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China diz que vai transformar "tarifaço" dos EUA em "oportunidade"

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Em editorial publicado nesse domingo (6), o jornal porta-voz do Partido Comunista Chinês (PCCh) – o Diário do Povodisse que a China está preparada para a guerra de tarifas de Donald Trump e que o “céu não cairá” por causa das novas barreiras comerciais

“Devemos transformar pressão em motivação e encarar a resposta ao impacto dos EUA como uma oportunidade estratégica para acelerar a construção de um novo padrão de desenvolvimento”, afirmou o editorial do principal jornal do PCCh.

O Diário do Povo citou ainda a frase do presidente da China, Xi Jinping, sobre a resiliência do mercado chinês, que pode suportar ventos fortes e tempestades.

“A economia chinesa é um oceano, não um pequeno lago. Tempestades podem virar um pequeno lago, mas não podem virar o oceano”, disse o mandatário chinês citado pelo jornal.  

Nessa segunda-feira (7), Trump ameaçou a China com tarifas adicionais de 50% caso Pequim não recue da decisão de impor tarifas recíprocas à Washington. 

Resistência

O jornal reconhece que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra a China vão prejudicar o comércio entre as duas maiores potências do planeta.

“Terá inevitavelmente um impacto negativo nas exportações da China no curto prazo e aumentará a pressão sobre a economia”, disse. 

Por outro lado, o Diário do Povo argumenta que a China tem capacidade de resistir a essa pressão, que o país tem reduzido a dependência em relação à economia dos EUA e aumentado o controle sobre tecnologias chaves.

“Construímos ativamente um mercado diversificado e nossa dependência do mercado dos EUA vem diminuindo. As exportações da China para os EUA como parcela do total de exportações caíram de 19,2% em 2018 para 14,7% em 2024”, destacou o jornal.

O Diário do Povo lembra que a guerra comercial com os EUA começou em 2017. “Não importa o quanto os EUA lutaram e nos pressionaram, sempre mantivemos o desenvolvimento e o progresso, demonstrando nossa resiliência de ‘quanto mais pressão enfrentamos, mais fortes nos tornamos’”, acrescentou o editorial.

O jornal do Partido Comunista Chinês acredita que a pressão de Trump forçará o país a acelerar e concretizar “avanços tecnológicos essenciais em áreas-chave”. Além disso, lembra que organizações de todo o mundo confiam na estabilidade da economia chinesa.

“Muitas instituições financeiras de Wall Street aumentaram suas previsões para o crescimento econômico do nosso país, estão otimistas sobre o mercado de capitais da China e consideram a ‘certeza’ da China como um porto seguro para se proteger contra a ‘incerteza’ dos EUA”, completou.

Preparados

O editorial do jornal chinês destacou ainda que o Comitê Central do PCCh já previa que os EUA implementariam novas e crescentes rodadas de medidas para contenção econômica da China.

“Sabemos o que estamos fazendo e temos estratégias em mãos. Estamos travando uma guerra comercial com os EUA há oito anos e acumulamos uma rica experiência nessa luta. Os planos de resposta também são preparados com antecedência”, disse o periódico.

Mercado interno

A jornal diz que a China se apoiará no seu imenso mercado interno para se contrapor às tarifas dos EUA. Segundo dados oficiais, 85% das empresas que exportam têm negócios no mercado interno. Além disso, o total de vendas no mercado interno representa 75% do total dos negócios.

 “Devemos adotar a expansão da demanda interna como uma estratégia de longo prazo, nos esforçar para fazer do consumo a principal força motriz e lastro para o crescimento econômico e aproveitar ao máximo as vantagens do nosso mercado de escala supergrande”, afirmou.

Parceiros comerciais

O editorial lembra ainda que os EUA não podem prescindir da China para muitos produtos, tanto de consumo, como de investimentos e intermediários.

“A taxa de dependência de diversas categorias ultrapassa 50%, e será difícil encontrar fontes alternativas no mercado internacional no curto prazo”, destacou.

