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STJ prorroga sindicância sobre acusação contra ministro Marco Buzzi

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou para o dia 14 de abril o prazo para a conclusão da sindicância interna que apura denúncia de importunação sexual contra o ministro Marco Aurélio Buzzi. A investigação busca esclarecer fatos que teriam ocorrido em janeiro deste ano, em Balneário Camboriú (SC).

A apuração administrativa foi aberta em 4 de fevereiro e o relatório final deveria ser apresentado na próxima terça-feira (10). No entanto, a comissão responsável pelo caso solicitou a prorrogação do prazo para dar continuidade aos trabalhos. O ministro foi afastado cautelarmente do tribunal.

Acusação

De acordo com a denúncia, formalizada por meio de boletim de ocorrência, Buzzi teria tentado agarrar uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos, durante um banho de mar enquanto passavam férias no litoral catarinense.

Além da sindicância interna no STJ, o caso tramita no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que apura possíveis infrações disciplinares e consequências administrativas e no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a vertente criminal do caso, sob relatoria do ministro Nunes Marques. Por integrar um tribunal superior, Buzzi tem foro por prerrogativa de função perante o Supremo.

Defesa

Em nota divulgada após o início das investigações, o ministro Marco Aurélio Buzzi negou as acusações. Segundo o magistrado, as informações divulgadas “não correspondem aos fatos”. Buzzi afirmou ainda que foi surpreendido pela denúncia e repudiou “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.

Fonte: Agência Brasil

Festival SESI de Educação leva campeonato de robótica para São Paulo

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Começa nesta sexta-feira (6) a 7ª edição do Festival SESI de Educação, uma das maiores competições de robótica da América Latina que reúne, na capital paulista, cerca de 2,3 mil estudantes com idade entre 9 e 19 anos, de escolas públicas e privadas de todo o país.

Do evento sairão as 13 equipes classificadas para disputar a etapa mundial da competição, que ocorre de 29 de abril a 2 de maio em Houston, nos Estados Unidos, onde fica a sede da organização sem fins lucrativos For Inspiration and Recognition of Science and Technology (First) – Por Inspiração e Reconhecimento da Ciência e Tecnologia, em tradução livre.


São Paulo (SP), 05/03/2026 - Abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 05/03/2026 - Abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Localizado no Parque Ibirapuera, o vasto pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo vai acomodar, até domingo (8), estandes com projetos de quatro modalidades. As criações variam de miniaturas de carros de Fórmula 1 até robôs com mais de 50 quilos, mas todas devem ter relação com o tema deste ano: Arqueologia. A entrada é franca, das 9h às 17h. 

Clique aqui e confira a programação completa.

A proposta do festival é estimular os estudantes a combinar espírito crítico, habilidade para trabalhar em equipe e captar recursos e conhecimentos técnicos. Os participantes precisam, ainda, ser capazes de apresentar ao público seus projetos, ou seja, trilham os primeiros passos como divulgadores científicos.

A ideia por trás dessa proposta é que se valorize a educação sem oposição entre as chamadas ciências duras – como matemática, física e química – e outras como as humanas e as artes. 

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First no Brasil


São Paulo (SP), 05/03/2026 - Presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Jr., na abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 05/03/2026 - Presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Jr., na abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Desde 2012, quando o SESI começou a organizar as competições da First no Brasil, mais de 45 mil estudantes participaram dos torneios. No total, conquistaram mais de 110 prêmios internacionais apenas na modalidade iniciante (FLLC).

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, conta que um dos objetivos do evento é justamente mostrar aos jovens a presença constante da tecnologia no cotidiano, orientando-os quanto à mediação.

“Para nós, é muito importante isso que chamamos de letramento tecnológico. É o momento mais estratégico de adentrarmos a educação tecnológica, uma educação para o século 21. Esse modelo está na região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, mas também na China. Países que estão se debruçando sobre tecnologia começam com essa educação muito cedo, dentro das escolas”, ponderou Augusto Junior, em entrevista à Agência Brasil

Professor, cientista social e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), ele ressalta a valorização da diversidade e do convívio sadio entre estudantes de uma mesma instituição e participantes do evento.

O professor conta que integrantes de uma mesma equipe geralmente acabam permanecendo nela ano após ano, de modo que um aluno que começou na competição na primeira fase de aprendizado com peças de Lego, por exemplo, passe a guiar, posteriormente, outro principiante, favorecendo a proximidade entre eles.

Nesta quinta-feira (5), com o local fechado para visitantes, a organização realizou a chamada Festa da Amizade, espaço propício para os estudantes iniciarem e aprofundarem contatos entre si.


