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Subsídio de R$ 0,35 ao diesel não será retomado, diz ministro

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Apesar de o petróleo voltar a se aproximar de US$ 100 por barril, a equipe econômica não pretende, neste momento, restabelecer a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel, suspensa no início de julho. A informação foi dada nesta sexta-feira pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

Segundo o ministro, a avaliação do governo é que o aumento da cotação do petróleo ainda não provocou impacto suficiente sobre os preços internos para justificar a retomada do benefício.

“Considerando nossa estratégia de suavização de preços, é preciso olhar o que está acontecendo no preço final ao consumidor. Hoje, entendemos que é importante manter o subsídio de R$ 1,12, segurar um pouco a estratégia de retirada gradual tendo em vista a piora do cenário, mas também entendemos que não justifica retomar o de R$ 0,35 até aqui”, explicou Moretti.

O ministro ressaltou ainda que a subvenção atualmente em vigor já representa um custo fiscal elevado para a União.

Subsídios mantidos

Embora tenha descartado o retorno do benefício adicional ao diesel, o governo decidiu manter outras medidas de apoio aos combustíveis.

Atualmente permanecem em vigor:

Segundo o Ministério do Planejamento, a subvenção da gasolina tem custo estimado de R$ 1,3 bilhão por mês. O auxílio ao diesel representa cerca de R$ 5,5 bilhões mensais.

Mudança de cenário

O governo havia iniciado a retirada gradual dos subsídios após o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, quando os preços internacionais do petróleo recuaram para níveis próximos aos observados antes da escalada do conflito no Oriente Médio.

Nesse contexto, a subvenção adicional de R$ 0,35 por litro do diesel foi encerrada em 1º de julho.

No entanto, a retomada dos ataques na região voltou a pressionar as cotações internacionais do petróleo, levando o governo a manter parte dos incentivos para evitar um repasse imediato aos consumidores.

Até junho, o governo desembolsou R$ 14,55 bilhões para reduzir os efeitos da alta internacional dos combustíveis sobre os preços domésticos. Os recursos foram liberados por meio de crédito extraordinário, modalidade que fica fora do limite de gastos, mas é contabilizada para o cumprimento da meta fiscal.

Desse total, ressaltou o ministro, R$ 7 bilhões foram gastos em junho; R$ 7 bilhões serão gastos em julho, dos quais R$ 3,3 bilhões vêm de medida provisória editada nesta sexta-feira; R$ 550 milhões referem-se ao acordo para que os estados zerem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado com crédito extraordinário editado no fim de junho.

Como parte das medidas permanece em vigor, a despesa ainda deve crescer nos próximos meses.

Apesar disso, Moretti afirmou que o impacto adicional será incorporado na próxima revisão das contas públicas.

“O quanto vier em julho vai ser projetado no próximo relatório, afetando o espaço na meta. Tudo mais constante, hoje nós temos quase R$ 11 bilhões de espaço. Caso não haja cumprimento da meta, o instrumento ordinário é o contingenciamento”, disse Moretti.

Receita do petróleo

Parte do aumento das despesas tem sido compensada pela arrecadação obtida com o próprio setor de petróleo.

Como o Brasil é exportador líquido do produto, o governo mantém um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto. A medida foi criada com o objetivo de evitar que a produção seja direcionada integralmente ao mercado externo, preservando o abastecimento interno.

Inicialmente, a expectativa era arrecadar R$ 16,5 bilhões em quatro meses com o tributo. Com a manutenção da cobrança por mais tempo, o governo ainda não incorporou a receita adicional às projeções do Orçamento.

Meta fiscal

O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas mantém a previsão de superávit primário de R$ 10,8 bilhões para este ano, após o desconto da meta de gastos autorizados pelo arcabouço fiscal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

A meta estabelecida pelo governo é de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância entre 0% e 0,5% do PIB.

Para cumprir o limite de gastos, o Executivo mantém um bloqueio de R$ 17,9 bilhões em despesas, mas, até o momento, não foi necessário contingenciar por insuficiência de receitas.

Fonte: Agência Brasil

Ministro do STJ é incluído em investigação sobre venda de sentenças

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O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a inclusão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi no inquérito que investiga venda de sentenças.

A decisão foi tomada pelo ministro relator, Cristiano Zanin. O caso faz parte das investigações da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sisamnes.