Ao mesmo tempo, o Diário do Povo citou que a China é o principal parceiro comercial para mais de 150 países, o que inclui o Brasil e a maioria dos países da América do Sul.  

“A cooperação econômica e comercial em mercados emergentes tem enorme potencial e está se tornando cada vez mais uma base importante para estabilizar nosso comércio exterior. Injetaremos mais estabilidade no desenvolvimento econômico global por meio do nosso próprio desenvolvimento estável”, completou o editorial.   

Fonte: Agência Brasil

Brasil tem reservas para enfrentar decisões de Trump, diz Lula

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O Brasil tem reservas internacionais suficientes para enfrentar as decisões do governo Donald Trump, disse nesta segunda-feira (7) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante anúncio de investimentos do setor de logística em Cajamar (SP), Lula reiterou que a economia voltará a crescer mais que o previsto em 2025.

“Nós pagamos a dívida externa brasileira. Nós, pela primeira vez, fizemos uma reserva [internacional] de US$ 370 bilhões, o que segura este país contra qualquer crise. Mesmo o presidente Trump falando o que ele quer falar, o Brasil está seguro porque temos um colchão de US$ 350 bilhões, que dá ao Brasil e ao ministro da [Fazenda] Fernando Haddad uma certa tranquilidade”, disse Lula, em evento promovido pela empresa de comércio eletrônico Mercado Livre.

Segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC), as reservas internacionais estavam em US$ 338,6 bilhões na última sexta-feira (7). No entanto, se contar os cerca de US$ 17 bilhões leiloados pelo BC desde o ano passado com compromisso de serem recomprados ao longo deste ano, o total sobe para US$ 355,6 bilhões.

Crescimento da economia

Durante o evento, o Mercado Livre anunciou investimentos de R$ 34 bilhões no Brasil apenas neste ano. Para o presidente, as apostas da empresa no país são justificadas porque a economia brasileira continuará a crescer acima do previsto neste ano, por causa de medidas recentes do governo para estimular o crédito e o consumo.

“Agora, as pessoas dizem: ‘A economia vai desacelerar, ela vai crescer menos’. E eu quero dizer para vocês, na frente dos trabalhadores do Mercado Livre, que a economia brasileira vai surpreender. Porque essa gente que fica discutindo o chamado mercado, essa gente que fica discutindo a economia não conhece o microcrédito funcionando, e o dinheiro chegando na mão de milhares e milhões de pessoas”, declarou Lula.

Segundo o presidente, a melhoria na economia já vem sendo percebida nos últimos anos, ao citar, como exemplo, que categorias profissionais tiveram reajuste salarial acima da inflação. “O salário mínimo já aumentou acima da inflação por dois anos consecutivos. O emprego voltou a crescer todo o ano. E o crédito está acontecendo com muita força nesse país, muita força”, destacou.

Desde que Donald Trump anunciou a aplicação de tarifas a produtos de outros países, chamado tarifaço, bolsas de valores de diversos país tiveram quedas. Para o presidente, o crescimento no Brasil não vai depender de outros países.

“Não depende de ninguém, não depende dos Estados Unidos, não depende da China, não depende da África, só depende de nós brasileiros”, disse.

“É isso que nós queremos: não queremos nada demais. Nós só queremos ser tratados com respeito, com dignidade, porque nós temos esse direito porque quem produz a riqueza desse país são vocês”, afirmou

Mercado Livre

Ao visitar o Centro de Logística do Mercado Livre, Lula abraçou funcionários da empresa e até colocou um pacote na esteira para ser encaminhado para entrega.

Ele esteve acompanhado de Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre no Brasil, que explicou como será utilizado o aporte de R$ 34 bilhões neste ano. “É um aporte para conseguirmos avançar na nossa logística. Esse valor vai ser aportado tanto no Mercado Livre quanto no Mercado Pago e no marketing”, disse Yunes durante o evento.

Yunes também anunciou que a empresa vai contratar neste ano mais 14 mil pessoas, somando 50 mil funcionários no Brasil até o final deste ano. 

