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Passageiros de Congonhas relatam cansaço e falta de suporte de aéreas

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Passageiros irritados, desorientados e cansados ainda esperavam, hoje (11), uma resolução das empresas áreas sobre o cancelamento de seus voos e a realocação para outros horários no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Pelo menos 110 voos tinham sido cancelados no aeroporto até as 15h30 devido aos ventos fortes que atingiram a Grande São Paulo por conta da passagem de um ciclone pela região. 

Sentado no chão do terminal, enquanto sua esposa descansava deitada ao seu lado, o advogado Wagner Martins Pereira quase não conseguia contar sua história devido ao cansaço e à falta de voz. Na estrada desde a manhã de ontem (10), o casal voltava de Gramado, no Rio Grande Sul, para João Pessoa, na Paraíba.
 


São Paulo (SP), 11/12/2025 - Wagner Martins Pereira e a companheira aguardam para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 11/12/2025 - Wagner Martins Pereira e a companheira aguardam para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Ainda em Porto Alegre, a Latam cancelou nosso voo e remarcou para hoje. Passamos a noite no aeroporto, dormindo no chão, porque a empresa não disponibilizou acomodação para nós. Chegamos hoje aqui em São Paulo e vamos esperar o dia inteiro porque nossa conexão para João Pessoa é só às 19h40. O esgotamento é absurdo e estamos loucos para chegar em casa. Espero que não cancelem nosso voo hoje, porque, pelo que escutei aqui, a situação só deve ser normalizada em três dias”, denunciou.


São Paulo (SP), 11/12/2025 - Joice Emanuele Barbosa e companheiro aguardam para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 11/12/2025 - Joice Emanuele Barbosa e companheiro aguardam para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A analista de Tecnologia da Informação Joice Emanuele Barbosa Gomes viaja com o noivo. O voo do casal para Recife estava marcado para as 21h de ontem e foi remarcado para as 23h37. Eles embarcaram, mas a torre do aeroporto informou que a aeronave não poderia mais decolar por conta do horário em que os passageiros terminaram de se acomodar (meia-noite).

“Ficamos até as 2h30 dentro do avião. Quando saímos, a fila estrava quilométrica e ficamos no aeroporto até as 3h30. Fomos para uma pousada e voltamos às 11h30 e desde então estamos esperando na fila para tentar entender como isso será resolvido. A Azul não está nos dando a assistência necessária”, criticou.


São Paulo (SP), 11/12/2025 - Luciana Tenani aguarda para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 11/12/2025 - Luciana Tenani aguarda para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A consultora imobiliária Luciana Tenani veio a São Paulo com um grupo de 23 pessoas para uma confraternização da empresa onde trabalham marcada para às 17h de ontem (10). O voo da Gol estava marcado para o período da manhã e o grupo só consegui embarcar à noite.

Para voltar para o Rio de Janeiro o horário previsto era às 10h de hoje, mas a empresa remarcou para às 21h de amanhã, o que só foi descoberto quando eles já estavam no aeroporto. “Nos disseram que providenciarão acomodação para todos e estamos aqui para desenrolar isso. Todo mundo está irritado, porque está caótico. É uma falta de organização”, disse.


São Paulo (SP), 11/12/2025 - Arlen Augusto Pereira aguarda para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 11/12/2025 - Arlen Augusto Pereira aguarda para embarcar após voos cancelados e atrasados no Aeroporto de Congonhas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Também passageiro da Latam, o analista de crédito Arlen Augusto Pereira pensa em processar a empresa pela perda de seus compromissos e a falta de suporte.

“Cheguei aproximadamente às 3h e meu voo era às 7h, mas cancelaram. Foi remarcado para às 14h e, em seguida, recebi contato avisando que esse voo também foi cancelado. Agora, não tenho nenhuma notícia de remarcação”, relatou.

“A única coisa que me deram foi um voucher para alimentação. Eu tinha compromisso em Goiânia e, pelo visto, não vou conseguir chegar a tempo. O suporte está muito ruim. Estou aqui há muito tempo sem nenhum tipo de ajuda”, reclamou.

Versão das empresas
 


São Paulo (SP) 11/12/2025 . Movimento nas salas de embarque do Aeroporto de Congonhas.
Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP) 11/12/2025 . Movimento nas salas de embarque do Aeroporto de Congonhas.
Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

Latam, Gol e Azul disseram que os cancelamentos ocorreram por conta dos impactos meteorológicos registrados em São Paulo, portanto motivos alheios ao controle das companhias.

A Latam admite que ainda há reflexos em sua operação no país e que precisou cancelar ou reprogramar voos desde quarta-feira (10) devido a essas condições climáticas adversas, especialmente nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos.

“Por isso, a Latam orienta que o cliente consulte o status do seu voo antes de se dirigir ao aeroporto e altere a sua viagem se necessário. Esse procedimento pode ser feito diretamente na seção Minhas Viagens, do aplicativo Latam, ou diretamente no site latam.com. Caso o voo tenha sido afetado, o cliente poderá fazer alterações em seu voo por até um ano sem custo ou solicitar reembolso da passagem. O procedimento pelo aplicativo ou site é rápido, simples e com as mesmas funções oferecidas no call center”, informou a empresa.

Para os clientes que não residem em São Paulo e necessitem de acomodação por conta de voos afetados, a orientação é a de que permaneçam na fila para atendimento ou reservem seu hotel e transporte por meios próprios, guardando o comprovante de pagamento para que a companhia o reembolse depois. “Basta escrever para a Latam pelo WhatsApp (+56 9 68250850) e não é necessário fazer isso de imediato”.