A investigação tramita em segredo de Justiça, e os indícios que pesam contra Buzzi não foram divulgados.

A Operação Sisamnes teve início após a PF apurar que servidores de gabinetes do STJ exploraram indevidamente o acesso ao sistema eletrônico de elaboração de minutas de votos e venderam as informações a terceiros.

Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nove acusados pelos crimes de organização criminosa, corrupção, violação de sigilo e exploração de prestígio.

No decorrer das investigações, a PF identificou suspeitas contra Marco Buzzi, que já está afastado das funções por uma acusação de assédio sexual.

O ministro está sendo investigado por tentar agarrar uma jovem, que é filha de um casal de amigos dele, durante um banho de mar. O episódio teria ocorrido em janeiro deste ano, quando o ministro, a jovem e seus pais passaram férias em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina.

Após o caso vir à tona, uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do ministro denunciou que também foi alvo de assédio sexual.

Em nota, a defesa de Buzzi declarou que o ministro não tem conhecimento sobre a investigação de venda de sentenças e ressaltou que Buzzi é proibido legalmente de julgar processos de familiares.

“A defesa esclarece que o ministro Marco Buzzi não tem nenhuma relação com atividades profissionais de seus familiares, ao contrário, é legalmente impedido de julgar casos que seus familiares tenham atuação. Também afirma não ter conhecimento da investigação e nem sequer de que ele seja investigado”, afirmou a defesa.

Fonte: Agência Brasil

Dólar fica estável em R$ 5,08, mas cai 0,58% na semana

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O mercado financeiro encerrou a sexta-feira (24) dividido entre a cautela com as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O dólar fechou praticamente estável frente ao real, e a bolsa caiu mais de 1,5%, pressionada pela queda no petróleo, que recuou em meio a expectativas de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã.

Principais números:

  • Dólar: R$ 5,081 (-0,06%), queda de 0,58% na semana;
  • Ibovespa: 174.041 pontos (-1,52), alta de 0,19% na semana;
  • Petróleo tipo Brent: US$ 96,78 por barril (-3,88%), alta de quase 10% na semana;
  • Petróleo tipo WTI: US$ 89,31 por barril (-3,12%), alta de 8% na semana.

Câmbio

O dólar comercial encerrou o pregão praticamente sem variação, cotado a R$ 5,081, com queda de apenas 0,06%. A cotação abriu em R$ 5,09, chegou a cair para R$ 5,04 por volta das 12h, mas aproximou-se da estabilidade ao longo da tarde.

A moeda foi influenciada principalmente pelo cenário externo. Os investidores acompanharam a entrada em vigor das novas tarifas de 10% a 12,5% impostas pelos Estados Unidos a 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, além das notícias sobre uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã, mediada pelo Paquistão com apoio da China.

O real voltou a apresentar desempenho superior ao de outras moedas emergentes na semana, beneficiado pelo fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo e pela elevada diferença entre juros domésticos e os juros nos Estados Unidos, que continua atraindo capitais financeiros.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, terminou praticamente estável.

Ibovespa recua

No mercado de ações, o Ibovespa caiu 1,52%, aos 174.041 pontos, encerrando o pregão na mínima do dia. Apesar da queda, o índice conseguiu acumular alta de 0,19% na semana.

A queda do petróleo levou investidores a venderem ações de petroleiras, para realizarem lucros (embolsarem ganhos recentes). Ações de mineradoras acompanharam o recuo do minério de ferro. Os grandes bancos também sofreram com a redução do fluxo estrangeiro para mercados emergentes.

Além do cenário internacional, o mercado monitorou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Como o novo tarifaço vinha sendo anunciado nas últimas semanas, os investidores avaliam que a maior parte do impacto das medidas está refletido nas ações.

Petróleo recua

Depois de ultrapassar US$ 100 por barril na quinta-feira (23) pela primeira vez desde maio, o petróleo devolveu parte dos ganhos nesta sexta-feira.

O movimento foi provocado por informações de que a China iniciou uma articulação diplomática para reabrir as negociações entre Estados Unidos e Irã, com participação do Paquistão, elevando as expectativas de uma redução das tensões no Oriente Médio.

O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, fechou em US$ 96,78, queda de 3,88%. O petróleo WTI, do Texas, recuou 3,12%, para US$ 89,31.