Estavam na comitiva os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, Márcio França, além do prefeito de Cajamar, Kauãn Berto.

Fundado em 1999, o Mercado Livre é a companhia líder em e-commerce e serviços financeiros na América Latina, com operações em 18 países e mais de 84 mil funcionários diretos. A operação no Brasil representa 54% do total do negócio da empresa.

Fonte: Agência Brasil

Defesas civis vistoriam locais atingidos por temporal em Petrópolis

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Técnicos da Secretaria Nacional de Defesa Civil e da Defesa Civil de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, vistoriaram nesta segunda-feira (7) os principais locais atingidos pelo temporal do fim de semana. A vista acontece após o reconhecimento do governo federal da situação de emergência decretada pela prefeitura no sábado (5).

“As primeiras ações foram o atendimento às famílias. Depois, a limpeza e desobstrução das vias atingidas pelas chuvas, para restabelecimento da normalidade da cidade. Agora, iniciamos a etapa de elaboração de projetos para a realização das obras e contamos com o apoio do governo federal para a realização dessas intervenções”, disse o prefeito Hingo Hammes.

Três locais já foram definidos para receber obras emergenciais: a Rua Rio Grande do Sul, no Quitandinha, terá recuperação de pavimento e contenção; já na Rua Romeu Sutter, no Alto da Serra, será feita contenção e drenagem em mais um trecho – esse local já havia recebido obra em outro ponto, que não foi afetado pela chuva.

A Secretaria de Obras também vai acelerar as obras no Morro da Oficina. Nessa área, os serviços estão em andamento, e a finalidade é concluir dois trechos – um entre as ruas Professora Hercília Moret e Frei Leão e outro do início da Rua Frei Leão até a Rua Oswero Vilaça, ainda neste semestre. Ambas contemplam soluções de contenção de encostas e drenagem.

Maior tragédia

Há apenas três anos, o Morro da Oficina foi atingido por um temporal, em 15 de fevereiro de 2022, apontado pelo governo do Rio de Janeiro como a pior chuva em Petrópolis desde 1932. Segundo o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, choveu 258,6 milímetros em três horas.

A tragédia já é considerada a maior da história da cidade, superando o total de mortos contabilizados nos temporais de 1988 e de 2011. Segundo a defesa civil, 234 pessoas morreram na enxurrada de 2022.

 


Morro da Oficina, em Petrópolis local mais atingido pela enchente há um mês
Morro da Oficina, em Petrópolis local mais atingido pela enchente há um mês

 

Fonte: Agência Brasil

Assistência religiosa a presos é prevista na Constituição, diz Moraes

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (7) que todos os presos têm direito à assistência religiosa e podem solicitar o benefício, que é previsto na Constituição e na Lei de Execuções Penais (LEP).

A declaração do ministro foi motivada por um requerimento feito ao STF pelo deputado federal Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), líder do partido na Câmara, para que os réus pelos atos golpistas de 8 de janeiro possam receber assistência religiosa.

Na decisão, Moraes julgou o pedido coletivo como prejudicado, por entender que o benefício já é garantido e deve ser feito diretamente pelos réus.

“Todos os presos, sejam provisórios ou definitivos, têm direito à assistência religiosa, nos termos do que dispõe o preceito constitucional, bastando que solicitem, caso queiram encontrar-se com representantes de sua crença religiosa, estando, portanto, prejudicado o pedido formulado”, decidiu o ministro.

O pedido do parlamentar, que tem ligação com o pastor Silas Malafaia, foi feito na semana passada no processo que envolve a cabelereira Débora Rodrigues dos Santos, mulher acusada de participar dos atos e de pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça.

No dia 28 de março, Moraes autorizou Débora Rodrigues a deixar o presídio e passar a cumprir prisão domiciliar. Ela deverá cumprir medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica. Além disso, não poderá usar redes sociais nem ter contato com outros investigados. Débora ficou presa preventivamente por dois anos. 