São Paulo (SP), 05/03/2026 - Abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 05/03/2026 - Abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Augusto Junior esclarece que, para além do talento ou empenho dos participantes, a viabilidade dos projetos depende, em grande medida, de verbas de governos municipais e estaduais – sobretudo no caso de estudantes de escolas públicas. Muitas delas conseguem parcerias com o SESI.

“Na verdade, a gente não leva a robótica para aquela escola. O que a gente faz é um acordo com as prefeituras para apoiar uma proposta de educação e, dentro dela, a robótica tem algum sentido.”

“É toda uma proposta de construir uma aula muito diferente daquilo que a gente comumente vê, da educação tradicional”, conta o pesquisador, destacando o conceito de escola integral que, diferentemente da escola em tempo integral, busca alcançar a conexão entre a educação profissional com a básica, de ensinos fundamental e médio. 

Direto do Xingu

Colocando estereótipos racistas em xeque, como o de que indígenas “devem estar dentro da mata, protegendo-a”, a equipe JurunaBots, que na edição anterior participou do festival como convidada, desembarcou em São Paulo como uma das competidoras representantes do Norte do Brasil.

Sob a liderança do educador Fernando Juruna, os estudantes da Escola Francisca de Oliveira Lemos Juruna criaram um aplicativo para disseminar informações sobre artefatos de seu povo. A instituição de ensino existe desde a década 1950, mas abraçou a vertente educacional indígena somente em 2012, adotando o lema Formação de Grandes Lideranças.


São Paulo (SP), 05/03/2026 - Equipe de indígenas Jurinabots do Pará, na abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 05/03/2026 - Equipe de indígenas Jurinabots do Pará, na abertura do Festival SESI de Educação e Campeonato Nacional de Robótica, no prédio da Bienal de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Os alunos são de Vitória do Xingu (PA), município de 15 mil habitantes, impactado pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Eles se identificam como um grupo que alia cultura ancestral e inovação tecnológica ao apresentar a plataforma Museu Vivo Itinerante do Xingu.

Para além de expor réplicas de artefatos selecionados pela carga histórico-cultural, o aplicativo propõe um debate contemporâneo sobre de apropriação cultural, apagamento histórico e retomada dos povos originários. 

Para os estudantes do Jurunabots, o conceito de arqueologia vai além dos artefatos em si e se relaciona também “à oralidade, à história e à memória viva do povo Juruna.

“Identificamos como problemática a retirada de objetos das comunidades e a dificuldade de reconhecer a identidade associada a eles e ao não retorno desses materiais ao território de origem, o que enfraquece a memória cultural”, afirmam, ao lembrar o episódio de um manto tupinambá que estava na Dinamarca desde o século 17 e retornou ao Brasil em 2024.

Descrita como “uma maleta educativa”, o Museu Itinerante usa ferramentas de Realidade Aumentada e expressões da língua juruna.

“[O desenvolvimento do aplicativo] traz uma junção para que a gente tenha o fortalecimento do nosso povo, da nossa língua, dos nossos costumes, da nossa tradição. É mostrar ao mundo que nós também podemos estar lado a lado, que os povos indígenas têm capacidade”, disse à reportagem Fernando Juruna, que também é cacique da Aldeia Boa Vista.

“Para nosso povo, os juruna, é mais do que importante, porque, como a gente está em um contexto urbano, já tem muito tempo de contato, mais de 200 anos, é muito feliz, por ser muito forte ainda de manter nossa cultura, nosso dia a dia. E a robótica vem trazer isso, porque não é só robô. Estou aqui em São Paulo, sou do Pará e não deixei de ser indígena. Estou contribuindo com os demais.”

 



Fonte: Agência Brasil

Snowboarder André Barbieri apresenta evolução clínica positiva

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O snowboarder André Barbieri, que faz parte da delegação do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão e Cortina, apresentou evolução clínica positiva após a queda sofrida durante treino realizado na última quinta-feira (5) na pista de Cortina d’Ampezzo (Itália), informou nesta sexta-feira (6) o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

“O atleta gaúcho teve uma melhora significativa e não apresenta sinais de danos neurológicos graves após a concussão cerebral sofrida no acidente. Barbieri ainda relata dores decorrentes das escoriações e contusões provocadas pela queda”, informou a equipe médica do CPB.

Desta forma, a expectativa da equipe médica é de que, caso a evolução clínica continue favorável, o atleta tenha condições de competir no banked slalom (uma das provas de snowboard) programada para o dia 14 de março.

