A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que o crédito deverá crescer 8,5% em 2025. O resultado do levantamento, feito com 22 bancos entre 14 e 19 de maio, mostra certa estabilidade ante o anterior, que foi de 8,6% em março, mantendo a perspectiva de alguma desaceleração do crescimento do crédito ao longo do ano.
A pesquisa mostra certa estabilidade com relação à expectativa de crescimento da carteira com recursos livres, com 8,1%. Na pesquisa anterior, o percentual foi de 8,2%.
Sobre o crédito destinado às famílias, a pesquisa revelou que pouco mais da metade (55%) dos analistas consultados acredita em crescimento próximo a dois dígitos ao longo do ano. O índice é pouco superior ao levantamento de março, quando 50% deles se manifestaram sobre o assunto.
“No geral, apesar do aumento relevante da incerteza no cenário internacional e a continuidade do ciclo de elevação da taxa Selic desde a realização da última pesquisa, as revisões para o crescimento do crédito foram bastante marginais”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
O diretor da entidade disse ainda que a percepção é de que o crédito, assim como a atividade – ainda que mostrem alguma desaceleração ao longo do ano – devem seguir com expansão interessante em 2025, “especialmente no caso das famílias beneficiadas pelo mercado de trabalho aquecido, contínuo crescimento dos benefícios sociais, além do lançamento do programa Crédito ao Trabalhador”.
O Congresso Nacional deu um prazo de 10 dias para o governo federal apresentar alguma alternativa ao decreto que elevou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que, segundo o governo, afetaria apenas as empresas e contribuintes mais ricos, e serviria para cumprir a meta fiscal.
Porém, as lideranças parlamentares alertaram ao governo sobre a possibilidade de derrubar a medida por meio de projetos de decreto legislativo (PDLs). O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que há uma insatisfação geral dos deputados com a proposta anunciada na semana passada.
“Combinamos que a equipe econômica tem 10 dias para apresentar um plano alternativo ao aumento do IOF. Algo que seja duradouro, consistente e que evite as gambiarras tributárias só para aumentar a arrecadação, prejudicando o país”, disse Motta em uma rede social.
Na sessão do Senado dessa quarta-feira (28), o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que a decisão de elevar o IOF usurpa as prerrogativas do Legislativo, acrescentando a possibilidade do Congresso sustar o decreto.
“Esse exemplo do IOF, dado pelo governo federal, seja o último daqueles, daquelas decisões tomadas pelo governo, tentando de certo modo usurpar as atribuições legislativas do Poder Legislativo. E, como presidente do Senado e do Congresso Nacional, eu vou defender todas as atribuições estabelecidas na Constituição”, afirmou no plenário.
Brasília (DF) 20/05/2025 O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que decisão de elevar o IOF usurpa as prerrogativas do Legislativo. Foto-arquivo: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Para o cientista político Leonardo Barreto, Alcolumbre quis dizer que o governo tornou o IOF, de um imposto regulatório, em arrecadatório e, sendo arrecadatório, teria que passar pelo Legislativo. “Mas é uma narrativa política, não algo constitucional ou administrativo, nada disso”, pontuou.
Após as sessões da Câmara e Senado, Alcolumbre e Motta se reuniram na noite dessa quarta-feira (29) para discutir o assunto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com a ministra das Relações Institucionais, GLeisi Hoffmann, acompanhados de lideranças do governo.
Brasília (DF), 22/05/2025 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lembrou que o governo já teve que contingenciar ou bloquear R$ 31,3 bilhões do Orçamento para alcançar a meta fiscal. Foto-arquivo: Valter Campanato/Agência Brasil
Na saída do encontro, Haddad informou aos jornalistas que explicou aos presidentes os problemas que o Estado brasileiro pode enfrentar caso o ajuste do IOF seja derrubado.
“Expliquei também as consequências disso, em caso de não aceitação da medida, o que acarretaria em termos de contingenciamento adicional. Nós ficaremos num patamar bastante limitado foi do ponto de vista do funcionamento da máquina pública do Estado brasileiro”, disse o ministro.
O ministro lembrou que o governo já teve que contingenciar ou bloquear R$ 31,3 bilhões do Orçamento para alcançar a meta fiscal estipulada pela regra do arcabouço fiscal. Já as receitas de cerca de R$ 20 bilhões com as mudanças no IOF seriam para completar o ajuste orçamentário.
