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PL da Bahia boicota campanha de Dra. Raíssa Soares em meio a disputas internas e corte de verbas

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Dra. Raissa e Bolsonaro em evento na Bahia

A corrida eleitoral para a Câmara dos Deputados na Bahia expõe uma crise profunda no diretório estadual do Partido Liberal (PL). A Dra. Raíssa Soares, que conquistou expressivos 1.057.085 votos na disputa ao Senado em 2022 e desponta hoje cotada para ser uma das deputadas federais mais votadas do estado, enfrenta um boicote velado da própria cúpula local na disputa por uma vaga em Brasília. Apontada como a principal cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro em solo baiano, a médica opera sob fogo cruzado dentro da legenda. Diante do cerco montado nos bastidores, uma pergunta inevitável ecoa nos corredores da política baiana: a quem interessa a não eleição da Dra. Raíssa pelo PL?

No centro da disputa está a liderança estadual do partido, comandada pelo ex-ministro João Roma. Em 2022, Roma somou pouco mais de 738 mil votos na corrida pelo governo, enquanto sua esposa, Roberta Roma — atual presidente do PL Mulher estadual —, garantiu sua eleição à Câmara com pouco mais de 160 mil votos e agora busca a reeleição. Fontes internas do partido revelam que o prestígio e o forte potencial eleitoral de Dra. Raíssa causam um clima de ciúme político generalizado na família Roma, que enxerga o protagonismo e o teto expressivo de votos da médica como uma ameaça direta aos seus próprios projetos de poder.

Outro ponto que acirra as tensões é o distanciamento da família Roma em relação à campanha de Flávio Bolsonaro. Enquanto João Roma integra a chapa de ACM Neto como candidato ao Senado, os palanques locais do grupo evitam fazer campanha para Flávio, evidenciando que, mesmo em um estado onde seria urgente desconstruir a hegemonia da esquerda, nem a própria direita local se mostra verdadeiramente alinhada.

O boicote atinge de forma contundente o caixa da campanha. O PL havia prometido o repasse da verba máxima do Fundo Partidário à Dra. Raíssa, além dos recursos extras previstos por lei para candidaturas femininas. No entanto, os repasses prometidos não foram liberados pela direção estadual, asfixiando financeiramente sua estrutura. A quem interessa, afinal, sufocar os recursos de um dos nomes mais fortes da sigla para a Câmara dos Deputados?

Essa situação de isolamento imposta pela cúpula estadual exige uma intervenção direta do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Nossa redação tentou contato com a executiva nacional para obter esclarecimentos sobre medidas para destravar os recursos e estancar a retaliação, mas não obteve retorno até a publicação.

Mesmo desprovida da estrutura oficial prometida e sem as verbas a que tem direito, Dra. Raíssa mantém uma agenda intensa pelo interior da Bahia, mobilizando suas bases e apostando no contato corpo a corpo para confirmar o favoritismo nas urnas.

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