Em razão da queda (na qual sofreu uma concussão ao bater com a cabeça, quando caiu numa das curvas do circuito), o atleta gaúcho de 44 anos ficou fora do treino oficial desta sexta e também perderá a tomada de tempo no sábado (7), que vale a classificação às finais.

Fonte: Agência Brasil

Em livro, melhor amigo afirma que “melhor Pelé” esteve fora de campo

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O ex-jogador Pelé, autor de 1.283 gols, multicampeão por Santos e seleção brasileira, foi uma estrela mundial. O homem Edson Arantes do Nascimento, porém, poucos tiveram oportunidade de conhecer. Talvez o maior desses privilegiados tenha sido José Fornos Rodrigues. Foram mais de 50 anos de convivência como empresário, melhor amigo e confidente do Rei do Futebol. Meio século de histórias e bastidores que Pepito, como é conhecido, transformou em livro.

“Foi por livre e espontânea pressão da minha mulher e minhas filhas [risos]”, brincou Pepito em entrevista à TV Brasil.

“Eu não queria fazer, mas elas me despertaram para um detalhe. Ninguém conheceu o Edson mais do que eu. Nós convivíamos mais um com o outro do quem com as respectivas famílias. E impus uma condição: mostrar o Pelé fora do campo. Dentro todo mundo já conhece. E vou provar que o melhor Pelé estava fora do campo”, completou.

“Pelé, o legado desconhecido” foi lançado no Museu Pelé, em Santos (SP). A obra, de 160 páginas, traz 26 capítulos com histórias que vão do primeiro contato entre autor – à época, músico profissional – e o Atleta do Século, em 1962, até a morte do ídolo, em 2022, aos 82 anos, por consequência de um câncer de cólon.

“Em 1967, fui trabalhar na Varig [primeira companhia aérea a operar voos comerciais no Brasil] e nomeado promotor de vendas em Santos. Meu chefe lançou um desafio: conquistar o contrato do Santos [Futebol Clube], para eles viajarem com a gente. Finalmente, consegui. Foi em junho de 1969. Eles tinham um jogo na Itália [Recopa Mundial, contra a Inter de Milão]. E, como prêmio, a Varig me mandou junto”, recordou Pepito.

“Na volta, o Santos mandou uma carta para a Varig agradecendo e dizendo que, se fossem continuar voando com a empresa, era para eu ir junto. Não parei mais de viajar. E nessas viagens, a gente não se desgrudou mais. E em 1971, quando parou de jogar pela seleção brasileira, o Pelé me convidou formalmente para trabalhar com ele. E comprou meu passe [risos]”, continuou.

Pepito viu de perto o carinho que Pelé recebia mundo afora, sendo reconhecido por pessoas de todas as idades e nacionalidades. Segundo o autor, o Rei do Futebol tinha um carisma que nenhum dos grandes jogadores da atualidade possui. Ele acredita, porém, que o lado generoso do Atleta do Século foi pouco difundido em vida.

“Ele tinha um coração maior que o [estádio do] Pacaembu. Algumas histórias do que ele fazia de bem para os outros e que ninguém soube, eu conto no livro. Por exemplo, ele construiu creches em Guarujá [SP] e São Vicente [SP], construiu e manteve um asilo, [deu] dezenas de bolsas de estudo em universidades, pagou passagem e hotel para pessoas com doenças graves operarem fora”, descreveu, lembrando também de outra característica do amigo: a teimosia.

“A nossa convivência foi muito fraterna. A gente não brigava, mas discutia muito [risos]. Eu falava o que ele precisava ouvir, não o que gostaria de ouvir. Para mim, ele não era o Pelé, mas o Edson. Acho que [após lerem o livro] as pessoas vão olhar o Pelé de outra forma e ver o quanto ele foi gigante também fora de campo”, finalizou Pepito.

Fonte: Agência Brasil

Passageiros de cruzeiro retido em Dubai começam a voltar pra casa

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Os passageiros retidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde o último sábado (28), incluindo um grupo de brasileiros, começaram a voltar para a casa em voos fretados e regulares. A informação é da empresa MSC Cruzeiros, dona do navio de cruzeiro MSC Euribia, onde os passageiros viajavam.

“A MSC Cruzeiros organizou voos para mais de 1.500 hóspedes que estavam a bordo do MSC  Euribia, em Dubai, para que pudessem deixar a região. Até o momento, sete voos transportando hóspedes da MSC Cruzeiros já partiram da região”, diz a empresa em nota divulgada nesta sexta-feira (6).

Segundo o comunicado, há voos fretados pela MSC Cruzeiros, voos com assentos garantidos em parceria com  a Emirates e a Flydubai, em voos comerciais regulares, além de alguns voos organizados pelos governos.