Fernando Haddad acrescentou que os presidentes da Câmara e do Senado pediram a ele medidas de médio e longo prazo mais estruturantes, “que mexessem com outros aspectos do orçamento, como gasto primário, gasto tributário. Essa agenda interessa ao governo também”.
Porém, o ministro explicou que, no curto prazo, para 2025, medidas estruturas não dão um resultado fiscal imediato. “Temos certa dificuldade em virtude do fato de que existem normas constitucionais que obrigam a observação de noventena e de anualidade”, completou.
Entenda
O arcabouço fiscal aprovado no início do governo, que substituiu o teto de gastos criado pelo governo de Michel Temer, obriga a União a cumprir uma meta fiscal que define os gastos que o Estado pode ter a cada ano. Para cumprir essa meta, o Ministério da Fazenda anunciou um congelamento de R$ 31,3 bilhões para este ano.
Segundo a Fazenda, mesmo com o aumento das novas alíquotas do IOF anunciadas, elas estão em patamar inferior ao do governo anterior e atingiriam apenas os mais ricos e as empresas, sem afetar as pessoas físicas.
“Havia muita discrepância entre tratamentos diferentes porque tinha uma brecha. A gente fechou as brechas. Se você considerar as alíquotas praticadas ao longo de quatro anos do governo anterior, elas eram muito mais elevadas. Então, nós entendemos como um movimento correto fazer essa adequação de redução, mas corrigindo as distorções”, justificou Haddad ao anunciar as medidas.
Os trens da Linha 1-Azul estão circulando com velocidade reduzida e maior intervalo, na manhã desta quinta-feira (29), devido a uma falha no sistema de sinalização no trecho entre as estações Paraíso e Santa Cruz. As informações são do Metrô de São Paulo.
O problema começou por volta das 6h30. A situação impacta também as Linhas 3-Vermelha e 2-Verde, que operam com lentidão. Houve reflexo nas plataformas de algumas estações, que ficaram lotadas.
“Para maior segurança dos passageiros, foi adotada estratégia de controle de fluxo nas estações da Linha 1-Azule adotada estratégia de velocidade reduzida nos trens da Linha 3-Vermelha”, diz nota do Metrô.
Seguindo a programação da 6ª Semana Legislativa da Mulher, a Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou a mesa de conversa “Mulheres que inspiram” na tarde de quarta-feira (28). Mediado por Jane Marrocos, diretora da Escola do Legislativo, o evento contou com a participação da artista plástica Ana Paula Bernardes, da ativista Ilda Perles, da ex-deputada distrital Maria de Lourdes Abadia e da educadora Marla Angélica Costa. No encontro, as convidadas compartilharam suas trajetórias e experiências de vida.
Abrindo o evento, Marlla Angélica Costa, orientadora educacional, com formação em serviço social, pedagogia, teologia e história, compartilhou sua história pessoal, marcada por abuso, dependência química e situação de rua. Entre 2020 e 2024, atuou como conselheira tutelar em Arniqueira, destacando-se na proteção de crianças e adolescentes, o que lhe rendeu moções de louvor da Polícia Militar e da CLDF. Em seu discurso, Marlla Costa destacou a importância do apoio familiar e da fé para superar o vício em crack.
“Eu decidi, no dia 17 de outubro de 2011, a não fazer mais o uso do crack. Foi muito difícil o primeiro mês, me doía todo o corpo. Eu tive o apoio da minha família, tive pessoas ao meu lado, mas, acima de qualquer coisa, eu tive que entender que era tudo ou nada. Eu entendi que era um momento de mudar a minha vida, de mudar minha história”, relatou Marlla Costa.
Foto: Ângelo Pignaton/ Agência CLDF
A ex-deputada distrital Maria de Lourdes Abadia relembrou suas origens humildes, mencionando a mãe costureira e o pai jardineiro, que trabalhou na construção de Brasília. Nascida em Goiás, veio para a capital federal em 1960. Formada em serviço social pela Universidade de Brasília, foi a primeira mulher a administrar Ceilândia, cargo que ocupou por 14 anos. Em sua carreira política, foi deputada federal, deputada distrital e vice-governadora do Distrito Federal. Ela enfatizou o orgulho e o compromisso de representar a força, a luta e a importância da mulher na história e no desenvolvimento de Brasília.
“Quando eu subi a rampa do Palácio do Buriti para assinar a posse para governar Brasília, eu pensei em minha mão em costureira e lembrei do meu pai”, disse Maria Abadia. “Eu sinto que eu represento a força da mulher. Temos esse orgulho, esse compromisso de representar a luta e a importância da mulher na vida dessa cidade.”
