O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja de chuvas intensas para 14 unidades da federação. Para os estados do Amapá, Maranhão e Pará, o aviso é válido até o fim desta segunda-feira (23). Para São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Piauí, o alerta tem validade até a sexta-feira (27).
Estão totalmente incluídas no aviso de chuvas intensas RJ, ES, MG, GO, DF, TO. SP deverá ser afetada no litoral, regiões leste e norte; MS, norte e oeste do estado; MT (leste), BA (litoral sul, sul e oeste do estado); PI (região sul), MA (litoral e região sul), PA e AP (litoral).
O alerta laranja é o grau intermediário dentre os três avisos emitidos pelo instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo.
De acordo com o Inmet, o alerta laranja significa situação meteorológica perigosa. A recomendação é para que as pessoas se mantenham vigilantes e informem-se regularmente sobre as condições meteorológicas previstas.
Nas áreas afetadas, estão previstas chuvas entre 30 mm e 60 mm por hora ou 50 mm e 100 mm por dia, e ventos intensos (60 a 100 km/h). Há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
Em caso de tempestade, a orientação é não se abrigar debaixo de árvores em razão do risco de descargas elétricas e queda de galhos. Também não é recomendado estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos, nesta segunda-feira (23), para manter a condenação de sete réus do Núcleo 3 da trama golpista ocorrida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O colegiado realiza o julgamento dos recursos protocolados pela defesa dos condenados. O julgamento virtual começou na sexta-feira (13) e será finalizado nesta terça-feira (24).
No núcleo, há militares que faziam parte do grupamento de forças especiais do Exército, identificados como “kids pretos”.
Até o momento, Alexandre de Moraes, relator, e os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino votaram para manter as condenações, que foram definidas em novembro do ano passado. Falta o voto de Cármen Lúcia.
As condenações ocorreram pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Os réus foram acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de planejar ações táticas para efetivar o plano golpista e tentar sequestrar e matar o ministro Alexandre de Moraes, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022. O grupo também disseminou notícias falsas sobre as eleições, fez pressão junto ao alto comando das Forças Armadas para aderirem ao golpe.
Confira as penas dos réus
Hélio Ferreira Lima – tenente-coronel: 24 anos de prisão;
Rafael Martins de Oliveira – tenente-coronel: 21 anos de prisão;
Rodrigo Bezerra de Azevedo – tenente-coronel: 21 anos de prisão;
Wladimir Matos Soares – policial federal: 21 anos de prisão;
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros – tenente-coronel: 17 anos de prisão;
Bernardo Romão Correa Netto – coronel: 17 anos de prisão;
Fabrício Moreira de Bastos – coronel: 16 anos de prisão.
O Bragantino anunciou, nesta segunda-feira (23), que multou o zagueiro Gustavo Marques em 50% do total de seus vencimentos em consequência das declarações machistas feitas contra a árbitra Daiane Muniz, após a partida contra o São Paulo, e que o jogador não será relacionado para o próximo compromisso do Massa Bruta, contra o Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro, na próxima quarta-feira (25).
Na nota, a equipe de Bragança Paulista afirmou que “o valor da multa será destinado para a ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região bragantina”.
Na noite do último sábado (21), após derrota do Bragantino para o São Paulo pelo Campeonato Paulista, Gustavo Marques proferiu falas machistas ao questionar e criticar a escalação da árbitra Daiane Muniz para o jogo. “Primeiramente, quero falar da arbitragem porque não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Era nosso sonho chegar à semifinal, ou até a final, mas ela acabou com nosso jogo. Acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, sou casado, tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”, declarou o zagueiro em entrevista após a partida para uma equipe de reportagem da emissora TNT.
Horas após o ocorrido, em postagem nas redes sociais, o jogador pediu desculpas pelas declarações: “Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria e poderia. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas mulheres e em especial a Daiane […]. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro”.
A atitude foi prontamente criticada pela Federação Paulista de Futebol (FPF), que afirmou que encaminhará a declaração de Gustavo Marques à Justiça Desportiva: “É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo […]. Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça […]. A FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis”.
