Recife, 3 de março de 2026
Romerinho Jatobá (PSB) , arquivou nesta terça‑feira o pedido de instauração de uma CPI que investigaria o prefeito João Campos (PSB) no caso do concurso de procurador conhecido como “Fura‑Fila”. A decisão reforça dúvidas sobre possíveis conflitos de interesses , já que uma empresa ligada à família do vereador tem contrato de prestação de serviços com a Secretaria de Saúde do Recife , com despesas somadas na ordem de R$ 3 milhões nos últimos anos.
A empresa é a RM Terceirização e Gestão de Recursos Humanos Ltda (CNPJ 05.465.222/0001‑01), que atua na terceirização de mão de obra para o setor público. Segundo bases de dados públicas, o sócio‑administrador da empresa é Romero Jatobá Cavalcanti Filho , pai do vereador Romerinho Jatobá, ocupando essa posição desde 2013.
Contrato de quase R$ 3 milhões com a Saúde
Na Prefeitura do Recife, a RM Terceirização é fornecedora do contrato 1014/2022 , com objeto de apoio administrativo e operacional à área de saúde, com prazo original de 12 meses e prorrogações via termos aditivos em 2023, 2024 e 2025.
Os registros de ações mostram, por exemplo, um valor de R$ 2.229.731,20 em 2024 (para apoio técnico administrativo) e outras ações de R$ 592.000,00 em 2025, ambos vinculados ao mesmo contrato e seus aditivos. Somando apenas esses itens já visíveis, o valor aproximado do contrato com a Secretaria de Saúde fica em torno de R$ 3 milhões , dentro de um conjunto de despesas ainda maiores, não totalmente consolidadas em bases abertas.
CPI “Fura‑Fila” arquivada sem passar pelo plenário
A CPI, protocolada pelo vereador Thiago Medina (PL) e assinada por 13 parlamentares (incluindo um membro do PT), atingiu o quórum mínimo para instalação sem necessidade de votação. O colegiado deveria apurar supostas irregularidades em um processo que teria favorecido um candidato não cotista em detrimento de um candidato com deficiência, configurando possíveis “fura‑fila” e má conduta na gestão de João Campos.
Mesmo com os requisitos formais necessários, Romerinho Jatobá optou por arquivar o pedido , alegando falta de “fato determinado” para a abertura da CPI — uma justificativa criticada pela oposição como política e não técnica .
Relacionamento comercial e suspeitas de conflito
A proximidade de interesses econômicos entre a gestão municipal e a empresa da família do vereador reforça a suspeita de que o relacionamento comercial influenciou a decisão de arquivar o pedido de investigação. Não há, até o momento, prova formal de troca direta de favores, mas o volume de cerca de R$ 3 milhões em contratos de apoio operacional para a Saúde do Recife cria um ambiente de dependência que justifica questionamentos públicos e maior transparência sobre a origem, execução e fiscalização desses contratos terceirizados.
(Fonte: dados públicos de portais de transparência da Prefeitura do Recife, TOME CONTA/TCE‑PE e Receita Federal, consolidados em março de 2026.)