A companhia explica ainda que o cliente de voo com origem, destino ou conexão em São Paulo que não foi cancelado entre 10 e 12 de dezembro também pode alterar a data de sua viagem sem custo para viajar dentro dos próximos 15 dias. Essa alteração deve ser realizada antes da partida do voo original e é uma medida que ajuda a descongestionar os aeroportos e liberar assentos para quem realmente necessita viajar nestas datas.

A Gol informou que suas operações seguem regulares nos aeroportos de Congonhas (CGH) e Guarulhos (GRU). Acrescentou que alguns voos foram cancelados ou sofreram atrasos na quarta-feira (10), e que, como consequência da grande contingência de ontem, novos atrasos podiam ocorrer ao longo do dia de hoje (11).

“Para maior comodidade, clientes impactados pelos atrasos e cancelamentos de ontem (10) que tenham disponibilidade para alterar seu voo podem fazê-lo sem custos adicionais. A mudança é autorizada dentro da validade do bilhete, mantendo a mesma origem e destino, e não é necessário comparecer ao aeroporto para realizá-la. Caso o cliente deseje remarcar sua viagem, deve entrar em contato com a Central de Relacionamento da Gol através do chat por meio do site voegol.com.br ou pelo telefone 0300 115 2121″, informou. 

A Azul afirmou que diversos voos precisaram ser cancelados ou alternados para outros aeroportos e que as alterações afetaram também voos em outras regiões, em função do sequenciamento das operações das aeronaves.

“A companhia ressalta que os clientes impactados estão recebendo a assistência prevista na Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil. Em razão do ocorrido, a Azul recomenda que seus clientes fiquem atentos às notificações enviadas por e-mail, SMS e WhatApp, além de acompanhar as reservas no site www.voeazul.com.br ou aplicativo da empresa”.

Em nota, a Azul diz que, por liberalidade, também está flexibilizando sua política de remarcação a fim de minimizar os impactos aos passageiros. “Com isso, clientes com passagens emitidas para os dias 11 e 12 de dezembro poderão alterar as viagens até o dia 18 de dezembro gratuitamente ou, ainda, se optarem pelo cancelamento do voo, manter o crédito integral do valor pago para utilizar em outra oportunidade, em até um ano a partir da data de emissão do bilhete”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

Entidades condenam, em audiência no Senado, cerceamento a jornalistas

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A ação violenta de policiais legislativos contra jornalistas e o episódio de censura com a interrupção do sinal da TV Câmara e a retirada de profissionais de imprensa do plenário da Câmara dos Deputados motivou uma audiência pública no Senado, nesta quinta-feira (11). Entidades representativas lamentaram o cerceamento do direito à informação ocorrido na terça-feira (9).

O episódio ocorreu após o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupar a cadeira da presidência da Casa em protesto contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Enquanto Braga era retirado à força do local, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa também sofreram agressão.

Ao abrir a audiência pública, na Comissão de Direitos Humanos, o senador Paulo Paim (PT-RS), autor do pedido, declarou que acompanhou o caso inicialmente pela televisão e depois por vídeos registrados em celulares e divulgados. 

“Todos nós ficamos chocados com a violência sofrida por jornalistas na noite de terça-feira na Câmara dos Deputados. Minha solidariedade a todos profissionais de imprensa”, declarou o senador, único parlamentar a se manifestar na sessão.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, anunciou que a instituição deu entrada em uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede ação contra o deputado Hugo Motta por crime de responsabilidade, pelo ato de censura que infringe a Constituição Federal.

“Isso não pode ficar impune. Não queremos só uma explicação, queremos punição deste presidente da Câmara. O que ele fez é lamentável e afeta a todos nós”, defendeu.

Costa disse que a entidade também protocolará outras representações de denúncia na Comissão de Direitos Humanos da Casa, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados.

“Quando um presidente da Câmara dos Deputados dá o exemplo que o senhor Hugo Motta deu, às vésperas de uma eleição, é altamente preocupante, por isso que digo que é importante que haja uma resposta judicial contra o que ocorreu”, reforça.

Na avaliação da coordenadora de Incidência para a América Latina da Repórteres sem Fronteiras (RSF), Bia Barbosa, o episódio de violência e censura é fruto de uma banalização e naturalização do cerceamento da atividade jornalística e de comunicação no país. 

“Isso foi brutalmente intensificado durante o governo [Jair] Bolsonaro e se espraiou e capilarizou na nossa sociedade de tal maneira que mesmo depois de uma mudança de governo e dessa mudança de institucionalidade em relação à imprensa, não fez com que episódios como esse deixassem de acontecer”, avaliou.

Violência

A presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Kátia Brembatti, afirma que a postura de políticos, agentes de segurança e até mesmo do cidadão comum sofreu uma escalada de abordagem violeta que se manifesta de diversas formas, seja na violência física, verbal ou na violência judicial, que ocorre com a intimidação a partir da abertura de um processo Judicial que questiona o conteúdo veiculado.

“A imprensa não está sob uma redoma que não poderia ser criticada, ela pode ser criticada, mas existem formas de fazer isso. Não é atacando, agredindo as pessoas. A violência não é legítima em nenhuma face”, afirma.

De acordo com Kátia, há atualmente no Brasil 654 processos que são caracterizados como assédio judicial a partir de uma classificação já reconhecida judicialmente pelo Supremo Tribunal Federal.

“Esses processos intimidam os jornalistas. Eles sufocam financeiramente as empresas e criam um autopoliciamento. A sociedade deixa de ser informada quando um jornalista pensa cinco vezes antes de abordar um assunto porque aquele assunto vai dar dor de cabeça”, alerta.

