down. “Muitas vezes precisamos de suporte. Suporte não é fazer por nós. É dar apoio correto para ajudar a termos autonomia e independência”, disse a jovem que conseguiu atualizar o conceito da síndrome no Google.
Por sua vez, o estudante e dançarino Isaías Kelvin Rodrigues Matos lembrou a relevância e função da data comemorativa. “A data foi criada para celebrar a vida das pessoas com o cromossomo T21, garantindo que tenhamos os mesmos direitos. Neste dia, no mundo todo, as pessoas e famílias participam de eventos para defender o nosso direito à inclusão”, contou Kelvin.
Em seu momento de fala, a diretora de Comunicação e Marketing do Instituto Ápice Down, Iarla Violatti, discorreu sobre a vida da mãe de pessoas com SD. “Ser mãe atípica não é um caminho fácil. Desde o primeiro instante, enfrentamos olhares duvidosos, diagnósticos cheios de limitações e uma sociedade que ainda precisa aprender a enxergar nossos filhos como eles são: capazes, cheios de potencial e dignos de oportunidades. Nossos filhos nos ensinam que a inclusão não é um favor, é um direito. Muitas vezes, eles ainda precisam que nós sejamos a sua voz. Nunca esqueçamos de que a nossa luta é para que um dia eles falem por si mesmos. A maternidade atípica é luta, mas acima de tudo é amor”, declarou Iarla.
A psicóloga Adriana Rodrigues de Souza narrou as dificuldades que ainda encontramos na sociedade. “É duro a gente ter que convencer uma autoridade de que nossos filhos precisam de terapia desde o início, por pura desinformação das autoridades. É duro a gente ter que convencer alguém na escola de que nossos filhos são capazes, de que eles não precisam estar ali só sendo distraídos, mas sim sendo estimulados e [recebendo] oportunidades para aprenderem. É duro ter que conscientizar pessoas dentro de empresas de que a pessoa com SD pode falar por si, basta perguntar para ela o que é preciso para ela ocupar seu espaço e desenvolver suas potencialidades. A luta é dura, mas fora da porta de casa nosso desafio é ainda maior”, disse Adriana.
Já a coordenadora do Centro de Referência Interdisciplinar em Síndrome de Down (CrisDown), Carolina Vale, enfatizou que o serviço é permanente e garantido a toda população. “Nosso centro de referência foi institucionalizado há um ano, com ajuda do deputado Eduardo Pedrosa, e isso garante a permanência desse centro de referência, independente do governo que assuma. O CrisDown é um serviço garantido. Recebemos cerca de 26 novas famílias mensalmente, crianças, idosos e adultos. Em 12 anos de existência são aproximadamente 2.500 pessoas cadastradas. O CrisDown está na base, na saúde. E a gente precisa investir no presente para poder modificar o futuro. Hoje podemos dizer que zeramos a fila de espera na pediatria, nossos adultos estão sendo atendidos, mas que não temos fonoaudiologia e perdemos 40 horas de terapia ocupacional e isso é de extrema importância para todo o segmento. Nossos planos, em uma sede própria, triplicam as oportunidades [de atendimento] e a possibilidade de levar as universidades conosco é real”, resumiu a coordenadora.
Com um currículo repleto de prêmios – entre eles, o Nobel da Paz de 2007, pelos trabalhos feitos em parceria com o ex-presidente norte-americano Al Gore –, o “cientista do solo” Rattan Lal diz que, ao contrário do que muitos pensam, a agricultura tem muito a contribuir para amenizar os efeitos danosos das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que pode garantir alimento à população como um todo.
“No entanto, isso só será possível caso os produtores sigam alguns princípios básicos”, diz o premiado cientista paquistanês.
Para ele, o que importa não é a quantidade de terra utilizada para a produção, mas a qualidade técnica adotada para o cultivo.
Em visita a Brasília, onde participa de um evento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre cooperações no setor agrícola entre Brasil e África, Rattan Lal disse à Agência Brasil, que natureza, agricultura e produtoresnão estão necessariamente em campos opostos.
“Podem e devem trabalhar juntos, um em favor do outro. Até porque a atividade agrícola também retira carbono da atmosfera”, argumentou o pesquisador.
Cinco princípios
Segundo o pesquisador, a garantia de uma produção suficiente de alimentos não está relacionada ao tamanho, mas à forma como a terra é usada. Para que isso seja possível, é necessário que os produtores tenham, em mente, cinco princípios básicos.
“O primeiro é o de não arar terra. Isso é péssimo. Esta é uma técnica antiga, que prejudica muito a qualidade do solo”, explicou. O segundo princípio citado por Lal é deixar a cobertura vegetal protegendo a terra, após a colheita. “Isso garante a proteção do solo.”
