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Tetra e penta: Brasil abre Mundial de atletismo paralímpico com ouro

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O primeiro dia de provas do Mundial de Atletismo Paralímpico, em Nova Delhi, na Índia, foi altamente produtivo para os atletas brasileiros. Neste sábado (27), dois deles conquistaram ouros e aumentaram a coleção de títulos mundiais.

Petrúcio Ferreira chegou ao penta nos 100 metros T47 (deficiência nos membros superiores), enquanto Beth Gomes alcançou o tetra no lançamento de disco F53 (atletas que competem sentados).

O saldo do primeiro dia teve ainda mais duas pratas, com Yeltsin Jacques, nos 5.000m T11 (deficiência visual) e Vinícius Cabral nos 100m T71 (petra).

Disputa

O pentacampeonato do paraibano Petrúcio Ferreira veio em uma final extremamente disputada. O velocista ficou em primeiro com o tempo de 10s66, mas a diferença para o segundo colocado, o chinês Shi Kangjun, foi de apenas dois centésimos, enquanto o terceiro colocado, o marroquino Ayamane El Haddaoui, chegou apenas quatro centésimos depois. Outro brasileiro, Thomaz Ruan, que terminou a prova apenas 0s16 atrás de Petrúcio, ficou em quarto, de fora do pódio.

O ouro de Beth Gomes veio de forma tranquila. Ela registrou 17,35m na final do lançamento de disco F53, mais de três metros à frente da segunda colocada, a ucraniana Zoia Ovsill, que lançou a 14,16m. O pódio foi completado por Elena Gorlova, que competiu sem bandeira e registrou 13,10m. O Mundial de atletismo paralímpico vai até domingo, 5 de outubro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Agência Brasil

Rio ganha mais opções gastronômicas com mercado em Laranjeiras

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Acompanhado do seu cachorro , o empresário aposentado Luis Sérgio Santos, de 73 anos, esteve esta semana no recém-inaugurado Novo Mercado São José. Ele queria ver as novidades do tradicional polo gastronômico e cultural de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, fechado desde 2018. 

Santos conta que frequentava o espaço antes de seu fechamento. “Em relação ao que está agora, era um imóvel com características muito antigas, estilo colonial, era aconchegante, mas a gente via que estava precisando de uma reforma. Tinha barzinhos e venda de salgadinhos. Ouvia-se música, tocavam violão, tomavam um chopinho. Mas estava abandonado. Agora está mais confortável, moderno, bonito, bem estruturado. Voltarei a frequentar. Será excepcional se tiver uma programação musical”, enfatiza. 

Reduto gastronômico

A farmacêutica Luiza Gotin, de 39 anos, aproveitou um tempo livre no trabalho para conhecer o novo reduto gastronômico do Rio. Moradora de Laranjeiras desde 2020, ela só conheceu o imóvel abandonado.

“Eu passava por aqui e via o mercado bem destruído, com moradores de rua dormindo dentro e fora do local. Fiquei muito feliz quando pensaram em revitalizar porque trouxe, além de mais segurança, espaço de interação com restaurantes. Espero que tenha atividades culturais. É um prédio tão icônico que não podia ficar abandonado do jeito que estava. Foi um presente para o Rio”, opinou Luiza. 


Rio de Janeiro(RJ), 24/09/25 - O aposentado, Luís Sérgio Touche e seu cachorrinho, Zé, passeiam no novo merdado. O Mercado São José, em Laranjeiras. que estava fechado há 7 anos volta a funcionar como espaço para compras de hortifruti, restaurantes e música. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro(RJ), 24/09/25 - O aposentado, Luís Sérgio Touche e seu cachorrinho, Zé, passeiam no novo merdado. O Mercado São José, em Laranjeiras. que estava fechado há 7 anos volta a funcionar como espaço para compras de hortifruti, restaurantes e música. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fechado há sete anos, quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retomou judicialmente o imóvel, a prefeitura do Rio comprou o prédio e o terreno ao lado, em 2023, por R$ 3 milhões.

A Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) fez uma chamada pública e o consórcio liderado pela Engeprat com a curadoria da Junta Local, que reúne produtores de orgânicos, foi selecionado para gerir o espaço pelos próximos 25 anos. O investimento privado na revitalização foi de R$ 10 milhões. 

Popularmente conhecido como Mercadinho São José, o centro gastronômico voltou a funcionar com 16 empreendimentos, entre hortifruti orgânico, queijaria, confeitaria autoral, cozinha árabe, café especial, massas artesanais, sorvetes veganos, fermentados, bares e restaurantes. O mercado fica aberto de terça-feira a domingo, das 10h às 22h, na Rua das Laranjeiras, 90. 

Massas

O espaço foi uma oportunidade para que pequenos negócios abrissem lojas físicas pela primeira vez. O restaurante Basta, especializado em massas, é um deles. Mauricio Borges, de 28 anos, fez o curso de gastronomia na renomada escola Le Cordon Bleu. A sócia, Ellen Gonzalez, foi professora dele na escola de gastronomia francesa.