Os hóspedes estão sendo repatriados para diversos destinos, incluindo Reino Unido, Itália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

O grupo, que participava de um cruzeiro marítimo, deveria ter embarcado de volta ao Brasil no domingo (1º), mas devidos aos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o espaço aéreo em diversos países da região foi fechado, impedindo o retorno.

O MSC Euribia, que transporta cerca de 5 mil passageiros, permanece atracado em um porto local “até novo aviso” por determinação de segurança das autoridades de segurança regionais e internacionais. “A situação a bordo está tranquila, e nossos hóspedes e tripulantes estão confortáveis e bem assistidos”, diz a MSC. 

Em razão do conflito, a empresa cancelou o próximo cruzeiro do MSC Euribia com partida de Dubai em 7 de março; Doha, no Catar, em 8 de março; e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, em 11 de março.

Fonte: Agência Brasil

Guerra contra o Irã faz petróleo dos EUA saltar 12%

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Os contratos futuros do petróleo negociados nos EUA subiram mais de 12% nesta sexta-feira (6), mas permaneceram abaixo do Brent, já que os compradores buscaram barris disponíveis, com a oferta do Oriente Médio limitada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, em meio à guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que se expande.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 92,69 por barril, com alta de US$ 7,28, ou 8,52%. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) terminou a US$ 90,90 por barril, com alta de US$ 9,89, ou 12,21%.

Foi o segundo dia consecutivo em que os ganhos dos futuros do petróleo dos EUA superaram os do contrato do Brent.

“Os refinadores e as casas comerciais estão buscando barris alternativos, e os EUA são o maior produtor”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS.

“Para evitar que os estoques nos EUA sejam reduzidos muito rapidamente por meio de exportações muito altas, o spread está voltando para os custos de transporte.”

Janiv Shah, vice-presidente de análise de petróleo da Rystad Energy, apontou vários fatores para a divergência nos ganhos de quinta e sexta-feira entre o WTI e o Brent.

“Parece que há alguma força potencial nas refinarias da Costa do Golfo dos EUA sobre as margens e arbitragens para a Europa, bem como Washington sobre os futuros”, disse Shah.

Nesta sexta-feira, o petróleo teve seu maior ganho semanal desde a extrema volatilidade da pandemia de covid-19 em 2020, já que o conflito no Oriente Médio manteve interrompidos o transporte marítimo e as exportações de energia pelo vital Estreito de Ormuz.

Barril acima de US$100?

O ministro de energia do Catar disse ao Financial Times que espera que todos os produtores de energia do Golfo Pérsico fechem as exportações dentro de semanas, uma medida que, segundo ele, poderia levar o petróleo a US$150 por barril, de acordo com uma entrevista publicada hoje.

“O pior cenário possível está se desenvolvendo diante de nossos olhos”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

“Acho que todas as previsões de US$100 por barril estão prestes a se concretizar.”

O petróleo iniciou sua forte alta depois que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã no último sábado, levando o Irã a interromper a passagem de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz.

O fornecimento de petróleo equivalente a cerca de 20% da demanda mundial normalmente passa por essa hidrovia todos os dias.

Com o fechamento efetivo do estreito por sete dias, isso significa que cerca de 140 milhões de barris de petróleo — o equivalente a cerca de 1,4 dia da demanda global — não puderam chegar ao mercado.

O conflito se espalhou pelas principais áreas de produção de energia do Oriente Médio, interrompendo a produção e forçando o fechamento de refinarias e usinas de gás natural liquefeito.

 

Fonte: Agência Brasil

Aprovados na primeira edição do CNU podem ser chamados até 2027

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O governo decidiu prorrogar por 12 meses o prazo de validade da primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPU), conhecido como o “Enem dos Concursos”.

O edital com a decisão está publicado na edição desta quinta-feira (5) do Diário Oficial da União.

Com a medida, os cargos que não exigem curso de formação, cuja homologação ocorreu em 7 de março de 2025, o prazo de validade do concurso passa a vigorar até 6 de março de 2027.

Para os cargos que exigem curso de formação ou prova didática, a nova data de validade varia de acordo com o momento em que cada resultado foi homologado. Nesses casos, os prazos atualizados vão de abril a setembro de 2027.

De acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a prorrogação permite que os órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados, tanto para vagas imediatas quanto para eventuais reposições ou novas autorizações de provimento durante o período de validade do concurso.

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Concurso

O concurso de 2024 ofertou 6.640 vagas para 21 órgãos da administração pública federal.