Em terceiro lugar está a gestão integrada de nutrientes para o solo. “Fertilização química só se faz quando ela é realmente necessária”. O quarto princípio a ser seguido pelos produtores é a rotação de culturas.
Por fim, em quinto lugar, está a integração, em um mesmo ambiente, entre lavoura, pecuária e florestas, complementou Lal, que considera “fundamental” a preservação de florestas como a Amazônica e a do Congo, no centro do continente africano, para garantir a retirada de carbono da atmosfera.
“Para que essas florestas sejam mantidas, é também importante remunerar as populações locais, para manter as árvores em pé”, acrescentou o cientista, ao defender políticas que estimulem a produção sustentável nessas regiões.
África
Sobre as parcerias entre Brasil e África – construídas com o objetivo de, com a expertise brasileira, melhorar a produção de alimentos nos países daquele continente –, Lal diz que serão positivas para ambas as partes.
Para os países africanos, a parceria representa acesso a conhecimentos que ajudarão no combate à fome. Para o Brasil, representa, além de empregos, a ampliação do conhecimento.
“O Brasil tem muito a aprender por lá para, depois, aplicar aqui, uma vez que Savana e Cerrado têm muitas similaridades. São solos considerados impuros, mas que podem ser trabalhados para a produção”, complementou.
Metade é suficiente
Rattan Lal lembra que há, no planeta, cerca de 8,2 bilhões de pessoas, e que, em 25 anos, esse número chegará a cerca de 10 bilhões. “Agricultura, nesse contexto, não é problema, mas solução porque todos precisam de alimentos”, argumentou.
Segundo o pesquisador, a área total utilizada para agricultura é de 5,2 bilhões de hectares, sendo 1,5 bilhão usado para a produção de alimentos e 3,7 bilhões de hectares, para a pecuária.
“Com a adoção de tecnologias já conhecidas, precisamos apenas da metade disso para garantir produção de grãos suficiente para alimentar toda a população do planeta”, acrescentou o cientista paquistanês, ao informar que cerca de 35% de todo alimento produzido acaba sendo jogado fora.
Produção urbana
Segundo Rattan Lal, há, nas grandes cidades, uma tendência cada vez maior da chamada agricultura urbana, que pode resultar em uma produção de alimentos saudáveis sem uso de terra, por meio de técnicas como as hidropônicas e as aeropônicas, que são feitas por meio da aplicação de nutrientes via água ou névoa.
Ele ressalta que 1 milhão de pessoas em cidades consomem 6 mil toneladas de comida por dia.
“Imagine uma cidade de 15 milhões de habitantes. Com a agricultura urbana há potencial para atender 20% da demanda por comidas frescas, como legumes, vegetais e ervas. São comidas saudáveis. E alimento saudável, todos sabemos, é medicina”, argumentou.
Paz e solo
Rattan Lal é, atualmente, professor emérito da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. Ele conquistou, além do Nobel da Paz com a equipe do ex-vice-presidente americano Al Gore, prêmios como o World Food Prize e o Arrell Global Food Innovation Award, em 2020, e o Japan Prize, em 2019.
Perguntado sobre o que, em sua área de atuação, possibilitou agregar a essa lista de premiações o Nobel da Paz, Rattan Lal é sucinto: “há uma relação direta entre paz e uso do solo, em especial para a produção de alimentos. Sem terra, povos e pessoas brigam. É, portanto, um assunto político, além de científico”.
A Delegacia de Repressão a Drogas (DRE) da Polícia Federal, realizou ontem (19) e hoje (20), no Rio de Janeiro, a destruição de diversas armas – fuzis, revólveres e pistolas – apreendidas em operações contra o crime organizado.
A ação contou com o apoio do Batalhão de Manutenção de Suprimento de Armamento do Exército, na Vila Militar, onde o armamento foi destruído.
Entre as armas destruídas estão 49 fuzis, 15 pistolas, seis revólveres e uma submetralhadora, além de carregadores e outros equipamentos. Muitas armas são da apreensão realizada durante a Operação War Dogs, deflagrada em outubro de 2023.
A Polícia Federal deflagrou a Operação War Dogs no dia 11 de outubro de 2023 para cumprir 10 mandados de busca e apreensão no Paraná e em Minas Gerais, em desfavor de um dos maiores fabricantes de armas do país.
Prisões
A ação de hoje (20) é um desdobramento do flagrante realizado no dia anterior pela Polícia Federal. Na ocasião, três homens foram presos com 47 fuzis e centenas de munições.
Após o flagrante, ainda na madrugada de hoje, a PF representou pelos mandados de busca e apreensão e pelo sequestro de bens dos presos em endereços residenciais e de empresas vinculadas aos criminosos, no Paraná e em Minas Gerais.
