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Distritais pedem para GDF cessar derrubadas de casas até a aprovação do PDOT

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Na sessão desta quarta-feira (10), a galeria do plenário da Câmara Legislativa recebeu representantes de moradores das chamadas Áreas de Regularização de Interesse Social (Aris) do Distrito Federal, os quais, sob a coordenação do Movimento Vida e Água para as Aris, entregaram documento com demandas a serem incluídas no Plano Diretor de Ordenamento Territorial. A mobilização recebeu o apoio de vários deputados, que defenderam que o governo suspenda as operações de derrubada de moradias até a aprovação do PDOT.

“Espero que esta seja a primeira de muitas marchas e movimentos importantes em torno da disputa do território e pelo direito à moradia”, disse o deputado Fábio Felix (PSOL), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos e Socioambientais das Aris. “Só vamos arrancar a regularização no PDOT com luta, não tem outra forma”, emendou. Ainda em solidariedade à causa, Felix acrescentou: “Se o PDOT vai ser votado até dezembro, por que não parar as derrubadas até lá?”.

 

Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF

 

Dirigindo-se à galeria, o deputado Gabriel Magno (PT) destacou que as Aris são “áreas fundamentais para se pensar no desenvolvimento econômico, social e ambiental do DF” e elogiou a mobilização como “mais um alerta para a importância do debate em torno do PDOT”. O distrital também defendeu a interrupção imediata de todas as derrubadas.

Acompanhando os colegas, o deputado Rogério Morro da Cruz (PRD) destacou seu compromisso com a regularização e escrituração de terras e pregou: “O governo tem de cessar as derrubadas enquanto não for definido o que pode e o que não pode ficar”.

Por sua vez, o deputado Chico Vigilante (PT) elogiou a articulação continuada promovida pelo Movimento Água e Vida para as Aris, lembrando algumas conquistas, a exemplo da oferta de água tratada na Fazendinha, localizada no Sol Nascente.

A luta pela regularização de áreas e pelo direito à moradia também recebeu o apoio do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), e do primeiro vice-presidente da Casa, Ricardo Vale (PT). Ambos colocaram seus mandatos à disposição, bem como reforçaram o compromisso do Legislativo local com a garantia desse direito.

Fonte: Agência CLDF

Índice que corrige salários, INPC acumula 5,05% em 12 meses

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A inflação apurada pelo Índice Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou o mês de agosto em -0,21%. Resultado é a primeira deflação ─ queda média de preços ─ desde agosto de 2024, quando registrou -0,14%.

Agosto marca também o sexto mês seguido com perda de força do INPC. Em fevereiro, o índice chegou a bater 1,48%. Em julho fechou em 0,21%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 12 meses, o índice alcança 5,05%, abaixo dos 5,13% dos 12 meses terminados em julho.

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Usado para reajustes

O INPC é muito utilizado como indexador para cálculo de reajuste anual de salários de diversas categorias.

O salário mínimo, por exemplo, além de outras métricas, leva o INPC anual de novembro para se chegar ao valor no ano seguinte. O seguro-desemprego, o benefício e o teto do INSS são reajustados com base no resultado de dezembro.

Luz e comida

Em agosto, habitação foi o grupo que mais ajudou a derrubar a inflação. Ela caiu -1,04%, representando impacto de -0,18 ponto percentual (p.p.) no INPC. Grande parte desse alívio foi provocada pela conta de luz, que registrou redução de 4,32%.

A explicação principal está no Bônus Itaipu, desconto que as famílias receberam na conta de luz que compensou a bandeira tarifária vermelha 2, que adiciona R$ 7,87 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.

O segundo maior impacto negativo na inflação foi o preço dos alimentos, que recuou 0,54% em média (-0,13 p. p.). Foi a terceira deflação seguida desse grupo de preços.

Perfil do INPC

O INPC apura a inflação para as famílias com renda até cinco salários mínimos. Essa é a principal diferença para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como inflação oficial, responsável por medir a evolução do custo de vida de famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Atualmente o mínimo é R$ 1.518. 

O IBGE divulgou, também nesta quarta-feira, que o IPCA registrou -0,11% em agosto.

O instituto confere pesos diferentes aos grupos de preços pesquisados. No INPC, por exemplo, os alimentos representam 25% do índice, mais que no IPCA (21,86%), pois as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida. Na ótica inversa, o preço de passagem de avião pesa menos no INPC do que no IPCA.

De acordo com o IBGE, a apuração do INPC “tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, por meio da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento”.

A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Além de Brasília (DF) e das capitais Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Aracaju (SE).

Fonte: Agência Brasil

Na CCJ, Zambelli e aliados tentam desacreditar hacker que invadiu CNJ

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Para tentar salvar o mandato, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e aliados tentaram, nesta quarta-feira (10), desacreditar o hacker Walter Delgatti Netto em sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, que analisa a cassação da parlamentar.  