“A Ellen sempre participou da Junta Local e, quando soube que ia reabrir o mercado, ela se interessou e abrimos aqui nosso primeiro negócio. Tem ficado bem cheio. Nossa expectativa é muito boa. Estamos aumentando a nossa equipe e contratando mais gente”, revela. 

Outro estreante é o Rancho das Vertentes, queijaria com produtos artesanais próprios e de outros produtores. A sócia Sandra Cardoso, de 59 anos, conta que vendiam muitos dos seus produtos nas feiras da Junta Local. “Há muito tempo a gente estava procurando um ponto para abrir uma loja física.  Era um sonho ter uma loja de produtor de queijo artesanal. Tem sido bem movimentado e estamos vendendo bem”, avalia.

Cofundador da Junta Local, Thiago Nasser, disse que a ideia era voltar a ser um mercado com produtores locais como era quando foi fundado em 1944. “A ideia era resgatar essa tradição de ser um lugar de produtores. Quando a gente começou com a prospecção, a gente trabalhou com a nossa rede de produtores para ter um lugar fixo. Já geramos cerca de 150 empregos”, afirmou Nasser. 


Rio de Janeiro(RJ), 24/09/25 - O Mercado São José, em Laranjeiras. que estava fechado há 7 anos volta a funcionar como espaço para compras de hortifruti, restaurantes e música. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro(RJ), 24/09/25 - O Mercado São José, em Laranjeiras. que estava fechado há 7 anos volta a funcionar como espaço para compras de hortifruti, restaurantes e música. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Desde 1944, o mercado integrou um ciclo de espaços comunitários cariocas batizados com nomes de santos – São Sebastião, São Bento, São Rafael, São Lucas e São Paulo. Seu tombamento como Patrimônio Cultural do Rio, em 1994, reforçou o valor como patrimônio afetivo e arquitetônico da cidade, segundo a prefeitura. 

Senzala e celeiro

O imóvel foi uma senzala e um celeiro de uma fazenda localizada no Parque Guinle na época do Império.

Sua inauguração como mercado ocorreu em 31 de maio de 1944, quando o presidente Getúlio Vargas decidiu adaptar as baias para criar um local que pudesse fornecer alimentos mais acessíveis à população durante a Segunda Guerra Mundial.

Depois de décadas de abandono desde os anos 1960, o mercado passou por uma revitalização em 1988 e se tornou um ponto tradicional da boemia carioca.

No entanto, com o passar dos anos, a infraestrutura do local começou a se deteriorar e ele acabou fechado em 2018, após o INSS retomar o local. Agora, a realidade é outra. 

Fonte: Agência Brasil

Cientista político vê onda bolsonarista enfraquecida após condenação

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No movimento agitado das marés políticas, a onda bolsonarista estaria perto de virar espuma. A metáfora expressa a visão do cientista político Gabriel Rezende, que caracteriza o fenômeno político liderado nos últimos anos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como “populismo de direita”. Em análise histórica mais ampla, o Brasil teria vivido quatro ondas populistas, e a mais recente delas mostra sinais de enfraquecimento.

Doutor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Gabriel lançará, no início de outubro, o livro A ascensão do populismo de direita no Brasil, pela Editora Appris. A obra trata o populismo como um fenômeno político e uma ferramenta de representação, que emerge sempre em momentos de crise.

Em entrevista por telefone à Agência Brasil, o autor defende que as crises política, econômica e social brasileiras, entre 2013 e 2016, formaram a “tempestade perfeita” para ascensão da onda bolsonarista. Entre as características principais, esse novo populismo de direita teria se apresentado com um líder carismático central, discursos que opõem “o povo” a uma “a elite da velha política”, narrativas nacionalistas e religiosas, e o uso estratégico das mídias sociais.

Nesse sentido, Gabriel Rezende entende que a tentativa fracassada de golpe de Estado pelo núcleo bolsonarista e o papel do Judiciário no enfrentamento das tendências autoritárias colocam o populismo de direita em rota decrescente.

 


Brasília (DF), 26/09/2025 - Gabriel Rezende, cientista político, lança livro sobre populismo de direita. Foto: Gabriel Rezende/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 26/09/2025 - Gabriel Rezende, cientista político, lança livro sobre populismo de direita. Foto: Gabriel Rezende/Arquivo Pessoal

Confira a entrevista

Agência Brasil: Poderia falar, em linhas gerais, o que motivou a pesquisar o “populismo de direita” e como o tema é abordado no livro que está prestes a lançar?

Gabriel Rezende: O livro é fruto da minha tese de doutorado. O que despertou a minha curiosidade foi perceber a emergência de líderes populistas pelo mundo. Primeiro, em 2016, com Donald Trump, nos Estados Unidos; Kaczyński, na Polônia; Beppe Grillo, na Itália; Viktor Orbán, na Hungria; e Jair Bolsonaro, no Brasil. Isso me mostrou a necessidade de estudar o fenômeno.

Busquei identificar, no meu livro, quais foram os fatores estruturais para a ascensão desse tipo de populismo no Brasil, entre 2016 e 2022. A partir daí, compreendi o bolsonarismo como movimento político. E que o Brasil sempre viveu ondas populistas.