Em meio à cautela dos investidores com a política tarifária do presidente Donald Trump, o dólar voltou a cair e a fechar no menor valor em 20 meses. A bolsa de valores iniciou o dia em alta, mas reverteu a trajetória e caiu, influenciada pelo mercado externo.
O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (23) vendido a R$ 5,169, com recuo de R$ 0,007 (-0,14%). A cotação começou a sessão em alta, chagando a R$ 5,19 pouco antes das 9h30, mas recuou ainda no fim da manhã, em linha com o mercado internacional.
A moeda estadunidense está no menor valor desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15. A divisa acumula queda de 1,51% em fevereiro e de 5,83% em 2025.
O mercado de ações teve um dia mais volátil. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 188.853 pontos, com recuo de 0,88%. O indicador chegou a subir 0,23% às 11h57, mas passou a cair à tarde, puxado por ações de bancos e em linha com as bolsas de Nova York.
As incertezas em torno da imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump provocaram oscilações no mercado. O dólar começou o dia em alta, com importadores aproveitando a cotação barata da sexta-feira (20) para comprar moeda, mas a movimentação inverteu-se com a abertura do mercado estadunidense e a enxurrada de capitais para países emergentes, como o Brasil.
Em relação à bolsa, houve um movimento de realização de lucros, principalmente em ações de bancos, após o recorde de sexta-feira. Paralelamente, a correção nas bolsas dos Estados Unidos nesta segunda influenciou o mercado de ações em todo o planeta.
A exceção foram as ações de petroleiras, que subiram influenciadas pelo aumento na cotação internacional do petróleo, em meio ao acirramento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Trump voltou a ameaçar o país asiático com uma ação militar de maior escala.
O projeto de lei (PL 6.191/2025), que institui o Estatuto dos Cães e Gatos, estabelece pena de seis meses a dez anos de reclusão para quem matar ou torturar cães ou gatos. O texto já foi aprovado por unanimidade na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado e está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
O estatuto, que foi elaborado com a participação de entidades de defesa dos animais e especialistas em direito animal, está estruturado em 12 capítulos e 60 artigos. A proposta define regras sobre tutela responsável, proíbe práticas como abandono e mutilação e amplia punições para maus-tratos.
Ao tratar da importância da proposta, nesta segunda-feira (23) o relator do PL, senador Paulo Paim (PT-RS), citou o episódio recente de violência contra um cão em Florianópolis (SC), que, segundo ele, gerou repercussão nacional e internacional. O senador questionou a influência de conteúdos violentos sobre jovens e defendeu resposta firme do Estado.
“O Estatuto dos Cães e Gatos é um passo fundamental para assegurar direitos essenciais a esses seres que dependem muito de nós. Enfatizo a importância de se estabelecer direitos fundamentais à vida, integridade, o bem-estar dos nossos amigos de quatro patas e, além disso, a obrigação dos Poderes sobre os mesmos”, disse.
Veja algumas propostas incluídas no texto:
Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres voltados à proteção, bem-estar, saúde e convivência harmoniosa de cães e gatos com os seres humanos, nos âmbitos familiar e comunitário.
Estabelece um marco regulatório abrangente para o tratamento digno e responsável dos cães e gatos.
Proíbe abandono, agressões, mutilações estéticas, uso em rinhas, restrição injustificada de liberdade, uso em testes com sofrimento.
Proíbe confinamento inadequado, comercialização clandestina e negação de acesso à água e comida para animais em áreas comuns.
Traz o conceito de “animais comunitários”, que são cães e gatos em situação de rua com vínculos de dependência com a comunidade.
Prevê a “custódia responsável”, compromisso legal e ético de garantir o bem-estar do animal.
A adoção responsável exige que o adotante tenha mais de 18 anos, com condições adequadas e sem antecedentes por maus-tratos.
Adoções devem atender aos interesses do animal, principalmente em casos de trauma ou abandono.
Balanço divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro indicou queda na criminalidade no carnaval deste ano. Segundo o governo, as cidades fluminenses tiveram 43,5% menos ocorrências envolvendo turistas e 32,88% de redução nos furtos e roubos de celulares e crimes contra transeuntes.
