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Corinthians goleia Boca Juniors e vai à semi da Libertadores Feminina

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Atual pentacampeão, o time feminino de futebol do Corinthians ficou mais perto de alcançar o hexa na tarde deste sábado (11). As Brabas avançaram às semifinais com goleada de 4 a 0 sobre o Boca Juniors no Estádio Francisco Urbano, na Argentina. O show do Timão teve hat-trick (três gols) da camisa 10 Gabi Zanotti, de 40 anos, artilheira da competição, com total de seis gols. A atacante Jhonson entrou no segundo tempo e em nove minutos em campo balançou a rede e completou o placar.

As adversárias das Brabas serão definidas no jogo de logo mais, às 20h (horário de Brasília), no duelo entre Ferroviária (Guerreiras Grenás) e a equipe equatoriana Dragonas Independiente del Valle. O terceiro time brasileiro nas quartas de final é o São Paulo que enfrenta o colombiano Deportivo Cali, às 20h de domingo (12), no Estádio Florêncio Sola, também na Argentina.

O jogo mal começou e a árbitra anotou pênalti: Bia Zanotti tentou dar um chapéu e a bola tocou no braço da zagueira Baccaro. A penalidade foi confirmada pelo VAR, e a própria Bia cobrou, aos seis minutos, abrindo o placar para as Brabas. Seis minutos depois, Zanotti balançou a rede de novo, aproveitando o escanteio marcado por Andressa Alves. Abaladas, as argentinas não conseguiam cruzar o meio campo. Já as brasileiras seguiram pressionando e conseguiram ampliar a vantagem para 3 a 0, novamente com ela, Bia Zanotti, desta vez de cabeça, após bela cobrança de falta de Duda Sampaio aos 40 minutos.

Na volta do intervalo, as Brabas mantiveram o ritmo intenso. Aos 16 minutos, Ariel Godoi finalizou com perigo, mas a goleira Oliveiros, do Boca, defendeu. A noite era mesmo do Corinthians: nove minutos após entrar em campo no lugar da camisa 10 Zanotti,  Jhonson completou a goleada de 4 a 0, após assistência de Letícia Monteiro aos 22 minutos. A partir daí, As Brabas administraram a vantagem, Do lado adversário, Kishi Núñez tentou o gol de honra em bolas chutadas de fora da área, mas finalizou todas para fora do gol.



Fonte: Agência Brasil

E-sports no JUBs: atletas avaliam prós e contras da profissionalização

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Tem torcida, tem disputa, tem final. Os e-sports invadiram os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) 2025. Na verdade, eles conquistaram um espaço monstruoso em todo país. Como em outros esportes, o sonho de se tornar profissional vem desde pequeno. Pode parecer fácil, trabalhar com seu momento de lazer, mas a rotina de um jogador profissional não é tão simples.

“Acordo oito horas da manhã, a partir das 10h já temos uma preparação. Depois vem o intervalo de almoço. Depois de uma da tarde ate oito horas da noite é treino. Você joga o jogo, reassiste, conversa sobre possibilidades boas e as ruins”.

A rotina é de David Luiz, chamado de Rosa. Ele cursa o terceiro período de Sistemas de Informação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campeã de League of Legends no JUBs 2025. Além de atleta universitário, Rosa é atleta profissional de e-sports. E sabe que está em um momento decisivo da vida.


avid Luiz Rosa, JUBs Natal 2025, E-sports
avid Luiz Rosa, JUBs Natal 2025, E-sports

“É uma carreira que, querendo ou não, não tem muita longevidade, os jogadores profissionais acabam perdendo desempemho por volta dos 24 anos”, pontua David Luiz, estudante do terceiro período de Sistemas de Informação na UTFPR – Celio Júnior/CBDU/Direitos Reservados

“Como jogador profissional, às vezes, você pode tirar um ótimo dinheiro, aproveitar ótimas oportunidades. É uma carreira que, querendo ou não, não tem muita longevidade, os jogadores profissionais acabam perdendo desempemho por volta dos 24 anos. Mas você pode ganhar muito dinheiro, tem jogadores no nosso cenário que ganham cerca de 100 mil reais por mês, os mais famosos. Só que, se eu me arriscar a chegar nesse patamar, eu posso perder um tempo que eu estaria fazendo estágio, estaria me especializando. É aquela balança que pondera para os dois lados. Uma hora você tem que decidir, mas é uma decisão árdua”, pondera David Luiz.

No JUBs os atletas jogam pelo titulo, de forma leve. O foco é você não deixar de lado seus estudos e seu esporte. Mas no ambiente profissional  nem sempre é assim.