Em um dos locais, onde aparentemente funcionava uma fábrica de móveis, os policiais federais encontraram materiais, maquinários e caderno de anotações com manuais de instrução que indicam que o grupo criminoso realiza a fabricação e montagem de fuzis em Minas Gerais.
Os indícios apontam que o armamento é posteriormente enviado ao Rio de Janeiro, onde é comercializado e distribuído para criminosos que atuam em comunidades do estado.
Na residência do principal alvo da operação, os agentes apreenderam peças de fuzis, carregadores e munições, além de um veículo de luxo.
O nome da operação – War Dogs – faz alusão ao filme americano de 2016 – Cães de Guerra – que retrata o tráfico internacional de armas de fogo.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o sigilo bancário do cidadão pode ser quebrado por ordem judicial para obtenção de dados para cálculo de pensão alimentícia.
A decisão foi tomada na terça-feira (18) pela Terceira Turma do STJ e vale para um caso específico.
O colegiado negou um recurso para derrubar uma decisão da Justiça de São Paulo que autorizou o acesso aos dados bancários de um homem que se recusou a fornecer suas informações financeiras para a realização do cálculo da pensão devida ao filho menor de idade.
Por unanimidade, a turma seguiu voto proferido pelo relator, ministro Moura Ribeiro. O relator entendeu que a quebra de sigilo pode ser autorizada quando o alvo do pedido de pensão não fornece informações sobre sua renda.
“O direito ao sigilo bancário e fiscal não pode ser absoluto e, no caso que tem interesse de menor, pode ser relativizado quando houver interesse relevante com direito à alimentação do filho menor”, afirmou o ministro.
Os detalhes do caso não foram divulgados porque o processo está em segredo de Justiça.
Nesta sexta-feira (21), às 19h, a Câmara Legislativa do Distrito Federal sedia o seminário “Solidez in Loco”, promovido pelo Instituto Solidez (Soberania, Liberdade e Desenvolvimento). No evento, especialistas discutem o conservadorismo e a liberdade de expressão no contexto brasileiro atual.
O encontro será mediado pelos jornalistas Jorge Serrão e José Carlos Bernardi e pela presidente do Instituto Solidez, Zizi Martins. A deputada Paula Belmonte (Cidadania) e o deputado Thiago Manzoni (PL) também estarão presentes.
O papel do conservadorismo na sociedade contemporânea e o seu impacto no cenário político brasileiro, os desafios e limites da liberdade de expressão no país são alguns dos temas debatidos no seminário. O evento é aberto ao público.
O cenário não poderia ser mais especial: ao pôr do sol, com a vista deslumbrante do Lago Paranoá, 101 casais oficializarão sua união na primeira edição de 2025 do Casamento Comunitário, programa da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF). A cerimônia será realizada neste domingo (23), às 17h, no Pontão do Lago Sul, reunindo mais de 800 convidados, entre familiares, amigos e autoridades, para celebrar esse momento inesquecível.
Para muitos desses casais, o casamento já era uma realidade no dia a dia, mas a formalização legal sempre esteve fora do alcance devido aos altos custos envolvidos. O evento foi criado justamente para proporcionar essa oportunidade, garantindo que o sonho do “sim” se torne possível para aqueles que não podem arcar com as despesas de um casamento formal. Desde 2020, o programa já beneficiou mais de 440 casais em dez edições, promovendo cidadania e fortalecendo laços familiares.
Cada detalhe foi cuidadosamente planejado para que os noivos tenham uma experiência única. Eles chegarão ao local em carros de luxo (Uber Black) e percorrerão uma passarela exclusiva até o altar. O evento contará com palco para a cerimônia oficial, cadeiras para os convidados e um espaço reservado para o brinde e o corte do bolo.
Mais do que um momento simbólico, a oficialização do casamento traz inúmeros benefícios para os casais, como direitos sucessórios, acesso a pensão, inclusão em programas sociais e maior segurança jurídica para a família. Com essa iniciativa, a Sejus-DF reafirma o compromisso do GDF em garantir que todos tenham acesso à formalização da união, independentemente de sua condição financeira.
Histórias de amor que inspiram
O programa já mudou a vida de muitos casais, como Anailton dos Santos, 28, estoquista, e Tamiris Rodrigues, 35, cabeleireira. Eles se conheceram em um barzinho dançante de São Sebastião e, ao som da primeira música, sentiram que havia algo especial entre ambos. Com o tempo, construíram uma família unindo os filhos de relacionamentos anteriores, mas o casamento formal parecia um sonho distante devido aos altos custos.
“Será um dia emocionante não só para os noivos, mas para todos nós que trabalhamos para tornar isso possível. Ver a felicidade nos olhos de cada casal e suas famílias nos motiva a continuar”
Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania
Foi quando viram na televisão a oportunidade oferecida pelo Casamento Comunitário e decidiram se inscrever. “A cerimônia foi linda e mudou nossa vida. Desde então, só acumulamos conquistas”, conta Anailton. Tamiris, emocionada, reforça o impacto que o momento teve na relação: “O casamento fortaleceu ainda mais nosso compromisso e trouxe mais segurança para nossa família”.