Apesar da correção, o mercado segue atento aos riscos para a oferta global de petróleo. Os confrontos entre Estados Unidos e Irã continuam, o Estreito de Ormuz opera com tráfego reduzido e os ataques dos houthis no Mar Vermelho ainda representam ameaça às principais rotas marítimas de transporte de energia.

*Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

Defesa Civil reconhece situação de emergência em 17 municípios do RS

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A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu situação de emergência em 17 municípios do Rio Grande do Sul afetados por tempestades e vendavais neste mês de julho. 

De acordo com a Portaria nº 2.382, publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União, a maior parte das localidades foi atingida por chuvas intensas. Entre as cidades afetadas estão Áurea, Braga, Constantina, Dois Irmãos das Missões, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas e Humaitá. Veja aqui a lista completa.

Dos 17 municípios contemplados, 16 registraram esse tipo de desastre. Apenas Eldorado do Sul teve a situação de emergência reconhecida em razão de vendaval.

Recursos

Com o reconhecimento da situação de emergência pelo governo federal, as prefeituras podem solicitar recursos da União para ações de defesa civil. 

Os repasses podem ser destinados a medidas de assistência à população afetada, como compra de cestas básicas, água mineral, refeições para trabalhadores e voluntários, kits de higiene e limpeza, além de ações de restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas atingidas.

Memória

Desde o início de junho, o Rio Grande do Sul é atingido por temporais. De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, cerca de 140 municípios reportaram danos em consequência de inundações. Em Eldorado do Sul, os vendavais deixaram mais de 720 desabrigados.

Saiba mais sobre as chuvas no Rio Grande do Sul no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Fonte: Agência Brasil

Bolsonaro recorre para anular proibição de visita na prisão domiciliar

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O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou nesta sexta-feira (24) recurso contra a decisão que o proibiu de receber visitas na prisão domiciliar pelo prazo de 30 dias.

Na semana passada, a medida foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. Bolsonaro tem contra ele uma restrição que o proíbe de usar a internet, inclusive por meio de terceiros. 

Na mesma decisão, Moraes acrescentou que Bolsonaro está proibido de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições de outubro.

O ex-presidente também não poderá divulgar manifestos político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros, por qualquer meio de divulgação.

No recurso apresentado ao Supremo, a defesa sustenta que o ex-presidente não pode ter suas liberdades de pensamento e de manifestação de ideias restringidas em função de sua condenação.

“Decisão termina por impor restrição que não decorre da sentença, da lei ou da Constituição, além de representar sensível ampliação do alcance tradicionalmente atribuído às limitações próprias da execução penal, convertendo-a em instrumento de limitação ideológica, resultado incompatível com o regime constitucional das liberdades públicas”, afirmou a defesa. 

No ano passado, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo de trama golpista. Em seguida, após passar por uma cirurgia, ele ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar. O ex-presidente se recupera de uma pneumonia bacteriana.

Fonte: Agência Brasil

Alison dos Santos fatura 1º ouro nos 400m no Troféu Brasil com recorde

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Campeão mundial e medalhista olímpico, Alison dos Santos, mais conhecido como Piu, faturou sua primeira medalha de ouro em provas individuais no Troféu Brasil nesta sexta-feira (24), no Estádio do Ibirapuera, em São Paulo. Após ausência de sete anos no Troféu Brasil, Piu não só venceu a prova, como quebrou o próprio recorde da competição (44s76) estabelecido por ele na semifinal na véspera. A  principal competição de atletismo do país reúne quase mil atletas e vai até domingo (26), com transmissão ao vivo no canal do Time Brasil no YouTube.

Hoje (24) o paulista de São João da Barra garantiu o topo do pódio ao liderar a prova do início ao fim, cruzando a linha de chegada em 44s60. A prata ficou com Emerson Vieira do Nascimento (45s52) e o bronze com Guilherme Orenhas (45s56).

“Tô animado, tô feliz. É muito bom por estar de volta aqui, sabe. O que eu estava falando ali antes…. de sentir entrando nessa reta final aqui com a minha família gritando, com o pessoal torcendo… Sabendo que é um monte de pessoas que me viram quando eu tinha 15 anos, 14, 17, correndo aqui no Ibirapuera, brigando pelo troféu, pela medalha de ouro. Que estavam naquele momento e estão aqui agora. Isso é maravilhoso, não tem preço. Tô muito contente com isso”, disse Piu emocionado, em entrevista ao programa Stadium, da TV Brasil. 