Ao todo, 731 pessoas foram presas em ações integradas durante o carnaval, entre os dias 13 e 17 de fevereiro, de acordo com o balanço da Operação Carnaval 2026.
Para o governo do estado, os resultados são positivos e mostram redução da criminalidade e aumento da produtividade policial. Segundo o governador, Cláudio Castro, o Carnaval do Rio “é uma vitrine para o mundo”, e a redução de índices importantes “impacta diretamente na diversão de turistas e moradores do estado”, defendeu.
Segundo a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, houve um crescimento de 211% na recuperação de celulares roubados ou furtados, alta de 46% nas apreensões de armas de fogo, além de aumento de 208% na apreensão de simulacros, em comparação a 2025.
Já a Operação Lei Seca realizou 44 ações, abordou 4.658 condutores e registrou 858 infrações por alcoolemia, o que corresponde a 18,4% das abordagens. No Sambódromo da Marquês de Sapucaí, mais de 100 motoristas de carros alegóricos foram testados, com 100% de aprovação.
Salvamentos nas praias
Na orla, os socorros aumentaram durante o carnaval. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, foram 1.517 atendimentos marítimos, um aumento de 172% em relação ao mesmo período de 2025.
Ainda conforme o balanço divulgado, o programa Segurança Presente registrou 44 ocorrências até o dia 18 de fevereiro. O Segurança Presente é um programa que suplementa a atuação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, com foco em segurança pública, cidadania e atendimento social.
No carnaval, o programa operou com 1.444 agentes e monitorou 390 câmeras com reconhecimento facial em 90 pontos estratégicos, com bases no Centro, Zona Sul e no Sambódromo, onde houve reforço das equipes do Mulher Presente na campanha “Não é Não! Respeite a decisão”.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu nesta segunda-feira (23) com integrantes da Polícia Federal (PF) para tomar conhecimento das investigações que envolvem o Banco Master.
Durante a reunião, o ministro recebeu um relatório sobre o andamento da apuração.
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
Na partida que encerrou a 2ª rodada da Série A1 (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol, o São Paulo derrotou o Bahia por 2 a 1, na noite desta segunda-feira (23) no Estádio Marcelo Portugal Gouveia, que fica no Centro de Formação de Atletas de Cotia (SP). O confronto contou com a transmissão ao vivo da TV Brasil.
⌛ Jogando fora de casa, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro Feminino, #MulheresDeAço tropeçam diante do São Paulo: 2 a 1. Cássia marcou o gol tricolor. Nossa próxima partida será o clássico Ba-Vi, dia 16 de março, em Pituaço. #BBMPpic.twitter.com/QWDSDNjlno
Com o triunfo em casa as Soberanas mantiveram 100% de aproveitamento na competição, alcançando os mesmos seis pontos de Palmeiras e Flamengo, mas ocupando a 3ª posição. Já as Mulheres de Aço permanecem sem pontuar, na 17ª colocação.
O São Paulo fez valer o fato de jogar em casa para abrir o placar cedo. Logo aos 13 minutos do primeiro tempo a centroavante Crivelari aproveitou bate e rebate na área para chutar colocado e superar a goleira Yanne.
Em desvantagem o Bahia passou a forçar mais as jogadas de ataque. E a insistência das Mulheres de Aço foi premiada aos 24 minutos. Após boa jogada pela ponta direita, a lateral Dan cruzou para a pequena área, onde Cássia teve muita liberdade para finalizar de primeira para o fundo da meta defendida por Carlinha.
A partida continuou aberta, com oportunidades sendo criadas de lado a lado. Mas, após o intervalo, o São Paulo contou com o faro de gol de Gadu para garantir a vitória. Aos nove minutos, a centroavante das Soberanas recebeu na intermediária, conseguiu avançar em meio à marcação de duas adversárias e teve sangue frio para bater na saída da goleira Yanne para dar números finais ao marcador.
As datas e horários das semifinais do Campeonato Paulista foram anunciados nesta segunda-feira (23) pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Os primeiros a entrar em campo são Novorizontino e Corinthians, a partir das 20h30 (horário de Brasília) do próximo sábado (28) no estádio Jorge Ismael de Biasi.
