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Botafogo vence Corinthians pelo Brasileirão com três de Arthur Cabral

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O atacante Arthur Cabral não esquecerá tão cedo o duelo entre Botafogo e Corinthians deste domingo (17). O camisa 19 do Glorioso balançou as redes três vezes e decidiu a vitória da equipe carioca sobre o Timão, por 3 a 1, no Estádio Nilton Santos, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. O jogo foi transmitido ao vivo pela Rádio Nacional.

Com 21 pontos, o Alvinegro de General Severiano se aproximou da briga por vaga na próxima edição da Libertadores, que envolve os cinco primeiros colocados. O time paulista, que não saiu dos 18 pontos, entrou na zona de rebaixamento à Série B, que reúne as quatro piores campanhas da competição, o chamado Z-4.

A partida no Rio de Janeiro começou acelerada, com dois gols em dez minutos. O Botafogo saiu na frente logo aos seis. Após lançamento desde o campo defensivo, o atacante Lucas Villalba ganhou pelo alto do zagueiro Gustavo Henrique e a bola sobrou com Arthur Cabral, que finalizou da entrada da área, no canto direito do goleiro Hugo Souza.

A resposta do Corinthians veio quatro minutos depois. O Glorioso perdeu a posse da bola na intermediária, com Raniele desarmando o também volante Huguinho, e a sobra ficou com o meia Rodrigo Garro, que bateu cruzado e venceu o goleiro Neto.

Aos 23 minutos, na sequência de uma cobrança de falta do lateral Alex Telles, Gustavo Henrique disputou com Nahuel Ferrarezi na área e derrubou o zagueiro botafoguense. A penalidade foi marcada, mas o árbitro Felipe Fernandes de Lima, após rever o lance no vídeo, entendeu que o contato não teria sido faltoso e desmarcou a infração.

Os donos da casa não se intimidaram e voltaram à frente pouco tempo depois, em um golaço de Arthur Cabral. Aos 31, o atacante dominou na intermediária e arriscou de longe, acertando o ângulo direito de Hugo Souza, que nem conseguiu se mexer.

Antes do intervalo, o Timão esteve duas vezes perto do empate. Aos 40 minutos, o lateral Matheuzinho cruzou pela direita e Raniele cabeceou a bola na trave. Aos 43, Garro bateu escanteio e o atacante Yuri Alberto mandou para as redes, mas o lance foi invalidado porque o meia corintiano fez a cobrança fora do lugar correto.

A etapa final foi menos movimentada, mas a estrela de Arthur Cabral continuou a brilhar. Aos 24 minutos, Villalba se antecipou ao zagueiro André Ramalho, invadiu a área pela esquerda e rolou para Kauan Toledo. O atacante se enrolou com a bola na hora de finalizar, mas sobrou nos pés do artilheiro da partida, que marcou o terceiro dele e do Botafogo.

O time da casa esteve mais próximo do quarto gol que o Corinthians do segundo. Aos 42 minutos, na última grande oportunidade do jogo, o zagueiro Alexander Barboza cabeceou com perigo e parou em bela defesa de Hugo Souza. Na sequência, o meia Santí Rodriguez acertou a trave. Nada que estragasse a festa botafoguense no Nilton Santos.

Empate em Salvador

No outro jogo da tarde deste domingo, Bahia e Grêmio empataram por 1 a 1 na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador. Os visitantes abriram o marcador com o zagueiro Viery, aos 16 minutos do segundo tempo. Aos 26, o atacante Mateo Sanabria igualou para os anfitriões.

O Esquadrão de Aço, com 23 pontos, não vence há cinco rodadas e perdeu a chance de se reaproximar da zona de classificação para a Libertadores. O Imortal, agora com 18 pontos, saiu do Z-4. A pontuação é a mesma de Santos e Corinthians, mas os gaúchos ficam à frente do Peixe no saldo e do Timão no número de gols marcados.

Fonte: Agência Brasil

Sesi Araraquara vence o Cerrado e encosta na liderança da LBF

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Atual tricampeão da Liga de Basquete Feminino (LBF), o Sesi Araraquara se manteve na caça ao Sampaio Basquete, líder da temporada 2026 da competição. Neste domingo (17), o time paulista derrotou o Cerrado BRB por 63 a 58 no Sesc de Ceilândia (DF). O duelo foi transmitido ao vivo pela TV Brasil.

Esta foi a 12ª vitória do Sesi em 14 rodadas. Com os dois pontos conquistados pelo triunfo deste domingo, o time de Araraquara (SP) igualou os 26 pontos do Sampaio, que tem um jogo a menos, está invicto e possui melhor saldo de cestas. O ponto somado pela derrota levou o Cerrado a 21 na classificação, na quarta posição. A equipe brasiliense acumula 13 partidas, com oito resultados positivos e cinco tropeços.

A pivô Aline Moura, capitã do Sesi, foi eleita o destaque do jogo, com direito a um duplo-duplo (quando se atinge dois dígitos em duas estatísticas na partida). Foram 15 pontos e 14 rebotes.