Agora, a emoção toma conta de Elana Wendy, 28, atendente, e Marcelo Rodrigues, 30, motoboy, que serão um dos casais protagonistas deste domingo. Eles estão juntos há quatro anos e mal podem esperar para o grande dia. “Estamos contando os minutos. Não tem outra palavra para definir este momento além de realização de um sonho. Já me imagino dizendo ‘sim’ e colocando a aliança no dedo. A ansiedade só aumenta”, compartilha Elana, que participou do ensaio da cerimônia no último sábado (15), na Legião da Boa Vontade (LBV).
Um domingo especial para todos
Para a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, o Casamento Comunitário vai muito além da oficialização de uniões; ele resgata sonhos e fortalece laços familiares. “Esse programa representa dignidade, amor e uma nova etapa na vida dos casais. Muitas vezes, o sonho do casamento é adiado por dificuldades financeiras, e nosso objetivo é mudar essa realidade, proporcionando um momento inesquecível e acessível para todos”, afirma.
Ela também compartilha sua própria expectativa para a cerimônia de domingo. “Será um dia emocionante não só para os noivos, mas para todos nós que trabalhamos para tornar isso possível. Ver a felicidade nos olhos de cada casal e suas famílias nos motiva a continuar. Eu também estou contando os dias para esse grande momento”, conclui.
O Pontão do Lago Sul foi escolhido como palco do evento por seu ambiente acolhedor e romântico, à beira do Lago Paranoá. Conhecido por sediar grandes celebrações, o local oferece uma paisagem exuberante, tornando a cerimônia ainda mais especial para os casais e seus convidados.
Serviço
→ Data: Domingo (23) → Horário: 17h → Local: Pontão do Lago Sul – SHIS QL 10, Lote 1/30, Lago Sul.
O Ministério do Esporte respondeu nessa quinta-feira (20), por meio de nota, aos questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) que instaurou um inquérito civil para acompanhar a atuação do estado brasileiro e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no caso de racismo sofrido pelo jogador do Palmeiras, do time sub 20, Luighi Hanri Souza Santos, de 20 anos (foto). No dia 6 deste mês, no estádio Cerro Porteño, em partida contra o Paraguai, ele foi agredido por torcedores paraguaios por gestos que imitavam macaco.
A nota informa que “o combate ao racismo é pauta prioritária para o Ministério do Esporte, que tem manifestado com veemência o repúdio aos atos e vê com bons olhos a iniciativa do Ministério Público Federal, que está em absoluta sintonia com o posicionamento da pasta no trato dessa questão”, avaliou.
Em outro trecho, o Ministério do Esporte explicou que “recentemente, levamos ao ar – em nível nacional – por meio de variadas mídias, uma campanha publicitária de caráter educativo cujo tema central foi o combate à violência, em suas mais diversas formas, incluindo o preconceito e o racismo”.
Os dados resultantes do alcance da campanha “Cadeiras Vazias – um movimento de ocupação pela paz no futebol” demonstram que “o impacto foi extremamente positivo na medida em que houve a adesão de clubes, federações e confederações esportivas, emissoras de rádio e TV, torcidas organizadas, sites especializados e órgãos públicos”.
O ministério informou ainda, na nota, que propôs mudança na Lei Geral do Esporte diante do crescimento de casos de racismo nos estádios.
“Além disso, diante do inegável crescimento dos episódios de racismo registrados nos últimos tempos, principalmente nos estádios de futebol, nossa equipe técnica propôs a mudança da Lei Geral do Esporte, criando um requisito que obriga clubes, federações e confederações a adotarem medidas práticas contra os casos de racismo. Quem deixar de atender a este novo requisito ficará impedido de receber recursos públicos federais.”
Inclusão da Lei Geral do Esporte
A proposta foi encaminhada à Casa Civil e à Presidência da República. Após a análise nessas duas instâncias deverá ser encaminhada ao Congresso Nacional que decidirá sobre a sua inclusão na Lei Geral do Esporte.
“É importante observar que a própria Lei Geral do Esporte já considera a existência do crime de racismo, o que assegura aos órgãos competentes a adoção de ações penais sempre que julgar pertinente, diante do registro de um novo caso de racismo”, explicou o Ministério do Esporte.
Na ação, o Ministério Público Federal enviou ofício ao Ministério do Esporte para que preste informações, no prazo de 10 dias, sobre as medidas públicas que têm adotado ou pretende adotar neste campo. Outro ofício foi encaminhado para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). É para que informe no mesmo prazo as medidas adotadas para prevenir e enfrentar o racismo no futebol.