Samira Cunha, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), lembrou que o Relatório Anual da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa aponta que, somente em 2024, houve 144 casos no Brasil. 

“Ainda é um número que choca e que não podemos naturalizar”, ressalta.

Na avaliação da presidente da Fenaj, o cerceamento do trabalho da imprensa resulta na perda do direito à informação aos cidadãos. 

“Em um país que se diz democrático, impedir a imprensa de fazer o trabalho dela sob qualquer forma de violência, de ameaça nas redes sociais a uma agressão verbal, que muito rapidamente passa para outros tipos de violência, como o assédio judicial, resulta na censura, na autocensura, e é absolutamente injustificável”.

Fonte: Agência Brasil

Enel diz que fornecimento de energia deve ser normalizado até amanhã

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Desde a passagem de um ciclone extratropical que provocou ventos fortes e muitos estragos pelo território paulista, mais de 417 mil moradores da Grande São Paulo continuam enfrentando falta de energia. Este é o caso, por exemplo, da roteirista Erica Chaves, moradora do Butantã, na capital paulista. Ela está sem luz desde as 12h de quarta-feira (10).

Na última quinta-feira (11) ela conversou com a reportagem da Agência Brasil e relatou que estava chegando em casa, do mercado, quando descobriu que sua casa estava sem luz.

“A primeira coisa que eu enfrentei foi o problema de chegar aqui em casa, com as compras do mercado e encontrá-la sem luz. Algumas coisas a gente conseguiu levar para a casa de uma vizinha para botar no congelador, que eram comidas que tem uma representatividade afetiva para a gente, que a gente trouxe de uma viagem e a gente deixou no congelador para ir comendo aos poucos. Essas ai a gente deixou na casa de uma amiga, no congelador dela”, relatou. “O resto a gente está administrando aqui, algumas coisas já joguei fora porque não dava mais”.

Nesta manhã de sábado (13), ela voltou a conversar com a Agência Brasil e relatou que sua situação permanece inalterada desde então. A falta de energia também tem feito ela economizar o uso do celular, para economizar internet e não ficar sem bateria.

“O meu pai está internado no hospital e graças a Deus tem energia no hospital onde ele está. Mas assim, eu estou economizando a internet e entrando de hora em hora na internet para economizar bateria e poder ter notícias dele”, contou. “Avisei a família e falei: ‘Olha, eu estou sem internet para economizar para ter mais tempo, mas o telefone está normal e funcionando. Então me ligue para um telefone normal para qualquer emergência.”

Na região do Bixiga, no centro da capital paulista, moradores fizeram um protesto na noite de ontem (12) contra falta de energia.

“Queremos luz”, gritaram os moradores da região. Na manhã de hoje, eles ainda sofriam com o problema. “Ainda estou sem energia e sem luz”, relatou uma moradora do bairro à reportagem.

Segundo ela, o seu condomínio todo permanece sem energia e os idosos que vivem no local estão sofrendo para subir escadas e enfrentando dificuldades para tomar banho, se alimentar e tomar seus medicamentos.

Já na Pompeia, na zona oeste da capital, um protesto estava marcado para ocorrer no início da tarde de hoje. Mas a luz, relatou uma moradora à reportagem, acabou voltando na região há pouco mais de uma hora.

Na manhã deste sábado, a Enel, companhia responsável pelo abastecimento de energia na Grande São Paulo, informou que “mobilizou um número recorde de equipes em campo” desde a última quarta-feira e que a previsão é de conseguir restabelecer a energia para todos os seus clientes até amanhã.

“A distribuidora está trabalhando para restabelecer o serviço e normalizar o fornecimento aos consumidores atingidos pelo evento meteorológico dos dias 10 e 11 de dezembro até o fim do dia de amanhã”, diz a nota da companhia.

Segundo a Enel, a falta de energia foi provocada por “condições meteorológicas adversas”, que “impactaram significativamente as operações de restabelecimento, pois as rajadas contínuas causaram novas interrupções enquanto as equipes trabalhavam para religar os clientes”.

Na noite de ontem (12), a Justiça de São Paulo acatou determinação do Ministério Público SP e da Defensoria Pública e determinou que a Enel restabeleça a energia elétrica em até 12 horas. Caso isso não aconteça, a concessionária será multada em R$ 200 mil por hora. Em resposta, a Enel afirmou que “não foi intimada da decisão [da Justiça] e segue trabalhando de maneira ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia ao restante da população que foi afetada pelo evento climático”.

 

Fonte: Agência Brasil

Por unanimidade, STF mantém decisão sobre perda do mandato de Zambelli

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Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a decisão do ministro Alexandre de Moraes que anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação e manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP).

A liminar foi proferida nesta quinta-feira (11) e referendada hoje pelo colegiado. A votação começou às 11h e foi finalizada por volta das 16h, com o último voto, que foi dado pela ministra Cármen Lúcia. 

O placar final foi de 4 votos a 0. Também votaram pela manutenção da decisão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes, relator do caso. 

Suplente 

Com a decisão final do STF sobre a questão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá dar posse ao suplente de Zambelli, Adilson Barroso (PL-SP), no prazo de 48 horas.

Na última quarta-feira (10), a Câmara decidiu manter o mandato da deputada. O placar da votação foi de 227 votos a favor e 110 contra. Eram necessários 257 votos para aprovação da cassação.

Diante da deliberação que manteve o mandato da parlamentar, Alexandre de Moraes decidiu anular a resolução da Casa que oficializou o resultado da votação.