Fonte: Agência Brasil

Inscrições abertas para curso gratuito sobre cuidado da pessoa idosa

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A Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP/DF), por meio da Coordenação de Ensino Técnico, está com inscrições abertas para o curso híbrido de formação “Cuidado da Pessoa Idosa”. A principal novidade desta edição é a oferta de aulas presenciais no período noturno.

Com carga horária de 120 horas, o curso é gratuito, aberto à comunidade, e tem como objetivo qualificar profissionais e pessoas interessadas no cuidado à população idosa, desenvolvendo competências essenciais com base em conhecimentos técnico-científicos e multidisciplinares.

Serão oferecidas 40 vagas imediatas e 20 para cadastro reserva, com classificação por ordem de inscrição. O gerente de Ensino Técnico da ESP/DF, Sávio Alves Borges Júnior, explica que há alguns requisitos para participar.

“Os interessados devem ter, no mínimo, 18 anos até a data da matrícula e o ensino fundamental II (6º ao 9º ano) completo. É importante lembrar que o curso será realizado de forma híbrida, ou seja, com encontros presenciais e online”, destaca.

Inscrições

Para efetuar as inscrições, o candidato deve preencher o formulário online até esta quarta-feira (9). O resultado será divulgado no período de 11 a 15 de abril no site da ESP/DF, no Instagram da Fepecs e também pelo email dos candidatos.

*Com informações da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências de Saúde (Fepecs)

Fonte: Agência Brasília

31 anos do genocídio de Ruanda: solenidade na CLDF relembra massacre que matou quase 1 milhão de pessoas

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O ano de 1994 ficou marcado na história da geopolítica do continente africano, que testemunhou um dos maiores massacres do século XX: o genocídio contra a etnia dos Tutsis em Ruanda. Quase 1 milhão de pessoas foram mortas em um período de apenas cem dias. A tragédia, que completa 31 anos, foi lembrada em solenidade no plenário da CLDF nesta segunda-feira (7) em evento que reuniu embaixadores de países africanos, pesquisadores, autoridades do Itamaraty e sobreviventes do massacre.

A deputada Doutora Jane (MDB), autora da iniciativa, ponderou que o ato de revisitar o evento histórico é essencial para que se impeça futuras tragédias como a que ocorreu em Ruanda.

“Hoje, esta Casa se reveste de um silêncio respeitoso. Devemos ter o compromisso de jamais esquecer. A história de Ruanda é uma prova de que, mesmo após a dor intensa, a reconstrução é possível”, opinou a distrital.

Violência orquestrada

A cerimônia teve a participação do jornalista e ativista Daddy Maximo Maicira-mitali, sobrevivente do genocídio, que fez um relato dramático sobre os meses de horror vividos por ele e sua família durante o massacre. Ele contou que dezenas de membros de sua família foram assassinados e que ele próprio, uma criança de 12 anos à época, sofreu abusos e mutilações praticados por extremistas do grupo étnico Hutu.

O ativista explicou que o massacre não foi um caso isolado, mas parte de um processo contínuo de intensa campanha de “demonização” da etnia Tutsi, iniciada na década de 1960, quando a maioria hutu assumiu o poder, aboliu a monarquia tutsi e proclamou a República de Ruanda.

 

Ângelo Pignaton/ Agência CLDF

“A matança dos Tutsi foi massiva e feita de forma orquestrada, através de propaganda e doutrinação de forma muito sistemática. Houve tentativas em diversos outros anos da exterminação dos Tutsi. Os sobreviventes têm cicatrizes mentais e físicas que talvez nunca iremos curar”, declarou.

A reconstrução e pacificação do país, em sua avaliação, é fruto de uma mentalidade que optou pelo perdão e união das etnias ao invés de vingança e retaliação. A preservação da memória, para Daddy Maximo, é essencial para rebater narrativas atuais que tentam distorcer os eventos e descredibilizar o sofrimento dos Tutsis.

“Esta celebração é um tributo à memória das vítimas do genocídio. Hoje, os sobreviventes não estão sozinhos nesta luta. Temos o suporte do governo e dos amigos de Ruanda. Mas temos de permanecer alerta, pois muitos insistem em negar o genocídio”, lamentou.

Por que se lembrar?

O estudioso Tom Ndahiro, autor do livro “Friends of evil: When NGOs support genocidiaires” (Amigos do mal: Quando as ONGs apoiam os genocidas, em tradução literal), relata que a memória coletiva pode ser condicionada por narrativas políticas e ideológicas e que, por isso, é preciso que a história do massacre seja sempre lembrada e revisitada para que não haja distorção. “Lembrar não é simplesmente um ato de história, mas um ato de resistência”, opinou.

Ele também avalia que a violência praticada em 1994 foi “sancionada pelo Estado” por um processo histórico de indução ao ódio aos Tutsis. “O genocídio não aconteceu em abril de 1994, teve início décadas antes, com o ódio espalhado nos discursos e as leis discriminatórias culminaram no massacre sistemático. O Estado não nos ofereceu nenhuma proteção”, declarou.

 

Ângelo Pignaton/ Agência CLDF

O cientista político e pós-doutor pela Universidade da Flórida Zachary D. Kaufman explicou que, durante os cem dias do massacre, a taxa de assassinatos ocorreu em velocidade superior em cinco vezes a do holocausto contra os judeus. Ele estabeleceu uma lista com dez aprendizados que devem ser extraídos do conflito:

1.    O discurso de ódio é perigoso;

2.    A prevenção de atrocidades é possível;

3.    A justiça de transição é essencial;

4.    Em genocídios, o abuso sexual é generalizado;

5.    A representação das mulheres é crucial;

6.    A educação sobre genocídio é necessária;

7.    A vontade política é vital;

8.    Apoiar os sobreviventes é fundamental;

9.    O protagonismo contra injustiças é imperativo;

10.    O “Nunca mais” ainda não foi cumprido – no sentido de que houve a “promessa” de que o genocídio não voltaria a ocorrer.

Para o embaixador Antônio Augusto Martins César, dirigente Departamento de África no Ministério das Relações Exteriores (MRE), fatores como o aumento da desigualdade e da pobreza contribuem para tragédias como a que ocorreu em Ruanda. Ele avalia que a capacidade de lidar com divergência de opiniões deve ser cada vez mais estimulada, em especial em ambientes como as redes sociais. “Ruanda nos mostra que o caminho do progresso passa pela capacidade de conciliação e de seguir na construção de um país mais justo”, destacou.

Já o embaixador de Ruanda, Lawrence Manzi, explicou que a divisão dos cidadãos por etnias é uma herança do período colonial. Para ele, esse processo foi fundamental para o surgimento de diversas guerras e massacres no continente ao longo dos últimos séculos. O diplomata afirmou que eventos como a solenidade desta segunda-feira ajudam a manter viva a memória sobre a tragédia.

“O genocídio conta os Tutsi nunca deve ser distorcido ou ser considerado uma coisa trivial apenas para se encaixar numa narrativa política contemporânea”, avaliou.

O embaixador de Cameroun (antiga República de Camarões) destaca que o Kwibuka – nome dado à solenidade e que significa “recordar” – vai além de uma mera lembrança, mas uma reparação histórica. “Optamos pela paz, justiça, reconciliação e dignidade humana. Devemos Inspirar a vigilância contra qualquer ideologia que busca dividir e desumanizar os povos africanos”, declarou.

 

Ângelo Pignaton/ Agência CLDF

O massacre

O genocídio contra o povo Tutsi, em Ruanda, ocorrido entre abril e julho de 1994, foi um dos episódios mais brutais da história recente. Em apenas 100 dias, quase 1 milhão de pessoas (opositoras ao regime extremista) foram assassinadas, a maioria da etnia Tutsi.

A violência foi impulsionada por décadas de tensões étnicas entre os Hutus, maioria no país, e os Tutsis, minoria que historicamente ocupava posições de poder. O estopim do massacre foi o assassinato do presidente ruandês Juvénal Habyarimana, quando seu avião foi derrubado em 6 de abril de 1994.