O certame serviu ainda para formar cadastro reserva de mais de 13 mil candidatos classificados.

Os salários básicos iniciais dos aprovados variam de R$ 4.407,90 a R$ 22,9 mil, conforme o cargo.

Fonte: Agência Brasil

Gestores da Amazonprev ignoraram alertas ao aplicar R$ 390 milhões

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Os analistas da própria Fundação de Previdência do Amazonas (Amazonprev) recomendaram que os recursos do fundo previdenciário dos servidores públicos do estado, administrado pela fundação, não fossem usados para a aquisição de letras financeiras emitidas por instituições privadas.

O negócio também foi desaconselhado por uma empresa de consultoria, a LDB, contratada pela Amazonprev para prestar assessoria na área de investimentos.

Apesar das ressalvas de especialistas, entre junho e setembro de 2024, a Amazonprev aplicou cerca de R$ 390 milhões em letras financeiras emitidas pelos bancos Master, Daycoval, BTG Pactual e C6 Consignado, o que levou a Polícia Federal (PF) pedir à Justiça Federal autorização para realizar a Operação Sine Consensu, deflagrada nesta sexta-feira (6), com o apoio do Ministério da Previdência Social.

As letras financeiras são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras interessadas em captar investimentos de longo prazo, com a promessa de, em troca, entregar aos investidores lucros maiores que os de outros papéis.

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Suspeitas

De acordo com a PF, a série de investimentos que a Amazonprev fez, em apenas quatro meses, contrariou “normas de governança e regras federais aplicáveis aos investimentos de recursos previdenciários”. Fato que levou à abertura de um inquérito para apurar possíveis irregularidades e as suspeitas de corrupção e gestão temerária.

Ao longo da investigação, os policiais federais identificaram “movimentações financeiras atípicas” que motivaram a PF a solicitar à Justiça Federal autorização para realizar buscas e apreender documentos na sede da Amazonprev e em outros endereços residenciais e comerciais dos principais alvos da operação desta sexta-feira.

Ao atender o pedido da PF, com o aval do Ministério Público Federal (MPF), a juíza da 4ª Vara Federal Criminal, Ana Paula Serizawa Silva Podedworny, ao autorizar a operação, destacou que, ao contrário de outros investimentos, as letras financeiras não têm a segurança da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ou seja, quem colocar dinheiro neste tipo de investimento assume o risco perder tudo em caso de insolvência da instituição emissora.

“Ocorre que na gestão de fundos de natureza previdenciária, nos quais são alocados recursos de terceiros, que depositam valores de forma compulsória ao longo dos anos de trabalho a fim de garantir as respectivas pensões e aposentadorias”, escreveu.

“É necessário proceder com a máxima prudência na administração do valor depositado, para que sempre exista a quantia suficiente para pagar os benefícios devidos aos servidores públicos aposentados”, acrescentou a juíza em sua decisão.

Bancos

Com base em informações fornecidas pela PF e pelo Ministério da Previdência Social, a magistrada destaca que, “apesar das restrições” dos analistas da Fundação e da consultoria contratada, a Amazonprev adquiriu R$ 50 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master em junho de 2024, “sem discussão prévia do Comitê de Investimento e sem a realização de cotações entre instituições financeiras diferentes”.

Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação do Master, por emitir falsos títulos de créditos. O que, na avaliação da juíza federal, configura um risco concreto de prejuízo.

“Considerando que as letras financeiras são títulos não protegidos pelo FGC, existe a séria possibilidade de o prejuízo provocado pela aplicação ter que ser suportado pelos próprios contribuintes do Amazonprev, ou mesmo pelo governo do Amazonas”, escreve a magistrada.

Em agosto de 2024, a fundação adquiriu mais R$ 50 milhões em letras financeiras do Banco Daycoval – instituição que, na época, assim como o Master, não figurava na lista do Banco Central como instituições com baixo risco de crédito.

A terceira aplicação, de pouco mais de R$ 40,72 milhões, foi realizada em setembro de 2024, em letras financeiras do BTG Pactual. A quarta aplicação sob suspeita, de R$ 250 milhões, foi feita em títulos do Banco C6.

Ao admitir a existência de “indícios de gestão inapropriada e fraudulenta dos recursos financeiros à disposição da Amazonprev”, a juíza Ana Paula assinala, na decisão, que também “chamou a atenção da equipe de auditoria o fato de a fundação, exceto na aquisição das letras emitidas pelo Banco Master, ter adquirido os títulos por meio de corretoras, gerando custos e gastos de remuneração da intermediação, quando podia ter feito as aplicações diretamente junto às instituições financeiras”.