O ministro disse que a decisão é inconstitucional. No entendimento de Moraes, a Constituição definiu que cabe ao Poder Judiciário determinar a perda do mandato de parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, cabendo à Câmara somente “declarar a perda do mandato”.

Fuga

Em julho deste ano, Zambelli foi presa em Roma, na Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Por ter dupla cidadania, a deputada deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandado falso de prisão contra Alexandre de Moraes.

Segundo as investigações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar.

Em agosto, a parlamentar foi mais uma vez condenada pelo Supremo, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. 

O caso está relacionado ao episódio em que ela perseguiu um homem de arma em punho pelas ruas de São Paulo, pouco antes do segundo turno das eleições de 2022. 

Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição da parlamentar para o Brasil.

O pedido de extradição foi oficializado no dia 11 de junho pelo STF.  Em seguida, a solicitação foi enviada pelo Itamaraty ao governo italiano. 

A decisão final sobre o processo de extradição será tomada durante uma audiência que será realizada pela Justiça italiana na próxima quinta-feira (18). 

Fonte: Agência Brasil

Ministro dos Transportes prevê 14 leilões rodoviários no país em 2026

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O governo federal pretende realizar 14 leilões rodoviários no próximo ano, disse hoje (11) o ministro dos Transportes, Renan Filho. O número supera, segundo ele, os 13 leilões de rodovias realizados durante todo o ano de 2025.

“Vamos bater o recorde deste ano”, disse ele, ao participar do leilão da Autopista Fernão Dias, promovido pela B3, na capital paulista.

“A gente já fez 22 [leilões rodoviários deste o início do mandato do presidente Lula]. No ano que vem vamos fazer 14 [novos leilões] e, além de fazer muito mais coisas novas, também estamos resolvendo os problemas do passado que tinham deixado embaixo do tapete. Isso é muito significativo para o Brasil”, destacou o ministro em entrevista a jornalistas.

Segundo Renan Filho, estão previstos ainda leilões de ferrovias. “Também vamos realizar oito leilões ferroviários e vamos dar uma virada no investimento ferroviário no país.”

Na tarde de hoje, a Motiva (antiga CCR) venceu o leilão do contrato otimizado da Autopista Fernão Dias após oferecer 17,05% de deságio sobre a tarifa de pedágio. Com essa oferta, a companhia bateu outros dois concorrentes, a atual concessionária da autopista, a Arteris Fernão Dias, e o Grupo EPR (Consorcio Infraestrutura MG).

Esse leilão de contrato otimizado da BR-381 faz parte da estratégia do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para modernizar contratos antigos de concessão rodoviária e é o quarto do tipo já realizado pelo atual governo. No entanto, esta foi a primeira vez em que houve concorrência e o controle passou para uma outra empresa.


11/12/2025 - Leilão da BR-381/MG/SP – Fernão Dias - Leilão da concessão de 569 km da Fernão Dias, rodovia que liga São Paulo a Belo Horizonte. Foto: Frame/Youtube Ministério dos Transportes
11/12/2025 - Leilão da BR-381/MG/SP – Fernão Dias - Leilão da concessão de 569 km da Fernão Dias, rodovia que liga São Paulo a Belo Horizonte. Foto: Frame/Youtube Ministério dos Transportes

“Hoje, pela primeira vez na história dos contratos de concessão pública do Brasil e por meio de leilão, uma empresa que estava num contrato que não performava saiu do contrato para dar lugar a outro, a fim de aumentar a performance e fortalecer os investimentos”, ressaltou o ministro.

A transição de controle entre a antiga concessionária (a Arteris) e a empresa vencedora do leilão deverá ocorrer de forma rápida, estimou Renan Filho. “Nós vamos combinar com a Arteris essa saída e fazê-la o mais rápido possível. Vamos exigir a integral qualidade e os compromissos da transição para que o cidadão seja respeitado à luz desse novo momento”, disse.

“Uma coisa muito legal [desse contrato] é que quem entra já tem que iniciar fazendo obra. A Motiva vai ter que fazer um conjunto de obras já no primeiro ano, o que vai garantir que as pessoas que passem pela Fernão Dias – entre Belo Horizonte e São Paulo – percebam a melhoria do contrato”, completou.

Segundo o presidente da Motiva Rodovias, Eduardo Camargo, a expectativa é que o contrato de transição seja assinado em abril ou maio do próximo ano. “O que está previsto no contrato é uma assinatura do contrato entre abril e maio. Como nós temos uma boa relação tanto com a própria concessionária, a Arteris, quanto com a ANTT, nossa intenção é que a gente possa se aproximar, conhecer e saber como está a operação, mas a troca de controle efetivo deve ocorrer entre final de abril e começo de maio”, estimou.

Fonte: Agência Brasil

Motta elogia servidora alvo da PF e diz que Dino não aponta desvio

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) saiu em defesa da servidora Mariângela Fialek, que foi alvo de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, na sexta (12). Conhecida como “Tuca”, ela trabalhou para o ex-presidente da Casa, Arthur Lira. 

“A servidora Mariângela Fialek é uma técnica competente, responsável e comprometida com a boa gestão da coisa pública”, garantiu Motta em nota divulgada na noite de ontem. 

O atual presidente da Câmara, ainda em defesa dela, acrescentou que a servidora foi fundamental no “aprimoramento dos sistemas de rastreabilidade da proposição, indicação e execução de emendas parlamentares”.

“Orçamento secreto”

As investigações apontam que a ex-assessora de Lira era responsável por enviar ordens para comissões e determinar a liberação de emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”. Assim ficou conhecida a destinação de verbas públicas sem identificação do político que fez a indicação ou dos beneficiários finais.