Na última quinta (23), Piu se classificou à final com o melhor tempo 44s76, derrubando o recorde do velocista santista Sanderlei Parrela (44s82) obtido há 27 anos no Troféu Brasil. Parrela segue como detentor do recorde brasileiro nos 400m, com o tempo de 44s29, estabelecido em 1999. Na América do Sul, a melhor tempo é do colombiano Anthony José Zambrano (43s92) desde 2021 e o recorde mundial segue como o sul-africano Wayde Van Niekerk (43s03) desde 2016.

Piu ainda tem chance de garantir um segundo pódio no Troféu Brasil em sua prova predileta, a dos 400m com barreira. A semifinal será neste sábado (25) e a final no domingo (26), último dia da competição.

Campeão mundial em Eugene (EUA) em 2022 e prata na Olimpíada de Tóquio, Piu coleciona dois ouros na prova de revezamento 4×400 metro do Troféu Brasil, obtidas em 2018 e 2019.

Programação Troféu Brasil 

Sábado (25)

10h – Salto com vara – masculino

10h35 – 100m com barreira – Heptatlo (1)

11h20 – Salto em altura – Heptatlo (2)

15h30 – Arremesso de peso – Heptatlo (3)

16h – 4x400m misto – final por tempo

16h45 – 200m rasos – Heptatlo (4)

17h10 – 5.000m rasos feminino – final por tempo

17h35 – 5.000m rasos masculino – final por tempo

Domingo (26)

7h30 -35.000m marcha atlética – feminino

8h –  35.000m marcha atlética – masculino

10h – Salto em altura – masculino

10h30 – Arremesso de peso – masculino

11h – Lançamento de disco – feminino

11h05 – Salto triplo – feminino

12h – 400m com barreira – feminino

12h20 – 400m com barreira – masculino

13h30 – Salto em distância – Heptatlo (5)

13h35 – Lançamento do dardo – masculino

15h – 200m rasos feminino

15h05 – Lançamento do dardo – feminino

15h15 – 200m rasos – masculino

15h20 – Salto triplo – masculino

15h35 – 1.500m rasos feminino – final por tempo

15h35 – 1.500m rasos masculino – final por tempo

16h30 – 800m rasos – Heptatlo (7)

16h35 – Lançamento de dardo – masculino

16h5 -: 4x400m feminino – final por tempo

17h15 – 4x400m masculino – final por tempo



Fonte: Agência Brasil

Acordo com Arábia Saudita expõe contradição dos EUA na questão nuclear

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O acordo de cooperação nuclear anunciado pelos Estados Unidos (EUA) e pela Arábia Saudita, que deve durar “décadas” e envolveria bilhões de dólares, expõe a contradição da política externa da Casa Branca em relação à questão nuclear. O acordo, que não foi divulgado na íntegra, deve ainda passar por análise do Congresso estadunidense.

A contradição se expressa pelo fato de o governo Donald Trump fechar essa parceria com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, abrindo caminho para o que o país enriqueça urânio, ainda que alegue que é para fins pacíficos, logo após começar uma guerra exigindo o fim do enriquecimento de urânio no Irã, ainda que Teerã sustente que o programa não tem objetivos militares.

Depois de críticas de Israel, Trump foi às redes sociais afirmar que a parceria nuclear estaria condicionada à assinatura, pela Arábia Saudita, dos acordos de Abraão, o que colocou em dúvida o futuro do acordo nuclear entre Washington e Riade, a capital do reino árabe.

Promovidos por Trump, os acordos de Abraão obrigam os países árabes a reconhecer Israel independentemente da questão palestina. Os sauditas têm sustentado que apenas assinariam o acordo com garantias para um Estado palestino, o que é rejeitado pelo governo de Benjamin Netanyahu.


Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ). Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal
Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ). Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal

Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva – Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal

Proteção à Arábia Saudita

O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva avalia que o acordo expõe a contradição na política nuclear dos EUA, sendo uma forma de Trump reverter a perda de confiança de Riade, após a guerra com o Irã, em relação à proteção que Washington daria ao país árabe.