Delgatti foi condenado e preso pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na invasão do dia 4 de janeiro de 2023, o hacker incluiu um pedido de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

a deputada Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão como mandante do crime que teve o objetivo, segundo a sentença, de desacreditar a segurança do Judiciário e reforçar a versão, sem provas, de fraude na eleição de 2022. A urna, ao contrário do sistema do Judiciário, que não tem ligação com a internet, não podendo ser acessada à distância.

Para parlamentares que defendem a cassação imediata da Carla Zambelli, a oitiva de testemunhas na CCJ é uma manobra para atrasar a cassação da parlamentar. Não há prazo para finalizar a análise desse processo na CCJ.

O relator, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), reconheceu a possibilidade de pedir a íntegra dos autos do processo, como querem os colegas de partido de Zambelli, o que pode atrasar o desfecho da análise na CCJ.

A Constituição diz que deputados condenados em transito em julgado, como a Zambelli, devem perder o mandato. A perda, porém, deve ser confirmada pela Câmara.  

Delgatti ficou conhecido como hacker de Araraquara (SP) por ter invadido o celular de autoridades envolvidas na operação Lava Jato, ação que deu origem à Vaza Jato, série de reportagens que indicaram irregularidades da operação.  

O hacker chegou a ser preso na Operação Spoofing da Polícia Federal (PF), em 2019. Ele conta que conheceu a Zambelli, em agosto de 2022. Em seguida, em troca de uma promessa de empreso, Zambelli teria pedido para ele invadir os sistemas do Poder Judiciário, o que a parlamentar nega.

Carla e Delgatti

Presa na Itália e enfrentando um processo de extradição por ser foragida da Justiça brasileira, Zambelli participou da CCJ por videoconferência e sugeriu que o hacker Walter Delgatti Netto seria um mentiroso.

“O senhor disse que foi cinco vezes ao Ministério da Defesa e aí o ministro da Defesa te desmentiu, dizendo que nem te recebeu. Assim, ou a gente acredita em um hacker ou no ministro da Defesa, um general de quatro estrelas”, destacou Zambelli.

“Ambos são réus, né?”, retrucou Delgatti. O ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira, é réu por tentativa de golpe de Estado no STF.

Delgatti sustenta que orientou os técnicos da pasta da Defesa na formulação de relatório que tentaria desacreditar a segurança das urnas eletrônica. O general Paulo Sérgio Nogueira nega as acusações.

Ainda na sessão da CCJ, Zambelli negou que o hacker tivesse morado alguns dias na sua casa, insistindo que ele seria um mentiroso.

“Você diz que ficou 15 dias na minha casa. Eu estou dizendo que você passou algumas horas lá. E aí acredita quem quiser acreditar em mim, acredita, quem quiser acreditar em você, acredita”, afirmou a parlamentar presa.

“Ou então [acredita] nas câmeras, pois em seu apartamento tem câmeras”, rebateu Delgatti.

Aliados de Zambelli na CCJ lembraram que, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o 8 de janeiro, o hacker negou que tivesse morado na casa da deputada. Delgatti explicou que, na CPMI, entendeu errado a pergunta, mas que ficou lá por 14 a 20 dias

A defesa de Zambelli alega supostas contradições nos depoimentos de Delgatti, mas o hacker sustentou que as contradições são referentes apenas a datas, mas não das versões.

“Essa mudança que a defesa alega é a questão de datas, porque eu estou preso e quando eu fui ouvido, fica muito confuso para mim. Às vezes eu confundo agosto com setembro, mas são apenas datas. Não houve mudança de versões”, disse.

Abuso de prerrogativa

Na avaliação da deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), as oitivas marcadas na CCJ são um “abuso de prerrogativa” da parlamentar foragida e que a cassação deveria ser definida por ofício do presidente da Câmara.

“Ela foi condenada por orquestrar, manipular, orientar e organizar, junto com o hacker, a tentativa de invasão do sistema eleitoral brasileiro, do sistema judicial brasileiro, para deslegitimar as urnas eletrônicas e para deslegitimar o Judiciário, para criar a narrativa do golpe”, sustentou.

Já o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), sustentou que a Carla Zambelli é “perseguida” política e que eles vão lutar para impedir a cassação da parlamentar.

“Carla Zambelli representa 1 milhão de pessoas. Uma mulher não pode ser cassada por uma pessoa desqualificada como acabamos de ver”, disse, se referindo ao hacker Walter Delgatti Neto.

Provas materiais

Outro questionamento repetido por aliados da deputada na Câmara foi se o hacker tinha “provas materiais” de que Zambelli teria mandado ele invadir o sistema do CNJ.

Delgatti explicou que, todas as noites, apagava todas as mensagens porque estava proibido pela Justiça de acessar a internet, mas disse que a Polícia Federal (PF) teria encontrado essas provas no celular apreendido da Zambelli.