As diligências para investigação da servidora foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, Motta, na nota, escreveu que não encontrou na decisão do ministro “nenhum ato de desvio de verbas públicas. Nenhum”. 

Porém, ele observou que eventuais desvios devem ser devidamente apurados. Motta argumentou que seria importante não confundir o ato de “mera indicação de emendas parlamentares”, e que não seriam impositivas, com a final execução dessas verbas pelos destinatários finais.

“A correta execução dos recursos públicos e transferências governamentais, não apenas emendas parlamentares, mas também provenientes do Poder Executivo, pelos seus destinatários finais, deve ser estritamente acompanhada pelos órgãos de controle”, ponderou Motta. 

 

Investigação

As investigações dos procedimentos da servidora tiveram como ponto de partida o depoimento de seis parlamentares e de uma servidora da Câmara. Os relatos foram dos deputados Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União-BA),  Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e do senador Cleitinho (Republicanos-MG). Segundo os testemunhos, Tuca encaminhava a comissões ofícios da Presidência da Câmara ordenando a liberação de emendas em especial para Alagoas, estado do parlamentar. 

A ex-assessora de Lira, que hoje possui um cargo no gabinete da presidência do PP na Câmara, já havia tido o sigilo telemático quebrado. No entanto, PF apontou a necessidade de realizar buscas após constatar a ausência de mensagens salvas em aparelhos ou nuvens de dados, embora tenha encontrado indícios da prática de crimes. 

Dino autorizou as buscas diante da “concreta possibilidade de que a representada tenha adotado condutas voltadas a impedir a realização de backup de seus dados mais sensíveis em ambiente de nuvem, mantendo acervo em meios físicos (papéis, máquinas, etc)”. 

O ministro frisou que os indícios apontam para “uma atuação contínua, sistemática e estruturada” na organização do orçamento secreto. 

Flávio Dino é relator também de uma ação em que o Supremo vedou as práticas do orçamento secreto, obrigando que a Câmara adotasse critérios mínimos de transparência e rastreabilidade do dinheiro público até o destinatário final. 

“Redirecionamento forçado”

As falas reforçam a suspeita de que havia “redirecionamento forçado” de recursos de emendas por Lira, sublinhou o ministro Flávio Dino. 

Em relatório parcial, a PF destacou como desde 2020 Tuca ocupou diversos cargos estratégicos em empresas públicas e no Legislativo, sempre por indicação de Lira, que a permitissem manipular o direcionamento de emendas. 

Após encontrarem uma anotação à mão que coincide com o direcionamento de emendas, os investigadores destacaram “o incomum desapego à formalidade” na formulação do Orçamento da União. 

“Uma anotação à mão, realizada de maneira rudimentar, foi responsável pela realocação de recursos de um Município para outro. Lamentavelmente, não há como não comparar a maneira de controlar e organizar o orçamento secreto coordenado por TUCA a uma ‘conta de padaria’”, escreveram os investigadores.

 

Fonte: Agência Brasil

Espécie nova de bromélia floresce no Jardim Botânico do Rio

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O Jardim Botânico do Rio de Janeiro descobriu uma espécie de bromélia rara em sua área, que recebeu o nome de Wittmackia aurantiolilacina em função das cores laranja e lilás de suas inflorescências.

A espécie foi descrita pelo pesquisador Bruno Rezende, um dos autores do estudo e curador da coleção científica de bromélias do Jardim Botânico do Rio, em artigo publicado no dia 19 de novembro deste ano, no periódico Phytotaxa, considerado a maior revista científica do mundo na área de taxonomia botânica.

A espécie é endêmica da Mata Atlântica e foi coletada no Parque Nacional do Alto Cariri, na Bahia, próximo à divisa com Minas Gerais. A coleta foi feita em agosto de 2023 por uma equipe do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, durante expedição do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Árvores Ameaçadas de Extinção do Sul da Bahia (PAN Hileia Baiana), no âmbito do Projeto GEF Pró-Espécies: todos contra a extinção.

“Foi coletada em agosto de 2023, mas estava sem flor. É o que a gente chama de estéril. Era uma bromélia que não levantava nenhuma suspeita sobre ser algo tão diferenciado”, explicou Bruno Rezende nesta quinta-feira (11) à Agência Brasil. Ela foi introduzida então na coleção científica do bromeliário do JBRJ e também no Refúgio dos Gravatás, em Teresópolis, região serrana do estado.

Floração

A floração da bromélia ocorreu em julho de 2024, no Jardim Botânico, e levou o pesquisador a suspeitar que se tratava de uma espécie nova. “Porque a inflorescência tem uma combinação de cores muito inusitada, laranja com lilás, que não é algo que eu tenha visto em bromélias em 30 anos”, disse Rezende.

Ele contactou um especialista no gênero, com o qual desenvolveu um estudo mais detalhado sobre a planta e juntos publicaram artigo na revista internacional.


11/12/2025 - Nova espécie de bromélia descoberta pelo JBRJ . Foto: Bruno Rezende/JBRJ
11/12/2025 - Nova espécie de bromélia descoberta pelo JBRJ . Foto: Bruno Rezende/JBRJ

Embora a inflorescência nas cores laranja e lilás tenha chamado a atenção dos pesquisadores, Bruno Rezende disse que o que define a espécie nova é um conjunto de características que tem a ver com o formato de sépalas e pétalas, o tamanho que atinge entre essas estruturas “E também a coloração, que deu nome à planta”. As sépalas das bromélias são, geralmente, verdes e têm a função principal de proteger o botão floral.

No Jardim Botânico do Rio só tem um vaso da nova bromélia. Segundo Rezende, dependendo do aporte nutricional, vão se formar dois ou três brotos vegetativos por ano. São brotações laterais.

“Com isso, pode-se fazer uma propagação vegetativa, que é a propagação clonal ou assexuada”. Nesse caso, as mudas são geneticamente idênticas à mãe.

O pesquisador destacou, porém, que se for feita a polinização das flores, podem ser obtidas sementes. E cada sistema de cada semente é um indivíduo já geneticamente distinto, por ser originário de reprodução sexuada.

Na coleção científica do bromeliário, as bromélias são multiplicadas apenas de forma clonal. “Não temos muito interesse em ter vários vasos da cada exemplar. Porque o nosso espaço é muito limitado”.

Por isso, disse que o importante é manter a saúde daquele exemplar, formando uma pequena touceira, em um vaso grande. “Porque ali se tem diversas rosetas foliares. E tendo várias rosetas, isso dá mais segurança de que aquele indivíduo está protegido contra uma determinada praga ou alguma doença que possa surgir, porque é um volume maior. Mas o bromeliário não tem condições de abrigar tantos exemplares”, afirmou o pesquisador.

Predadores

O pesquisador afirma que ainda que não seria muito indicado plantar esse tipo de bromélia nas árvores, porque ela é da Mata Atlântica do sul da Bahia e poderia se espalhar pela Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro.


Fachada do Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fachada do Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Além disso, no arboreto do Jardim Botânico tem muito macaco-prego. “E eles, infelizmente, desenvolveram um gosto macabro por bromélias. Eles comem aquele palmito lá do interior das folhas e matam a bromélia. É o que eles gostam. No bromeliário, a gente ainda consegue ter mais controle, porque tem um gradil, tem seguranças e jardineiros.”

Recentemente, Bruno recebeu várias bromélias da Chapada Diamantina e outras da Serra do Ouro de Goiás. Para ele, o esforço de coleta na natureza é muito importante para conhecer a flora nativa.

A nova espécie de bromélia descoberta já foi classificada como “criticamente ameaçada de extinção” porque, apesar de ser um parque nacional, é uma área muito grande e sujeita a muitos impactos.

“É difícil fiscalizar uma área tão extensa. Tem muito fogo, muito desmatamento, tem muita lavoura de cacau e de café, além das mudanças climáticas que, nas próximas décadas, provavelmente vão alterar muito significativamente toda a Mata Atlântica.”

Fonte: Agência Brasil

Justiça manda Enel restabelecer energia elétrica em SP em 12 horas

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A Justiça de São Paulo acatou determinação do Ministério Público SP e da Defensoria Pública e determinou no fim desta sexta-feira (12) que a Enel restabeleça a energia elétrica em até 12 horas. Caso isso não aconteça, a concessionária será multada em R$ 200 mil por hora.

Três dias depois da ventania de quarta-feira (10), São Paulo e sua região metropolitana ainda tem 493.303 clientes sem energia, segundo dados da própria Enel. Na capital paulista o número é mais de 363 mil consumidores neste momento.

A ordem da Justiça especifica que é necessário que haja fornecimento de energia a “delegacias, presídios e equipamento de segurança; creches, escolas e espaços coletivos, especialmente em razão da realização de vestibulares e provas; sistemas de abastecimento de água e saneamento, como instalações da Sabesp e condomínios com bombas elétricas; locais que concentram pessoas vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência”.

O pedido das autoridades também vale para o restabelecimento da energia “em todas as demais unidades consumidoras afetadas desde 9 de dezembro de 2025”.

Além disso, o Poder Judiciário determinou ainda que a Enel assegure canais de atendimento funcionais e sem restrições tecnológicas que impossibilitem o registro da falta de energia pelos consumidores. O não cumprimento desta ordem pode acarretar em execução de multa imediata e a tomada de medidas mais enérgicas, como o bloqueio de valores, intervenção judicial e apuração de responsabilidade civil e criminal.

A Enel divulgou uma nota nesta manhã afirmando que “não foi intimada da decisão [da Justiça] e segue trabalhando de maneira ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia ao restante da população que foi afetada pelo evento climático”.

Ciclone

O causador de chuvas e ventanias em São Paulo foi a passagem de um ciclone extra-tropical. Na quarta-feira, a cidade e municípios da região metropolitana foram atingidas por fortes ventos, de até 100km/h em alguns pontos. Isso fez com que houvesse muitas quedas de árvores, mais de 330. Elas atingiram cabos da rede elétrica, o que causou problemas no fornecimento da energia elétrica.

No auge da falta de energia, 2,2 milhões de consumidores ficaram sem luz. Ainda há pontos de São Paulo sem energia até agora.

 

Fonte: Agência Brasil

Desigualdades sociais dificultam acesso à educação infantil no Brasil

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As desigualdades socioeconômicas repercutem também no acesso à educação infantil no Brasil. Essa é uma constatação do estudo inédito O desafio da equidade no acesso à educação infantil: uma análise do CadÚnico e do Censo Escolar, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

O estudo cruza informações do CadÚnico com o Censo Escolar, a partir de microdados de 2023. A desigualdade pode ser comprovada pelo fato de apenas 30% do total de 10 milhões de crianças de baixa renda na primeira infância, inscritas no CadÚnico, estarem em creches, em dezembro daquele ano. Já na pré-escola, etapa obrigatória da educação básica, apenas 72,5% das crianças de 4 e 5 anos que vivem em famílias de baixa renda no CadÚnico estavam matriculadas.

O CadÚnico é um registro administrativo que reúne informações socioeconômicas de famílias de baixa renda no Brasil, como escolaridade, renda, condições de moradia e matrícula escolar das crianças. Constitui uma ferramenta essencial para a formulação e implementação de políticas públicas de proteção social.

O Censo Escolar é o levantamento estatístico oficial sobre a educação básica no Brasil, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ele contém informações sobre matrículas, infraestrutura escolar, alunos e docentes nas instituições de ensino públicas e privadas, sendo a principal fonte para análise da cobertura escolar no país.

A presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, defende muito a creche na vida das crianças, sobretudo na primeira etapa (até 3 anos de idade).

“Ela é muito benéfica, em especial para crianças que estão em alguma situação de vulnerabilidade, porque a gente está falando de a creche ser um espaço de aprendizagem, desenvolvimento, mas também um espaço de segurança”, avaliou.

 


Cuiabá - Escola Municipal de Ensino Básico Antonio Ferreira Valentim (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Cuiabá - Escola Municipal de Ensino Básico Antonio Ferreira Valentim (Antonio Cruz/Agência Brasil)

  De acordo com o estudo da Fundação, as evidências comprovam que, se a criança tem uma educação infantil de qualidade, ela vai melhorar toda a sua trajetória escolar (Antonio Cruz/Agência Brasil) – Antonio Cruz/Agência Brasil

Em entrevista à Agência Brasil, Mariana lembrou que, em uma creche integral, a criança se alimenta até cinco vezes por dia, é um espaço de combate à violência.

“A gente olha para a creche como uma grande prioridade. E o que se vê é que as crianças do Cad são as que estão menos na creche”, destacou.

“A gente está falando de um percentual de atendimento, depois desse paliamento Cad x Censo Escolar, que passou de 20% para 30%. Mas isso significa dizer que 70% ainda estão fora. E, em uma média nacional hoje de 40%. A gente está falando, portanto, de dez pontos percentuais atrás da média nacional”, completou.

Por regiões

A desigualdade de acesso à educação infantil pelas famílias de baixa renda é ainda mais acentuada na Região Norte, com taxa de matrícula na creche entre as crianças de baixa renda de 16,4%, em 2023, seguida do Centro-Oeste (25%) e Nordeste (28,7%). Apenas Sudeste (37,6%) e Sul (33,2%) apresentavam taxas um pouco superiores à média nacional de 30% para a população do CadÚnico.

De acordo com o estudo, as diferenças são notadas também na pré-escola, com a taxa de matrícula para as crianças inscritas no CadÚnico variando de 68% a 78% nas regiões do país, com Norte e Nordeste mostrando as menores taxas.

Para Mariana Luz, a questão da idade é muito importante, porque há muitas unidades escolares do país que não oferecem creche para crianças até 2 anos. Na creche, a probabilidade de matrícula aumenta conforme a idade da criança. Quanto mais velha ela for, maiores são as chances de acesso, que atingem 148,29% a mais.

Ela destaca também “a falta de informações das mães sobre a importância da creche, da escola como espaço de desenvolvimento”. Além disso, muitas vezes, “as mães não encontram vagas, não têm com quem deixar os filhos e isso influencia o papel da mulher no mercado de trabalho”.

>>Falta de acesso a creches e escolas impacta mulheres de favelas

O estudo revela que os municípios menores e com menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) enfrentam mais dificuldades para garantir vagas, em função de restrições financeiras, ou por falta de capacidade técnica, o que reforça a importância de políticas públicas que apoiem os territórios mais vulneráveis, com objetivo de gerar mais equilíbrio na oferta de educação infantil em todo o país. Mariana Luz afirmou que o papel do setor público é alcançar as comunidades e ofertar o direito das crianças, sejam indígenas, quilombolas, brancas, negras, e garantir que esse direito seja também de qualidade e adequado à realidade de cada grupo, lembrando sempre que a educação básica é um direito da criança.

Raça, gênero e deficiência

De acordo com o estudo da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, questões de raça, gênero e deficiência influenciam também no acesso à creche.

“Crianças não brancas têm menores possibilidades de estarem na escola”.

Entre as famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico, as crianças brancas têm 4% mais chance de estar na creche e quase 7% mais chances de estar na pré-escola do que crianças pretas, pardas e indígenas.

O estudo mostra que as meninas têm menor probabilidade de frequentar creche (-4,05%), enquanto as crianças com deficiência têm 13,44% menos chance de estarem matriculadas na pré-escola.

“É um problema da desigualdade estrutural, do racismo estrutural”.

De acordo com Mariana, o fato de meninas terem menos chance de irem para a creche evidencia que a desigualdade de gênero começa já na primeira etapa da educação infantil. “Você está falando de raça, gênero e deficiência: são três prioridades para a gente inserir na escola. Sobretudo sendo a escola um local para combater desigualdades”.

“E a desigualdade tem essas camadas de cor, de gênero, também o caso das pessoas com deficiência. Na verdade, eles deveriam ser colocados em primeiro lugar nessa primeira etapa, que é tão estruturante, porque são os que estão mais fora e é uma fase de maior pico de desenvolvimento”, defendeu.

Renda e moradia

Também a renda e o local de moradia determinam quem tem acesso à creche e à pré-escola no Brasil. Quando o responsável familiar tem emprego formal, a probabilidade de a criança estar na creche é 32% maior.

Já a remuneração informal dos responsáveis diminui em 9% as chances de a criança frequentar a creche e em 6% a pré-escola. A escolaridade dos pais ou responsáveis também conta para a inserção na educação infantil: quanto maior a escolaridade, maior a probabilidade de o adulto inserir o filho na creche.