A partir desse momento, milícias Hutus conhecidas como Interahamwe, com apoio do governo, iniciaram ataques sistemáticos contra os Tutsis e opositores. Civis foram convocados a participar dos massacres, usando facões, porretes e armas improvisadas.

O genocídio foi amplamente planejado, com listas de pessoas a serem mortas, postos de controle para identificação étnica e propaganda de ódio disseminada por rádios e jornais. A comunidade internacional, apesar de alertas e apelos, foi amplamente criticada por sua inação e lentidão em intervir para conter a violência.

Após o genocídio, o país passou por um processo doloroso de reconstrução, com julgamentos de criminosos de guerra e esforços de reconciliação nacional. O novo governo, liderado por Paul Kagame e a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), priorizou a unidade nacional, abolindo referências étnicas oficiais e promovendo justiça por meio de tribunais locais chamados Gacaca.

A memória do genocídio é mantida viva por meio do Kwibuka, um período anual de luto e reflexão, com o objetivo de educar sobre os perigos do ódio e garantir que tragédias como essa nunca mais se repitam.

Fonte: Agência CLDF

Israel bombardeia tenda com jornalistas ao lado de hospital de Gaza

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No Dia dos Jornalistas, comemorado nesta segunda-feira (7), as Forças de Defesa de Israel (FDI) bombardearam, na madrugada, uma tenda com jornalistas em frente ao Hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza.

Um jornalista e um civil morreram no ataque, e outros nove jornalistas estão gravemente feridos, segundo o Sindicato de Jornalistas Palestinos. Vídeos do momento do ataque, com a tenda pegando fogo com os profissionais queimando dentro, vêm sendo divulgados nas redes sociais.

“O Sindicato dos Jornalistas Palestinos condenou fortemente, nos termos mais severos, esse massacre terrível, que custou a vida do jornalista Helmi Al-Faqaawi (Palestine Today TV), como resultado do bombardeio da tenda que pegou fogo”, disse a entidade de classe. 

Ao todo, mais de 200 jornalistas já foram assassinados por Israel em Gaza, o que é denunciado por grupos de defesa da liberdade de expressão como estratégia de Israel para promover um “apagão da mídia” que cobre a guerra. 

Por outro lado, a FDI acusou um dos jornalistas feridos na tenda ao lado do Hospital Nasser de pertencer à Brigada do Hamas em Khan Yunis.

“As FDI atacaram o terrorista do Hamas Hassan Abdel Fattah Mohammed Aslih na área de Khan Yunis, que opera sob o disfarce de jornalista e é dono de uma empresa de imprensa”, disse o Exército israelense, sem apresentar provas.

Segundo Israel, o jornalista Aslih teria participado do ataque do Hamas em 7 de outubro. “Durante o massacre, ele documentou e enviou imagens de saques, incêndios criminosos e assassinatos para as mídias sociais”, completou a FDI.

Israel tem acusado jornalistas assassinados de participar do Hamas, como ocorreu na semana passada com o profissional Hossam Shabat, de 23 anos, da TV Al-Jazeera, morto em um ataque de drone. Entidades como Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) têm questionado essas acusações, que consideram “frágeis” e que carecem de provas.

Desde que retomou os ataques à Faixa de Gaza, no dia 18 de março, após dois meses de relativa trégua, Israel já matou 1,3 mil pessoas, ferindo outros 3,4 mil moradores de Gaza. Ao todo, 505 crianças foram assassinadas e mais 1,2 mil ficaram feridas nos últimos 20 dias, segundo o Ministério da Saúde do enclave palestino. 

Fonte: Agência Brasil

Mulheres recebem 20% a menos que homens no Brasil

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As mulheres brasileiras receberam salários, em média, 20,9% menores do que os homens em 2024 em mais de 53 mil estabelecimentos pesquisados com 100 ou mais empregados.

A diferença salarial se manteve praticamente estável em relação à 2023, quando foi registrado que as mulheres recebiam 20,7% a menos que os homens. Em 2022, as mulheres recebiam 19,4% a menos. 