Um dia depois, domingo (1), Palmeiras e São Paulo medem forças, a partir das 20h30 na Arena Barueri, em busca da segunda vaga para a grande decisão da competição.
Os primeiros a garantirem vaga nas semifinais do Paulista foram Palmeiras e São Paulo. No último sábado, o Tricolor Paulista derrotou o Bragantino pelo placar de 2 a 1. No mesmo dia o Verdão atropelou o Capivariano por 4 a 0 para avançar.
Já no domingo (22), o Novorizontino bateu o Santos pelo placar de 2 a 1. Já o Corinthians teve que ir para as penalidades máximas para superar a Portuguesa por 8 a 7, após um empate de 1 a 1 no tempo regulamentar.
A localização de uma pessoa de confiança de uma das namoradas do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi o que permitiu às autoridades do México realizarem uma operação para prender o criminoso. El Mencho é líder de um dos principais cartéis de drogas do país, procurado internacionalmente.
Com informações adicionais dos serviços de inteligência dos Estados Unidos (EUA), os militares mexicanos localizaram o criminoso em um povoado do estado de Jalisco, onde ele construiu seu império de drogas por meio do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG).
El Mencho foi morto durante uma operação, no domingo (22), e sua morte provocou terror país, com represálias que deixaram dezenas de mortos, vias bloqueadas, automóveis incendiados, prédios públicos e comerciais atacados, além de emboscadas contra autoridades.
Após a onda de violência, o México amanheceu, nesta segunda-feira (23), sem mais distúrbios ou bloqueios de vias públicas, segundo informou a presidenta Cláudia Sheinbaum, que garantiu que o país estaria “em paz”, em coletiva de imprensa.
“Nossos pêsames às famílias dos militares que perderam suas vidas ontem. E nosso mais profundo respeito. O povo do México deve se orgulhar muito de nossas Forças Armadas e de nosso gabinete de segurança.”
Ontem, o México registrou 252 bloqueios em 20 dos 31 estados do país. Os ataques causaram a morte de 27 agentes do estado, além de 30 suspeitos de participarem das ações violentas a mando do cartel CJNG, segundo o Gabinete de Segurança da presidência do México. De acordo com as autoridades, o cartel ofereceu 20 mil pesos por militar assassinado.
O Cartel de Jalisco é relativamente novo, tendo se expandido a partir dos anos 2010. Ele se consolida como uma das organizações mais poderosas do México, segundo informou a advogada especialista em políticas sobre drogas, Gabriela de Luca.
“Seu principal rival tem sido o Cartel de Sinaloa, com quem disputa rotas internacionais, corredores logísticos e territórios em diversos estados — uma rivalidade amplamente apontada como um dos fatores centrais da violência recente no país”, disse a especialista.
A operação
O serviço de inteligência do país conseguiu interceptar uma pessoa de confiança de uma das “parceiras” do narcotraficante, informou o secretário de Defesa Nacional da presidência, o general Ricardo Trevilla.
“Em 20 de fevereiro, por meio de operações da Inteligência Militar Central, um associado de confiança de uma das parceiras amorosas de El Mencho foi localizado. Ele a levou a uma instalação na cidade de Tapalpa, em Jalisco”, disse Trevilla.
Essa suposta namorada do traficante teria se reunido com El Mencho nesse imóvel no sábado (21), onde ele estaria com seu círculo pessoal mais próximo. No domingo, foi realizada a operação para prendê-lo.
Foram mobilizados agentes de forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional do México. A operação contou com seis helicópteros e aviões modelo Texan. Ao se ver cercada por militares, a segurança pessoal de El Mencho abriu fogo, permitindo a fuga do narcotraficante.
“Mencho fugiu, deixando para trás um grupo com grande quantidade de armas; foi um ataque verdadeiramente violento perpetrado por um grupo do crime organizado. E os militares das Forças Especiais repeliram o ataque”, disse o general.
Os suspeitos estariam com armas pesadas, entre elas, sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes. El Mencho e alguns seguranças conseguiram escapar da emboscada para uma área arborizada próxima.