Alvarás de justiça

A deputada foragida também sustentou que foi condenada a 10 anos de prisão por causa de 15 alvarás de soltura de criminosos que Delgatti reconhece que ela não solicitou a inclusão desses alvarás.

“É por causa disso que eu estou respondendo a 10 anos de prisão. Porque se fosse só uma, se fosse só o mandado de prisão do Alexandre de Moraes, eu estaria respondendo alguns meses de prisão”, afirmou Carla Zambelli.

Delgatti também questionou essa afirmação.

“Vossa Excelência está desinformada. A pena de 10 anos não é devido a esses alvarás. A pena foi majorada porque o crime era continuado, que, com ou sem eles [os alvarás de soltura], seria majorada,” disse Delgatti.

O hacker argumentou que ele criou um robô no sistema para testar a emissão do pedido de prisão de Alexandre de Moraes e esse robô acabou emitindo esses alvarás, mas que não houve comunicação para as Varas Judiciais responsáveis, não gerando soltura de criminosos.

“Ele ficou meio que descontrolado e emitiu esses alvarás. Eu deixei esse robô lá porque, antes de emitir a ordem de prisão, eu tive que fazer alguns testes. Eu não ia, de forma amadora, tentar emitir uma ordem de prisão sem testar”, disse o hacker.

Pedofilia

Aliados da deputada Zambelli tentaram associar ele à vídeos de pedofilia encontrados pela PF em um dos seus computadores. Delgatti, por sua vez, rebateu que a PF reconheceu que ele nunca abriu esses vídeos e eles devem ter sido extraídos de dados de outros hackers.

“Eu invadi computadores de outros hackers porque eu podia aprender com eles para invadir sistemas. Só que alguns hackers usam vídeos de pedofilia para extorquir pessoas, infectando o computador deles com esses vídeos e ameaçando denunciar a polícia. Eu jamais abri nenhum desses vídeos”, explicou Delgatti.

 

Fonte: Agência Brasil

Lula diz que ligação de Roraima ao SIN é oportunidade econômica

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quarta-feira (10), do início dos testes de energização da linha de transmissão entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR).

A operação marca o início do processo de conexão eletroenergética de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o último estado da federação que estava isolado.

A interligação dará maior qualidade e segurança energética para a população com menos interrupções no fornecimento de energia.

Em evento na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Brasília, Lula afirmou que, agora, Roraima tem todas as condições para impulsionar seu desenvolvimento econômico.

“Estamos devolvendo a Boa Vista a cidadania que merece. Agora, os empresários que querem fazer investimento, Roraima tem uma possibilidade extraordinária de comércio exterior com o Suriname, Guiana, Trinidad e Tobago e com o Caribe”, disse Lula, contando que o estado poderá ter três vezes mais energia do que a consumida atualmente.

“Roraima tem essa possibilidade de ter um comércio forte com o Caribe, não apenas na venda de produtos de alimentação, mas também de produtos industrializados […]. Significa que o empresário que quiser fazer uma fábrica em Roraima para produzir coisas e exportar para o Caribe ou exportar mesmo para o centro-sul do país, estão dadas as condições”, acrescentou.

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A partir de 2001, Roraima passou a ser abastecida pela energia elétrica gerada na Venezuela, por uma linha inaugurada pelos então presidentes Hugo Chávez e Fernando Henrique Cardoso.

Entretanto, em março de 2019, o fornecimento foi interrompido pelo país vizinho e, desde então, o abastecimento passou a ser feito exclusivamente por usinas termelétricas a gás e óleo diesel, transportados diariamente por cerca de 120 caminhões-tanque que circulam entre Manaus e Boa Vista.

A conclusão das obras de energização permitirá a redução do consumo de combustíveis fósseis na região, com economia superior a R$ 600 milhões anuais nos custos. Esse valor é custeado pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um encargo para subsidiar os sistemas isolados, pago pelos consumidores através da tarifa de energia elétrica.

A nova linha de transmissão contribuirá ainda para diminuir a emissão de gases de efeito estufa em mais de 1 milhão de toneladas de gás carbônico por ano. As diversas usinas termelétricas da região serão, agora, desligadas.

O empreendimento compreende 724 quilômetros de linhas de transmissão e três subestações — Lechuga, no Amazonas, e Equador e Boa Vista, já em Roraima. Os investimentos somam R$ 2,6 bilhões.
 


Brasília (DF), 10/09/2025 - O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanha os testes de energização da linha de transmissão Manaus-Boa vista, que vai conectar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Foto: José Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF), 10/09/2025 - O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanha os testes de energização da linha de transmissão Manaus-Boa vista, que vai conectar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Foto: José Cruz/Agência Brasil

América do Sul

No evento, o presidente Lula defendeu a capacidade do Brasil em dar solução aos desafios do país. “O que a gente está demonstrando aqui é que o Brasil não deve nada a ninguém em se tratando de competência, resiliência e capacidade”, disse ao defender que haja integração eletroenergética de toda a América do Sul.