“Na remuneração média, os homens ganham R$ 4.745,53, enquanto as mulheres ganham R$ 3.755,01. Quando se trata de mulheres negras, o salário médio vai para R$ 2.864,39”, diz o 3ª Relatório de Transparência Salarial e Igualdade Salarial.

O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (7) pelos ministérios da Mulher e do Trabalho e Emprego (MTE). Foram analisados, ao todo, 19 milhões de empregos, um milhão a mais que no relatório de 2023.

Em relação às mulheres negras, a média salarial é 52,5% menor que a dos homens não negros. Em 2023, mulheres negras recebiam 49,7% a menos que os homens não negros.

Alta gestão

Nos cargos de alta gestão, de diretoras e gerentes, a diferença salarial é ainda maior, com mulheres recebendo 26,8% a menos que os homens. Se comparadas as mulheres com nível superior, a diferença em relação aos homens com mesmo nível de escolaridade é ainda maior, com mulheres com diplomas recebendo 31,5% a menos.

A ministra da Mulher, Cida Gonçalvez, considerou que a desigualdade entre mulheres e homens persiste porque ainda é necessário que se sejam feitas mudanças estruturais na sociedade.

“Desde a responsabilidade das mulheres pelo trabalho do cuidado à mentalidade de cada empresa, que precisa entender que ela só irá ganhar tendo mais mulheres compondo sua força de trabalho, e com salários maiores”, disse a ministra.

Os estados como Acre, Santa Catarina, Paraná, Amapá, São Paulo e Distrito Federal foram os que registraram as menores desigualdades salariais.

Mais mulheres no mercado

Os ministérios envolvidos na pesquisa destacaram como positivo o fato de ter caído o número de empresas com menos de 10% de mulheres negras contratadas, de 21,6 mil para 20,4 mil.

“Houve um crescimento na participação das mulheres negras no mercado de trabalho. Eram 3,2 milhões de mulheres negras e passou para 3,8 milhões. Outra boa notícia é que aumentou o número de estabelecimentos em que a diferença é de até 5% nos salários médios e medianos para as mulheres e homens”, informaram as pastas.

Desigualdade estável

A porcentagem da massa de todos os rendimentos do trabalho das mulheres, entre 2015 e 2024, variou de 35,7% para 37,4%, segundo dados do MTE.

A subsecretária de Estatísticas do Trabalho do MTE Paula Montagner avaliou que, apesar das mulheres estarem mais no mercado de trabalho, o rendimento delas se manteve estável entre 2015 e 2024.

“Essa relativa estabilidade decorre das remunerações menores das mulheres, uma vez que o número delas no mercado de trabalho é crescente”, afirmou.

O número de mulheres empregadas aumentou de 38,8 milhões em 2015 para 44,8 milhões em 2024, crescimento de mais de 6 milhões de vagas ocupadas por mulheres. O de homens empregados cresceu no mesmo período em 5,5 milhões, chegando a 53,5 milhões no ano passado.

Caso as mulheres ganhassem igual aos homens na mesma função, R$ 95 bilhões teriam entrado na economia em 2024, apontou o relatório.

Fonte: Agência Brasil

Em evento com Lula, farmacêutica anuncia investimento de R$ 6,4 bi

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (7), que o Brasil tem todas as condições para atrair empresas que desejam se instalar ou fazer novos investimentos no país, oferecendo estabilidade política, jurídica e econômica. “O governo apenas cria oportunidade”, disse durante evento de anúncio da expansão da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, em Montes Claros, Minas Gerais.

Lula citou ainda a estabilidade social e a previsibilidade sobre o mercado e lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um grande cliente do setor farmacêutico.

“Esse senhor [Lars Fruergaard Jørgensen, CEO da Novo Nordisk] que veio fazer investimento de R$ 6,4 bilhões acredita que esse país tem todas essas condições para fazer isso. E além disso, esse país é o único com mais de 100 milhões de habitantes que tem uma coisa chamada SUS [Sistema Único de Saúde], que é o mais importante programa de saúde que tem um país do mundo. E é o maior comprador de remédio. Então, é por isso que eles estão aqui”, afirmou Lula.