O domicílio também favorece ou não a entrada das crianças na creche e na pré-escola. Crianças que moram em domicílios com mais infraestrutura, com maior grau de calçamento, mais iluminação, em bairro organizado, têm mais chance de ir para a escola. Isso se aplica sobretudo na área urbana, indicou a presidente da Fundação.

Mariana salientou, por outro lado, que se a família é beneficiada por um programa de transferência de renda, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou o Programa Bolsa Família ((PBF), isso aumenta a probabilidade de as crianças ingressarem na educação infantil.

O BCP, por exemplo, eleva em 12% a probabilidade de a criança estar na creche e em cerca de 8% na pré-escola. Já o Programa Bolsa Família (PBF), que exige matrícula a partir dos 4 anos, aumenta em 9% a chance de ingresso na pré-escola e em torno de 2% a entrada na creche.

PNE

O estudo foi lançado em um momento importante, quando está em discussão o novo Plano Nacional de Educação (PNE), a Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) e o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade da Educação Infantil (Conaquei). Mariana Luz analisou que o mais importante é entender a desigualdade do acesso da educação infantil, “que é a etapa de maior estruturação do desenvolvimento da criança”.

Muitas evidências comprovam que, se a criança tem uma educação infantil de qualidade, ela vai melhorar toda a sua trajetória escolar em até três vezes mais, ao longo das etapas subsequentes da educação.

“A gente garantir essa base sólida na educação infantil, no início da vida, é muito importante. Mas o que a gente vê é que o acesso a essa educação infantil é tão desigual como o nosso país”.

Para a presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, isso significa que quem acessa mais são os segmentos mais ricos da população e quem acessa menos são os quartis mais pobres.

“É preciso deixar claro que mesmo dentro da educação pública, há o reflexo da desigualdade do acesso”, destacou.

Segundo ela, a meta é mostrar que, nas mudanças da educação do Brasil para os próximos dez anos, devem ser adotados princípios básicos que consistem em “oferecer mais para quem tem menos, colocar para dentro da política pública, do serviço e do programa da sala de aula quem mais precisa”.

Mariana que o estudo da Fundação sublinha que não se está conseguindo fazer isso na prática de garantir esse acesso para as crianças que mais precisam. “As crianças do CadÚnico deveriam estar todas, obrigatoriamente, na sala de aula. Porque, se a educação infantil é um instrumento eficaz, comprovado, de combater a desigualdade, a gente para conseguir retirá-la de uma condição de vulnerabilidade, ela não pode estar fora. E o que o estudo mostra é que crianças do Cad estão muito mais fora do que outras. Isso é inadmissível”.

O estudo é mais um elemento para subsidiar o que os pesquisadores da Fundação, do MEC e do MDS defendem, que o acesso tem que vir com priorizações que tragam equidade para a educação infantil, sustentou Mariana. A equidade na educação infantil depende da boa implementação dessas políticas e um esforço conjunto entre União, estados e municípios.

A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal foi criada em 1965, em memória da filha do banqueiro Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, que morreu de leucemia aos 12 anos de idade. O objetivo era fomentar pesquisas no campo da hematologia. Em 2007, porém, a instituição abraçou a causa da primeira infância, considerando que as experiências vividas no começo da vida são fundamentais para o desenvolvimento não só da criança, mas de toda a sociedade.

Fonte: Agência Brasil

Copa Intercontinental: Fla enfrenta Pyramids em busca de vaga na final

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Em busca da classificação para a decisão da Copa Intercontinental de clubes da Fifa, o Flamengo entra em campo contra o Pyramids (Egito) a partir das 14h (horário de Brasília) deste sábado (13) no estádio Ahmad bin Ali, na cidade de Al Rayan (Catar).

O confronto pelas semifinais vem após uma estreia na qual o Rubro-Negro da Gávea não atuou bem, mas contou com o brilho do meia-atacante uruguaio Giorgian de Arrascaeta para derrotar o Cruz Azul (México) pelo placar de 2 a 1 na última quarta-feira (10).

Agora, diante dos egípcios, o técnico Filipe Luís afirmou, em entrevista coletiva, que não espera encontrar facilidades: “Esperamos um jogo muito difícil. Sei muito sobre o futebol egípcio, pois joguei com o Salah no Chelsea [Inglaterra]. Mas acho que a parte que me faz olhar mais é o físico dos jogadores. Eles são muito fortes, podem correr muito tempo e nunca ficam cansados. É por isso que é muito difícil vencer as partidas [contra eles]”.

Na última sexta-feira (12), o técnico do Pyramids, o croata Krunoslav Jurcic, também concedeu entrevista coletiva, na qual disse que respeita muito o Flamengo: “O Flamengo tem grandes jogadores e talvez não tenhamos jogadores tão experientes. Tenho respeito pelo Flamengo”.

Do lado do Flamengo uma boa notícia pode ser a aparição do centroavante Pedro no decorrer da partida com os egípcios. Segundo Filipe Luís, o jogador, que passou um período afastado dos gramados por causa de uma lesão muscular na coxa esquerda, deve receber minutos no jogo deste sábado: “Nosso planejamento para ele [Pedro] depende da evolução no dia a dia. No treino de hoje decidiremos se ele pode ter minutos ou não amanhã. Minha expectativa é que tenha minutos”.

Quem avançar entre Flamengo e Pyramids disputará a decisão da Copa Intercontinental de clubes da Fifa na próxima quarta-feira (17), a partir das 14h (horário de Brasília) no estádio Ahmad bin Ali.



Fonte: Agência Brasil