A primeira onda populista foi da década de 30 até a década de 60; a segunda onda populista, nos anos 90, a chamada onda populista neoliberal, com o Fernando Collor como protagonista; a terceira onda, que foi a rosa, o populismo de esquerda, que, além do Brasil, também se fez presente na América Latina com Evo Morales [Bolívia], Chávez [Venezuela] e Kirchner [Argentina]; e a quarta, que estamos vivendo agora, paralela à onda populista de direita que também acontece na Europa e nos Estados Unidos.

Agência Brasil: Populismo é um termo com muitos sentidos, disputado por diferentes teóricos e movimentos políticos. Pode ser visto como pejorativo ou fenômeno positivo de inclusão maior das demandas populares. Como você caracteriza esse conceito na sua obra?

Gabriel Rezende: Não entendo o populismo como ideologia ou regime político, uma vez que não pode ser atribuído a ele um conteúdo programático específico. Ele regimenta um conjunto de questões ideológicas dentro de um centro.

Ele é um fenômeno político que sempre surge em processos de crise da democracia. Também pode ser visto como uma ferramenta de política de representação, seja da direita ou da esquerda. Para ser caracterizado assim, precisa de alguns elementos.

Primeiro, uma figura central, um líder carismático que vai amalgamar todas as insatisfações sociais. E, quando ele faz isso, se funda a partir do antagonismo, da diferenciação entre “nós” e o “outro”, ou melhor, entre o povo e a elite. Ou seja, ele trabalha numa ordem dicotômica. Ele procura fazer uma distinção entre o povo, que é a massa, e aqueles que dominam essas massas. No populismo de direita, por exemplo, o inimigo pode ser o imigrante, os membros da classe política. Bolsonaro usou muito essa retórica sobre a velha política e a nova política.

Agência Brasil: Quais seriam as diferenças entre os populismos de direita e os de esquerda?

Gabriel Rezende: No caso do populismo de direita, se trabalha muito a narrativa nacional nativista, por exemplo, caso do Trump com o lema Make America Great Again [Faça a América grande de novo, em inglês]. Essa ideia de América fortalecida. O segundo elemento muito comum é a religião. No caso do Brasil, nós somos uma nação mais de 60% cristã. Então, o populismo usa a narrativa conservadora e moral.

No caso do Brasil, em 2018, a direita conseguiu mobilizar isso, porque quem estava no poder até então era um partido de esquerda, o PT. E a direita batia muito nessa questão antissistema.

Já o populismo de esquerda é diferente. Ele busca uma ampliação das lacunas da vida social, por exemplo, questões mais progressistas em relação aos direitos das minorias. Ele busca amalgamar essas pessoas à margem e o discurso vai ser um elemento aglutinador delas.

As pautas vão ser voltadas para a democracia, para questões de liberdade moral. Por exemplo, a grande crítica do populismo de direita no Brasil foram questões liberais em relação à população LGBT, ao aborto, etc.

Agência Brasil: Quais particularidades envolvem o populismo de direita protagonizado pelo bolsonarismo?

Gabriel Rezende: Bolsonaro foi eleito porque conseguiu mobilizar cinco elementos. Primeiro, a questão do lavajatismo. Lembrando que o próprio Sérgio Moro foi ministro no governo dele. Bolsonaro vai na esteira da questão moral e ética na política.

O segundo pilar estrutural foi a questão dos evangélicos. Apesar de se dizer católico, ele foi muito ágil em lidar com essas lideranças religiosas por meio do discurso, com o próprio, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. E os evangélicos conseguem mobilizar um eleitorado muito expressivo.

O terceiro elemento é o agronegócio, setor que mais cresce no Brasil, que abrange uma fatia expressiva do PIB. O agronegócio, de fato, abraçou a campanha do Bolsonaro por várias questões. Para citar um exemplo, o respaldo em relação à invasão de terras. O governo tinha a Teresa Cristina no Ministério da Agricultura, uma figura importante do agronegócio.

Outro elemento importante são as mídias digitais. O bolsonarismo foi muito habilidoso nas redes sociais, com uma série de representantes que ajudaram muito na mobilização das pautas e do eleitorado.

E o último elemento é a aproximação com os militares, como forma de moralizar a política. Eles, inclusive, fizeram parte dos escalões da Esplanada dos Ministérios e estão envolvidos nessa condenação recente por golpe de Estado.

 


Brasília (DF) 14/09/2025 Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente ao hospital onde ele se internou nessa manhã  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 14/09/2025 Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente ao hospital onde ele se internou nessa manhã  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Agência Brasil: E como você analisa o Judiciário nesse contexto de atuação do populismo de direita. Vimos alguns juízes do Supremo serem caracterizados pelos bolsonaristas como inimigos dos seus interesses.

Gabriel Rezende: O STF, no caso do Brasil, cumpre papel de guardião da Constituição, segundo estabelecido em 1988. Nos últimos anos, o Poder Judiciário foi crescendo por receber demandas que eram próprias do Executivo ou do Legislativo, mas que estes não conseguiam responder. Então, muitos processos foram judicializados. Na minha visão, o que se vê é um Judiciário responsivo, que é levado a se posicionar diante de demandas muito complexas.

A preocupação por parte do populismo de direita é tentar mitigar o poder do judiciário, porque ele foi o único no Brasil que conseguiu se contrapor ao governo de Bolsonaro. E que atuou, com muitas aspas, como poder moderador.

Temos as questões recentes de projetos de anistia e a PEC da Blindagem, que foram respostas desse bolsonarismo ao julgamento da Primeira Turma do STF aos acusados por tentativa de golpe de Estado. São respostas da extrema direita para tentar mostrar que eles têm poder para medir com o Judiciário.

Só que o efeito foi contrário. O que aconteceu foi que a PEC da Blindagem não foi bem recebida socialmente. A PEC é um vazio argumentativo, porque vai contra o que esses próprios congressistas pregavam quando foram eleitos. A pauta da moral, da lei e da ordem.

Agência Brasil: Você falou em ondas populistas, o que significa que elas têm movimentos de início e fim. O que podemos esperar a partir de agora em relação a esse populismo de direita? É possível projetar se ele está mais próximo de um enfraquecimento ou de um fortalecimento?

Gabriel Rezende: Por algum tempo, nossas instituições não foram muito hábeis para lidar com esse movimento de extrema direita autoritário. Por exemplo, a Procuradoria-Geral da República não conseguiu ou não quis levar à frente questões em relação ao governo Bolsonaro. O Judiciário foi quem mais atuou nesse sentido.

Com a condenação dele recentemente, há um enfraquecimento no sentido político. Apoiadores fiéis a ele perdem uma base, uma referência mais concreta. A proibição de ele dar entrevista enfraquece muito. Imagine um populismo de direita em que a principal figura não pode falar.

Temos visto outras pessoas querendo assumir essa posição. O [pastor Silas] Malafaia, a Michelle Bolsonaro [ex-primeira dama], os filhos dele, o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo]. Abre-se um flanco muito grande de quem vai disputar o legado desse populismo. Nesse sentido, podemos falar que existe um enfraquecimento do populismo. Estão mensurando o quanto a imagem do bolsonarismo está danificada e se é possível um rearranjo em relação à figura política principal.

Ao mesmo tempo, o [presidente] Lula não conseguiu ainda construir uma sucessão, uma outra figura que assuma o seu legado. Quem será o candidato que vai conseguir amalgamar todos esses princípios em relação à esquerda, caso o próprio Lula não possa ou não queira se reeleger?

O momento é de rearranjo político. Na política, uma semana é um mundo. Podem acontecer mil coisas antes da eleição de 2026.

Fonte: Agência Brasil

INSS faz mutirão de perícias em 35 cidades

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O Ministério da Previdência Social fará, neste fim de semana, mutirões de perícias médicas em 35 cidades. A expectativa indica que hoje e domingo (28) mais de cinco mil pessoas sejam beneficiadas, uma vez que a maior parte dos atendimentos poderá ser feita por meio de telemedicina (perícia conectada).

Com uso dessa tecnologia, o Instituto do Seguro Social (INSS) pretende alcançar regiões onde há poucos peritos, evitando a necessidade de longos deslocamentos – ampliando ainda mais o acesso da população aos benefícios, além de reduzir o tempo de espera dos beneficiários.

Atendimentos

De acordo com o Ministério da Previdência Social, o maior número de vagas foi ofertado para a Região Sul. “Serão 800 atendimentos na cidade de Joinville (SC), 400 vagas em Curitiba (PR) e 374 atendimentos em Cascavel (PR)”, informou a pasta.

Os atendimentos serão dirigidos a pessoas que já haviam agendado atendimento pericial, mas que estavam com tempo de espera elevado. O ministério informou que a perícia conectada tem “a mesma segurança e os mesmos princípios basilares” do atendimento presencial, preservando a privacidade e o sigilo do atendimento pericial.

“As perícias conectadas também serão utilizadas em perícias iniciais para benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) que não foram conformados no Atestmed (análise documental), além de avaliações médicas de requerimentos de Benefício de Prestação Continuada (BPC) à pessoa com deficiência e nas revisões desses benefícios assistenciais (REVBPC)”, detalhou o ministério.

Informações sobre o atendimento pericial podem ser obtidas por meio da Central 135; pelo aplicativo Meu INSS; ou no site.

Veja onde haverá mutirão

Amazonas

Tabatinga (sábado)

Manacapuru

Itacoatiara

Presidente Figueiredo (domingo)

Iranduba

Bahia

Irecê

Paripiranga

Caetité (sábado)

Barreiras

Santa Rita de Cássia

Eunápolis

Cruz das Almas

Nazaré

Ceará

Ubajara

Pará

Goianésia do Pará

Redenção/Pará

Marabá

São Geraldo do Araguaia

Rondon do Pará

Jacundá

Xinguara

Parauapebas

Conceição do Araguaia (sábado)

Paraná

Campo Mourão

Maringá

Cascavel

Francisco Beltrão

Marechal Candido Rondon

Medianeira

Ponta Grossa

Cianorte

Curitiba

Rio Grande do Sul

Santa Rosa

Frederico Westphalen

Santa Catarina

Joinville

Fonte: Agência Brasil

Conmebol define datas e horários das semifinais da Libertadores

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A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) confirmou neste sábado (27) as datas e horários das semifinais da Taça Libertadores da América, que envolvem dois times brasileiros: Palmeiras e Flamengo.

Ambas as equipes lutam para vencer a competição pela quarta vez e enfrentam, respectivamente, LDU, do Equador, e Racing, da Argentina.

As semifinais da principal competição de clubes na América do Sul serão abertas com o duelo entre Flamengo e Racing, no dia 22 de outubro, no Maracanã, às 21h30 (horário de Brasília). No dia seguinte, no mesmo horário, a LDU recebe o Palmeiras em Quito.

Os jogos da volta serão na semana seguinte. No dia 29, o Racing será o anfitrião diante do Flamengo, novamente às 21h30. No dia seguinte, o Palmeiras recepcionará a LDU no Allianz Parque, também às 21h30.

Tanto Palmeiras quanto Flamengo possuem três títulos da Libertadores na história e, como estão em lados opostos na chave, poderão decidir o campeonato no dia 29 de novembro em Lima, no Peru.

Caso o duelo brasileiro se confirme, seria uma reedição da final de 2021, vencida pelo Palmeiras.

Fonte: Agência Brasil

STF julgará vínculo trabalhista de motoristas e entregadores

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O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima quarta-feira (1°) o início do julgamento sobre o reconhecimento de vínculo empregatício entre entregadores e motoristas de aplicativos e as plataformas digitais. A controvérsia é conhecida como uberização das relações de trabalho.

A decisão a ser tomada pela Corte terá impacto em 10 mil processos que estão parados em todo o país à espera do posicionamento do plenário.

Serão julgadas duas ações que são relatadas pelos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes e chegaram ao Supremo a partir de recursos protocolados pelas plataformas Rappi e Uber.

Contestação

As empresas contestam decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram o vínculo empregatício com os motoristas e entregadores.

A Rappi alegou que as decisões trabalhistas que reconheceram o vínculo de emprego com a empresa desrespeitaram posição da própria Corte que entende não haver relação de emprego formal com os entregadores.

A Uber sustentou que é uma empresa de tecnologia, e não do ramo de transportes, e que o reconhecimento de vínculo trabalhista altera a finalidade do negócio da plataforma, violando o princípio constitucional da livre iniciativa de atividade econômica.

Além das defesas das plataformas, os ministros vão ouvir durante o julgamento as sustentações orais de entidades que defendem o reconhecimento do vínculo trabalhista de motoristas e entregadores.

O julgamento sobre a uberização será a primeira pauta do plenário sob o comando do ministro Edson Fachin, que será empossado no cargo de presidente do STF na próxima segunda-feira (29). Ele sucederá o ministro Luís Roberto Barroso, que encerrará mandato de dois anos à frente do tribunal. 

Fonte: Agência Brasil

Classificar Antifa como terrorista aumenta repressão política nos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou esta semana um decreto que designa o movimento Antifa como “organização terrorista”. A medida chamou atenção de especialistas, que chegaram a considerá-la como uma das mais graves em termos de repressão tomadas por Trump até o momento. Isso porque, na prática, ela pode ser usada para coibir qualquer manifestação contrária ao governo e até mesmo para justificar o uso abusivo de violência por parte do Estado, sendo comparável a repressões feitas em ditaduras.

“Na verdade, o que ele está suspendendo, sem mexer na Constituição, é o direito constitucional da livre expressão, de protesto, de dissenso, que é próprio da democracia”, diz o professor do departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Thiago Rodrigues.

“É muito grave isso que tá acontecendo. É equivalente a políticas de repressão de uma ditadura militar, como houve no Brasil. A pessoa que é contra o regime é considerada subversiva, como inimiga da pátria, não como criminosa, mas como traidora da pátria. É muito sério, é uma medida que equivale a medidas de um governo ditatorial”, acrescenta.

A medida foi anunciada após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, aliado de Trump, baleado em um campus universitário em Utah. Um estudante de faculdade técnica de 22 anos foi acusado do assassinato, e os investigadores, que ainda buscam uma motivação para o crime, não comprovaram a ligação dele com qualquer grupo organizado. Antes mesmo da prisão do suspeito, Trump atribuiu o assassinato a uma “esquerda radical”. A classificação de Antifa como terrorista veio como represália.

A inclusão chama atenção porque Antifa não se trata de uma organização específica, mas de uma pauta antifascista que é defendida por diversos movimentos e organizações. Nos Estados Unidos, Antifa ganha ainda mais projeção desde o primeiro governo de Trump, entre 2017 e 2021, sendo utilizado como bandeira por movimentos progressistas, por exemplo, durante os protestos após o assassinato de George Floyd, sob o lema Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

“Não existe um grupo organizado, com hierarquia, com comando central, com propósitos elaborados de uma forma mais organizada que se chame Antifa”, diz Rodrigues. “Antifa é uma tática motivada por uma ideologia antifascista e anticapitalista. É preocupante que Trump tenha designado uma forma de pensar e agir como um grupo terrorista”.

O fascismo surge na Itália, nos anos 1920, sob a liderança de Benito Mussolini. Trata-se de um regime ultranacionalista e autoritário. Já o movimento Antifa ganha força nos Estados Unidos na mesma época, quando grupos se organizam contra organizações pró-nazistas no país. Atualmente, Antifa congrega também pautas de igualdade de gênero e racial.

Sem uma organização específica, a medida de Trump abre brecha para que todas as que se oponham ao governo possam ser criminalizadas.

“É muito possível que essa associação [ao terrorismo] facilite o uso de medidas de repressão, de medidas autoritárias contra grupos em geral desse espectro progressista”, diz a professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Clarissa Nascimento Forner.

“Usar o termo terrorismo mobiliza não só um certo conjunto de significados, mas também autoriza um conjunto de práticas, inclusive, de maior violência”, explica.

Terrorismo

Para os professores é importante compreender o peso do termo terrorismo nos Estados Unidos. No dia 11 de setembro de 2001, não apenas os Estados Unidos, mas todo o mundo assistiu a aviões atingirem e derrubarem as duas torres do World Trade Center, em Nova York, que abrigavam escritórios de grandes empresas. O atentado deixou cerca de 3 mil mortos e marcou o início do que foi chamado pelo governo da época de “uma guerra ao terror”

Nos EUA, a Ordem Executiva 13.224, de 2001, dá ao governo poder de interromper a rede de apoio financeiro para terroristas e organizações terroristas, de designar e bloquear os ativos de indivíduos e entidades estrangeiras que cometem, ou representam um risco significativo de cometer atos de terrorismo.

O ato presidencial que designou Antifa como uma organização terrorista doméstica estabelece: “Todos os departamentos e agências executivas relevantes devem utilizar todas as autoridades aplicáveis ​​para investigar, interromper e desmantelar toda e qualquer operação ilegal — especialmente aquelas que envolvam ações terroristas — conduzida pela Antifa ou qualquer pessoa que alegue agir em nome da Antifa, ou para a qual a Antifa ou qualquer pessoa que alegue agir em nome da Antifa forneceu suporte material, incluindo ações investigativas e processuais necessárias contra aqueles que financiam tais operações”.

“Isso se segue uma lógica que nós testemunhamos em vários países com governos autoritários, com governos não democráticos. A gente viu isso na Rússia, a gente viu isso na Hungria, a gente tem visto isso na Venezuela. É uma ação típica de um governo autoritário que quer, se não acabar, certamente enfraquecer determinadas partes da sociedade civil que eles consideram politicamente hostil”, diz o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Kai Lehmann.

Repercussões

No início do ano, Trump classificou diversas organizações do narcotráfico como terroristas e tem pressionado o Brasil a adotar a mesma postura em relação aos grupos criminosos locais. 

Para Clarissa Forner, a nova medida pode trazer também novas pressões para o Brasil. “Eu não duvido que isso possa também ser um outro mecanismo para ampliar essa pressão, já que a gente tem também grupos que se vinculam a essa pauta antifascista. Acho que isso pode corroborar também para reforçar essas pressões que já existem”, diz a professora da Uerj.

Lehmann acrescenta que, por mais que o Brasil tente copiar a medida, há entraves legais que dificultam que isso seja implementado no país.

“A Justiça no Brasil, atualmente, tem muito mais independência do que nos Estados Unidos. Então, contra esse tipo de medida, caberia no Brasil ainda recurso judicial. Nos Estados Unidos é mais difícil, a Suprema Corte nos Estados Unidos não pode ser considerada independente do Executivo”, diz.

Fonte: Agência Brasil

Hidrogênio verde enfrenta desafios para cumprir potencial energético

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Em toda estrutura metálica das cidades, há um passado que envolve emissão de gases poluidores na atmosfera. Pontes, edifícios, carros e navios são exemplos de construções formadas por aço, elemento que libera grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) ao ser produzido.

Preocupada com esse cenário, a engenheira química Patrícia Metolina pensou em uma solução para tornar as indústrias siderúrgicas mais eficientes e menos poluidoras: usar o chamado hidrogênio verde no processo de transformação do minério de ferro para o aço.

A pesquisa dela – vencedora do prêmio de teses da Universidade de São Paulo (USP) – é um dos exemplos de como o hidrogênio pode ser estratégico na transição energética necessária para enfrentar o aquecimento global.

“No caso, no Brasil, a gente não tem ainda essa tecnologia sendo desenvolvida nas nossas siderúrgicas. Mas nossas pesquisas mostram o potencial desse processo. Na Suécia, por exemplo, eles têm projeto piloto e conseguiram validar que ele pode ser usado industrialmente e ser comercializado. Há grandes siderúrgicas que estão investindo muito nessa tecnologia para conseguir produzir esse aço verde e conseguir abater as emissões de CO₂”, diz Patrícia.