A ampliação da planta industrial da Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, visa aumentar a capacidade de produção de tratamentos injetáveis para pessoas com obesidade, diabetes e outras doenças crônicas graves. Os investimentos chegam a R$ 6,4 bilhões.

“É o maior investimento individual de uma empresa privada farmacêutica na história do Brasil”, destacou Lula.

O presidente ainda citou outras ações da empresa, como as políticas de diversidade que garantem empregos para mulheres, negros, pessoas com deficiência e LGBTQIA+.

O projeto da ampliação pretende aumentar significativamente a capacidade da unidade em Montes Claros com a adição de novos processos de produção asséptica, um armazém e um novo laboratório de controle de qualidade, atendendo a diversos formatos de produtos, com tecnologia avançada. As obras de construção já começaram e devem ser concluídas em 2028.

A empresa é importante fornecedora de insulina e medicamentos para o tratamento de hemofilia para o SUS e, atualmente, gera 2,65 mil empregos diretos e indiretos na cidade mineira. Mais 600 novos empregos diretos devem ser gerados com a expansão.

A Novo Nordisk tem unidades de produção em países como Dinamarca, Estados Unidos, França, China e Bélgica. Os medicamentos são produzidos nesses locais e, em seguida, distribuídos para pacientes ao redor do mundo, atendendo mais de 70 países. Isso inclui a produção de quase metade da insulina mundial. No Brasil, desde 1990, a empresa tem escritório administrativo em São Paulo (SP) e a unidade de produção em Montes Claros.

Vacina contra gripe

Durante o evento, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin receberam dose da vacina contra a gripe. A campanha nacional de vacinação começou nesta segunda-feira (7).

A meta é imunizar 90% dos chamados grupos prioritários, que incluem crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos – como Lula e Alckmin – e gestantes. Em 2024, a cobertura vacinal contra a gripe entre os públicos prioritários foi de 48,89% na Região Norte e 55,19% nas demais regiões.

De acordo com o Ministério da Saúde, o imunizante distribuído na rede pública protege contra um total de três vírus do tipo influenza. Ainda segundo a pasta, a vacina contra a gripe é capaz de evitar entre 60% e 70% dos casos graves e dos óbitos relacionados à doença.

Fonte: Agência Brasil

Polícia Civil investiga rede social por apologia à violência digital

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A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar uma plataforma online por apologia à violência digital. 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a rede social descumpriu uma solicitação emergencial das autoridades para derrubar uma transmissão ao vivo em que eram exibidas cenas de violência para crianças e adolescentes.

A situação foi flagrada por policiais do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) durante monitoramento de um grupo envolvido na divulgação de cenas de violência para centenas de usuários. 

“Nós solicitamos aos responsáveis pela plataforma para derrubarem aquele servidor porque acabaria com o crime imediatamente”, informou, em nota, a coordenadora do Noad, delegada Lisandréa Salvariego.

A delegada ressaltou a importância, em qualquer investigação, de haver intensa colaboração das plataformas. “Nesse caso, mesmo com uma cena tão violenta, nós não tivemos apoio, mas, se tivéssemos, poderíamos impedir a incitação a algo horrível”, afirmou Lisandréa.

Um relatório de inteligência, com provas e argumentos sobre os crimes, foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que analisou os fatos e instaurou o inquérito policial, em 28 de março, para aprofundar as investigações.

De acordo com a SSP, a plataforma responsável pela transmissão online foi intimada e os policiais vão colher o depoimento dos representantes da empresa no país, além de outros envolvidos. 

“Durante a transmissão ao vivo, os ‘líderes’ do grupo submetem usuários a vários tipos de violência – desde estupros virtuais até automutilação. Eles também usam a plataforma para comercializar pornografia infantil”, informou a secretaria.

A delegada Lisandréa Salvariego defende a união de todos os setores envolvidos para combater esse tipo de crime, especialmente no caso investigado, em que a maioria das vítimas e dos espectadores era menor de idade.

Fonte: Agência Brasil