 “A partir do momento que você não está se destacando mais, se acabou o seu contrato, você vai rodar. É um cenário que você tem que estar se reinventando, melhorando, aperfeiçoando, para você ter esse potencial para se destacar, para jogar em times grandes. Tem que estar disposto a viver esse sonho, porque tem muita cobrança. Não só do seu time, os times têm muitos fãs. Por exemplo, o time que eu jogava, tinha mais de 3 mil seguidores, e eles cobram”.


Washington Wu, E-sports, JUBs Natal 2025
Washington Wu, E-sports, JUBs Natal 2025

Washington Wu já foi profissional de e-sports, recebeu convite para jogar no exterior, mas optou por seguir na área acadêmica – Célio Júnior/CBDU/Direitos Reservados

Washington Wu, o Washin, é do time de Luiz no JUBs, a UTFPR Azure Bears. Ele fez o caminho inverso. Já foi profissional, recebeu convites para jogar em um dos maiores centros do mundo, a Coreia do Sul. Mas preferiu outro caminho.

“Com essa jornada de 16, 17 horas de jogo por dia, ficou bem cansativo mesmo. Não consegui acompanhar muito, fiquei para trás e decidi parar. Vou continuar nesse ramo acadêmico, profissional, buscar trabalho, virar um CLT”, projeta Washin.

Virar profissional tão cedo, treinar muito e sofrer pressão de torcida. Para o coordenador de e-sports da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), Sergio Medeiros, os e-sports precisam ser acompanhados e sempre atualizados.

“Os e-sports são muito desgastantes mentalmente. Então existe o desgaste do próprio jogo e existe a falta de preparação mental, de certa forma, para lidar com o ambiente de pressão”.

A atividade está em constante atualização: há pressão, retorno financeiro, competitividade. Qual caminho escolher? Na duvida, Washingtin Wu tem uma dica.

“Não se deixem afetar por este processo de pressão. Aproveitem a vida que sempre vai haver um caminho para o sucesso”.

* Maurício Costa viajou a Natal à convite da CBDU.

Fonte: Agência Brasil

Especialistas questionam escolha de prêmio Nobel da Paz

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Líderes, especialistas, governos e movimentos sociais criticaram a escolha da líder da extrema direita Venezuela para o Nobel da Paz. María Corina Machado é conhecida pelo apoio ao governo de Benjamin Netanyahu no genocídio em Gaza e tem repetidamente convocado a agressão armada contra a Venezuela.

O jornalista espanhol Ignacio Ramonet descreveu a situação como “a necrose de um Prêmio Nobel”.

“Conceder o Prêmio Nobel da Paz a alguém que constantemente defende invasões militares, golpes de Estado, revoltas e guerras é mais uma aberração da atual desordem internacional. É o mundo de cabeça para baixo. Está tornando realidade a distopia de Orwell, ‘1984’, na qual a verdade é mentira e a paz é guerra. Um triste e podre Prêmio Nobel”, observou.

Por sua vez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez afirmou que “a politização, o preconceito e o descrédito do Comitê Norueguês do Nobel da Paz atingiram limites inimagináveis”.

O líder cubano descreveu a concessão deste prêmio em 2025 a “uma pessoa que instiga a intervenção militar em sua pátria” como “vergonhosa”, chamando-a de “manobra política” para enfraquecer a liderança bolivariana.

O ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya Rosales declarou que “o Prêmio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado é uma afronta à história e aos povos que lutam por sua soberania. Conceder o prêmio a um golpista, aliado das elites financeiras e de interesses estrangeiros, é transformar o símbolo da paz em um instrumento do colonialismo moderno”.

“Nunca há paz quando aqueles que promovem sanções, bloqueios e guerras econômicas contra seu próprio povo são recompensados”, enfatizou Zelaya.

O Prêmio Nobel da Paz (1980), Adolfo Pérez Esquivel, destacou que “Corina Machado faz parte da política dos EUA contra o governo venezuelano”.

Ela recebeu o prêmio “não por ter trabalhado pela paz e pelo povo venezuelano. Estou preocupada que o Comitê Nobel tenha tomado essa decisão”, disse ela.

Enquanto isso, Michelle Ellner, coordenadora da campanha latino-americana da plataforma americana Codepink, afirmou que María Corina Machado não é um símbolo de paz ou progresso.

“Quando vi a manchete ‘María Corina Machado ganha o Prêmio da Paz’, quase ri do absurdo. Mas não ri, porque não há nada de engraçado em conceder o prêmio a alguém cujas políticas causaram tanto sofrimento. Qualquer pessoa que conheça suas ideias sabe que não há nada remotamente pacífico em suas políticas.”

Ellner acredita que a adesão da oposição extremista de direita venezuelana à agenda dos EUA significou sanções, ataques terroristas e privatizações para o povo venezuelano, o que ela comparou à situação em Gaza.