O desempenho das paulistas no garrafão, aliás, foi decisivo para o resultado. A equipe apanhou 50 rebotes (19 a mais que o Cerrado) no confronto, sendo 38 defensivos e 12 ofensivos, que provocaram 12 pontos de “segunda chance”, contra apenas cinco das anfitriãs.

As duas equipes voltam às quadras na próxima quarta-feira (20), às 20h30 (horário de Brasília). O Sesi recebe o Pontz São José em Araraquara. O Cerrado visita o Sport no ginásio do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), em Recife.

Fonte: Agência Brasil

Coritiba ofusca festa para Neymar e derrota Santos pelo Brasileirão

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Os holofotes estavam voltados para Neymar no último jogo dele antes da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo. A Neo Química Arena, em São Paulo, estava lotada. Mas o Coritiba roubou a cena e atropelou o Santos por 3 a 0 na manhã deste domingo (17), pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Estacionado nos 18 pontos, o Peixe segue colado na zona de rebaixamento, que envolve as quatro piores campanhas. Já a equipe paranaense, com 23 pontos, ocupa a parte de cima da tabela e entrou na briga por um lugar na próxima Libertadores, que reúne os cinco primeiros colocados da competição.

Neymar esteve em campo por 65 minutos e foi discreto em sua última chance para convencer Ancelotti de que merece ir a Copa. Foram quatro faltas sofridas, nenhum drible acertado, três finalizações (uma em direção ao gol) e dois passes considerados decisivos (que levam ao chute de um companheiro), segundo o site Sofascore, especializado em estatísticas esportivas em tempo real.

O camisa 10, porém, acabou protagonizando – sem querer – o momento mais inusitado da partida. Aos 22 minutos do segundo tempo, o quarto árbitro, Bruno Mota Correia, ergueu a placa eletrônica anunciando a troca de Neymar, que recebia atendimento na panturrilha fora de campo, pelo também atacante Robinho Júnior.

O problema é que o papel que teria sido entregue informando a substituição indicava a saída do lateral Gonzalo Escobar, diferentemente do que aparecia na placa eletrônica entregue ao quarto árbitro. Apesar das reclamações santistas, a alteração foi mantida e Neymar, que chegou a entrar em campo para argumentar sobre o erro, levou cartão amarelo.

Este foi o 15º jogo de Neymar na temporada. Com seis gols e quatro assistências, o atacante participou de dez gols no ano, média de 0,66 por partida. Em dezembro do ano passado, ele operou o menisco do joelho esquerdo e retornou aos gramados em meados de fevereiro. Apesar de não ter se contundido mais, o jogador foi poupado em vários compromissos do Santos para controle de carga.

“Carrasco” santista brilha

A festa planejada para Neymar sucumbiu ainda no primeiro tempo. Quem esperava assistir ao brilho do camisa 10 viu Breno Lopes, “carrasco” santista na final da Libertadores de 2020 quando defendia o Palmeiras, marcar duas vezes em menos de 20 minutos.

Aos cinco, ele foi lançado pelo meia Josué desde o campo de defesa, ganhou da marcação na velocidade e finalizou para abrir o marcador. Aos 19, o também atacante Pedro Rocha fez boa jogada pela direita, entrou na área, driblou o zagueiro Lucas Veríssimo e rolou para Breno Lopes, sem goleiro, aumentar a vantagem.

O terceiro saiu aos 38 minutos, com Josué, cobrando pênalti cometido por Escobar em cima de Breno Lopes. Na etapa final, o artilheiro do Coritiba ainda causou a expulsão do também atacante Álvaro Barreal. Ao apito final, as vaias dos cerca de 45 mil santistas presentes tomaram a Neo Química Arena. Fim de festa longe do que esperavam Santos e Neymar.

 

Fonte: Agência Brasil

Refinarias da Petrobras operam com mais de 100% de capacidade; entenda

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No cenário em que o Brasil busca aumentar a produção de combustíveis derivados do petróleo, como forma de depender menos do contexto internacional – no qual a guerra no Irã levou ao aumento de preços – a Petrobras informou, na última terça-feira (12), que as refinarias da companhia operam acima da capacidade.

A afirmação foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante apresentação do balanço trimestral da estatal

As demonstrações da companhia apontam que, no primeiro trimestre de 2026, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias ficou em 95%. Especificamente em março, o FUT atingiu 97,4%, o mais alto desde dezembro de 2014.

Em teleconferência da direção da companhia com investidores e analistas de mercado, Magda Chambriard foi além e antecipou que nos meses de abril e maio, o FUT ultrapassou 100%.

“A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias”, declarou.

O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, detalhou que a empresa está operando “já com 100%, 102%, 103%”.

“De ontem (11) para hoje (12) operamos com 103% nas nossas refinarias”, completou França.

O que é o FUT?

As refinarias são as estruturas industriais nas quais a Petrobras transforma o petróleo em derivados, como óleo diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV).

O FUT é um cálculo que leva em conta o volume de carga de petróleo processado e a capacidade de referência das refinarias, dentro dos limites de projeto dos ativos, dos requisitos de segurança, de meio ambiente e de qualidade dos derivados produzidos.