Até o momento, ao que se saiba, nenhuma das entidades bancárias citadas é alvo da investigação da PF, sendo a emissão de Letras Financeiras prática legal e corrente no mercado financeiro.

Afastamentos

Além de autorizar os policiais federais a realizarem buscas e apreenderem documentos que possam subsidiar a investigação, a juíza determinou o imediato afastamento de suas funções de três servidores da Amazonprev: o gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos da fundação, Claudinei Soares; o diretor de Previdência, André Luis Bentes de Souza, e o diretor de Administração e Finanças, Cláudio Marins de Melo.

De acordo com a PF, Soares foi “o principal responsável por operar as aplicações em Letras Financeiras” sob suspeita e recebeu R$ 273,8 mil da empresa de Niterói (RJ), Alfa A Consultoria e Gestão de Frota, pertencente ao empresário Sávio Loyola e Silva, investigado e alvo da operação policial desta sexta-feira.

A magistrada escreveu também em sua decisão a informação da PF sobre Melo ter recebido R$ 185,35 mil e Souza, R$ 161 mil, da Alfa A. A investigação diz ainda que Melo figura como o “responsável por ordenar a aplicação de R$ 50 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master” e Souza como o “responsável pelo deferimento do credenciamento dos bancos Master e C6 como emissores de títulos junto a Amazonprev”.

“Existem indícios de que funcionários do fundo responsáveis pelos investimentos acima citados, receberam valores de forma indevida e sem justificativa aparente da empresa Alfa A”, apontou a juíza.

Segundo a magistrada, não há, nos autos, até o momento, “justificativa aparente” para os valores remetidos aos então diretores da Amazonprev.

“De fato, é completamente atípico que uma empresa que teria como objeto a administração de frotas de automóveis para terceiros e sediada na cidade de Niterói/RJ, repasse valores na casa da centena de milhares de reais a diretores de um fundo previdenciário do Estado do Amazonas, a milhares de quilômetros de distância da sede da empresa”.

A reportagem da Agência Brasil ainda não conseguiu contato com Soares, Souza, Melo e Sávio Loyola e Silva e segue aberta a receber suas manifestações.

Colaboração

Em nota, a Amazonprev informou que está colaborando com as investigações e que permanece à disposição para prestar todas as informações solicitadas pelos órgãos competentes, com o objetivo de contribuir para o pleno esclarecimento dos fatos.

Sem citar nomes, a fundação informou que um dos três alvos da operação policial desta sexta-feira deixou o cargo comissionado e o quadro funcional ainda em 2024 – sem especificar o mês. E que os outros dois servidores do quadro efetivo do órgão já foram afastados de suas funções, conforme determinação judicial.

A Amazonprev afirmou que as aplicações suspeitas não representam riscos para o pagamento dos benefícios de aposentados e pensionistas do estado, pois o Fundo de Previdência do Amazonas apresenta superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão, com mais de R$ 11 bilhões em recursos.

“O saldo é suficiente para garantir o pagamento de todas as aposentadorias e pensões do presente e os benefícios futuros dos servidores atualmente na ativa.”

Fonte: Agência Brasil

MEC habilita PUC-Rio e Idor para oferecer cursos de medicina

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A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a Faculdade de Ciências Médicas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) receberam nesta sexta-feira (6) a habilitação para a criação de cursos de medicina no Rio de Janeiro.

A habilitação, que é um passo para o funcionamento do curso, foi formalizada durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Escola Técnica Roberto Rocca, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

De acordo com a PUC-Rio, a criação de uma graduação de medicina é um projeto antigo da universidade que, internamente, buscava viabilizá-lo há vários anos, mobilizando parcerias acadêmicas e hospitalares. A implantação da graduação médica inclui apoio à rede municipal de hospitais do Rio.

O ministro da Educação, Camilo Santana, que acompanhou o presidente Lula na visita, disse que a autorização para o funcionamento dos cursos, de fato, deve ser dada “o mais rápido possível”.

“Estamos com a Rede D’Or e a PUC do Rio de Janeiro, única PUC que não tinha faculdade de medicina. Vamos assinar a habilitação como instituições de ensino, o primeiro passo para ter faculdade”, disse.

A habilitação confere às instituições de educação superior já credenciadas a possibilidade de solicitar o protocolo do pedido de autorização do curso de medicina, bem como utilizar suas unidades hospitalares reconhecidas pelo Ministério da Saúde como hospitais de ensino.

Com a habilitação, as instituições seguirão o fluxo dos processos regulatórios do Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres).  