“Na Venezuela, essa aliança significou golpes, sanções e privatizações. Em Gaza, significa genocídio e a eliminação de um povo. A ideologia é a mesma: a crença de que algumas vidas são descartáveis, que a soberania é negociável e que a violência pode ser vendida como ordem”, observou.

Prêmio

Ao anunciar o nome de Maria Corina Machado para o Nobel da Paz, o Comitê Norueguês disse que ela foi laureada “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela”.

Em nota, o comitê diz diz o prêmio foi concedido “pelo trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

“Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”, afirmou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, em Oslo.

*É proibida a reprodução deste conteúdo

Fonte: Agência Brasil

Batalha de startups distribui R$ 200 mil em festival de inovação

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Subir ao palco, pegar o microfone e vender em três minutos uma solução tecnológica para algum problema produtivo do país. Em jogo, 20 prêmios de até R$ 15 mil para o empurrão inicial do negócio.

Foi com esse desafio que chegou ao último dia, neste sábado (11), a primeira edição do Curicaca, festival sobre tecnologia e sustentabilidade na indústria promovido em Brasília pelo governo federal com a participação de diversas entidades ligadas à indústria nacional.

O edital havia sido lançado em agosto pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e um dos responsáveis por realizar o Curicaca.  

Ao todo, 350 projetos se inscreveram para o Desafio Nacional de Inovação, concebido para ocorrer como uma “batalha de startups”, formato já bem conhecido por jovens empreendedores que viajam pelo país em busca de financiamento para ideias originais.


Brasília (DF), 11/10/2025 - Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF), 11/10/2025 - Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

“Para o nosso projeto esse tipo de rodada de pitching é muito comum”, conta Antônio Silveira, de 19 anos, um dos mais jovens integrantes de um projeto de extensão na Faculdade Tecnológica de Pompéia Shunji Nishimura, no interior de São Paulo, que se transformou em startup.

O grupo, hoje com 12 alunos integrantes, desenvolveu o projeto Vigilância Agrícola e Resposta Digital, integrando antigas técnicas de captura de pragas com análises de inteligência artificial que permitem otimizar a colocação das armadilhas de combate a bichos como os tripes, pequenos insetos que prejudicam a cultura do algodão e outras.

A ideia conta com financiamento inicial da própria faculdade e venceu recentemente uma outra “batalha”, dessa vez por R$ 15 mil, no Desafio de Inovação Holambra Cooperativa, uma das mais tradicionais disputas de soluções tecnológicas para a agroindústria.

“Esse primeiro suporte financeiro ajuda muito, a gente precisa. Hoje a gente tem um protótipo, mas queremos transformar em um produto comercializável, perseguindo também a patente tecnológica”, observou Silveira.

Curicaca

Realizado entre os dias 7 e 11 de outubro no Estádio Mané Garrincha (Arena BRB), com entrada gratuita, o Festival Curicaca foi criado neste ano pela ABDI com inspiração em grandes conferências de tecnologia internacionais que unem promoção da inovação, discussões acadêmicas, debates sobre desafios das indústrias, questões ambientais e programação cultural.

Foram quatro palcos que em cinco dias de evento receberam discussões sobre tecnologia, inovação e sustentabilidade para a indústria e o desenvolvimento.

Os debates foram divididos em dez “trilhas do conhecimento”:

  • Energia renovável e sustentabilidade energética;
  • Inovação em saúde e biotecnologia;
  • Transformação digital e Indústria 4.0;
  • Segurança e defesa tecnológica;
  • Indústria verde e economia circular;
  • Agroindústria sustentável e agricultura familiar;
  • Inovação social e desenvolvimento regional;
  • Políticas e regulação;
  • Infraestrutura sustentável e mobilidade verde;
  • Tecnologia criativa e inclusão digital.

Brasília (DF), 11/10/2025 - Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF), 11/10/2025 - Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Neste sábado (11), por exemplo, foram discutidos os temas “mulheres nas deep techs brasileiras”, sobre a presença feminina na ciência e inovação, e “narrativas que constroem ou desmontam: como a desinformação impacta a indústria e o que fazer diante das fake news?”.

À noite, o evento será encerrado com o show de Jorge Aragão, em palco montado no próprio Mané Garrincha. Em outros pontos de Brasília ocorrem outras apresentações musicais, com artistas como Dj Marky e bandas como Dead Fish.

O festival é uma das iniciativas previstas no programa Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial de longo prazo lançada pelo governo em 2024 e que prevê um investimento total de R$ 300 bilhões até 2026.  

O presidente da ABDI, Ricardo Capelli, descreveu o Festival Curicaca como um “esforço de aproximar indústria, inovação, universidades e institutos federais, para fortalecer e discutir a indústria do futuro, que não é mais feita de chaminé e fumaça, mas de inovação, biotecnologia e sustentabilidade”.

Além de investimento estatal direto, o evento foi em parte custeado pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura.

*Texto alterado às 18h25 para correção de informações sobre o valor dos prêmios

Fonte: Agência Brasil

Frente fria chega a São Paulo a partir de segunda com chuvas e ventos

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Uma nova frente fria, que deverá intensificar as instabilidades e provocar chuvas de moderada a forte intensidade mais generalizadas, chega a São Paulo no início da próxima semana. A Defesa Civil do estado emitiu alerta para a instabilidade, que deve provocar pancadas de chuva, rajadas de vento e queda de granizo em pontos isolados do território paulista.

Segundo a Defesa Civil, este sábado (11) permanece com muita nebulosidade e pancadas de chuva isoladas, especialmente na faixa leste paulista. Já entre o domingo (12) e a segunda-feira (13), a aproximação da frente fria favorecerá a ocorrência de chuvas acompanhadas de raios, rajadas de vento de forte intensidade e queda de granizo de forma pontual.

Os maiores acumulados de chuva devem ocorrer nas regiões do Vale do Ribeira e do litoral paulista, com rajadas de vento de forte intensidade. 

A orientação da Defesa Civil é a de que se redobre a atenção em áreas vulneráveis. O alerta é para alagamentos, queda de galhos e interrupções temporárias de energia elétrica.

Capital

Na cidade de São Paulo, este sábado teve sol aparecendo entre nuvens com temperaturas chegando aos 26°C e os índices de umidade próximos aos 55%. 

Os dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) mostram que outubro registrou até o momento 28,1mm de chuva, o que corresponde a aproximadamente 25,1% dos 112,2mm esperados.

Nas próximas horas a nebulosidade aumenta com a chegada da brisa marítima, o que favorece a ocorrência de chuvas rápidas e isoladas, principalmente nas regiões mais próximas da Serra do Mar, no extremo sul da Região Metropolitana de São Paulo. As temperaturas entram em gradativo declínio, com previsão de termômetros chegando aos 15°C no período da noite.

O domingo segue com sol entre nuvens e temperaturas em elevação, com os termômetros variando entre mínimas de 16°C e máximas que podem chegar aos 29°C, enquanto os índices de umidade devem atingir valores próximos aos 45%. Entre o final da tarde e o início da noite a aproximação de uma frente fria deve causar chuvas na forma de pancadas isoladas na Região Metropolitana de São Paulo.

Na segunda-feira (13), a propagação da frente fria pelo litoral paulista muda o tempo e as temperaturas devem variar entre mínimas de 18°C e máximas de 24°C. As pancadas de chuva variam de moderada a forte intensidade e devem atingir a região metropolitana no período da manhã. As rajadas de vento podem superar os 60Km/h, o que eleva o potencial para formação de alagamentos e queda de árvores.

A Defesa Civil municipal mantém toda a cidade em estado de atenção para baixas temperaturas desde às 10h10 de segunda-feira (6).

Fonte: Agência Brasil

Atleta do taekwondo se despede de seu último JUBs com tricampeonato

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A estudante Laura Paiva encerrou esta semana a última participação dela nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) com ouro. Aos 25 anos, ela foi a grande vencedora da categoria até 49kg no taekwondo e se tornou tricampeã dos Jubs. Dessa vez com uma grande diferença. A competição aconteceu em Natal e Laura pôde contar com a torcida da família e dos amigos. “Eu participo dos Jubs desde 2019, eu fechei um ciclo, eu fechei com chave de ouro, eu sou tricampeã, e contei com a minha torcida, com os meus pais, meus colegas de treino, então não teve sensação melhor”, festeja ela.

Laura é formada em Geografia e atualmente cursa o sexto período de Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e está no primeiro período do mestrado em Geografia na mesma universidade. Além das horas dedicadas ao estudo e aos treinos, ela também é professora de uma escola pública da comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Ceará Mirim. Uma rotina agitada.

“Não é fácil, e eu acredito que eu só consigo fazer tudo isso porque eu tenho realmente uma rede de apoio. Eu tenho meus pais, eu não moro mais com eles, mas eu tenho eles a todo momento, a toda hora que eu preciso. Eu tenho meu companheiro que também está pra cima e pra baixo comigo na hora que eu preciso. Sem eles eu não conseguiria˜, explica.


Laura Paiva, tricampeonato, JUBs Natal 2025, Taekwondo
Laura Paiva, tricampeonato, JUBs Natal 2025, Taekwondo

Além das horas dedicadas ao estudo e aos treinos, Laura Paiva também é professora de uma escola pública da comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Ceará Mirim (RN) – Paulo José/CBDU/Direitos Reservados

Mesmo com as dificuldades para encaixar tudo na agenda, Laura não abre mão da prática esportiva e acredita que ela traga muitos benefícios pra rotina.

“A mente do atleta eu vejo como uma mente diferenciada. A gente pratica não porque espera um resultado financeiro, mas pelo que a gente sente, pelo que a gente quer alcançar, pelos sonhos. Quando a gente coloca algo na cabeça, está acima de tudo. A gente vai realmente atrás daquilo que a gente quer. E eu acredito que hoje eu só consigo fazer tudo isso, tanto na vida esportiva, de atleta profissional, quanto na acadêmica, por causa do esporte”, revela.

O amor da Laura pelo esporte acabou contagiando também os alunos dela. “A gente tem que pensar muito no esporte para além do alto rendimento, mas o esporte como parte do desenvolvimento humano”, acredita. Laura conta que começou um projeto de taekwondo na escola em que trabalha e mais de 25 alunos conseguiram se classificar para a fase final dos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte (Jerns).

“Isso vindo de uma escola pública que é uma escola rural dentro de uma comunidade quilombola”, completa ela. Laura destaca que é gratificante ver o empenho dos alunos no esporte. “Eles conseguem viver ali aquela prática esportiva para além do que hoje em dia é muito comum pra adolescente, que são as redes sociais, as telas e tudo mais”, conclui.

* Verônica Dalcanal viajou a Natal à convite da Confederação Brasileira de Desportos Universitários.

Fonte: Agência Brasil

Lula visitará Papa Leão XIV durante visita a Roma

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será recebido pelo Papa Leão XIV, no Vaticano, na próxima segunda-feira (13). A informação é da Sala de Imprensa da Santa Sé.

A reunião entre Lula e o líder da Igreja Católica será a primeira desde que Leão XIV foi eleito o novo papa, em maio deste ano. 

Lula viaja neste sábado (11) para Roma para participar da Semana Mundial da Alimentação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e de uma série de encontros relacionados à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. O retorno para o Brasil será ainda no dia 13.

Lula também participará da reunião presencial do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza , da cerimônia de inauguração da sede do secretariado da Aliança, uma plataforma internacional destinada a coordenar programas sociais replicáveis em diferentes países.

Fonte: Agência Brasil

Fazendeiro planeja criar “universidade do búfalo” na Ilha de Marajó

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Celular? Videogame? Brinquedos eletrônicos? Em uma das áreas alagadas no município de Soure, na Ilha de Marajó, crianças se divertem nadando com búfalos. Elas têm a missão de adestrar os animais, mas o trabalho vira um detalhe entre saltos e mergulhos, que ajudam a amenizar o calor intenso da região.

O búfalo é o principal símbolo do Marajó, que tem o maior rebanho do país: estimativas variam entre 650 mil e 800 mil animais. A maior parte está nos municípios de Soure, Chaves e Cachoeira do Arari. Eles estão representados em estátuas na rua, são usados para transporte, policiamento e na gastronomia, como o famoso filé mignon com queijo.

A centralidade do animal fez a família proprietária da Fazenda e Empório Mironga planejar a criação de uma “universidade do búfalo”: o Centro de Estudos da Bubalinocultura. Ainda não há previsão de implementação do projeto, mas seria o primeiro no país dedicado à pesquisa sobre genética, manejo e aproveitamento integral do mamífero.

“Nós precisamos de gente para estudar melhor o búfalo: melhoramento genético, como agregar valor no leite, no couro, na carne, manejo, questão sanitária. Precisamos estudar e divulgar. Este centro não seria privilégio do veterinário ou do agrônomo, zootecnista e biólogo. Envolveria outras áreas como um tecnólogo de alimento, de turismo, medicina”, diz o fazendeiro Carlos Augusto Gouvêa, conhecido como Tonga.

Enquanto o projeto não sai do papel, a família organiza a “Vivência Mironga”, turismo pedagógico iniciado em 2017 que permite aos visitantes conhecerem o cotidiano da propriedade, a produção do queijo artesanal de leite de búfala e as práticas agroecológicas.

 


Soure (PA), 10/10/2025 - Carlos Augusto Gouvea, conhecido como Tonga, e a filha, Gabriela Gouvea, são os empreendedores da Fazenda Mironga. A fazenda produz queijos do leite de búfala e promove o turismo de experiência com o animal símbolo da Ilha de Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Soure (PA), 10/10/2025 - Carlos Augusto Gouvea, conhecido como Tonga, e a filha, Gabriela Gouvea, são os empreendedores da Fazenda Mironga. A fazenda produz queijos do leite de búfala e promove o turismo de experiência com o animal símbolo da Ilha de Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Soure (PA), 10/10/2025 – Carlos Augusto Gouvea, conhecido como Tonga, e a filha, Gabriela Gouvea, são os empreendedores da Fazenda Mironga. A fazenda produz queijos do leite de búfala e promove o turismo de experiência com o animal símbolo da Ilha de Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

“A gente produzia muito queijo e doce, e havia essa possibilidade de aumentar os negócios. Só que a gente tem uma área ilimitada, de 90 hectares. E a ideia não era produzir em escala maior. Foi quando entrou o turismo e paramos de tentar essa expansão da produção. Hoje, o turismo responde por dois terços da fazenda. Em setembro, tivemos um recorde de 400 visitantes”, diz Gabriela Gouvêa, filha de Tonga e presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQM).

O queijo do Marajó tem origem secular e é feito a partir de leite cru, com técnicas passadas de geração em geração. A luta pela legalização dessa produção foi longa e contou com a participação ativa da família, que ajudou a construir legislação sanitária específica para o queijo artesanal.

Em 2013, a queijaria da Mironga foi a primeira a obter inspeção oficial e, anos depois, o produto recebeu a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) participou do processo de diagnóstico, legalização e organização coletiva.

Culinária afetiva

 O Café Dona Bila, em Soure, se tornou um ponto de encontro entre a memória afetiva e a gastronomia regional. À frente do negócio está Lana Correia, empreendedora cearense que uniu a culinária nordestina — com cuscuz e tapioca — aos ingredientes típicos do Pará, com destaque para o queijo marajoara e a carne de búfalo.

“Comecei com delivery em 2023 e a demanda aumentou. Por isso, abri meu espaço físico. Queria que o café tivesse sabor e clima de casa”, conta Lana.“

As pessoas dizem que, quando comem aqui, lembram da infância, da casa da avó, dos tempos em que vinham à Praia do Amor [em frente ao estabelecimento]. Essa conexão emocional é o que torna o café especial”.

 


Soure (PA), 09/010/2025 -  Lana Correia, proprietária do Café da Dona Bila, em Soure. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Soure (PA), 09/010/2025 -  Lana Correia, proprietária do Café da Dona Bila, em Soure. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

À frente do Café Dona Bila Lana Correia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ambiente acolhedor e o cardápio cheio de referências familiares conquistaram moradores e turistas. Os pratos mais pedidos são a tapioca molhada (com recheios de queijo e carne), o bolo de milho cremoso e o cuscuz recheado.

De olho na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que vai ser realizada em Belém, em novembro, a empreendedora criou dois novos pratos que destacam ingredientes locais: o Cuscuz de Murrá, feito com filé de búfalo, e o Cuscuz Praia do Amor, com camarão regional e queijo do Marajó.

Lana vive em Soure há quatro anos e completou dois à frente do Café Dona Bila. Antes, trabalhou na área de educação superior, em Fortaleza e Belém, e foi no Marajó que descobriu sua paixão pela gastronomia.

“Eu cozinhava só para amigos. Aqui, descobri um talento que nem eu sabia que tinha”, diz Lana.

Ela teve o apoio do Sebrae em capacitações e articulações locais, e tem se firmado como um símbolo da nova geração de empreendedores marajoaras, mais atentos à valorização da cultura local.

Preocupações ambientais

Em que pesem as relações culturais e econômicas históricas do búfalo no Marajó, a produção e consumo dos derivados do búfalo têm desafios ambientais para enfrentar. A redução da emissão de gases do efeito estufa é o tema principal da COP30. O último levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), de 2023, indica a pecuária como segunda maior emissora do país, atrás apenas das mudanças de uso da terra.

Os bovinos, categoria dos quais o búfalo faz parte, foram responsáveis por emitir 405 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MTCO2e) nesse período. Isso ocorre pela liberação do gás metano (CH4) durante o processo de digestão do animal. Talvez seja esses um dos principais quebra-cabeças a serem estudados pelo futuro Centro de Estudos da Bubalinocultura.

*A equipe de reportagem da Agência Brasil viajou a convite do Sebrae.

 

 

Fonte: Agência Brasil

PM é baleado e morto durante romaria ao Santuário de Aparecida

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Um policial militar de 30 anos de idade que fazia a romaria até o Santuário Nacional de Aparecida foi morto a tiros durante um assalto na madrugada deste sábado (11) no trecho de Lorena da Rodovia Presidente Dutra. Ele trabalhava na corporação há 10 anos e deixa esposa e dois filhos, um menino de 4 anos e uma menina de 1 ano e 4 meses.

De acordo com as informações do Boletim de Ocorrência, equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizavam uma ação de fiscalização quando foram acionadas por um romeiro que relatou que seus pais haviam sido assaltados. Ao chegarem ao local, os agentes constataram que os suspeitos haviam fugido.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as autoridades foram informadas de que um policial militar e outros dois romeiros haviam sido atingidos por disparos de arma de fogo. 

“Todos foram socorridos a um hospital da região, mas o policial não resistiu aos ferimentos”, informa a SSP-SP em nota.

O caso foi registrado na Delegacia de Lorena como latrocínio e tentativa de latrocínio. A Polícia Civil faz diligências para identificar e localizar os autores do crime, a fim de esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido.

Fonte: Agência Brasil

Professores do Rio denunciam escolas que não pagam salários

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Em grupos e em redes sociais, professores do Rio de Janeiro, tanto da capital fluminense quanto de outras cidades do estado, trocam informações sobre escolas particulares. Além de divulgarem oportunidades de trabalho, eles alertam uns aos outros sobre instituições das quais, como dizem as mensagens, os docentes devem fugir. A Agência Brasil teve acesso a uma lista que circula nos grupos, com mais de 100 escolas que pagam com atraso ou que deixam de pagar salários e outros encargos trabalhistas aos professores. A lista inclui até mesmo escolas da zona sul, área nobre da cidade do Rio.

Ao lado das escolas há comentários que especificam os descumprimentos de normas trabalhistas como:

“Paga atrasado, te obriga assinar como se tivesse recebido certo e a dona pratica assédio moral”; “não assina carteira…atrasa e não paga…o coordenador que faz Pix direto da conta pessoal”; ou “Fujam, não pagam, quando professor aparece pra cobrar salários atrasados, as donas saem da escola antes que o professor apareça”.

Uma versão ampliada da lista, que circula pelo menos desde 2024, contém mais de 150 escolas, mas muitas delas já fecharam as portas. A maior parte daquelas que ainda constam como em funcionamento está localizada na zona norte carioca.

O professor João* é um dos professores que enfrentou o atraso nos pagamentos. Ele conta que já passou por duas instituições que não pagavam os devidos encargos trabalhistas. A primeira que trabalhou acumulou sucessivos atrasos até fechar as portas de vez. “A gente trabalhou de graça”, relata.

“Isso leva a uma alta rotatividade na escola. Não pagam os salários. Os professores acabam pedindo demissão e os alunos têm mais de um professor no mesmo ano. Isso é ruim inclusive para o ensino e aprendizagem dos estudantes”, diz.

O segundo colégio, na zona sul do Rio, também atrasou os pagamentos. A mensalidade da instituição de ensino é a partir de 2,4 mil por aluno. O salário do professor por todo o mês trabalhado é quase igual, R$ 2,5 mil. Ele conta ainda que nenhuma das duas escolas pagou sequer o transporte para que chegasse às salas de aula. “Em ambas as escolas, eu tive que pagar para trabalhar”.

Condições de trabalho

De acordo com o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), a situação de João não é isolada. Atualmente, o sindicato move 36 processos coletivos e cerca de três mil individuais por conta de descumprimentos de normas trabalhistas tanto em escolas quanto em faculdades, todas privadas. 

Para o diretor do Sinpro-Rio Afonso Celso Teixeira, não valorizar os professores é tratar a educação como mercadoria.

“É um problema que a gente está enfrentando e que está causando, inclusive, adoecimento mental do professor, porque quando você considera a educação como mercadoria, trata o estudante e as suas famílias como clientes que estão consumindo um produto, você passa a não ter mais a questão da relação humana e do aspecto libertador da educação”, diz.

Em 2022, o Grupo Rabbit, que presta consultoria em gestão educacional divulgou um levantamento que mostra que, em média, professores de escolas particulares recebem salários inferiores ao piso nacional do magistério em escolas públicas. Naquele ano, o piso era R$ 3.845. As menores médias salariais, nas particulares, entre professores da educação infantil, por exemplo, era R$ 2.250.

“É um desrespeito à profissão”, reforça Teixeira.

Endividamento das escolas particulares

No Brasil, cerca de um a cada cinco (20,2%) estudantes está matriculado em uma escola privada, segundo os dados do Censo Escolar 2024. Enquanto as matrículas na rede pública tiveram uma redução de 0,4% em relação a 2023, as matrículas nas escolas particulares aumentaram em 1%. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar com o maior percentual de estudantes na rede privada (30,9%), atrás apenas do Distrito Federal (32,3%).

Apesar da expansão do setor, nem todas as escolas estão bem financeiramente, segundo o presidente da Federação Intermunicipal de Sindicatos de Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Rio de Janeiro (Fisepe/RJ), Lucas Machado. Ele diz que cada escola tem uma situação específica, dependendo da região onde está localizada, do perfil socioeconômico dos estudantes que atende e do porte da própria instituição de ensino.

De acordo com Machado, no Rio de Janeiro, 70% das escolas são consideradas pequenas, ou seja, tem menos de 300 alunos. “É claro que a dificuldade dessas escolas pequenas é maior até no sentido de capacidade econômica”, diz.

Esse, no entanto, segundo o presidente da Fisepe/RJ, não é motivo para desvalorizar os professores. “O professor ali é uma peça chave para a gente poder fazer um bom trabalho nessas escolas. Então, se você chega ao ponto de ter algum tipo de endividamento com esse professor, seja com o salário atrasado, seja com um benefício que não esteja sendo cumprido, essa escola já está no processo de endividamento”.

Aplicação de multa

O atraso no pagamento dos funcionários configura uma irregularidade trabalhista e a escola pode ser multada e pode até mesmo ter que pagar o salário atrasado em dobro, de acordo com o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ).  


Brasília (DF) 10/10/2025 –  Promotor do MPT-RJ Cassio Luis Casagrande.
Foto: Cassio Luis Casagrande/X
Brasília (DF) 10/10/2025 –  Promotor do MPT-RJ Cassio Luis Casagrande.
Foto: Cassio Luis Casagrande/X

Brasília (DF) 10/10/2025 – Para o promotor do MPT-RJ Cassio Luis Casagrande, salário tem que ser pago até o quinto dia útil após o vencimento do mês trabalhado. Foto: Cassio Luis Casagrande/X – Cassio Luis Casagrande/X

“O salário precisa ser pago até o quinto dia útil após o vencimento do mês trabalhado. Se há um atraso de mais do que esses cinco dias úteis, já há uma irregularidade e a escola pode ser multada pelo Ministério do Trabalho”, diz o promotor do trabalho do MPT-RJ Cassio Luis Casagrande.

“A escola pode ser condenada a pagar os salários em atraso em dobro. Porque o não pagamento de salários, se não for pago em juízo, implica na dobra, com uma multa de 100%”, acrescenta.

Casagrande ressalta que os professores são trabalhadores como quaisquer outros e que, portanto, estão sujeitos às mesmas leis e proteções. Eles têm, portanto, direito a manifestações e greves. 

“Independentemente de ser escola ou não, a legislação trabalhista vai ser aplicada”, diz. “Não existe nenhum tratamento na lei diferente pelo fato de eles serem professores, inclusive para efeitos de greve. Os professores podem fazer greve nas escolas privadas, não há óbice algum”, explica.

O que pode ser feito

A orientação do Sinpro-RJ para os professores que estão nessa situação é buscar o sindicato. À entidade caberá ouvir os professores para entender a situação e dar o encaminhamento pertinente para cada caso. O sindicato irá buscar também cada escola para tentar uma negociação. Caso isso não funcione, o caminho será abrir um processo judicial e, se for o caso, acionar o MPT.

“Se a escola quiser resolver o problema, mas não tem condição de fazer isso imediatamente, a gente vai negociando, tentando chegar a uma proposta que seja considerada razoável”, diz o diretor do Sinpro-Rio Afonso Celso Teixeira. Ele acrescenta que quem dá a palavra final são os professores, que julgarão se a proposta atende às necessidades deles.

Ter a intermediação do sindicato pode ajudar no cumprimento dos acordos, segundo o diretor. “Por que é importante a mediação do sindicato? Porque caso a escola não cumpra, a gente sempre coloca uma multa por descumprimento, pois o contrato é homologado na Justiça”, explica.

Do lado das escolas, o Fisepe/RJ também recomenda que as instituições procurem os sindicatos patronais que atuam na região, pois obterão orientações jurídicas, contábeis e econômicas. “Os sindicatos têm uma possibilidade de fornecer e capacitar as entidades educacionais para a melhor tomada de decisão”, diz o presidente do Fisepe/RJ, Lucas Machado.

Machado acrescenta que os problemas para o não pagamento podem ser muitos assim como as possíveis soluções. “Uma coisa é o problema da falta de aluno, isso é um problema, outra coisa é um problema de endividamento por questão tributária, é outra conversa completamente diferente. A gente precisaria, caso a caso, identificar qual é o problema”, diz.

O não pagamento dos salários dos professores é, segundo ele, uma medida extrema. “Se existe uma margem para possibilidade de corte de custo, essa margem tem que ser vista primeiro. Deixar de pagar o seu professor é uma questão extrema. E a questão extrema tem que ser negociado de forma extrema também. Com auxílio das assessorias dos sindicatos pode-se tomar uma decisão melhor”, enfatiza.

O procurador do trabalho do MPT-RJ Cassio Luis Casagrande explica que o MPT é acionado quando há um problema coletivo, uma demissão em massa, por exemplo, e o não pagamento dos devidos encargos. O órgão não atua em situações individuais.

“Nessa situação [coletiva], os trabalhadores que tiverem sido atingidos, seja porque eles não estão recebendo salário, seja porque foram despedidos sem receber as verbas trabalhistas, eles podem fazer uma denúncia no site do Ministério Público do Trabalho, relatando os fatos e identificando o empregador. Será, então, aberto um inquérito civil para investigar se de fato isso está ocorrendo”, orienta.

*O nome do professor foi alterado para proteger a identidade do entrevistado

Fonte: Agência Brasil