Quanto maior o FUT, mais as refinarias estão sendo utilizadas. Quando o indicador chega a 100%, significa que estão no limite de capacidade.

França explica que o fator de utilização pode superar 100% porque a carga de processamento pode ser um pouco maior que a capacidade de referência instalada, desde que haja a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

Guerra e manutenção

França relacionou a expansão do FUT ao ambiente geopolítico internacional, uma vez que a empresa é exportadora de derivados de petróleo.

“Tivemos o efeito da guerra. Quanto mais refinar o nosso petróleo, mais dinheiro a gente está ganhando. Estamos agregando valor além das exportações do petróleo”.

O diretor lembrou que a Petrobras bateu recorde de produção de petróleo no primeiro trimestre e destacou que está “investindo muito em confiabilidade das refinarias, com inspeções baseadas em risco e outras ferramentas do time de engenharia”.

“Então, bombas, por exemplo, que operavam com 70% do tempo, hoje estão operando 90% do tempo antes de uma intervenção”, completou.

Segundo França, a Petrobras está reduzindo o tempo de intervenção nas unidades, o que faz as refinarias terem confiabilidade maior, permitindo operar com cargas maiores por muito mais tempo que antigamente.

“Isso nos permite aumentar o nosso fator de utilização, isto é, aumentar a carga da nossa unidade por mais tempo”, sustenta.

O responsável pelos processos industriais da estatal acrescenta que 2026 tem sido um ano de “baixa” nas manutenções programadas. “Fizemos muita manutenção programada no ano passado para deixar as unidades prontas”, descreve.

“A manutenção programada é para isso, para dar uma geral na unidade e deixá-la pronta para uma campanha confiável, uma campanha de disponibilidade próxima de 100%”, conclui.

Recorde em Abreu e Lima


Recife (PE) 17/10/2025 - Vista da Refinaria Abreu e Lima, situada no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife A Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Recife (PE) 17/10/2025 - Vista da Refinaria Abreu e Lima, situada no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife A Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 Vista da Refinaria Abreu e Lima, situada no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

França citou o exemplo da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, região metropolitana do Recife, que passou por manutenção no primeiro trimestre do ano passado. A refinaria tem capacidade de produção de 130 mil barris por dia.

“Pôde fazer uma parada muito boa e agora pode subir a carga para 140 mil, 150 mil barris por dia, porque está confiável”.

No início do mês, a Petrobras informou que a unidade bateu recorde de produção de óleo diesel S-10 (menos poluente) em abril, com 385 milhões de litros, superando a melhor marca anterior, de 373 milhões registrada há quase dez anos, em julho de 2016.

A Petrobras tem 11 refinarias, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A maior delas é a Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo, que responde por cerca de 30% de todo o refino de petróleo no Brasil.

 

Fonte: Agência Brasil

Apostas na Mega-Sena 30 anos começam neste domingo

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As apostas para o sorteio em comemoração dos 30 anos da Mega-Sena começam neste domingo (17). O prazo final para apostas individuais do concurso especial 3010 é até as 22h do dia 23 de maio, no horário de Brasília.

Quem preferir participar de bolões da Mega-Sena 30 Anos, as cotas podem ser compradas até as 10h de 24 de maio, um domingo, data do sorteio.

A Caixa Econômica Federal esclarece que todo sorteio especial e loterias têm um período de vendas exclusivas, como no caso da Mega-Sena 30 anos. Por este motivo, o calendário de apostas é reorganizado. 

“Não se trata de suspensão [das apostas]”, explicou a Caixa à Agência Brasil.

Como apostar

Os interessados não precisam aguardar até domingo para apostar na edição especial de 30 anos da Mega-Sena. Os palpites já podem ser feitos nas lotéricas de todo o país, pelo site Loterias Caixa, pelo aplicativo Loterias Caixa, disponível para usuários das plataformas Android e iOS, e pelo internet Banking Caixa , canal exclusivo para correntistas do banco público.

O valor da aposta simples, com seis dezenas, é R$ 6.

A Caixa esclarece que o concurso não acumula, se não houver ganhadores na faixa principal, como ocorre em outros sorteios especiais, a exemplo das edições da Mega da Virada, Dupla de Páscoa, Quina de São João e Lotofácil da Independência.

Caso ninguém acerte os seis números sorteados, o prêmio será redistribuído entre os acertadores da segunda faixa, acerto de cinco números. Se ainda assim não houver ganhadores, passa para a terceira faixa e assim sucessivamente, conforme as regras da modalidade. 

Premiação

A Caixa estima que o prêmio do sorteio especial da Mega-Sena pode alcançar R$ 200 milhões.

Caso apenas um apostador conquiste sozinho o valor milionário estimado e aplique integralmente o prêmio na poupança, o rendimento do investimento no primeiro mês seria de aproximadamente R$ 1,34 milhão, considerando os parâmetros atuais de rentabilidade desse investimento, calcula a instituição financeira.

Outras informações no site Loterias Caixa.