De olho nesses potenciais, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram no início desta semana o Portal Brasileiro de Hidrogênio. A plataforma pública on-line pretende ampliar informações estratégicas sobre o setor de hidrogênio no Brasil e atrair novos investidores.

O hidrogênio verde é obtido a partir de energias renováveis, como as de matriz hidrelétrica, solar e eólica. De maneira simplificada, o processo envolve usar eletricidade em tanque de água (H₂O) para separar as moléculas de hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).

O hidrogênio obtido pode ser transformado em combustível para aviões, embarcações e caminhões; para produção de amônia (NH3), principal matéria-prima de fertilizantes nitrogenados usados na agricultura; e para a fabricação do aço, como mostra a pesquisa de Patrícia Metolina.

Aço verde

Na indústria siderúrgica, tudo começa com a extração do minério de ferro da natureza. Ele pode se apresentar na forma de hematita (Fe2O3) ou magnetita (Fe3O4). Para obter o ferro (Fe) desse material, é preciso tirar os oxigênios da molécula. No modo tradicional, o minério de ferro é inserido em fornos de alta temperatura que usam coque de carvão. O resultado é a emissão de grandes quantidades de CO₂.

A indústria siderúrgica é responsável por cerca de um terço das emissões industriais de CO₂, segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e por aproximadamente 7% das emissões globais, conforme dados da Agência Internacional de Energia (IEA).

O método pesquisado por Patrícia envolve o hidrogênio verde em um tipo de reação química que dispensa o coque de carvão e a fusão do minério de ferro. O subproduto do processo deixa assim de ser o CO2 para ser apenas vapor de água.

“O Brasil tem um conjunto de vantagens que pode favorecer a produção de hidrogênio, porque na Europa ainda é muito caro. Eles não têm as mesmas condições naturais, como painéis solares e turbinas eólicas como a gente tem. Aqui, a gente poderia produzir o hidrogênio no Nordeste, por exemplo, onde há as eólicas eter uma siderúrgica próxima para consumir esse hidrogênio e fabricar um aço verde”, avalia Patrícia.

Potencial do hidrogênio

Estimativas da Hydrogen Council, consórcio de multinacionais interessadas na expansão do hidrogênio, apontam que a demanda global por hidrogênio deve aumentar cinco vezes até 2050. Em todo o mundo, o cálculo é de mais de 1.500 iniciativas de hidrogênio limpo em andamento, crescimento de sete vezes em três anos.

Dos investimentos anunciados, a América Latina é a que concentra o segundo maior volume: US$ 107 bilhões. E, nesse ponto, o fato de o Brasil se destacar pelo uso de energias renováveis aumenta as expectativas do setor sobre a produção do hidrogênio verde.

Atualmente, os países com maiores projetos de produção de hidrogênio verde no mundo são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, China, Chile, Espanha e Holanda.

A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) destaca cinco projetos vinculados ao grupo que tem maior potencial econômico. Eles são liderados pelas empresas Fortescue, Casa dos Ventos, Atlas Agro, Voltalia e European Energy. Incluem produção de fertilizantes nitrogenados, amônia e metanol.

Para 2026, a expectativa é de 63 bilhões de investimentos para início dos projetos. A maior parte dos projetos está concentrada no Complexo de Pecém, no Ceará. Mas há outros em Uberaba, em Minas Gerais, e no Porto do Suape, em Pernambuco.

“O que a gente pode dizer é que o hype do hidrogênio verde, da amônia e do metanol passou e agora a gente tem projetos reais, assentados, que estão trabalhando seus fluxos de caixa, organizando as finanças para poder se colocar de pé. Então, o momento que a gente está passando é o momento em que você separa projetos fictícios de projetos reais”, disse Fernanda Delgado, diretora da ABIHV.

“A gente começa a ter todo esse ecossistema montado, enquanto as empresas vão tomando sua decisão final de investimento e o Brasil deve começar a ter produção de amônia e metanol por volta de 2029 ou 2030”, complementou.

Desafios

Apesar de todo o potencial e do avanço das pesquisas, a implantação do hidrogênio verde ainda tem uma série de desafios pela frente. Entre os principais, costumam ser destacados pelos especialistas do setor: custos altos de produção por causa da infraestrutura e equipamentos (eletrolisadores) caros; falta de infraestrutura logística para transporte e armazenamento; necessidade de marco regulatório e tributário claro para atrair investimentos; e dependência do acesso à água para a eletrólise.

Os projetos desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Janeiro, por meio da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), são um exemplo das dificuldades que o país tem enfrentado no setor.

Em agosto de 2023, foi inaugurada uma planta de produção de hidrogênio verde no campus da universidade. O projeto envolvia a produção de hidrogênio a partir da eletrólise da água, usando energia fotovoltaica. E, a partir daí, o uso do hidrogênio em processos industriais, em bicicletas movidas a H2, e em pilhas a combustível de óxido sólido.

A iniciativa contou com recursos da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável. E envolveu quatro laboratórios da Coppe: Laboratório de Transporte Sustentável (LabTS), Laboratório de Eletrônica de Potência e Média Tensão (LEMT), Núcleo de Catálise (Nucat), e Laboratório de Hidrogênio (LabH2).