Os militares estabeleceram um perímetro na região e localizaram El Mencho escondido em área de vegetação rasteira, ainda com vida.
Novamente, seus guarda-costas teriam aberto fogo contra os militares. Durante esse segundo tiroteio, um helicóptero do Estado precisou realizar pouso de emergência após ser atingido por um projétil de arma de fogo.
Ainda segundo relato do general mexicano, as forças especiais teriam repelido essa segunda agressão, deixando El Mencho gravemente ferido junto com dois de seus guarda-costas.
“Assim que a situação foi controlada, a equipe médica militar chegou ao local onde Mencho e sua equipe de segurança estavam. Todos os feridos estavam em estado crítico. Um helicóptero foi solicitado para pousar e transportá-los para um centro médico em Jalisco. Mencho, seus dois guarda-costas e o oficial ferido foram transportados. Infelizmente, ele faleceu durante o transporte”, completou Trevilla.
As duas trocas de tiros teriam causado a morte de 15 pessoas suspeitas de participarem do Cartel de Jalisco. Ao todo, três militares mexicanos ficaram feridos.
Para o general mexicano Trevilla, a operação demonstrou “a fortaleza do Estado mexicano”.
Desde 2016, El Mencho está na lista de fugitivos mais procurados pelos EUA. O vizinho do Norte oferecia US$ 15 milhões por informações pela sua captura. No México, informações que levassem à prisão do narcotraficante valiam recompensa de 30 milhões de pesos.
Cotidiano alterado
O jornalista e escritor Enrique Blanc, que vive em Guadalajara, capital do estado Jalisco, informou à Agência Brasil que a cidade ficou deserta no domingo, como nos tempos da pandemia da covid-19, com comércios fechados.
“Há incertezas. Os comércios ainda estão fechados. Mais tarde, estarei na cidade produzindo meu programa para a Rádio Universidade de Guadalajara. Espero que tudo volte ao normal em breve”, comentou.
Parceria dos EUA
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou a operação que levou à morte do narcotraficante, destacando o papel de Washington que encontrou o líder do cartel, que é classificado como organização terrorista pelo governo Trump:
“El Mencho era um alvo prioritário para os governos mexicano e americano, sendo um dos principais traficantes de fentanil para o país. O governo Trump também elogia e agradece às Forças Armadas mexicanas pela cooperação e pelo sucesso na execução desta operação”, disse a funcionária da Casa Branca em uma rede social.
Ao falar sobre a participação dos EUA na operação, a presidente do México Cláudia Shanbaum enfatizou que ela foi limitada à troca de informações.
“Todas as operações são conduzidas por forças federais. Não há participação de forças americanas na operação. O que existe é uma grande troca de informações.”
O general Trevilla acrescentou que a primeira parte da informação, do círculo próximo de uma das parceiras de El Mencho, foi um trabalho da inteligência do México.
“Havia, insisto, muitas informações adicionais muito importantes que os EUA nos forneceram, mas tudo isso, uma vez integrado e minuciosamente analisado, nos permitiu identificar a localização exata. Mas as informações iniciais sobre o parceiro romântico e seu círculo íntimo, e assim por diante, são produto da inteligência coletada por militares [do México]”, completou.
Cartel de Jalisco
A especialista em políticas sobre drogas Gabriela de Luca acrescentou à Agência Brasil que o Cartel de Jalisco tem grande capacidade armada, controle de rotas estratégicas do comércio de drogas e protagonismo na produção e exportação de drogas sintéticas.
Para a especialista, a morte de El Mencho pode produzir, no curto prazo, instabilidade e ações para sinalizar continuidade operacional. No médio prazo, um dos riscos “mais sensíveis é o de disputas sucessórias ou fragmentações internas, dinâmicas que, em experiências anteriores, estiveram associadas ao aumento da violência local”.
Gabriela pondera que, para o tráfico de drogas, o efeito mais provável não é uma retração imediata do fluxo, mas uma reconfiguração no poder dos cartéis.
“Possivelmente o próprio [Cartel de] Sinaloa, entre outros — podem tentar ocupar rotas e territórios, redistribuindo forças no mercado ilícito”, concluiu.
Confira as informações sobre a operação no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil