Os bastidores da política pernambucana voltam a ferver com uma disputa que expõe, mais uma vez, a fragilidade da direita no Estado. O ex-ministro do Turismo e ex-candidato a senador e a prefeito do Recife, Gilson Machado Neto, estaria prestes a se desligar do PL (Partido Liberal) após perder espaço para o presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira.
Segundo fontes próximas, tanto Gilson quanto seu filho estariam em avançadas conversas para ingressar no Partido Novo, que tem buscado ampliar sua presença em Pernambuco. A movimentação seria uma resposta direta à rota de colisão com Anderson Ferreira, que se coloca como candidato oficial de Jair Bolsonaro ao Senado em 2026.
Disputa de protagonismo
Apesar de ter sido um dos nomes mais próximos e leais a Bolsonaro, Gilson enfrenta dificuldades de articulação política em Pernambuco. Anderson Ferreira, por outro lado, tem se consolidado como um dos líderes do clã Ferreira, com uma costura política mais estruturada e capilaridade eleitoral.
Ambos afirmam ter o apoio de Bolsonaro para disputar o Senado, mas a dúvida que paira é: haverá dois candidatos pelo mesmo campo político? Se sim, por que essa divisão? Se não, estaria já acordada a entrega de outro espaço político em troca de apoios?
Essas incertezas escancaram o que analistas apontam como uma das maiores fragilidades da direita em Pernambuco: a incapacidade de gerir crises internas e de construir uma estratégia unificada.
Impactos e consequências
Caso se confirme a ida de Gilson Machado para o Novo, o partido pode ganhar mais visibilidade, mas também herdar as tensões e disputas pessoais que marcam a direita no Estado. A movimentação tende a consolidar a percepção de ruptura e desorganização política, em contraste com a habilidade do PSB em manter-se hegemônico em Pernambuco ao longo das últimas décadas.
Enquanto a direita se fragmenta, o campo governista tende a se fortalecer. O resultado prático desse cenário, avaliam observadores, é o fortalecimento do PSB e a continuidade da estagnação econômica e política do Estado.
O retrato da crise
Pernambuco, que já foi protagonista da política nacional, hoje enfrenta uma crise de representação. A disputa entre Gilson e Anderson Ferreira é mais um capítulo da desestruturação da direita local. Sem unidade, sobra espaço para a perpetuação do domínio da esquerda e para a sensação de que o Estado permanece “atrofiado” dentro do cenário nacional.
Aqui jaz Pernambuco, imortal na história, mas enfraquecido pela política miúda do presente.