Fonte: Agência Brasil

Brasil fecha participação na Copa do Mundo de Canoagem com 7 medalhas

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Chegou ao fim a etapa de Brandemburgo (Alemanha) da Copa do Mundo de canoagem e paracanoagem. O Brasil concluiu a participação com sete medalhas, sendo cinco somente nas provas paralímpicas.

As duas últimas, de prata, foram conquistadas neste domingo (17), com Fernando Rufino e Miqueias Rodrigues. O primeiro pódio veio com Rufino, segundo colocado nos 200 metros (m) da classe KL2 (caiaque para atletas que utilizam braços e troncos para remar). O sul-mato-grossense de 40 anos, que perdeu parte da movimentação das pernas após ser atropelado por um ônibus, já tinha conquistado a medalha de ouro no sábado (16), na prova de 200 m da canoa (VL2).

Quem venceu a final foi o australiano Curtis McGrath, com tempo de 44s98, 37 centésimos a frente de Rufino. O bronze ficou com o uzbeque Azizbek Abdulkhabibov (45s55). O paranaense Flavio Reitz também participou da prova, terminando-a na sétima posição. Ele teve de amputar a perna esquerda aos 15 anos, devido a um tumor no fêmur, o que causou a desarticulação do quadril.

A última medalha brasileira em Brandemburgo foi conquistada por Miqueias nos 200m da classe KL3 (caiaque para atletas com deficiência moderada nos membros inferiores). O paranaense, que amputou a perna esquerda devido a um acidente de moto, chegou em segundo, com tempo de 44s91, superando o neozelandês Finn Murphy. A vitória foi do georgiano Serhii Yemelianov (44s14). O baiano Gabriel Porto ficou em quarto (45s51).


Brandemburgo, 17/05/2026 - Canoista Miqueias participa de prova de canoagem na Copa do Mundo de paracanoagem.  Foto: Isabella Oliveira/CBCa
Brandemburgo, 17/05/2026 - Canoista Miqueias participa de prova de canoagem na Copa do Mundo de paracanoagem.  Foto: Isabella Oliveira/CBCa

Canoista Miqueias participa de prova de canoagem na Copa do Mundo. – Isabella Oliveira/CBCa

Outra final com representante brasileiro neste domingo foi a dos 200 m da classe VL2 feminina. A sul-mato-grossense Débora Benevides, que nasceu com uma má formação que causou atrofia nas pernas, terminou em quarto, com tempo de 1min11s33, a pouco mais de dois segundos de Anastasia Miasnikova, de Belarus, que foi bronze. A britânica Emma Wiggs (1min05s48) ficou em primeiro, seguida pela canadense Brianna Hennessy (1min06s50).

Além das medalhas deste domingo e do ouro de Rufino no sábado, a paracanoagem brasileira esteve no pódio com o paranaense Giovane Vieira de Paula, bronze nos 200 m da classe VL3 (canoístas com grau moderado de comprometimento no tronco e nas pernas), e a prata do piauiense Luis Carlos Cardoso nos 200 m do KL1 (caiaque para atletas com deficiências severas nas pernas e no quadril).

Já entre os olímpicos, Isaquias Queiroz foi ouro nos 500 m da categoria C1 (canoa individual). O também baiano Gabriel Assunção, na mesma prova, chegou em terceiro lugar e compôs a dobradinha brasileira no pódio.

Fonte: Agência Brasil

Brasileirão: Palmeiras tropeça e Flamengo pode encostar na liderança

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O torcedor do Palmeiras acordou preocupado neste domingo (17). O empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, na noite de sábado (16), na Arena Barueri, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, pode fazer o Verdão perder a “gordura” acumulada na liderança da competição.

A equipe dirigida por Abel Ferreira chegou ao terceiro jogo sem vencer pelo torneio. São três empates em sequência, todos por 1 a 1. Dois deles – Santos e Cruzeiro – como mandante.

Com 35 pontos, o time alviverde tem cinco de vantagem para o Flamengo, segundo colocado. O Rubro-Negro joga neste domingo, às 19h30 (horário de Brasília), contra o Athletico-PR, na Arena da Baixada, em Curitiba. Em caso de triunfo, a equipe carioca ficaria a somente dois pontos dos paulistas e com uma partida a menos que o concorrente. Os mineiros, com 20 pontos, estão na 12ª colocação.

O próximo sábado (23) reserva, justamente, o duelo entre Flamengo e Palmeiras, às 21h, no Maracanã. Se estiverem separados por dois pontos, o confronto valerá a ponta da tabela.

O Cruzeiro saiu na frente na Arena Barueri. Com dez minutos de bola rolando, o atacante Keny Arroyo recebeu na entrada da área pela direita, levou para a perna esquerda e bateu cruzado, no canto do goleiro Carlos Miguel.

Aos 18, o centroavante Flaco López disputou bola com o zagueiro Jonathan Jesus e caiu na área. O árbitro Sávio Pereira Sampaio marcou pênalti a favor do Palmeiras, mas voltou atrás depois de rever o lance no vídeo. Na sequência, o Verdão teve escanteio para cobrar e acabou chegando ao empate, com Felipe Anderson. O meia finalizou de fora da área, na sobra de um cruzamento do também meia Jhon Arias.

No segundo tempo, mesmo com o gramado da Arena Barueri mais pesado devido à chuva, as equipes fizeram um jogo movimentado. Na chance mais clara, aos 15 minutos, o zagueiro Gustavo Gómez tentou uma bicicleta quase na pequena área e parou em grande defesa do goleiro Otávio. As redes, porém, não balançaram.

Galo, Inter e Flu vencem

A 16ª rodada do Brasileirão teve outros três jogos no sábado. Na Arena MRV, em Belo Horizonte, o Atlético-MG venceu o Mirassol por 3 a 1. O atacante Alan Minda, o volante Maycon e o meia Mamady Cissé marcaram para o Galo, enquanto o zagueiro William Machado descontou para o Leão Caipira.

Os mineiros foram a 21 pontos e assumiram, provisoriamente, o 7º lugar. O Mirassol, com 13 pontos, segue na 18ª colocação, entre os quatro últimos colocados, que figuram na zona de rebaixamento (o chamado Z-4) à Série B.

Outro time que atingiu 21 pontos foi o Internacional, que goleou o Vasco por 4 a 1 no Beira-Rio, em Porto Alegre. O Colorado fica em 8º, atrás do Atlético-MG, pelo saldo de gols. O Cruzmaltino, com 20 pontos, caiu para o 11º lugar e ainda pode ser ultrapassado na sequência da rodada.

Os gaúchos balançaram as redes com os atacantes Alerrandro e Johan Carbonero (duas vezes) e com o lateral Alexandro Bernabei. O Gigante da Colina marcou com o atacante Andrés Gómez.

Já no duelo entre os tricolores carioca e paulista, melhor para o Fluminense, que fez 2 a 1 no São Paulo, no Maracanã. Os atacantes John Kennedy e Agustín Canobbio marcaram os gols pelo Flu, enquanto o  zagueiro Dória diminuiu para o São Paulo. Com o resultado, o Fluminense soma os mesmos 30 pontos do rival Flamengo, mas aparecem em 3° na tabela pelo saldo de gols. 

O São Paulo, com 24 pontos, chegou ao terceiro jogo sem vitória no Brasileirão. Contra o Fluminense, o time foi dirigido pelo auxiliar Milton Cruz, interino após a demissão de Roger Machado na última quarta-feira (13). O substituto, Dorival Júnior, foi anunciado na sexta-feira (15). Ele foi campeão da Copa do Brasil no comando da equipe em 2023.

Fonte: Agência Brasil

Durigan vai à França para agenda do G7 e reuniões bilaterais

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, embarcou neste fim de semana para a França em sua segunda viagem internacional desde que assumiu o comando da equipe econômica, após a saída de Fernando Haddad.

A agenda inclui participação em reuniões do G7, encontros bilaterais com autoridades estrangeiras e discussões sobre inteligência artificial, energia e minerais estratégicos.

Durigan chega a Paris na segunda-feira (18) para participar da reunião de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G7, grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O Brasil participa como país convidado. Também estão previstos eventos voltados ao diálogo com representantes da sociedade civil e do setor privado francês.

A programação da segunda-feira inclui uma mesa redonda promovida pela revista Le Grand Continent, voltada à geopolítica e a análises intelectuais. O ministro também terá um almoço na redação do jornal Le Monde, em Paris.

À tarde, no horário local, Durigan visitará a startup francesa de inteligência artificial Mistral AI, onde terá reunião com o CEO da empresa, Arthur Mensch. À noite, o ministro participará do jantar ministerial do G7.

Reuniões bilaterais

Na terça-feira (19), Durigan participará da reunião do G7, com os demais ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais do grupo. Em seguida, terá uma série de encontros bilaterais.

Após o almoço ministerial, Durigan se reunirá com a ministra- elegada para Inteligência Artificial da França, Anne Le Hénanff, e com a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama.

O ministro brasileiro também deve se reunir com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol. O encontro ocorre em meio às preocupações globais com o abastecimento energético por causa do conflito no Oriente Médio.

Minerais críticos

Em entrevista ao programa Na Mesa com Datena, da TV Brasil, na semana passada, Durigan afirmou que pretende aproveitar a viagem para apresentar o Brasil como alternativa estratégica no mercado global de minerais críticos. Esses elementos são considerados essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética.

Entre os materiais citados pelo governo estão terras raras, nióbio e grafeno. Atualmente, a China domina grande parte da produção mundial desses insumos.

Segundo Durigan, o governo quer ampliar investimentos estrangeiros no setor mineral brasileiro sem abrir mão do controle nacional sobre os recursos naturais. A proposta inclui incentivo à industrialização local e agregação de valor à produção nacional.

O ministro afirmou que o objetivo é evitar que o país permaneça apenas como exportador de matérias-primas e defendeu o fortalecimento da indústria brasileira ligada à cadeia mineral e energética.

Retorno

Após os compromissos em Paris, Durigan embarca de volta ao Brasil na noite de terça-feira (19), horário da França. A chegada está prevista para quarta-feira (20) pela manhã, com retorno imediato às agendas do Ministério da Fazenda em Brasília.

Originalmente, a ida à França seria a segunda etapa de uma viagem mais longa, que incluiria a reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como Banco dos Brics, na Rússia. O ministro, no entanto, cancelou a ida a Moscou após o fechamento do aeroporto da capital russa, que sofre interrupções temporárias por causa do ataque de drones ucranianos na região.

Fonte: Agência Brasil

Mega-sena acumula e próximo prêmio será de R$ 300 milhões

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Nenhuma aposta acertou os seis números do concurso 3.009, realizado na noite deste sábado (16), no Espaço da Sorte, em São Paulo. Com isso, o prêmio acumulou e chegará a R$ 300 milhões no próximo concurso, cujo sorteio será realizado no próximo sábado, 23 de maio .

As dezenas sorteadas foram as seguintes: 04 – 06 – 08 – 18 – 21 – 30.

A quina teve 136 apostas ganhadoras, cada uma vai receber R$ 19.052,37. Já a quadra registrou mais de 6 mil apostas vencedoras e cada acertador vai receber o prêmio de, R$ 636,14.

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As apostas para o sorteio do próximo concurso podem ser feitas até as 20h, horário de Brasília, do dia do sorteio, nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

A aposta simples, com seis números marcados, custa R$ 6.

Fonte: Agência Brasil

Iniciativas tentam facilitar acesso e permanência de mães na ciência

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Há mais de 20 anos, o Brasil forma mais doutoras do que doutores e ainda assim as mulheres continuam sendo minoria entre os professores de graduação e pós-graduação. Além disso, elas recebem apenas um terço das bolsas de produtividade, destinadas a cientistas com maior destaque na carreira acadêmica. 

O chamado “efeito tesoura”, que nomeia esse corte progressivo das mulheres conforme a carreira avança, é um fenômeno bastante conhecido, mas o impacto ainda maior sobre as mães só começou a ser debatido há poucos anos, de acordo com a pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Fernanda Staniscuaski. 

Fernanda já era docente e pesquisadora quando decidiu se tornar mãe e precisou pisar no freio em plena ascensão profissional. Mas o que seria uma desaceleração momentânea acabou se prolongando por mais tempo do que ela esperava e depois se revelou a entrada para um ciclo difícil de romper. 

“Quanto menos a mulher produz, menos ela vai ter oportunidade para ganhar financiamento, para conseguir bolsas para orientandos e obviamente isso vai fazer com que ela produza menos ainda. Existe essa pausa por causa da maternidade e ela tem que ser reconhecida. Mas a gente precisa das condições de retorno.”


Rio de Janeiro (RJ), 14/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mães na ciência. Fernanda Staniscuaski. Foto: Gustavo Diehl/UFRGS
Rio de Janeiro (RJ), 14/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mães na ciência. Fernanda Staniscuaski. Foto: Gustavo Diehl/UFRGS

Ao dividir suas angústias com amigas que também são cientistas e mães, ela se deu conta de que vivia uma realidade comum. Então fundou, em 2016, ao lado de outras seis mães e um pai, o movimento Parents in Science para debater a parentalidade entre pesquisadores. Este ano, a iniciativa completa uma década com mais de 90 cientistas associados, a maioria mulheres. 

Uma das principais frentes do Parents in Science tenta preencher uma lacuna de dados sobre esse universo, já que o Brasil não tem uma contagem oficial sobre o número de pesquisadores e docentes que têm filhos, o que impede que o impacto na carreira seja devidamente medido. 

Mas os números que comprovam o “efeito tesoura” já são um indicativo de como o cuidado com os filhos onera de maneira diferente homens e mulheres. Fernanda destaca que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, os padrões desiguais da sociedade também são reproduzidos entre acadêmicos. 

“As mães carregam o ônus do cuidado. Existe uma mudança cultural em andamento, com uma participação maior dos pais, mas a gente está longe de ser uma sociedade onde o cuidado é totalmente dividido, não só entre mães e pais, mas como algo coletivo”, complementa a fundadora do Parents in Science. 

Números

O documento mais recente publicado pelo grupo traz uma análise sobre a entrada e permanência na docência de pós-graduação. Para dar aulas nesses cursos, os pesquisadores precisam passar por um processo de credenciamento que avalia questões como a produtividade, refletida em artigos publicados, participações em congressos, orientações de estudantes etc. 

Esse currículo é reavaliado periodicamente e o docente pode ser recredenciado ou deixar o programa. O levantamento com dados de cerca de mil docentes revela algumas diferenças significativas entre pais e mães, especialmente nos casos de descredenciamento. 

Entre os pais, 43,7% deixaram o programa onde atuavam por iniciativa própria, enquanto 37,5% foram descredenciados por perda de produtividade. Já entre as mães, a ordem se inverte: apenas 24,6% saíram a pedido, enquanto 66,1% foram descredenciadas por não apresentarem mais a produção mínima exigida. 