 


06.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Escola Técnica Roberto Rocca, na Rodovia Rio-Santos (altura do km 392) – Santa Cruz. Rio de Janeiro - RJ.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
06.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Escola Técnica Roberto Rocca, na Rodovia Rio-Santos (altura do km 392) – Santa Cruz. Rio de Janeiro - RJ.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Agenda no Rio de Janeiro

Lula cumpriu, nesta sexta-feira (6), uma série de agendas no Rio de Janeiro. Ele esteve na Zona Oeste e na Zona Norte da cidade, acompanhado do prefeito, Eduardo Paes, do ministro da Educação, Camilo Santana, e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, além de parlamentares e representantes municipais. 

O presidente desembarcou na cidade pela manhã e, além da Escola Técnica Roberto Rocca, visitou a Comunidade do Aço, também em Santa Cruz, onde participou de entrega de moradias para a população em situação de vulnerabilidade social, parte dela beneficiária do Bolsa Família, programa do Governo do Brasil.

Uma das pessoas que recebeu a casa foi Mariza Batista. Ela conta que morava em um barraco com sete pessoas e três cômodos. Agora, ela tem a própria casa. “Eu moro no Aço, hoje eu não tenho vergonha de falar isso, moro em uma comunidade que foi transformada”, disse ela à Agência Brasil. “Não tenho vergonha de ir no supermercado, fazer compras e mandar trazer, acho isso muito chique”.

O presidente participou também, no Aeroporto Internacional do Galeão, de anúncio da instalação de hub internacional, o que deverá reforçar a conectividade internacional e consolidar o Rio de Janeiro como porta de entrada do turismo no Brasil.

Túnel em Campo Grande

 


06.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro - RJ.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
06.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro - RJ.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula também participou da inauguração do Túnel Professor Moacyr Sreder Bastos, o primeiro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A obra liga a Estrada da Caroba à Estrada da Posse, reduzindo o tempo de deslocamento de 15 para apenas cinco minutos.

O túnel faz parte da entrega da primeira fase do Anel Viário de Campo Grande, que envolve um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão, viabilizado via financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com recursos do município.

No fim da tarde, no Aeroporto Internacional do Galeão, Lula discursou no anúncio da instalação do Hub internacional da Gol Linhas Aéreas, o que deverá reforçar a conectividade internacional e ajudar a consolidar o Rio de Janeiro como porta de entrada do turismo no Brasil. Também estavam presentes a ministra Anielle Franco, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

*Colaborou Bruno de Freitas Moura, repórter da Agência Brasil.

Fonte: Agência Brasil

CLDF debate PL que combate a revitimização e a espetacularização do feminicídio

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Em uma audiência pública marcada por relatos e dados, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) debateu, na noite desta quinta-feira (05) o Projeto de Lei nº 1819/2025. A proposta, de autoria do deputado Max Maciel (PSOL), busca garantir a proteção do nome, da imagem e da honra de mulheres vítimas de violência doméstica, combatendo a revitimização no ambiente digital e na mídia.

Segundo cenário apresentado pelo parlamentar, no Distrito Federal, aproximadamente uma mulher é morta por feminicídio a cada 12 dias. Entre 2015 e 2025, a violência de gênero deixou 469 órfãos na capital. “A violência doméstica não termina necessariamente com a morte da vítima”, alertou o deputado Max Maciel. Segundo ele, o ciclo de violência “continua no espaço público por meio da exposição da imagem da vítima, da circulação de narrativas que culpam a mulher, da tentativa de justificar a agressão ou até mesmo de transformar a morte em um espetáculo”.

Conforme explicou o distrital, a proposta busca estimular uma mudança de foco na abordagem da violência contra a mulher. “Em vez de focar exclusivamente nas condutas, o projeto busca organizar a atuação do Estado diante das formas de violência. Buscamos romper a lógica de tratar esse fenômeno apenas como uma disputa entre autor e vítima, focando também na dimensão pública do problema. Queremos fortalecer a atuação preventiva do Estado”, frisou.

O poder da linguagem e a revitimização

 

Foto: Henrique Jesus / Divulgação

A jornalista e pesquisadora Ana Maduro, cujos estudos na Universidade de Brasília (UnB) fundamentaram o projeto, destacou como a escolha das palavras “pode atenuar crimes bárbaros”. “O que que o feminicídio tem a ver com a linguagem? Tudo. No momento que a gente olha para uma manchete ‘mulher é morta após trair o marido’, eu estou tornando o feminicídio um crime justificável, estou culpabilizando a vítima”, afirmou.