“Eu acho que esse sistema interligado possivelmente seja um modelo para o mundo. E o dia em que os presidentes da América do Sul tiverem consciência da importância de um sistema como esse, a gente pode interligar todo o potencial hídrico da América do Sul e a gente pode ser uma potência muito maior, fazendo com que nenhum país mais tenha problema de falta de energia porque a gente pode fazer transmissão de um para o outro na hora em que a gente quiser”, disse.

“Eu acho que vai levar um tempo ainda, mas eu acho que os governantes do mundo terão que compreender que quanto mais a gente estiver compartilhando as coisas bem-sucedidas, melhor será para o povo da nossa região.”

De acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, os projetos de interligação com outros países da América do Sul já estão em andamento, inclusive novamente com a Hidrelétrica de Guri, na Venezuela.

Ele explicou que a interligação Manaus-Boa Vista permitirá o escoamento de energia também no sentido contrário, da Venezuela e de futuras usinas hidrelétricas inventariadas em Roraima para o SIN.

Segundo Silveira, a nova linha tem capacidade de transmitir 1 gigawatts.

“Nós já somos interligados ao Paraguai através da maior usina de integração da América Latina, que é Itaipu Nacional. Nós somos interligados à Argentina e somos interligados ao Uruguai”, disse.

“E [a linha Manaus-Boa Vista] pode trazer de Guri os outros 750 megawatts que falta para o Brasil, porque ela está levando a energia do Brasil para Roraima, mas depois vai trazer da Venezuela e, no futuro, com o arco norte vai trazer também da Guiana”, explicou.

“Então, hoje ela vai ser utilizada só como 250 megawatts, mas ela pode trazer para o resto do Brasil 750 megawatts de uma energia muito mais barata do que o consumidor paga hoje que é energia de [usinas] térmicas a óleo”, completou Silveira.

A linha de transmissão Manaus-Boa Vista foi licitada em 2011 e deveria estar em operação desde 2015. O projeto enfrentou problemas no licenciamento ambiental, pois passa pela Terra Indígena Waimiri-Atroari, e por questionamentos sobre o valor do contrato.

A obra iniciada em 2021 é de responsabilidade da concessionária Transnorte Energia, formada pela estatal Eletronorte e a empresa Alupar, que ganhou a concessão do linhão.

Fonte: Agência Brasil

STF tem maioria para validar delação de Cid em ação sobre golpe

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta quarta-feira (10) maioria para validar a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro que contribuiu com as investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado

A maioria foi alcançada com o voto do ministro Luiz Fux, para quem o militar prestou informações úteis ao processo e deve manter parte dos benefícios previstos no acordo de colaboração firmado com a Polícia Federal (PF). 

Já tinham votado nesse sentido os ministros Alexandre de Mores e Flávio Dino, na terça (9). Nesse ponto, sobre a validade da delação, faltam os votos de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e responsável por conduzir os trabalhos. 

“Me parece desproporcional a anulação, a rescindibilidade dessa delação”, afirmou Fux.

Na terça, Moraes disse “beirar a litigância de má-fé” a insistência de alguns advogados em dizer que Cid caiu em dezenas de contradições durante os depoimentos. Os advogados reclamaram também de omissões de Mauro Cid, que somente após meses revelou detalhes importantes sobre a trama golpista. As defesas também apontaram para áudios publicados pela imprensa em que Cid aparece afirmando ter sido coagido pela PF a delatar. A defesa do tenente-coronel nega coação e sustenta que tudo foi dito de forma voluntária. 

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Divergências 

O julgamento de Bolsonaro e mais sete ex-auxiliares do alto escalão de seu governo foi retomado nesta quarta com o voto de Fux. Com exceção da validade da delação de Cid, o ministro divergiu nas demais questões preliminares suscitadas pelas defesas dois oito réus. 

Fux defendeu, por exemplo, a “incompetência absoluta” do Supremo para a ação, que a seu ver devia ter tramitado na primeira instância da Justiça Federal, por não envolver pessoas que atualmente ocupem cargo com foro privilegiado. 

O ministro também reconheceu o cerceamento de defesa no caso, devido ao curto tempo que os advogados tiveram para analisar uma quantidade imensa de dados. Por esse motivo, o processo deve ser anulado até a fase de recebimento da denúncia, votou Fux. 

Ele ainda opinou pela absolvição de todos os réus do crime de organização criminosa que, a seu ver, não ficou caracterizado. 

O julgamento, iniciado em 2 de setembro com a leitura do relatório por Moraes, continuou com as sustentações do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e das defesas dos réus. Os votos dos ministros começaram a ser proferidos nesta semana. Ainda estão previstas mais quatro sessões de julgamento, na quinta (11) e na sexta (12). 