Desafios
Ana Paula Bernardes, artista plástica e professora da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF), contou sua experiência na promoção do acesso à leitura e à informação em todo o Brasil. Em 2006, ela criou e passou a coordenar o projeto Roedores de Livros, iniciativa nacionalmente reconhecida, que, em 2011, foi premiado no 16º Concurso “Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura Junto a Crianças e Jovens de Todo o Brasil”, promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Em sua fala, destacou a importância e os desafios de manter o projeto ativo.
“Ser professora, mulher e mãe solo é um desafio. Manter o Roedores de Livros por 19 anos aberto na Ceilândia é um grande desafio. Nos últimos anos, eu tenho pensado muito sobre isso e qual futuro vamos seguir, para onde vamos”, disse Ana Bernardes. “Agora estou beirando a aposentadoria, como manter esse projeto tão lindo, essa biblioteca aberta mais tempo, no momento que a gente vai cansando e pensando também em descansar.”
Foto: Ângelo Pignaton/ Agência CLDF
Em seu discurso, a ativista Ilda Peliz relatou como os desafios pessoais, como a viuvez aos 25 anos sendo mãe de duas crianças e, posteriormente, a perda de uma filha para o câncer, fortaleceram sua trajetória de serviço público e filantropia. Ela presidiu a Abrace por 22 anos. Nesse período, Ilda idealizou e ajudou a construir o Bloco 1 do Hospital da Criança de Brasília (HCB), inaugurado em 2011. Ela também ocupou cargos importantes no Governo do Distrito Federal como secretária e foi secretária Nacional de Educação Especial no Ministério da Educação.
“Quem perde cônjuge é viúva, quem perde os pais é órfão, quem perde um filho nem tem nome, porque não é natural, não é previsível. Eu sempre estava armada para as lágrimas não descerem. Em vários momentos, tive vontade de parar, mas continuei pelas crianças que estiveram comigo hospedadas na casa de apoio. Tudo era muito dolorido, mas foram momentos de luta, aprendizado e crescimento pessoal”, relatou Ilda Peliz.
A mesa de conversa “Mulheres que inspiram” foi transmitida na TV Câmara Distrital, nos canais 9.3 (aberto), 11 da NET/Claro e 09 da Vivo, e pode ser reassistida no canal da CLDF no YouTube.
O ex-advogado-geral da União Bruno Bianco (foto) confirmou, nesta quinta-feira (29), no Supremo Tribunal Federal (STF), que o então presidente Jair Bolsonaro o indagou, em reunião após as eleições de 2022, sobre algum problema que pudesse ser usado para reverter o resultado das urnas.
Bianco foi ouvido como testemunha da defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que é réu na ação penal sobre trama golpista que teria operado para manter Bolsonaro no poder, mesmo após derrota no pleito.
“Houve uma reunião”, afirmou Bianco, em resposta ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que o indagou se, após o segundo turno, Bolsonaro o teria sondado sobre alguma “possiblidade jurídica de reverter os resultados das urnas”.
“Em relação ao tema que o senhor me pergunta, houve uma reunião”, reiterou Bianco. Tal encontro foi específico sobre como havia ocorrido o pleito eleitoral, se havia algum problema jurídico.”
De acordo com Bianco, o então presidente perguntou, na ocasião, após entrevista coletiva sobre a transição de governo, se o ex-AGU vislumbrava um caminho jurídico que pudesse servir para questionar o resultado das urnas.
“’O senhor vislumbra algum problema que possa ser questionado?”, perguntou Bolsonaro, segundo Bianco. “Respondi que, na minha ótica, a eleição havia ocorrido de maneira correta, sem nenhum tipo de problema jurídico.”
“Eu disse que não, que foi tudo realizado com transparência”, reforçou Bianco. “O presidente, pelo menos na minha frente, se deu por satisfeito.”
A consulta de Bolsonaro ao então ministro-chefe da AGU tinha aparecido em depoimento do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior à Polícia Federal (PF).
Ainda na fase do inquérito policial sobre o golpe, Baptista Júnior disse ter presenciado o ex-presidente perguntar se haveria alguma “alternativa jurídica” para reverter o resultado das urnas. Segundo o relato, a reunião se deu em 1º de novembro de 2022.
Nesta quinta-feira, Bianco deu o primeiro testemunho público, confirmando a reunião e a presença, no encontro, dos três comandantes das Forças Armadas à época – general Freire Gomes (Exército), brigadeiro Baptista Júnior (Aeronáutica) e almirante Almir Garnier (Marinha).
O então ministro da Defesa, o general reformado do Exército Paulo Sérgio Nogueira também participou, revelou Bianco. Ele disse não se recordar, contudo, se o ex-ministro da Justiça Anderson Torres estava presente.
Reunião
Além do ex-AGU, foram ouvidos nesta quinta outros dois ex-ministros do governo Bolsonaro: Wagner Rosário, ex-ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU); e Adolfo Sachsida, ex-ministro das Minas e Energia.
Ambos foram questionados sobre a reunião ministerial de 5 de julho de 2022, em que Bolsonaro pediu aos ministros presentes que se empenhassem em questionar o processo eleitoral. Um vídeo da reunião veio à tona em fevereiro de 2024.
Indagados se foram tratados temas golpistas na ocasião, Sachsida e Rosário negaram, bem como Bianco.
“Não, não senhor, não tivemos nenhuma discussão sobre isso. Todas as discussões elas versavam sobre possíveis fragilidades no sistema de votação eletrônica, o sistema de tecnologia e que pode ter problemas, então todas visavam se tivesse um resultado de eleição que fosse fidedigno”, disse Rosário em sua reposta.
Havia a previsão de que também falasse o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, mas ele acabou dispensado pelos advogados de Torres.
Entenda
A ação penal 2668 foi aberta depois que a Primeira Turma do Supremo aceitou a parte da denúncia da PGR relativa ao chamado núcleo “crucial” do golpe, composto pelo que seriam as principais cabeças do complô.
Entre os réus dessa ação penal está o próprio Bolsonaro, apontado pela PGR como líder e principal beneficiário da trama golpista, além de outros sete ex-ministros de seu governo e assessores próximos.
As testemunhas do caso começaram a ser ouvidas em 19 de maio, por meio de videoconferência. Uma nova audiência está marcada para a sexta-feira (30), às 8h, com outras testemunhas de defesa de Anderson Torres e também com o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes, arrolado pela defesa de Bolsonaro.
Na tarde de sexta (30), às 14h, estão marcados os testemunhos de mais oito testemunhas de Bolsonaro, incluindo os ex-ministros Gilson Machado (Turismo) e Eduardo Pazuello (Saúde).
As audiências são presididas pelo ministro Alexandre de Morares, relator do caso. Em despacho, ele proibiu qualquer tipo de gravação das audiências. Jornalistas foram autorizados a acompanhar as falas da sala da Primeira Turma, no Supremo.
A Procuradoria da Câmara Legislativa conseguiu reverter a anulação da Lei 7.470/2024, que criou o Na Hora Mulher. A iniciativa visa reunir, em um único local, representações de órgãos públicos especializados em suporte aos direitos das mulheres, em especial vítimas de violência. Na segunda-feira (26), o Supremo Tribunal Federal (STF) reformou a decisão jurídica que considerava a legislação inconstitucional. A lei voltou a entrar em vigor e agora aguarda regulamentação do poder Executivo para ser colocada em prática.
“Isso foi motivo de muita alegria. Foi uma larga vitória para a Câmara Legislativa, por unanimidade no Plenário do STF”, comemora o procurador legislativo Rodrigo Campestrini, que atuou no processo. “A decisão do STF é histórica”, classifica a autora do projeto, deputada Doutora Jane (MDB). “A validação da constitucionalidade da lei do Na Hora Mulher pelo Supremo Tribunal Federal representa mais uma vitória que temos em defesa das mulheres”, avalia a parlamentar.
A lei é de autoria da deputada Doutora Jane. Foto: Carolina Curi
Entenda o caso
No ano passado, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) declarou a inconstitucionalidade da lei, por invadir a competência do poder Executivo. O entendimento foi de que a norma afetaria a estrutura da Administração Pública e, portanto, somente poderia ser de iniciativa do governador.
A Câmara Legislativa recorreu ao STF, argumentando que a legislação apenas aprimorava uma política pública já existente. “Em verdade, a lei não estaria alterando a estrutura administrativa. Pois já existe o Na Hora. O objetivo da lei é pegar uma política pública que já existe e aperfeiçoar, com um olhar mais eficiente, com mais cuidados para as mulheres. Isso é permitido para o poder Legislativo”, explica Campestrini. Ele destaca que a defesa jurídica da procuradoria da Casa “é sempre no sentido de reconhecer que o poder Legislativo tem sim competência na condução e no aperfeiçoamento de políticas públicas em prol da população do DF”.