O levantamento também aponta maior dificuldade das mães para se reinserir no sistema depois do descredenciamento. Considerando apenas as pessoas que saíram por perda de produtividade, 38% das mães não conseguiram retornar, contra 25% dos pais. Já entre os docentes que saíram a pedido, 25% das mães não retornaram, o que aconteceu com apenas 7,1% dos pais. 

“Existe uma questão de gênero que é bem clara, mas há também uma influência muito grande de raça. As mulheres pretas, pardas e indígenas continuam sendo o grupo mais sub-representado. Então, a gente precisa cruzar as diferentes barreiras que existem, como a questão das mães de filhos com deficiência, que também ocupam menos espaços”, destaca Fernanda. 

Acesso e permanência


Rio de Janeiro (RJ), 14/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mães na ciência. Cris Derner. Foto: Cris Derner/Arquivo Pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 14/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mães na ciência. Cris Derner. Foto: Cris Derner/Arquivo Pessoal

Os percalços não aparecem apenas em pontos avançados da carreira acadêmica. A assistente social Cristiane Derne, que atualmente faz mestrado em Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), já era mãe quando entrou na graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

“Eu morava em Magé, na Baixada Fluminense, e tinha que ir pro Rio todo dia depois do trabalho. Chegava em casa meia-noite e muitas vezes eu pensei: ‘esse não é um lugar para mim’. Tem a cobrança de horas complementares, estágio, projeto de extensão… às vezes o filho adoece e a gente precisa faltar, às vezes não tem com quem deixar. Eu me deparei com muitas meninas que acabaram desistindo”, ela lembra. 

A UFRJ concede um auxílio-educação de R$ 385 para as mães estudantes, mas apenas até que a criança complete seis anos, o que não contemplava Cristiane. Quem mais ajudou a assistente social a seguir com seus objetivos foi o coletivo de mães da UFRJ, tanto dividindo informações sobre direitos e benefícios, quanto oferecendo acolhimento emocional. 

Essa experiência acabou se tornando objeto de estudo para Cristiane. “No trabalho de conclusão de curso, eu fiz um levantamento das políticas que a UFRJ oferecia e como a presença ou a ausência delas impactava as mulheres do coletivo. Agora no mestrado eu estou estudando esses coletivos em nível nacional”, ela explica. 

Atlas 

Uma iniciativa semelhante foi feita pelo Núcleo Virtual de Pesquisa em Gênero e Maternidade, que publicou na semana passada o Atlas da Permanência Materna, com um compilado das políticas de permanência oferecidas pelas universidades federais. O levantamento identificou que a principal medida existente é a assistência financeira, concedida por 63 das 69 instituições, com valor médio de cerca de R$ 370 por mês. 

O Atlas mostrou ainda que a oferta de benefícios cai drasticamente na pós-graduação e apenas 13 instituições estendem o auxílio às alunas de mestrado e doutorado. Além disso, apenas oito universidades têm cuidotecas, espaços onde as crianças podem ficar enquanto as mães estudam. Em março deste ano, o Ministério da Educação lançou um edital no valor de R$ 20 milhões para a implantação de cuidotecas em outras unidades. 

“Na prática, a insuficiência financeira devolve o ônus logístico do cuidado para a esfera privada, culminando em um esgotamento físico e mental que frequentemente empurra a estudante para a evasão antes da consolidação do seu rito de passagem para a vida intelectual”, criticam as autoras do Atlas, Kamila Abreu e Ivana Moura. 

Diversidade


Rio de Janeiro, 30/04/2026 – A pesquisadora e doutoranda em planejamento urbano, Lizie Calmon posa para foto em sua casa, na Lapa, região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro, 30/04/2026 – A pesquisadora e doutoranda em planejamento urbano, Lizie Calmon posa para foto em sua casa, na Lapa, região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A professora de geografia Liziê Calmon, doutoranda no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano, e mãe de uma menina de 10 anos, muitas vezes se perguntou se deveria e conseguiria continuar com a carreira acadêmica.

“A gente acumula o trabalho remunerado, o não remunerado, o trabalho da pesquisa e às vezes acaba ficando um pouco para trás porque não consegue ter a mesma produtividade acadêmica, publicar artigo ou ir a congressos…”, explica.

Mas ela percebeu que tinha algo especial a oferecer para a ciência brasileira. “A experiência da maternidade traz para a gente um olhar mais apurado para algumas realidades que nem sempre estão sendo olhadas por outras pessoas.”

Na sua pesquisa de doutorado, por exemplo, ela estuda como mulheres moradoras da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, que precisam se deslocar até bairros nobres distantes para trabalhar como empregadas domésticas, vivenciam a cidade.

“A ideia é entender o que elas percebem e, partindo disso, elaborar políticas públicas que realmente atendam a certas demandas”, Lizie complementa. 

A professora e doutoranda também faz parte do coletivo de mães pesquisadoras Filhas de Sabah, que articulou com a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a lei que institui o Marco Legal Mães na Ciência. A matéria foi aprovada nesta quinta-feira (14) e segue para sanção do governo estadual. 

A principal novidade é que o trabalho de cuidado deverá contar como pontuação em processos seletivos de bolsas e editais. “Ao invés de olhar como um problema, isso vai ser visto como um ponto positivo, porque as habilidades que a gente desenvolve quando tem que cuidar de alguém não tem nenhuma outra experiência que se equipare”, defende Lizie. 