Dois anos depois, os pesquisadores enfrentam dificuldades para fazer os projetos avançarem. A professora Andrea Santos, coordenadora do Laboratório de Transporte Sustentável (LabTS), explica que os problemas começam ainda na matéria-prima da produção de hidrogênio.

“A nossa primeira produção de hidrogênio não foi em uma qualidade boa. Não era um hidrogênio puro. Tinha uma contaminação nas amostras em torno de 3% de oxigênio. Isso para a aplicação, principalmente em mobilidade, não é adequado. Eu tenho que coletar água desmineralizada de um laboratório para abastecer os eletrolisadores, porque a água da Cedae [empresa privada de abastecimento de água no Rio de Janeiro] não é adequada”, explica Andrea.

A pesquisadora explica que há dificuldade para fazer a manutenção nos equipamentos. Dos nove eletrolisadores que vieram da Alemanha, dois estão com defeito e precisam ser enviados ao país europeu, que não quer bancar o transporte deles. Sem uma indústria nacional que produza esse tipo de equipamento, os custos em pesquisas ficam ainda mais restritos.

Por isso, no ano da COP30, quando a transição energética ganha mais espaço no país, a professora da Coppe/UFRJ espera que novos investimentos públicos e privados permitam o avanço das pesquisas no hidrogênio.

“Precisamos de recursos para fazer as manutenções, para publicar artigos, ter uma equipe trabalhando e operando a planta cinco vezes por semana. Faltam realmente investimentos para pesquisa, desenvolvimento, criação de normas técnicas, certificação e adequação da infraestrutura”, avaliou Andrea Santos.

“Existe esse entendimento de que é uma alternativa ainda cara, portanto, é mais confortável você manter as outras poluentes que já existem. Qualquer tecnologia no início vai custar mais caro. Mas a gente não tem mais como usar essa desculpa por conta da urgência de fazer a transição energética. Se tiver esse investimento, a tendência é essa tecnologia baratear e ficar mais competitiva. No caso do Brasil, a gente tem condição de produzir esse hidrogênio a um custo mais baixo”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

Prêmio de R$ 80 milhões da Mega-Sena será sorteado neste sábado

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As seis dezenas do concurso 2.920 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.

O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 80 milhões.

Por se tratar de um concurso com final zero, ele recebe um adicional das arrecadações dos cinco concursos anteriores, conforme regra da modalidade.

O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa. 

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As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.


Fonte: Agência Brasil

Com US$ 1,1 tri, investimento estrangeiro bate recorde de 46,6% do PIB

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O Brasil terminou 2024 com um estoque de US$ 1,141 trilhão em investimento estrangeiro direto no país, o que representa quase metade (46,6%) do Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de bens e serviços produzidos no país. Essa marca é um recorde na série histórica do Banco Central (BC).

Os dados fazem parte do Censo de Capitais Estrangeiros, divulgado pelo BC nesta sexta-feira (26), em Brasília.

Em 1995, quando foi iniciada a série, o percentual de investimento direto estrangeiro era de 6,1% do PIB. Em 2000, passou para 17,1%, alcançando 25,2% em 2010. Em 2019, superou pela primeira vez a marca de 30% (34,6%). Em 2023, a marca ficou em 45%.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, destaca que a maioria das empresas que recebem capital estrangeiro é controlada por esses investidores.

“Tem 100% do capital ou tem o controle da empresa, mais de 50%”, diz Rocha, ao ressaltar o fato de esses negócios terem maior ligação com o exterior.

“Tipicamente têm uma maior relação com o exterior, com os seus investidores, têm maior conteúdo importado, maior conteúdo exportado”, explica.

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Aumento da capacidade produtiva

O BC divide os US$ 1,1 trilhão em duas partes: US$ 884,8 bilhões são participação no capital social de empresas, ou seja, sócios; enquanto US$ 256,4 bilhões são operações intercompanhia, isto é, empréstimos entre empresas.

“O mais importante é o caráter tipicamente produtivo desse investimento direto, aumentando capacidade instalada no país, contribuindo para crescimento de produtividade”, avalia Rocha.

Apesar do recorde em relação ao PIB, Fernando Rocha esclarece que, em termos absolutos, o estoque de investimento direto no país era maior ao fim de 2023, marcando US$ 1,3 trilhão.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC explica que isso acontece por causa do câmbio.

 “Esses investimentos no Brasil são todos feitos em reais, então a gente apura esses valores, mas depois converte em dólar”, detalha.

Segundo Rocha, entre o fim de 2023 e o final de 2024, a taxa de câmbio passou de R$ 4,84 por dólar para R$ 6,19. “Essa depreciação cambial reduziu esse valor de investimento direto, quando a gente expressa em dólares”, completa.

Fernando Rocha aponta que os principais países a investirem diretamente no Brasil são Estados Unidos, em primeiro lugar, França, Uruguai, Espanha e Países Baixos.

“A gente tem como principais setores, que somam 40% da posição de investimento, o setor de serviços financeiros, comércio, eletricidade e extração de petróleo”, elenca.

Fonte: Agência Brasil