“Isso é um reconhecimento da falência do ‘escudo americano’. Tudo isso se dá em meio a um bombardeio pesado do Irã contra a Arábia Saudita. Agora os EUA sugerem que os sauditas podem ter armas nucleares e, com isso, poderiam responder ao Irã com armas nucleares”, disse à Agência Brasil.

Apesar de o governo Trump afirmar que a Arábia Saudita não desenvolveria armas nucleares, especialistas e organizações que lutam contra a proliferação de armas atômicas alertam que a monarquia não tem aceitado assinar um “protocolo adicional” com a Agência de Energia Atômica (AIEA) que permitiria inspeções-surpresa.

“Os líderes sauditas, por vezes, manifestaram o desejo de desenvolver um ciclo de combustível completo, desde a extração de urânio até o reprocessamento do combustível irradiado. Isso não é típico de países que estão apenas iniciando programas de energia nuclear”, disse a Associação de Controle de Armas.

A organização não governamental (ONG) dos EUA argumenta que permitir que a Arábia Saudita ignore o protocolo adicional da AIEA enfraquece a posição de Washington nas negociações com Teerã.


Canadian Prime Minister Mark Carney meets Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman in Jeddah, Saudi Arabia, July 9, 2026. Saudi Press Agency/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. REFILE - CORRECTING ID FROM
Canadian Prime Minister Mark Carney meets Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman in Jeddah, Saudi Arabia, July 9, 2026. Saudi Press Agency/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. REFILE - CORRECTING ID FROM

Príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman – Foto: Saudi News Agency/Reuters/ Proibida a reprodução

“Fechar um acordo com a Arábia Saudita antes de resolver a questão nuclear iraniana seria insensato e míope”, diz a entidade, acrescentando que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, afirmou, em 2018, que buscaria uma arma nuclear caso o Irã tivesse acesso a uma.

Sinal alarmante para Oriente Médio

O professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes destacou à Agência Brasil que, embora a Arábia Saudita tenha assinado o Acordo de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), a parceria com os EUA envia um sinal contraditório para o Oriente Médio.

“É alarmante porque, embora haja um compromisso para enriquecer o urânio para fins pacíficos, o fato é que, na trajetória do programa nuclear da Arábia Saudita, pode haver outros interesses no futuro que sejam diferentes do ponto de partida. Isso aumenta as incertezas na região”, comentou.

O especialista da UnB lembra que, desde a Guerra Fria, os EUA trabalham para convencer países a abrir mão de desenvolver armamentos nucleares ou mesmo promover programas nucleares. Brasil, Argentina e África do Sul são exemplos de nações que assinaram o TNP em meio à pressão de Washington.


Brasil deve aproveitar G20 no país para projetar sua política externa. Roberto. Foto: Arquivo Pessoal
Brasil deve aproveitar G20 no país para projetar sua política externa. Roberto. Foto: Arquivo Pessoal

Professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes – Foto: Roberto Goulart Menezes/Arquivo pessoal

“Juntamente com a União Soviética (URSS), o objetivo dos EUA era barrar a proliferação nuclear. Isso porque quanto mais Estados passassem a ter acesso à tecnologia nuclear e, no momento seguinte, a possibilidade de ter arma atômica, isso diminuiria o poder dos EUA e da URSS”, contextualizou Menezes.

Coreia do Sul

O acordo dos EUA com Arábia Saudita contrasta ainda com a política nuclear da Casa Branca para a Coreia do Sul que, há décadas, busca uma parceria com Washington para enriquecer urânio diante das tensões militares com a Coreia no Norte.

“[Isso] expõe um flagrante duplo padrão na política nuclear americana. Washington parece ter aberto caminho para que a Arábia Saudita obtenha direitos de enriquecimento para usinas nucleares que ainda não foram construídas, enquanto os nega à Coreia do Sul, que já opera 26 reatores”, escreveu o correspondente do The New York Times em Seul, Choe Sang-Hun.

Negociações começaram em 2008

Desde 2008, EUA e Arábia Saudita discutem um possível acordo nuclear para fins pacíficos. Em 2020, o Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês) relatou que os países não haviam feito “progressos significativos” para um acordo.
“Devido a divergências persistentes sobre condições de não proliferação, incluindo aquelas relacionadas a um Protocolo Adicional e a restrições ao enriquecimento e ao reprocessamento de material nuclear”, escreveu o escritório ligado à Casa Branca.

