Sem histórico de lealdade ideológica à direita, prefeita de Vitória da Conquista recorre ao pragmatismo eleitoreiro para empurrar Wagner Alves rumo à Assembleia Legislativa e manter hegemonia familiar.
Não há coerência política nem convicção doutrinária na mais recente guinada de Sheila Lemos (União Brasil): o que se desenha no xadrez de Vitória da Conquista é puro oportunismo eleitoral. Distante das trincheiras da direita ideológica ao longo de sua trajetória, a chefe do Executivo municipal decidiu, de repente, abraçar pautas, cores e símbolos bolsonaristas com um propósito puramente doméstico: turbinar a pré-candidatura do marido, o advogado Wagner Alves, a deputado estadual.
O cálculo é transparente e escancara a lógica da conveniência. Durante a rotina da gestão, o pragmatismo institucional e as costuras de bastidor sempre falaram mais alto do que qualquer alinhamento conceitual com as bases conservadoras. Agora, diante da necessidade urgente de alavancar o nome do cônjuge na disputa por uma cadeira na ALBA, Sheila tenta sequestrar um eleitorado fiel e consolidado na cidade, tratando votos de convicção como mercadoria transferível de gabinete.
A manobra expõe o cinismo de uma liderança que aposta na amnésia da população conquistense. Wagner Alves surge no cenário como herdeiro direto da máquina pública e da retórica de ocasião da prefeita, desprovido de qualquer identidade orgânica construída junto aos setores conservadores que hoje tenta seduzir.
Ao empurrar o próprio núcleo familiar a reboque de uma onda política que nunca ajudou a edificar, Sheila Lemos assina um atestado explícito de pragmatismo predatório. O episódio subestima a inteligência do eleitor de Vitória da Conquista, reduzindo o debate público a uma jogada ensaiada para manter o poder restrito às paredes do mesmo endereço.