O procurador legislativo Rodrigo Campestrini. Foto: Carolina Curi.
Em seu voto, o ministro Flávio Dino, relator da matéria, declarou: “Nessa senda, como ressaltou a Câmara Legislativa do Distrito Federal, a legislação apenas criou política pública, com o objetivo de ‘combate à violência de gênero e à discriminação contra a mulher, amparada no princípio da igualdade material e no respeito à dignidade da pessoa humana (CF, arts. 1º, III; 3º, IV; 5º, caput e inc. I)’, o que não se sujeita à reserva de iniciativa”.
O ministro demonstrou que “a jurisprudência desta Suprema Corte se firmou no sentido de que a reserva de iniciativa do Chefe do Poder Executivo não exclui a atuação parlamentar em políticas públicas”. O STF manteve a inconstitucionalidade apenas dos artigos que abordavam a participação da Secretaria da Mulher. As atribuições das secretarias de Estado somente podem ser alteradas pelo governador.
Regulamentação
Para que as brasilienses tenham de fato acesso ao serviço, o GDF precisa regulamentar a lei. “O poder Executivo tem demonstrado sensibilidade e abertura para avançar na regulamentação. Embora ainda não tenhamos um prazo formal estabelecido, estamos otimistas de que, com a decisão do STF, haverá uma aceleração nesse processo”, considera a deputada Doutora Jane. Anteriormente, o governador Ibaneis Rocha havia vetado a lei. Depois de o veto ter sido derrubado no Plenário da CLDF, o GDF recorreu à justiça.
O Na Hora Mulher terá como objetivo principal agilizar o atendimento e garantir que as vítimas de violência recebam apoio, orientação jurídica, assistência psicológica, encaminhamentos para rede de proteção e, quando necessário, o acionamento da polícia.
“A ideia é que, em um único espaço, a mulher tenha acesso a uma ampla gama de serviços que hoje, muitas vezes, estão dispersos, dificultando ou mesmo inviabilizando o acesso integral a direitos básicos dessa mulher, que tem que lidar com vários problemas durante o dia. É um projeto robusto, pensado para acolher, proteger e empoderar a mulher, e com sensibilidade para se tornar um marco histórico, inclusive para o Brasil”, explica a parlamentar.
Como ficou a redação
Com a decisão do STF, estão válidos os seguintes artigos da Lei distrital 7.470/2024:
Art. 1º Fica criado o Na Hora Mulher – Serviço de Atendimento Imediato e Exclusivo à Mulher no Distrito Federal, que visa reunir, em um único local, representações de órgãos públicos federais e distritais, de forma articulada, para a prestação de serviços públicos em atenção à mulher.
Art. 2º O Na Hora Mulher tem como finalidade prestar atendimento de alto padrão de qualidade, eficiência e rapidez, facilitar o acesso da mulher aos serviços públicos, simplificar as obrigações de natureza burocrática, assim como ampliar os canais de comunicação entre o Estado e as mulheres.
Art. 4º As unidades do Na Hora Mulher são constituídas em regime de condomínio, formado por órgãos da administração direta, fundacional e autárquica, empresas públicas e sociedades de economia mista, órgãos públicos federais e empresas privadas prestadoras de serviços de utilidade pública que adiram ao programa.
Art. 6º Os empregados das empresas prestadoras de serviços ao Na Hora Mulher são por elas selecionados, treinados e reciclados, com o acompanhamento do órgão gestor do Na Hora Mulher, para o exercício de atividades de orientação e atendimento.
Parágrafo único. Para a prestação dos serviços, cabem aos órgãos parceiros integrantes da unidade de atendimento a seleção e o treinamento dos servidores e demais colaboradores, para execução das atividades específicas de cada órgão.
Art. 8º Compete ao Poder Executivo do Distrito Federal a regulamentação desta Lei.
Parágrafo único. A organização político-administrativa do Na Hora Mulher, no Distrito Federal, compete ao Poder Executivo do Distrito Federal.
Na noite desta quarta-feira (28), a Câmara Legislativa do Distrito Federal foi palco de uma sessão solene, proposta pela deputada Doutora Jane (MDB), que homenageou síndicos e síndicas, considerados verdadeiros guardiões da convivência urbana. O evento promoveu o debate sobre o combate à violência doméstica em condomínios.
Mais do que uma solenidade, o evento foi um grito coletivo pela valorização dessas lideranças comunitárias que, além da responsabilidade pela gestão predial, assumem cada vez mais um papel estratégico na prevenção e mediação de conflitos, especialmente os relacionados à violência doméstica.
“O síndico hoje é mais do que um gestor: é um elo de confiança, segurança e acolhimento para as famílias. E é preciso deixar claro: nenhuma agressão, seja física ou verbal, pode ser tolerada. Quem agride está sempre errado, pois existem leis e soluções para absolutamente tudo”, destacou, com firmeza, a deputada Doutora Jane.
O encontro reuniu lideranças importantes do setor, como Paulo Melo, presidente do Instituto Nacional de Condomínios e Cidades Inteligentes; Antonio Carlos Saraiva, do Sindicondomínio-DF; a advogada Priscila Pedroso; Emerson Tormann, da Assosíndicos-DF; e a síndica e líder comunitária Elizabethe Velasquez, entre outros nomes que receberam moção de louvor pela atuação exemplar.
Em um dos momentos mais marcantes, Paulo Melo ressaltou: “Sou síndico e tenho muito orgulho de representar esses heróis urbanos. Que essa noite não seja apenas de homenagem, mas de renovação do compromisso com a paz e o bem-estar em nossos ambientes”. A fala reforçou a importância do olhar atento dos síndicos, não apenas sobre as estruturas físicas dos edifícios, mas, sobretudo, sobre as vidas das pessoas que ali vivem.
A sessão também trouxe à tona a necessidade de conscientização sobre a possibilidade do anonimato nas denúncias, aspecto considerado essencial por Aldo Júnior, da Folha do Síndico: “Em 35 anos de mercado, nunca vimos ações como esta. São fundamentais para que possamos oferecer apoio e segurança a quem precisa”.
“Precisamos ter um olhar super atento nos ambientes e também provocar esse olhar em nossos colaboradores”, destacou Elizabethe Velasquez.
Doutora Jane acredita que o evento amplia a mobilização social e aponta caminhos para políticas públicas eficazes: “Este debate vai muito além dos muros dos condomínios. Ele envolve a construção de ambientes seguros, respeitosos e inclusivos para as mulheres, os idosos, os animais e toda a coletividade. É sobre reforçar a empatia e a responsabilidade social de cada um de nós”.
* Com informações da assessoria de imprensa da deputada Doutora Jane
Gestores e técnicos goianos celebram conquista em Paris. Reconhecimento internacional abre novas oportunidades para a pecuária goiana (Fotos: Agrodefesa)
A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu oficialmente que, a partir de agora, o Brasil é zona livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (29/05), durante a 92ª Sessão Geral da Assembleia dos Delegados Nacionais, em Paris, na França.
Entre os estados brasileiros que contribuíram decisivamente para essa conquista, Goiás se destaca pela excelência em vigilância sanitária e pela robustez de seu sistema de defesa agropecuária, reforçando sua posição de liderança no setor.
Ao comemorar a conquista, o governador Ronaldo Caiado ressalta o trabalho de parceria entre governo do Estado, entidades do setor e pecuaristas para alcançar o resultado positivo.
“É um momento histórico para Goiás. Já tínhamos o reconhecimento nacional, mas esse reconhecimento internacional agora coloca a produção goiana em outro nível de excelência. É Goiás mais uma vez na linha de frente. Vamos manter o forte trabalho de orientação e fiscalização para manter o status e aprimorar cada vez mais nossa produção”, afirma ele.
De acordo com o presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta Ramos, que acompanhou o anúncio do Brasil, a certificação consolida o trabalho técnico e estratégico realizado ao longo dos últimos anos no estado e insere Goiás no seleto grupo de regiões aptas a exportar produtos de origem animal para os mercados mais exigentes do mundo, como Japão e União Europeia.
Anúncio ocorreu nesta quinta-feira (29/05), em Paris, na França (Fotos: Agrodefesa)
“Esse marco reforça nosso compromisso com a sanidade animal e representa um salto de competitividade para toda a cadeia produtiva goiana. É motivo de orgulho para todos que ajudaram a construir essa conquista histórica”.
Uma comitiva goiana, composta por representantes da Agrodefesa e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), está na capital francesa e acompanhou todo o evento.
Esforço contínuo
O diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, Rafael Vieira, que é um dos participantes da Assembleia, afirma que o novo status é resultado de um esforço técnico contínuo e de uma política pública sólida.
“Goiás demonstrou que é possível proteger o rebanho com vigilância eficiente, sem depender da vacinação. Esse reconhecimento é um divisor de águas. Agora, mais do que nunca, nosso desafio é manter esse padrão de excelência e ampliar as oportunidades comerciais que se abrem a partir de agora”.
“A conquista do status de livre de febre aftosa sem vacinação representa um novo patamar para a pecuária goiana. É fruto de um trabalho técnico, integrado e comprometido com a sanidade animal, que fortalece a confiança nos nossos produtos e abre portas para novos mercados internacionais. Goiás mostra, mais uma vez, que está preparado para competir com excelência e responsabilidade no cenário global”.
Reconhecimento internacional é atribuído ao trabalho de vigilância constante executado por equipes capacitadas e a ações contínuas de monitoramento por parte do Governo de Goiás (Foto: Agrodefesa)
Trabalho de referência
A gerente de Sanidade Animal da Agrodefesa, Denise Toledo, que integra a comitiva goiana, destaca que essa conquista não ocorreu por acaso.
“Goiás já havia sido reconhecido há mais de um ano, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), como estado livre da febre aftosa sem vacinação. Desde a última campanha de imunização, em 2022, mantivemos uma vigilância constante, com equipes capacitadas, estrutura moderna e ações contínuas de monitoramento”, explica.
A coordenadora da Unidade Regional Rio Itiquira, Patrícia Silva, está também em Paris representando os servidores da agência que atuaram no campo, por meio do trabalho de educação sanitária, vigilância e monitoramento, para que Goiás conquistasse o novo status sanitário.
“Trabalhamos lado a lado com os produtores rurais, orientando, escutando e construindo confiança no processo. Isso foi fundamental para a adesão ao novo modelo. As equipes da Agrodefesa atuaram com excelência em cada etapa — da vigilância à comunicação”, informa.
O bilionário Elon Musk, presidente executivo da Tesla, está deixando o governo Trump após liderar uma tumultuada campanha de eficiência, durante a qual derrubou várias agências federais, mas acabou não conseguindo realizar as economias geracionais que buscava.
Seu “desligamento começará hoje à noite”, disse uma autoridade da Casa Branca à Reuters nessa quarta-feira (28), confirmando a saída de Musk do governo. Ontem, Musk usou sua plataforma de mídia social X para agradecer ao presidente Donald Trump, à medida que seu tempo como funcionário especial do governo no Departamento de Eficiência Governamental (Doge) chegava ao fim.
A saída foi rápida e sem cerimônia. Ele não teve uma conversa formal com Trump antes de anunciar a partida, de acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, que acrescentou que a saída foi decidida “em nível sênior da equipe”.
Embora as circunstâncias exatas de sua saída não tenham ficado imediatamente claras, ele sai um dia depois de criticar o projeto de lei tributário de Trump, chamando-o de muito caro e de uma medida que prejudicaria seu trabalho com o Serviço do Departamento de Eficiência Governamental.
Algumas autoridades graduadas da Casa Branca, incluindo o vice-chefe de gabinete, Stephen Miller, ficaram particularmente irritadas com esses comentários, e a Casa Branca foi forçada a ligar para senadores republicanos para reiterar o apoio de Trump ao pacote, disse uma fonte familiarizada com o assunto.
Embora Musk continue próximo ao presidente, sua saída ocorre após queda gradual, mas constante, em sua posição.
Após a posse de Trump, o bilionário emergiu rapidamente como força poderosa na órbita de Trump: hipervisível, impetuoso e livre de normas tradicionais. Na Conferência de Ação Política Conservadora, em fevereiro, ele mostrou uma motosserra metálica vermelha para receber aplausos. “Esta é a motosserra da burocracia”, declarou.
Na campanha eleitoral, Musk disse que o Doge conseguiria cortar pelo menos US$ 2 trilhões em gastos federais. Atualmente, o Doge estima que seus esforços tenham economizado US$ 175 bilhões até o momento, um número que a Reuters não conseguiu verificar de forma independente.
Musk não escondeu sua animosidade em relação à força de trabalho federal. Previu que a revogação do “privilégio da era covid” do teletrabalho desencadearia “uma onda de demissões em massa voluntárias que nós saudamos”.
Mas alguns membros do gabinete que inicialmente abraçaram a energia de Musk como alguém de fora passaram a desconfiar de suas táticas. Com o passar do tempo, eles se tornaram mais confiantes para reagir aos cortes de pessoal, incentivados pelo lembrete de Trump, no início de março, de que as decisões sobre a equipe cabiam aos secretários de departamento e não a Musk.
Musk entrou em conflito com três dos membros mais graduados do gabinete de Trump — o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Transportes, Sean Duffy, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Ele chamou o assessor comercial de Trump, Peter Navarro, de “idiota” e “mais burro do que um saco de tijolos”. Navarro rejeitou os insultos, dizendo: “Já me chamaram de coisas piores”.
Ao mesmo tempo, Musk começou a dar a entender que seu período no governo chegaria ao fim, conforme expressava frustração por não poder cortar gastos de forma mais agressiva.
Em teleconferência da Tesla, em 22 de abril, sinalizou que reduziria significativamente seu trabalho no governo para se concentrar em seus negócios.
“A situação da burocracia federal é muito pior do que eu imaginava”, disse Musk ao The Washington Post esta semana. “Eu achava que havia problemas, mas com certeza é uma batalha difícil tentar melhorar as coisas, para dizer o mínimo.”
O mandato de 130 dias de Musk como funcionário especial do governo na administração Trump estava previsto para expirar por volta de 30 de maio. O governo disse que os esforços do Doge para reestruturar e reduzir o governo federal continuarão.
A partir desta quinta-feira (29), todos os clientes do Banco do Brasil (BB) poderão usar o Pix automático. A instituição financeira foi a primeira a completar a fase de testes no Banco Central (BC).
O sucesso nos testes permitiu que o BB lance o Pix automático cerca de três semanas antes das demais instituições financeiras.
Pelo cronograma oficial, a ferramenta será lançada por outros bancos em 16 de junho, com pessoas físicas como pagadoras e empresas como recebedoras.
Nova função que facilita pagamentos recorrentes a empresas, o Pix Automático permite o agendamento de despesas periódicas, como contas de luz, mensalidades escolares, academias e serviços por assinatura.
A ferramenta deve substituir o débito automático e o boleto bancário.
O Banco do Brasil oferecerá diferenciais, como o agendamento de cobranças com até 90 dias de antecedência. Pelos critérios do BC, as cobranças podem ser agendadas com dois a dez dias de antecedência.
O BB também permitirá que a empresa divida o recebimento dos Pix em até seis contas diferentes
O débito automático requeria convênio da empresa com os bancos, o que na prática restringia a ferramenta a grandes empresas ou a empresas com tecnologia avançada.
Já o Pix Automático continuará a requerer convênio das empresas com os bancos, mas os procedimentos serão mais simples e automatizados.
Acesso
Para poder cobrar Pix Automático, a empresa deve ativar um convênio com o BB para administrar o recebimento dos recursos pelo BB Digital PJ, a versão do site do banco destinada a pessoas jurídicas. O processo pode ser feito via Interface de Programação de Aplicações (API) ou por arquivos padronizados.
No BB Digital PJ, a criação de uma cobrança pode ser feita em poucos passos, com o cliente pagador recebendo no celular uma notificação do tipo push com o pedido de autorização. Uma vez autorizada, a cobrança passa a ser automática, com valores fixos ou variáveis.
A cobrança também poderá ser ativada por meio de Códigos QR, que podem ser usados para adesão direta ao Pix Automático.
O recurso permite tanto a adesão imediata para pagamento da primeira cobrança recorrente como o pagamento inicial, com convite posterior para adesão à cobrança periódica
No caso do pagador, o cliente pode acompanhar, alterar ou cancelar as autorizações ativas diretamente pelo aplicativo do BB.
O banco também manterá comunicação constante com os usuários sobre o status das transações, incluindo avisos de liquidação e notificações sobre saldo insuficiente.
Pix agendado
O Pix Automático não se confunde com o Pix Agendado, lançado em 2024 e que também permite pagamentos recorrentes a empresas.
Nessa modalidade, o cliente digita a chave Pix do cobrador, mas a digitação do valor, do número de pagamentos e da periodicidade do débito cabe ao pagador.
Apesar de mais usado por micro e pequenas empresas, o Pix Agendado Recorrente era suscetível a erros de digitação por parte do pagador, com divergências em relação ao tipo de cobrança da empresa.
No caso do Pix Automático, os valores e as datas de pagamento são definidas pelo cobrador, com o pagante apenas autorizando o débito.