Editais

O Rio de Janeiro já foi pioneiro em outra iniciativa para estimular a produção acadêmica de mães cientistas. Em 2024, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) lançou em parceria com o movimento Parents in Science e o Instituto Serrapilheira o primeiro edital de financiamento voltado especificamente para mães. 


Brasília (DF), 15/05/2026 -  Letícia de Oliveira, MÃES NA CIÊNCIA
Foto: Letícia de Oliveira/Arquivo pessoal
Brasília (DF), 15/05/2026 -  Letícia de Oliveira, MÃES NA CIÊNCIA
Foto: Letícia de Oliveira/Arquivo pessoal

A presidente da Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da Faperj, Leticia de Oliveira, destaca que o edital conseguiu apoiar a produção de 134 mães cientistas. 

Segundo ela, em março do ano que vem o edital deve ter uma nova edição. Além disso, a  Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco está prestes a lançar uma seleção semelhante, inspirada na experiência fluminense. 

De acordo com Letícia, o edital exclusivo é uma ação “compensatória” necessária, considerando que essas pesquisadoras acabam sendo prejudicadas em seleções comuns. 

“O que está sendo chamado de mérito? A produtividade, trocando em miúdos, é a quantidade de artigos publicados, de orientações de mestrado e doutorado… Mas as pessoas não partem do mesmo ponto. Quando a mulher tem um filho, é esperada uma queda, até porque ela fica de licença-maternidade e isso não tem a ver com qualidade dela como pesquisadora”, diz. 

A Fundação implementou outra medida para tentar contornar a perda momentânea de produtividade nos editais gerais: se a candidata se tornou mãe nos cinco anos anteriores à inscrição, seu currículo será avaliado de forma estendida, englobando trabalhos publicados ao longo de sete anos, dois a mais do que os outros candidatos. 

Letícia de Oliveira ressalta que é do interesse da Faperj que essas mulheres tenham condições de realizar suas pesquisas.

“Se fosse só uma questão de justiça já seria suficiente, mas é muito mais do que isso. Vários trabalhos mostram que uma ciência diversa, feita por pessoas diversas, gera uma melhor ciência, porque você expande as perguntas e aumenta a capacidade de interpretação dos resultados. Então é também por excelência.”

Ações nacionais

“A inclusão é fundamental, se não por outros motivos, para que haja uma ciência melhor. Eu não tenho dúvida que o nosso parlamentos seria melhor do que ele é hoje, se tivesse uma presença feminina maior. E a ciência brasileira será melhor, porque a gente está trabalhando para isso”, diz a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, Denise Pires de Carvalho.


Brasília (DF) 05/02/2026 - A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, durante entrevista à Agência Brasil  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 05/02/2026 - A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, durante entrevista à Agência Brasil  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A mais recente medida lançada pela Capes é o programa Aurora, que publicou seu primeiro edital nesta terça-feira (12). Serão concedidas até 300 bolsas para que professoras de pós-graduação gestantes ou mães, possam agregar um pesquisador de pós-doutorado a suas equipes.  

O objetivo é que esse profissional atue como um assistente, dando continuidade às pesquisas e assumindo orientações durante a licença maternidade, por exemplo.

“É uma forma de não parar a produção acadêmica dessa mulher durante a chegada do filho. Mas beneficia também os orientandos”, diz a presidente da Capes.

Denise reforça que o grande desafio é garantir que as mulheres permaneçam como pesquisadoras, inclusive se forem mães. “Quando nós analisamos quem pede recursos financeiros para as agências de fomento, as mulheres pedem menos e ganham menos do que os homens”, ela complementa. 

A presidente da Capes lembra que, no passado, muitas mulheres que pretendiam seguir a carreira científica evitavam ter filhos para poder se dedicar exclusivamente ao trabalho e conseguir vencer o preconceito. Por isso, para Denise, as iniciativas compensatórias são importantes não só para mitigar os efeitos da maternidade, mas também para combater o chamado “viés implícito”

“Para mim, é bastante explícito: quando escolhem um homem em igualdade de condições, ou até em condição inferior, por acharem que uma cientista mulher vai ter desempenho pior por ser mulher. O que não acontece efetivamente, né? O que acontece é o silenciamento, a falta de reconhecimento…”, explica Denise Pires de Carvalho. 

Houve avanços também na legislação. Em julho de 2024, foi sancionada a lei que prorroga por seis meses a data de conclusão dos cursos de graduação e pós-graduação em caso de gestação de risco, parto, adoção ou guarda judicial de criança. Caso essa estudante seja bolsista, o prazo de concessão será estendido. 

Já em abril de 2025, entrou em vigor a lei que proíbe a discriminação baseada na maternidade contra estudantes e pesquisadoras em processos de seleção ou renovação de bolsas. A legislação proíbe, inclusive, perguntas sobre o assunto nas entrevistas, além de ampliar em dois anos o período de avaliação de produtividade em casos de licença-maternidade.

Fonte: Agência Brasil