A divergência teria persistido durante a administração de Joe Biden (2021-2025), alimentada ainda pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita na Turquia.

A investigação do governo turco apontou que o jornalista, que era crítico da monarquia do país, foi esquartejado e teve o corpo dissolvido em substância química por funcionários da embaixada do regime do Oriente Médio. O caso mobilizou a opinião pública estadunidense contra a Arábia Saudita.

A situação mudou no segundo mandato do presidente Donald Trump. Em novembro do ano passado, os países assinaram uma declaração conjunta sobre o tema, mostrando avanço nas negociações.

Com a escalada da guerra no Oriente Médio nos últimos dias, o acordo foi anunciado. Isso apenas dois dias após os houthis, do Iêmen, bloquearem a passagem dos navios sauditas no Estreito de Bad el-Mandeb, no Mar Vermelho, prejudicando as exportações do país, já prejudicadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
 


Estreito de Bad el Mandeb
Estreito de Bad el Mandeb

Fonte: Agência Brasil

Receita prevê arrecadar R$ 17,2 bilhões com IR sobre dividendos

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A arrecadação com o Imposto de Renda sobre dividendos deve somar R$ 17,2 bilhões este ano, abaixo dos R$ 28 bilhões previstos inicialmente no Orçamento. A estimativa foi apresentada nesta sexta-feira (24) pela Receita Federal durante a divulgação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

A tributação dos dividendos foi criada para compensar a perda de arrecadação provocada pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, medida que também tem impacto estimado em R$ 28 bilhões neste ano.

No primeiro semestre, porém, o desempenho da nova fonte de receita ficou aquém do esperado. De janeiro a junho, a arrecadação somou apenas R$ 2,2 bilhões. A expectativa da Receita é obter outros R$ 15 bilhões entre julho e dezembro.

Arrecadação

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, disse que a projeção para o segundo semestre ainda será acompanhada de perto pelo Fisco.

“A expectativa é arrecadar cerca de R$ 15 bilhões no segundo semestre, totalizando aproximadamente R$ 17,2 bilhões no ano”, disse Malaquias durante a apresentação do relatório.

O valor representa uma frustração de aproximadamente R$ 10,8 bilhões em relação à estimativa original incluída no Orçamento.

Estimativa

Apesar da arrecadação abaixo do previsto, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que ainda é cedo para concluir que a estimativa precisará ser revisada e destacou que esse tipo de receita não apresenta comportamento uniforme ao longo do ano.

“Não dá para tratar isso de maneira linear. Agora, nós já vamos entrando no segundo semestre e haverá mais base para entender se essa projeção se mantém ou não. No próximo relatório, de posse de números mais atualizados, nós vamos tomar novas decisões”, afirmou.

Moretti ressaltou que outras receitas tributárias vêm superando as expectativas e ajudam a compensar o desempenho abaixo do esperado da tributação sobre dividendos.

“Ainda temos uma margem na meta [de resultado primário] de R$ 10,8 bilhões. Hoje, com as premissas utilizadas no relatório, temos muita segurança sobre o cumprimento com folga da nossa meta”, disse.

O ministro ressaltou que a estimativa de arrecadação total do Imposto de Renda este ano aumentou R$ 12,7 bilhões entre os relatórios bimestrais divulgados em maio e julho.

Medida compensatória

A tributação dos dividendos entrou em vigor como uma das principais medidas para compensar a ampliação da isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem recebe até R$ 5 mil por mês.

Pelas regras atuais, dividendos distribuídos a pessoas físicas passaram a ser tributados em 10%, tanto para residentes no Brasil quanto nas remessas ao exterior. Permanecem isentos os valores de até R$ 50 mil mensais recebidos de uma mesma empresa.

Meta fiscal

Mesmo com a arrecadação inferior ao previsto, o governo manteve as projeções fiscais do Orçamento.

O relatório bimestral estima superávit primário de R$ 10,8 bilhões este ano, com dedução de gastos autorizada pelo arcabouço fiscal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dessa forma, o resultado permanece dentro da banda de tolerância da meta fiscal.

A meta central de resultado primário fixada para este ano é um superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com margem que permite resultado até 0,5% do PIB. O resultado primário representa o déficit ou superávit sem os juros da dívida pública.