Após votarem sobre a condenação ou absolvição dos réus, os ministros precisarão ainda discutir o tamanho das penas, de acordo com o nível de culpa de cada um, se alguma condenação for confirmada. 

Quem são os réus

Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;

Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;

Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro na chapa de 2022;

Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Crimes 

Todos os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição. 

A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. 

Fonte: Agência Brasil

Investimento global em merenda dobra e alimenta 80 milhões a mais

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Em todo o mundo, os países estão investindo mais em merenda escolar. O relatório O Estado da Alimentação Escolar no Mundo, divulgado nesta quarta-feira (10), mostra que o financiamento global para alimentação escolar mais que dobrou entre 2020 e 2024. Com isso, nesse período, 80 milhões de crianças, que não tinham acesso a alimentação na escola, passaram a contar com a merenda escolar.

O relatório é divulgado a cada dois anos pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP). Os dados mostram que o investimento global passou de US$ 43 bilhões em 2020 para US$ 84 bilhões em 2024. Esses valores equivalem a cerca de R$ 232 bilhões e R$ 454 bilhões, respectivamente, na cotação atual.

Segundo o relatório, desde 2020, houve um aumento de 20% no número de crianças atendidas com alimentação escolar em todo mundo, chegando a 466 milhões de estudantes em 2024. O número de países com políticas nacionais de alimentação escolar quase dobrou, no mesmo período, passando de 56 para 107.

De acordo com o estudo, o aumento do atendimento está ocorrendo “onde é mais necessário: países de baixa renda aumentaram em 60% o número de crianças atendidas nos últimos dois anos”, diz comunicado à imprensa. A África lidera esse avanço, com 20 milhões de crianças a mais sendo alimentadas por programas nacionais, com destaque para Quênia, Madagascar, Etiópia e Ruanda.

Segundo o diretor e representante do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas no Brasil, Daniel Balaban, os países estão cada vez mais compreendendo a importância desse investimento.

“O mais importante é que 99% desses valores são de orçamentos dos próprios países. Não é de empréstimo, são os próprios países colocando seus próprios orçamentos. E cada vez mais nós estamos vendo países pobres, pequenos, principalmente da África, entendendo a importância do investimento em alimentação escolar, porque é um investimento nas crianças, é um investimento na agricultura, é um investimento na educação, é um investimento na saúde. Então você tem um retorno”, diz.

 


Merenda escolar -  Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
Merenda escolar -  Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

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Impacto na aprendizagem

O relatório mostra que as refeições escolares contribuem para melhorar o desempenho cognitivo, as habilidades em matemática e a alfabetização.

“Nós fizemos uma pesquisa mostrando que exatamente aquelas crianças que recebem uma alimentação adequada conseguem ter melhores notas, ter melhor desempenho na escola”, diz Balaban.

“Quanto mais as crianças recebem alimentos nas escolas, mas elas têm os nutrientes necessários para que possam entender e compreender o que o professor está ministrando em sala de aula. Muitas vezes, a criança está tão fraca que vai caindo, e as pessoas pensam: ‘Ah, tá com preguiça, não dormiu à noite’. Mas é fome. A gente tem que compreender isso. Alimentada, a criança está esperta e está desperta”, acrescenta.

As merendas também trazem, de acordo com o relatório, retornos financeiros e sociais. Cada US$ 1 investido em merenda gera entre US$ 7 e US$ 35 em benefícios econômicos. Além disso, o estudo estima que alimentar 466 milhões de crianças gera cerca de 7,4 milhões de empregos em cozinhas escolares, além de empregos indiretos em logística, agricultura e cadeias de suprimento.

O estudo destaca ainda que modelos sustentáveis, como os programas de alimentação escolar com compras locais, promovem dietas saudáveis e sistemas alimentares enraizados nas economias locais e nacionais.

Protagonismo brasileiro

O relatório aponta o Brasil como uma das referências, com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que é um dos maiores do mundo. Atualmente, o programa fornece refeições diárias a quase 40 milhões de alunos em 150 mil escolas, totalizando 50 milhões de refeições por dia e um investimento anual de R$ 5,5 bilhões.

“O Brasil é um dos pioneiros no mundo. Em 2009, conseguiu aprovar uma lei de alimentação escolar que coloca que pelo menos 30% dos recursos que vão para alimentação têm que ser comprados diretamente dos agricultores familiares. Isso foi algo revolucionário, porque fez com que o agricultor familiar local pudesse vender parte da sua produção para a alimentação escolar. Antes disso, os alimentos eram comprados de comércios, de grandes redes, e o dinheiro nem ficava na comunidade”, ressalta Balaban.