A pesquisadora também alertou para a sexualização das vítimas na mídia, citando o uso de fotos com biquínis ou batom vermelho para ilustrar notícias de assassinatos, o que fere a dignidade e a memória da mulher. “Imagine que você é vítima de violência… e veiculam sua foto no Google. Sua foto vai ficar ali para sempre. É a sua memória”, afirmou, ressaltando que o texto jornalístico deve ser um aliado da denúncia e não um gerador de medo para outras mulheres.

Para Karine Fonseca, presidenta da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn-DF), a questão também deve ser tratada como um problema de saúde pública, especialmente pelo impacto nas famílias. “As famílias vítimas de feminicídio enfrentam o luto prolongado, uma dor que se retroalimenta pela história que foi contada… a memória foi corrompida e a pessoa amada foi colocada como culpada”, pontuou.

Em sua fala, ela resgatou a memória de movimentos feministas históricos para reforçar que “a sociedade não pode mais aceitar a culpabilização das vítimas”, afirmando categoricamente que “a culpa não foi da mulher de querer sair daquele relacionamento” e que a misoginia “é a verdadeira raiz dessa violência”.

Recorte racial e invisibilidade

Aline Pereira, representante do Movimento Negro Unificado (MNU), trouxe a necessidade de se considerar o aspecto racial no debate, citando casos emblemáticos como os de Cláudia Ferreira – mulher que foi morta pela PM e arrastada por uma viatura no RJ em 2014 – e o da vereadora Marielle Franco. “A cada vez que aquela imagem circulava [de Cláudia sendo arrastada por um camburão], Cláudia era assassinada novamente”, desabafou Aline.

Ela citou o exemplo de Marielle Franco para reivindicar o direito das mulheres negras ao espaço público e à memória respeitosa, defendendo que, quando houver exposição pela violência, que ocorra de “maneira humana” e não desumanizada.

Segurança Pública e Prevenção

A Tenente-Coronel Renata Braz das Neves Cardoso, da Polícia Militar do DF, apresentou avanços institucionais, como a inclusão, em 2018, da disciplina Intervenção Policial Militar em Ocorrências de Violência Doméstica em todos os cursos de formação e aperfeiçoamento da corporação.

Segundo a oficial, é vital que os policiais entendam que “um chamado ao 190 é um pedido de socorro e, independentemente da quantidade de vezes que essa mulher acessa o serviço, a PM tem que estar disponível” para prestar o melhor atendimento possível, sem revitimização.

Além do treinamento, Renata Braz detalhou programas práticos que apresentam resultados expressivos, como o grupo reflexivo para servidores da segurança que são autores de violência. Ela relatou que, por meio desse acompanhamento compulsório, o índice de violência doméstica praticada por militares caiu drasticamente. “Conseguimos reduzir em praticamente 100% feminicídios cometidos por servidores da segurança pública”, pontuou.

Marina Cordeiro, coordenadora da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, trouxe dados sobre a realidade nacional e local. Apenas em janeiro de 2026, o Brasil registrou 330 vítimas fatais de violência de gênero, o que representa uma média de “11 mulheres com as suas vidas ceifadas nesse país por dia”.

Ela enfatizou a necessidade de uma perspectiva interseccional para proteger todas as mulheres em sua diversidade e criticou duramente a falha institucional no Distrito Federal, que apresenta altos índices de rejeição de auxílio judicial. Segundo informou, a Capital Federal  está no topo do ranking de denegação de medidas protetivas, com 15,7% das medidas tendo sido negadas no ano de 2025, o que totaliza 3.320 mulheres que tiveram esses pedidos rejeitados. “Nós não sabemos o que aconteceu depois com essas mulheres”, afirmou.

O projeto de lei

O texto do PL, que já tramitou nas comissões e aguarda votação em Plenário, estabelece que a divulgação ou exposição indevida do nome ou da imagem das vítimas, realizada por agressores ou seus familiares em mídias, propagandas ou entrevistas, constitui explicitamente uma forma de violência psicológica, conforme já previsto na Lei Maria da Penha.

A justificativa da proposta aponta que essa exposição é frequentemente utilizada como uma “tática de intimidação e desmoralização” para isolar a mulher e minar sua credibilidade.

Para enfrentar o problema, o PL impõe diretrizes ao Poder Executivo, como: adoção de providências administrativas para coibir a exposição indevida; promoção de campanhas educativas sobre os impactos da exposição pública das vítimas; e atendimento prioritário em serviços de apoio psicológico, jurídico e social para as vítimas e seus familiares quando houver agravamento do sofrimento pela exposição.

A íntegra da audiência pública pode ser conferida no YouTube da CLDF. Confira:

 

 

 

Fonte: Agência CLDF