Outras receitas

A equipe econômica avalia que a frustração com a arrecadação sobre dividendos vem sendo parcialmente compensada por outras fontes de receita, incluindo medidas adotadas nos últimos anos para ampliar a tributação de empresas e investimentos no exterior.

Ainda assim, a Receita Federal informou que continuará monitorando o desempenho da tributação dos dividendos e poderá revisar novamente a estimativa de arrecadação no próximo relatório bimestral, caso o ritmo de recolhimento permaneça abaixo do esperado.

Fonte: Agência Brasil

Justiça decreta prisão de casal suspeito de roubar e vender remédios

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A Justiça do Rio determinou a prisão preventiva de um casal acusado de roubar e comercializar ilegalmente medicamentos de alto custo, especialmente oncológicos. 

O estudante de direito Guilherme Silva Lopes de Sena e a enfermeira Fernanda Rodrigues de França foram presos em flagrante na terça-feira (21) e tiveram a prisão convertida em preventiva na última quinta (20), durante audiência de custódia.

Entre os remédios que eles são suspeitos de vender ilegalmente estão substâncias indicadas para leucemias e linfomas, por valores que chegavam a R$ 34.920 a caixa.

Segundo as investigações, os produtos apreendidos não possuíam eficácia terapêutica real e continham lotes inexistentes nos registros oficiais dos fabricantes, colocando em risco o direto a vida dos pacientes

De acordo com os autos, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, foi encontrada uma grande quantidade de medicamentos, entre eles insulina, quimioterápicos, anestésicos de uso controlado, morfina, antibióticos e outros produtos hospitalares de alto valor comercial. Os custodiados não apresentaram documentação fiscal nem autorização legal para manter o material armazenado.

Na audiência de custódia, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apontou a existência de indícios da prática do crime que pune quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito ou distribui produto farmacêutico ou medicinal sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Além disso, a promotoria requereu a inclusão do delito de organização criminosa, diante dos elementos que apontam para a atuação integrada dos investigados com grupo voltado ao roubo e ao escoamento de cargas de medicamentos.

 

Fonte: Agência Brasil

Justiça condena traficantes que mataram cantora Aline Borel

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A Justiça de Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, condenou os assassinos da cantora e influenciadora Aline Borel dos Santos, de 28 anos, em 2022. 

Natanael dos Santos Nunes e Luiz Henrique Motta Fersura receberam, respectivamente, as penas de 28 anos e um mês e de 16 anos e seis meses de prisão.

Em 20 de abril de 2022, a jovem foi atraída pelos criminosos para a Praia do Dentinho, em Praia Seca, e executada a tiros.

De acordo com a denúncia, além de Natanael e Luiz Henrique, estariam também envolvidos no crime João Vítor Fernandes dos Santos e Ricardo Santos Oliveira. 

Líder da facção que domina o tráfico de drogas na região do Corte, em Praia Seca, Ricardo planejou a morte da cantora porque suspeitava que Aline Borel passasse informações para a milícia que disputava o domínio criminoso daquela área. Para a Polícia CIvil e o Ministério Público do estado do Rio de Janeiro, ela foi executada por engano.

A sessão de julgamento teve início na quinta-feira (23) e terminou na madrugada desta sexta-feira, (24), na Vara Criminal de Araruama. 

“Legião de fãs”

O juiz Eric Baracho Dore Fernandes, que presidiu a sessão, escreveu na sentença sobre a espontaneidade de Aline Borel, que ficou conhecida nas redes sociais após publicar vídeos cantando músicas da sua autoria.

“Aline Borel era pessoa querida por inúmeros fãs e seguidores, conhecida por seu jeito inocente e espontâneo nos inúmeros programas de auditório que participou e vídeos protagonizados em redes sociais. Em razão disso, o crime gerou ampla comoção, com grande repercussão e cobertura na imprensa, em razão da sensação coletiva de perda precoce da vítima Aline Borel, que contava com uma verdadeira legião de fãs e seguidores”.  

Aline Borel dos Santos ganhou grande notoriedade na internet por seus vídeos com músicas bem-humoradas. Ela ficou famosa ao publicar versões de músicas famosas, como canções da dupla Sandy & Junior, e composições próprias, a exemplo do viral É cansativa a vida do crente.

Fonte: Agência Brasil