O crescimento dos programas é, segundo a pesquisa, mais rápido nos países membros da Coalizão para a Alimentação Escolar, que é uma rede global liderada por mais de 100 governos e seis organismos regionais, com secretariado sediado no WFP e apoio de mais de 140 parceiros. Dois em cada três novos beneficiários estão em países da Coalizão. Atualmente, o Brasil é um dos presidentes da Coalizão, junto com Finlândia e França.

Além disso, o Brasil criou em 2011 o Centro de Excelência contra a Fome, em colaboração com o WFP, que hoje apoia mais de 80 países em todo o mundo no desenvolvimento de soluções sustentáveis para combater a fome e melhorar a nutrição por meio da alimentação escolar e outras estratégias de proteção social.

O relatório é lançado na semana anterior à 2ª Cúpula Mundial da Coalizão de Alimentação Escolar, que será realizada no Brasil, nos dias 18 e 19 de setembro, maior evento mundial sobre o tema, que reúne líderes do mundo todo para avaliar os avanços e mobilizar novas ações.

*Colaborou Lana Cristina, da TV Brasil.

Fonte: Agência Brasil

Concerto abre o Canto da Primavera em Pirenópolis

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Concerto abre o Canto da Primavera em Pirenópolis
Cerimônia de abertura contou com a apresentação da Orquestra Filarmônica de Goiás (Foto: Lucas-Diener)

A noite desta terça-feira (09/09) marcou a abertura oficial do 24º Canto da Primavera – Mostra Nacional de Música de Pirenópolis, em cerimônia realizada no Largo da Matriz, em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, um dos principais cartões postais da cidade. A cerimônia de abertura contou com a apresentação da Orquestra Filarmônica de Goiás.

Com o espaço lotado, o festival deu início a uma das edições mais grandiosas de sua história, reunindo 70 atrações locais, regionais e nacionais em uma programação totalmente gratuita, que segue até o dia 14 de setembro.

Orquestra preparou um repertório especial, reunindo composições conhecidas do público para abrir, de forma grandiosa, a programação do festival. O concerto na abertura do Canto da Primavera inaugura também o Projeto Filarmônica ao Ar Livre, que terá novas edições em parques e praças de Goiânia e no interior do estado.

Fomento à cultura

Em seu discurso, a secretária da Cultura Yara destacou a importância do festival como política pública de fomento à música em Goiás.

“Emocionante ver o que a gente conseguiu fazer com o Canto. E saber que aqui nessa abertura do festival a cidade está integrando o fomento à cultura com o nosso patrimônio histórico. Isso é maravilhoso, eu acredito que é um grande símbolo do que está sendo a gestão da cultura do Governo de Goiás nesses últimos anos. Nós estamos fazendo uma edição que nunca teve nenhuma parecida”, avalia.

Para Luana Ribeiro, Pró-Reitora de Extensão e Cultura da UFG, o festival é um impulsionador de legado cultural no estado.

“A gente se preocupa com o legado da arte e cultura, pensamos no fomento às políticas públicas de valorização e qualificação da arte no estado. Trouxemos, por exemplo, pela primeira vez, a realização de oficinas de técnicas musicais para dezenas de alunos das escolas municipais”, afirma.

Canto da Primavera

Com um total de 70 atrações musicais, número recorde na história do evento, o Canto da Primavera 2025 terá apresentações de artistas locais, regionais e nacionais, incluindo os shows de Ana Carolina, Xande de Pilares e Pato Fu.

A programação contempla ainda cortejos musicais pelas ruas históricas e uma série de apresentações instrumentais em espaços simbólicos de Pirenópolis.

Pela primeira vez, o festival contará com seis palcos oficiais: Palco Largo da Matriz Goiás Feito a Mão, Palco Cavalhódromo, Palco Coreto, Palco Teatro, Ponte de Pedra e Palco Prainha. Todos os espaços são próximos uns dos outros, possibilitando que o público percorra todo o circuito a pé, em um verdadeiro festival caminhável pelo patrimônio histórico da cidade.

Além dos shows, a edição deste ano traz novidades no eixo formativo, com oficinas de música em escolas públicas municipais, que irão preparar estudantes para participações especiais no evento. A iniciativa amplia o caráter educativo do Canto e reforça sua vocação como política pública de valorização da cultura musical em Goiás.

O festival é promovido pelo Governo de Goiás, por meio da Secult, com correalização da Universidade Federal de Goiás (UFG) e Fundação RTVE, e apoio das Secretarias de Estado da Retomada, da Infraestrutura (Seinfra) e de Esporte e Lazer (Seel), Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Goiás Social, Goiás Turismo, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Saneago, Sesc Goiás e Prefeitura de Pirenópolis.

Secretaria da Cultura – Governo de Goiás

Fonte: Portal Goiás

Flotilha para Gaza relata segundo ataque de drone contra barco

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A Global Sumud Flotilla (GSF), iniciativa de ajuda internacional para entregar suprimentos vitais a Gaza, disse nesta quarta-feira (10) que um de seus barcos foi atacado por um drone em um porto da Tunísia, o segundo ataque desse tipo em dois dias.

A GSF, que está tentando romper o bloqueio naval de Israel e entregar ajuda humanitária a Gaza, devastada pela guerra, usando barcos civis, informou em comunicado que todos os passageiros e tripulantes saíram ilesos.

A GSF relatou o primeiro ataque nessa terça-feira (9), afirmando que uma de suas embarcações havia sido atingida por um drone em águas tunisianas no porto de Sidi Bou Said, segundo informações que as autoridades do país disseram ser falsas.

Um porta-voz da Guarda Costeira da Tunísia não respondeu a uma ligação da Reuters.

Um dos organizadores da flotilha acusou Israel de realizar o ataque.

“Israel continua a violar a lei internacional e a nos aterrorizar. Navegaremos para romper o bloqueio em Gaza, não importa o que eles façam”, disse Saif Abukeshek, membro do comitê de direção da GSF, à Reuters.

Os militares israelenses não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A flotilha postou vídeo no Instagram do suposto ataque, mostrando um objeto luminoso atingindo o barco e fogo irrompendo a bordo. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o vídeo.

Após o ataque, centenas de pessoas se reuniram perto do porto, onde os barcos da flotilha estavam localizados no momento do incidente, agitando bandeiras palestinas e cantando slogans contra Israel e os Estados Unidos.

O grupo disse que o Alma, de bandeira britânica, sofreu danos causados por incêndio em seu convés superior e que uma investigação está em andamento.

Várias ambulâncias correram para o porto, enquanto uma testemunha da Reuters relatou que barcos da guarda costeira estavam perto do Alma.

A flotilha é apoiada por delegações de 44 países, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg e a política de esquerda portuguesa Mariana Mortágua.

*(Reportagem adicional de Ahmed Tolba)

*É proibida a reprodução deste conteúdo

Fonte: Agência Brasil

Inflação oficial recua 0,11% em agosto, menor resultado desde 2022

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A inflação oficial ficou negativa no mês de agosto, ou seja, os preços ficaram mais baratos em média. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês em -0,11%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em julho, o índice tinha ficado em 0,26%. Essa deflação (inflação negativa) é a primeira desde agosto de 2024 (-0,02%) e a mais intensa desde setembro de 2022 (-0,29%).

Com o resultado de agosto de 2025, o acumulado de 12 meses chega a 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses terminados em julho, mas ainda acima da meta do governo, de até 4,5%.

A conta de luz recuou 4,21% no mês, representando impacto negativo de 0,17 ponto percentual (p.p.), figurando como o subitem que mais puxou a inflação para baixo. Com isso, o grupo habitação recuou 0,90%. Esse recuo nesse conjunto de preços foi o maior para um mês de agosto desde o início do Plano Real, em 1994.

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A explicação está no chamado Bônus de Itaipu, desconto na conta que beneficiou 80,8 milhões de consumidores. Conforme adiantou a Agência Brasil, a bonificação compensou a bandeira tarifária vermelha 2, que adiciona R$ 7,87 na conta e luz a cada 100 Kwh consumidos.

No entanto, o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, antecipou que haverá “devolução” dessa deflação na conta de luz em setembro, uma vez que as faturas não terão mais o desconto. “No mês que vem terá variação mais alta”.

O grupo alimentação e bebidas (-0,46%) caiu pelo terceiro mês seguido. O de transportes (-0,27%) também ajudou a deixar o IPCA negativo IPCA. Nesses três meses, os alimentos acumularam queda de -0,91%. O de transportes (-0,27%) também ajudou a deixar o IPCA negativo.

Fernando Gonçalves calcula que os grupos habitação, alimentação e transportes somados representam -0,30 p.p. na inflação. “Sem eles, o resultado do IPCA de agosto ficaria em 0,43%”, diz.

Outros grupos

Os grupos comunicação e artigos de residência também tiveram deflação, os dois com -0,09% de variação e impacto nulo (0 p.p.) no índice.

Nos demais grupos, os preços subiram em média: educação (0,75%), saúde e cuidados pessoais (0,54%), vestuário (0,72%) e despesas pessoais (0,40%).

O índice de difusão, ou seja, o percentual dos 377 subitens que tiveram alta de preço ficou em 57% em agosto. Em julho, o índice tinha sido de 50%. Mas observados apenas os índices alimentícios, o índice de difusão caiu de 50% para 47% na passagem de julho para agosto.

Alimentos

A terceira queda seguida no grupo alimentação foi influenciada pela alimentação dentro de casa, que recuou 0,83%. O IBGE explica que a maior disponibilidade de produtos provocou queda de preços, com destaque para tomate (-13,39%), manga (-18,40%), arroz (-2,61%), café moído (-2,17%), mamão (-10,9%), batata-inglesa (-8,59%) e cebola (-8,69%).

Segundo Gonçalves, não é possível calcular se o tarifaço americano, iniciado em agosto, ajudou na derrubada desses preços. O menor envio de frutas brasileiras para os Estados Unidos pode ter contribuído para oferta maior desses alimentos aqui no Brasil, ajudando a baixar preços.

Já a alimentação fora do domicílio, que tinha subido 0,87% em julho, desacelerou para 0,50% em agosto.

Transportes

A deflação no grupo transporte (-0,27%) é explicada pelo preço das passagens aéreas, que ficaram 2,44% mais baratas em agosto, mês seguinte ao julho de férias escolares, quando a alta demanda joga os preços para cima.

Os combustíveis também recuaram (-0,89%). A gasolina, item com maior peso na cesta de produtos e serviços pesquisada pelo IBGE, baixou 0,94% em média, figurando como segundo subitem de maior impacto negativo (-0,05 p.p.) no IPCA.

O etanol (-0,82%) e o gás veicular (-1,27%) também caíram, enquanto o óleo diesel subiu 0,16%.

O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que a queda no preço da gasolina pode ser explicada pela nova determinação de mistura do etanol na gasolina, que subiu de 27% para 30% do produto final a partir de agosto

Educação

A alta de 0,75% do grupo educação em agosto é a maior para o mês desde 2016 (0,99%). A explicação está no reajuste de mensalidades nos cursos regulares (0,80%), principalmente por conta do ensino superior (1,26%) e ensino fundamental (0,65%). A alta dos cursos diversos (0,91%) foi influenciada pelos cursos de idiomas (1,87%). 

Gonçalves explicou que é comum alta nesse grupo em agosto, assim como acontece nos meses de fevereiro, também marcado por reajustes anuais. Em fevereiro de 2025, o encarecimento foi 4,7%.

Serviços e preços controlados

O IBGE separa os preços em dois grupos: serviços e preços monitorados. Os serviços são ligados a preços que acompanham a dinâmica da economia. Nesse grupo, o IPCA desacelerou de 0,59% para na passagem de julho para agosto.

Nos preços monitorados, que costumam ter os reajustes controlados pelo governo ou por contratos e não refletem diretamente o aquecimento ou esfriamento da economia, a inflação passou de 0,67% para 0,61%.

Inflação oficial

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.518.

A coleta de preços do IPCA é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

>> Entenda os diferentes índices de inflação 

O índice é a principal métrica para acompanhamento da política de metas de inflação. A meta atual estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta só é considerada descumprida se estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos, o que aconteceu em junho

*Matéria alterada às 10h34min. para acréscimo de informações.

 

Fonte: Agência Brasil

Senador Flávio ataca Moraes após voto para condenar Bolsonaro

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Logo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes finalizar seu voto a favor da condenação de Jair Bolsonaro, o filho do ex-presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) fez ataques ao magistrado e tentou desacreditar o julgamento na Corte.

“[O ministro Moraes] parecia o líder do governo do PT no Supremo, proferindo palavras sem embasamento jurídico, sem vinculação com absolutamente nenhuma prova, como quem está ali praticando uma vingança, porque, na cabeça dele, parece que Jair Bolsonaro queria matá-lo”, disse o filho do ex-presidente nesta terça-feira (9), no Salão Azul do Senado.

Jair Bolsonaro é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado para se manter no poder. As investigações apontam que existia a previsão de um plano entre os auxiliares do ex-presidente para matar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o ministro Moraes. Flávio voltou a acusar o Supremo de “perseguição” política.

Questionado se a fala do advogado do ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, o general Paulo Sérgio Nogueira, de que seu cliente atuou para demover o ex-presidente de tentar dar um golpe de Estado, compromete a versão da família Bolsonaro, Flávio sustentou que não.

“O que foi conversado lá e foi admitido foi estado de defesa ou de sítio, que está na Constituição, como não havia base para nada, foi todo mundo para casa e nada aconteceu. Como isso foi tentativa de golpe?”, rebateu.

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Os ex-comandantes da Aeronáutica no governo Bolsonaro, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, e do Exército, Marco Antonio Freire Gomes, confirmaram em depoimento que, em reunião no Palácio da Alvorada, no dia 7 de setembro de 2022, foram discutidas medidas para impedir a posse de Lula e suspender o resultado eleitoral.

Acusação contra Moraes

Durante a fala à imprensa, o senador Flávio se concentrou em acusar Moraes de “manipulação processual” ao sustentar ter supostas “provas” que seriam enviadas a todos os ministros do STF. Flávio pediu que o julgamento contra Bolsonaro seja suspenso até que a denúncia seja investigada.

“Que seja aberta uma investigação e que seja suspenso esse julgamento que está em andamento até que essa investigação seja concluída pelo bem da democracia”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil