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Mais 71 mulheres em situação de violência doméstica vão receber Aluguel Social

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Para ter acesso ao benefício, mulheres selecionadas devem preencher declaração de aceitação do programa e anexá-la no site ou no aplicativo Aluguel Social (Fotos: Edgard Soares e Octacílio Queiroz)

O Goiás Social, a Agência Goiana de Habitação (Agehab) e a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) publicaram uma nova lista composta por 71 candidatas, residentes em 36 cidades goianas, habilitadas junto ao programa Para Ter Onde Morar – Aluguel Social, por meio de edital destinado exclusivamente a mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

A lista de beneficiárias está disponível no site goias.gov.br/agehab.

Para a coordenadora do Goiás Social e primeira-dama, Gracinha Caiado, a ação demonstra a sensibilidade do Governo de Goiás ao facilitar o acesso do benefício a mulheres nestas situações.

“Em atenção a essas vulnerabilidades sociais, o governo as dispensou da obrigação de estarem domiciliadas no município ou possuírem vínculo com a cidade, conforme regras dos programas habitacionais goianos”, destaca Gracinha.

“A intenção é garantir mobilidade e segurança para que elas possam optar por se distanciar fisicamente de seus agressores”, pontua.

Para ter acesso ao benefício, as mulheres selecionadas devem preencher a declaração de aceitação do programa e anexá-la no site ou no aplicativo Aluguel Social.

Governo de Goiás aprova 71 mulheres em situação de violência doméstica em programa de Aluguel SocialGoverno de Goiás aprova 71 mulheres em situação de violência doméstica em programa de Aluguel Social
Aluguel Social concede benefício de R$ 350 por até 18 meses a vítimas de violência doméstica em Goiás (Fotos: Edgard Soares e Octacílio Queiroz)

“O modelo da declaração está disponível no site da Agehab e a candidata habilitada tem um prazo de 10 dias para realizar o procedimento, senão perde o benefício”, alerta o presidente da Agehab, Alexandre Baldy.

Ele explica ainda que, por se tratar de vítimas de violência, a segurança é prioridade.

“As beneficiárias recebem um atendimento personalizado e sigiloso”, garante.

Para o titular da Seinfra, Adib Elias, a habitação é um importante instrumento de combate à violência doméstica.

“Esta é mais uma ação do Governo de Goiás para proteção da mulher e sua família”, sublinha o secretário.

O Aluguel Social é um benefício de R$ 350 concedido por até 18 meses e pode ser uma saída para a vítima deixar a dependência econômica do agressor.

Saiba mais

Aluguel Social tem nova instituição de pagamento em Goiânia

Aluguel Social amplia assistência à vítimas de violência doméstica

Fonte: Portal Goiás

Feira sobre inovação em educação começa nesta segunda em São Paulo

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A feira de educação Bett Brasil começa nesta segunda-feira (28), no Expo Center Norte, em São Paulo. Em sua 30ª edição, tem programação até o dia 1º de maio e expectativa de atrair 46 mil visitantes.

O tema central desta edição é “Educação para enfrentar crises e construir futuros regenerativos”, com parte dos eventos com acesso gratuito. O acesso aos fóruns para profissionais é pago, com informações no site do evento

 A feira é considerada a maior sobre inovação e tecnologia para a educação no país e conta com gestores públicos e privados. Segundo a organização apresentará ainda subtemas interligados por aspectos convergentes que permeiam a educação e que serão debatidos em todos os painéis, como crise climática, inteligência artificial, saúde mental, aprender a fazer, permanência e equidade na educação.

“A Bett Brasil é muito mais do que um evento – é um ponto de encontro estratégico para o setor educacional. Reunimos educadores e especialistas do Brasil e do mundo para refletir sobre os desafios atuais e construir caminhos sustentáveis para o futuro. Além de promover conhecimento e inovação, a feira de negócios tem papel decisivo: muitas parcerias que movimentam o mercado educacional, tanto na rede pública quanto privada, têm origem nos encontros e conexões feitas nos corredores da Bett”, afirmou em nota a diretora-geral da Bett Brasil, Claudia Valério.

Fonte: Agência Brasil

Debate sobre violência nas escolas é destaque da semana

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Já está no ar a 160ª edição do programa Giro Distrital!  Aqui você fica por dentro dos principais acontecimentos da esfera política de Brasília.

Nesta edição:

1) Segurança nas escolas: ataques com faca levam Câmara Legislativa a debater respostas para violência escolar;

2) Contraponto: alagamentos em Ceilândia pautam debates na CLDF sobre obras de drenagem;

3) Envelhecer sem perder o sorriso: projeto de lei propõe política do sorriso saudável na terceira idade;

4) Corrida pela vida: estudo produzido pela CLDF revela gargalos nos tratamentos de câncer no DF;

5) Os destaques da última semana na Câmara Legislativa.

Clique aqui para assistir

 

Agência CLDF de Notícias

Fonte: Agência CLDF

Após um ano, centro de Porto Alegre tenta virar página das inundações

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Das muitas imagens chocantes das enchentes de maio de 2024, que arrasaram o Rio Grande do Sul, a inundação do Mercado Público de Porto Alegre, o mais antigo do Brasil, está entre as mais marcantes.

As águas do Guaíba começaram a invadir o prédio icônico da capital gaúcha ainda na manhã do dia 3 de maio daquele ano, obrigando os comerciantes a fecharem as lojas rapidamente.

Aquelas águas subiriam por mais de 1,5 metro de altura, superando a enchente de 1941, até então a maior já vista.


Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – A comerciante, Carolina Kader, fala com a reportagem da agência Brasil, em sua loja no mercado munipal.
A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – A comerciante, Carolina Kader, fala com a reportagem da agência Brasil, em sua loja no mercado munipal.
A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Ninguém imaginava a dimensão da catástrofe e as perdas foram quase totais.

“Quando avisaram que a água ia subir, todo mundo basicamente fechou as bancas, algumas pessoas tiraram algumas coisas e nós erguemos balanças, produtos e outros equipamentos a cerca de um metro do chão”, conta Carolina Kader, proprietária de uma loja de insumos e artigos para confeitaria no mercado.

“Era uma sexta-feira, a gente achou que voltaria no fim de semana pra limpar, a água teria baixado, e reabriríamos normalmente na segunda”, relata.

Ela só conseguiria retornar, assim como todos os demais permissionários, no dia 29 de maio, quase um mês após a inundação do ano passado.

O Mercado Público só começaria a reabrir de forma gradual em meados de junho, após 41 dias de fechamento.  

Inaugurado em 1869, o local tem 155 anos de existência. Além de ser o principal centro de abastecimento de alimentos da cidade, o prédio é um ponto turístico, sobretudo pela atividade gastronômica.


Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – O vice-presidente da associação dos lojistas do Mercado Municipal, Jefferson Sauer, fala com agência Brasil, sobre a recuperação do mercado.
A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – O vice-presidente da associação dos lojistas do Mercado Municipal, Jefferson Sauer, fala com agência Brasil, sobre a recuperação do mercado.
A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Localizado no centro histórico da cidade, oferece opções de alimentos in natura, como carnes, peixes, frutos do mar e frutas, bem como produtos de confeitaria, vinhos, erva-mate, artigos religiosos, e pratos e lanches em restaurantes e bares.

“Quem visita uma cidade e quer conhecer um pouco da cultura daquele lugar, é no Mercado Público que ele vai entender. Aqui é uma expressão das tradições gaúchas”, afirma Jefferson Sauer, sócio da Banca 43, que tem 70 anos de história e vende queijos, vinhos, azeites, linguiças e embutidos.

Sauer, que é vice-presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Público de Porto Alegre, celebra o fato de que, após uma crise tão extrema, todas as bancas conseguiram resistir e seguir adiante.

Ao todo, são 102 permissionários.

“São cerca de 800 empregos diretos”, aponta o empresário.

Um lugar democrático

No Mercado Público, a variedade de produtos e especiarias é um dos diferenciais.

“O cliente chega e pode escolher aquele corte específico, se orienta sobre a melhor parte de um bacalhau de acordo com o prato que ele quer fazer”, diz Ronaldo Pinto Gomes, um dos coordenadores da administração do prédio pela prefeitura.

Além disso, destaca o gestor, todo mundo tem o que comprar ali.

“É o espaço mais democrático que existe nessa proposta de abastecimento de alimentos. Você encontra tainha a R$ 11 o quilo e também os queijos, vinhos e azeites mais sofisticados da cidade. Cerca de 60% dos frequentadores são trabalhadores de renda modesta”, acrescenta Gomes.

 


Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Vista geral do Mercado Municipal de Porto Alegre. A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Vista geral do Mercado Municipal de Porto Alegre. A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Essa característica tem muito a ver com o fato de o Mercado Público estar localizado quase em frente a uma das estações da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), que conecta o centro da cidade com toda a região metropolitana, passando por cidades como Canoas, São Leopoldo, Esteio e Novo Hamburgo.

São mais de 110 mil usuários por dia.

Após as enchentes, o Trensurb ficou fechado por 7 meses, o que impactou a economia do mercado e de toda a região central da capital gaúcha.

“Uma fração significativa desse fluxo passa pelo mercado, acaba comprando alguma coisa”, explica Ronaldo Gomes.

Estima-se que o Mercado Público receba cerca 40 mil visitantes por dia.

“Nos tempos gloriosos, eram mais de 80 mil por dia”, conta Jefferson Sauer.

A pandemia já havia mudado o contexto de ocupação do centro histórico, com redução da presença de empresas, bancos e outras corporações. A crise das enchentes acelerou esse processo.  

“A gente tem hoje aqui no centro cerca de 5 mil imóveis desocupados. Então, acredito que a partir da ocupação desses imóveis, no contexto de uma revitalização da área central, do cais do porto, com formatos novos de ocupação, a gente possa recuperar esse público”, aposta o empresário.


Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Vera Regina dos Santos, fala para reportagem da agência Brasil, durante sua visita pela primeira vez ao mercado municipal depois da enchente.  A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Vera Regina dos Santos, fala para reportagem da agência Brasil, durante sua visita pela primeira vez ao mercado municipal depois da enchente.  A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Quem também voltou foi Vera Regina dos Santos, ex-moradora da capital, mas que atualmente reside em Nova Araçá, na Serra Gaúcha.

A reportagem da Agência Brasil conversou com a aposentada quando ela estava entrando no mercado pela primeira vez depois da reabertura após a enchente.

“Aqui, sempre foi para mim o meu ponto central de Porto Alegre, eu adoro vir aqui comprar peixe, frutas, chás e legumes”, revelou.

Recuperação gradual

Não há uma estimativa global dos prejuízos entre os permissionários do mercado.

Carolina Kader aponta que a catástrofe causou perdas de R$ 700 mil em produtos e equipamentos em sua banca de confeitaria.

Para amenizar a situação, a prefeitura de Porto Alegre isentou o pagamento da mensalidade das lojas a todos os permissionários, ao longo do ano passado. Este ano, voltou a cobrar, mas apenas a metade do valor do aluguel, para que as bancas consigam se reerguer completamente.

Mesmo assim, ela avalia que as vendas estão 40% menores que o período anterior, que já vinha ainda repercutindo as baixas causadas pela pandemia de covid-19.


Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – O comerciante,  Marcellus Gomes da Silveira, fala com a reportagem da agência Brasil, em sua loja proximo aso mercado munipal.
A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – O comerciante,  Marcellus Gomes da Silveira, fala com a reportagem da agência Brasil, em sua loja proximo aso mercado munipal.
A um ano o estado foi atingido por temporais que afetou mais de 400 municípios gaúchos, tiveram bairros inteiros alagados. A ,maior tragédia climática da história, deixou pelo menos 147 mortos e afetou mais de 2,1 milhões de pessoas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No entorno do Mercado Público, a situação é parecida. Marcellus Gomes, dono de uma lanchonete na Praça XV de Novembro, ainda não sente uma recuperação plena.

“Tem muita gente na cidade que perdeu todas as coisas de casa, tem que comprar tudo de novo e não sobra para gastar na rua”, avalia.

Próximo dali, uma farmácia que ficou completamente arrasada pela inundação  já visualiza um cenário mais positivo.

“Até dezembro, foi muito ruim de vendas. Agora, na Páscoa, foi uma virada. Estamos vendendo esse mês 15% a mais que eu vendi em abril do ano passado”, diz o gerente Marcelo Barbosa de Souza.

Segundo a Fecomercio do Rio Grande do Sul, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após as enchentes, o comércio encolheu mais de 14% até dezembro do ano passado no estado.

A atividade comercial se manteve nesse patamar até fevereiro deste ano.

As enchentes deixaram 184 mortos e, até o momento, 26 pessoas seguem desaparecidas no estado.

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Fonte: Agência Brasil

Aprendizagem na educação básica ainda não retomou níveis pré-pandemia

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 A pandemia de covid-19 ainda impacta a educação brasileira. Embora os níveis de aprendizagem tenham avançado nos últimos anos, o país ainda não conseguiu retomar os patamares de 2019. Além disso, as desigualdades que já estavam presentes foram acentuadas. É o que mostra o estudo Aprendizagem na Educação Básica: Situação Brasileira no Pós-Pandemia, divulgado nesta segunda-feira (28), pelo Todos Pela Educação.

O estudo foi feito com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado para estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio para avaliar o desempenho em matemática e língua portuguesa. Em todas as etapas, os resultados de 2023 ainda não chegaram aos níveis atingidos em 2019.

  • No 5º ano do ensino fundamental, em 2023, 55,1% dos estudantes tinham aprendizagem adequada em língua portuguesa e 43,5%, em matemática. Esses índices eram de 56,5% e 46,7% em 2019, respectivamente;
  • No 9º ano do ensino fundamental, em 2023, 35,9% dos estudantes tinham aprendizagem adequada em língua portuguesa e 16,5% em matemática. Em 2019, essas porcentagens eram 35,9% e 18,4%;
  • No ensino médio, 32,4% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em língua portuguesa e 5,2% em matemática em 2023. Antes da pandemia, em 2019, eram 33,5% e 6,9%, respectivamente.

“Se os desafios já eram grandes antes da pandemia da covid-19, o contexto atual torna ainda mais urgente o fortalecimento de políticas públicas focadas na recomposição das aprendizagens e na redução das desigualdades, garantindo o direito à educação de qualidade para todos”, diz o estudo.

A publicação mostra ainda que as desigualdades educacionais entre diversos grupos raciais e socioeconômicos e entre as unidades da federação, que já eram evidentes antes da pandemia, ou persistiram ou mesmo se aprofundaram. As desigualdades raciais na aprendizagem, por exemplo, destacadas no estudo, em 2023 eram maiores que em 2013.

Em 2013, a diferença no percentual de estudantes do  5º ano do ensino fundamental com aprendizagem adequada entre brancos/amarelos e pretos/pardos/indígenas foi de 7,9 pontos percentuais em língua portuguesa e 8,6 pontos percentuais em matemática. Em 2023, após a pandemia, essas diferenças cresceram para 8,2 pontos percentuais e 9,5 pontos percentuais, respectivamente.

No final da educação básica, no ensino médio, as desigualdades também persistem. A diferença entre brancos/amarelos e pretos/pardos/indígenas em língua portuguesa passou de 11,1 pontos percentuais, em 2013, para 14 pontos percentuais em 2023. Em matemática, no mesmo período, passou de 4,4 pontos percentuais para 3,9.

Dia Mundial da Educação

A divulgação do estudo marca o Dia Mundial da Educação, comemorado em 28 de abril. A data foi definida após o Fórum Mundial de Educação em Dakar, Senegal, do qual participaram 164 países, incluindo o Brasil, que se comprometeram com o desenvolvimento da educação.

Junto ao Todos pela Educação, o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) disponibilizou dados sobre a aprendizagem em matemática, também com base no Saeb, que evidenciam os desafios em se ensinar e aprender essa disciplina no país. Os dados detalhados podem ser consultados na plataforma QEdu.

Em 2023, no 9º ano, 16% dos estudantes atingiram o aprendizado considerado adequado na disciplina. Em 2019, antes da pandemia, o índice era 18%, e, em 2021, 15%. Já no 3º ano do ensino médio, a porcentagem dos estudantes com aprendizado adequado mantém-se 5% desde 2021. As desigualdades também estão evidentes neste recorte. Entre os estudantes brancos, 8% tiveram aprendizado adequado em matemática; entre os pretos, 3%.

As desigualdades aparecem também de acordo com o nível socioeconômico. Entre os mais ricos, 61% dos alunos têm aprendizado adequado em língua portuguesa no 5º ano do ensino fundamental. Entre os alunos mais pobres, esse percentual é 45%. Em matemática, são 52% contra 32%.

Fonte: Agência Brasil

Dia da Trabalhadora Doméstica: combate à informalidade ainda é desafio

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Neste domingo (27) é o Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica. Mas, apesar de ser uma data de celebração de algumas conquistas, a categoria tem ainda uma série de reivindicações. Trata-se de um contingente de mais de 6 milhões de profissionais no país, conforme a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) de 2023.

Historicamente marginalizada nas relações trabalhistas, a categoria teve conquistas fundamentais como a promulgação, há 12 anos, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Domésticas (72/2013), assim como os dez anos da Lei Complementar 150/2015, que regulamentou seus direitos.

>> Saiba quais são os direitos das trabalhadoras domésticas

A escolha do dia da trabalhadora doméstica deve-se a Santa Zita, nascida em Lucca, na Itália, em 1218 e falecida em 27 de abril em 1278. A santa trabalhou desde os 12 anos para uma família da região, sendo reconhecida por sua generosidade com os pobres. A “santa das empregadas domésticas” foi canonizada pelo papa Inocêncio XII em 1696.

Para marcar o mês, representantes da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) percorreram a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com uma pauta de reivindicações entregue aos ministérios do Trabalho e Emprego, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Previdência Social e o das Mulheres.

Entre as demandas da categoria estão o combate à informalidade, à precarização das condições de trabalho, à desvalorização da profissão e à falta de informação.

A secretária de Formação da Fenatrad, Chirlene dos Santos Brito, disse que há muito desinformação entre a categoria. “Muitas trabalhadoras ainda acreditam que, ao serem registradas, perdem o direito ao Bolsa Família. Com isso, deixam de ter acesso ao FGTS, seguro-desemprego, férias e outros direitos garantidos por lei”, disse a dirigente sindical.

 


Brasília (DF), 25/04/2025 - Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante reunião com representantes da Fenatrad que entregam pauta de reivindicação. Foto: Luis Nova/Fenatrad
Brasília (DF), 25/04/2025 - Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante reunião com representantes da Fenatrad que entregam pauta de reivindicação. Foto: Luis Nova/Fenatrad

Mas não é verdade que o registro na carteira profissional elimina o direito ao Bolsa Família. O recebimento do benefício depende da renda per capita da família, que não pode ser superior a meio salário mínimo.

“O Bolsa Família está vinculado à renda por pessoa da família, e a inscrição no CadÚnico garante o acesso ao auxílio. Muitos empregadores usam dessa desinformação para não cumprirem com suas obrigações de pagar os encargos. Por isso, é necessário que o governo apoie uma campanha de conscientização sobre os direitos garantidos”, explicou Chirlene.

Entre os problemas centrais que precisam ser superados, a secretária destacou ainda as questões da falta de acesso a creches.

“As nossas reivindicações são ainda por direitos básicos, que, mesmo adquiridos, ainda não são respeitados. Hoje nós lutamos ainda contra o trabalho escravo, pela desagregação da nossa categoria, por uma fiscalização justa do mercado de trabalho”, disse Chirlene dos Santos Brito.

Pernambucana de Afrânio, a trabalhadora doméstica Maria Hilza Dias da Silva que chegou a São Paulo em 1991. Desde 1992, ela trabalha com registro em carteira de trabalho. Para Maria Hilza, a conquista dos direitos básicos faz toda a diferença na rotina de trabalho.

“É uma situação muito melhor, pois a gente sabe que todo mês vai ter aquele dinheiro certo. Também tem a vantagem de contar com o dinheiro do FGTS e depois a renda na aposentadoria”, ressaltou.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que “o governo do presidente Lula tem trabalhado muito para garantir trabalho decente para todos as trabalhadoras e trabalhadores e a categoria dos trabalhadores domésticos merece especial atenção”.

Segundo o ministro, “as reivindicações da categoria serão analisadas com todo carinho”. “Precisamos realizar um trabalho de consciência na sociedade brasileira sobre a importância da garantia dos direitos dos trabalhadores domésticos”.

Na última quarta-feira (23), às vésperas do Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica, o ministério lançou, no Recife, a Campanha Nacional pelo Trabalho Doméstico Decente, com o tema “O controle da jornada das trabalhadoras domésticas como direito essencial ao trabalho decente”.

Segundo a auditora Carla Galvão de Souza, a campanha busca mobilizar e sensibilizar a sociedade, promover diálogo com entidades de empregadores e da categoria, e também ampliar a fiscalização para averiguar se há cumprimento das obrigações trabalhistas que estão na Lei Complementar 150 e na Constituição.

Fonte: Agência Brasil

Dom Orani participa do conclave e traz consigo “profecia” de religiosa

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Filho caçula de uma família de nove irmãos, em São José do Rio Pardo (SP), o adolescente Orani chegou a resistir a seguir a vida religiosa. Afinal, a família, muito humilde, poderia precisar de seu apoio mais presente. No entanto, uma professora, alfabetizadora e religiosa chamada Maria de Lourdes Benedita Nogueira Fontão, mais conhecida como Lourdinha, fez a diferença. 

Ela estimulou o rapaz e disse que apoiaria os pais, que ainda ouviram dela (ainda no início da vida religiosa, quando ele não era nem padre) que o “menino” seria bispo e papa. Orani hoje é cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, apto a votar no próximo conclave (e a ser votado).

No entanto, pessoas ouvidas pela Agência Brasil garantem que o religioso nunca cogitou a possibilidade de ser escolhido, mas sempre faz questão de falar de suas raízes e da amizade com a família de Lourdinha, que teve cinco filhos. 

“Orani falou que queria estudar para padre, mas que não ia por causa dos pais idosos. MInha mãe falou: ‘vá e eu cuido deles. Eu prometo ir lá todo dia levar a comunhão para eles”, diz a filha de Lourdinha, a xará dela e também professora Maria de Lourdes Fontão, de 66 anos.

Vínculos

“Dom Orani nunca deixou de ter um vínculo com a comunidade de onde ele saiu. E nunca deixou de ter um vínculo com a minha família”, diz o filho de Lourdinha, Paulo Celso Fontão, de 61 anos, que é médico na zona leste de São Paulo e autor do livro “Um coração para amar”. A obra traz a história da professora que pode ser santificada pelo Vaticano.

Ela morreu em um acidente de carro em julho de 1988, aos 57 anos. O marido de Lourdinha, o dentista Héber, também estava no carro, mas sobreviveu a uma colisão na estrada de Mariápolis, em São Paulo.


Brasília (DF) 26/04/2025 - Dona Lourdinha viu Dom Orani Tempesta ser papa. Foto: Dona Lourdinha/Arquivo Pessoal
Brasília (DF) 26/04/2025 - Dona Lourdinha viu Dom Orani Tempesta ser papa. Foto: Dona Lourdinha/Arquivo Pessoal

Orani não tinha como esquecer do apoio da mulher que ajudava os monges, a paróquia e os mais pobres diuturnamente. “Minha mãe começou a fazer visitas, para ajudar pessoas doentes e humildes. Os pais de dom Orani estavam entre as pessoas que recebiam a visita dela”.

“Vai ser o papa”

O médico recorda que a mãe tinha um carinho muito grande pelos pais de Orani.

“Quando Orani foi se tornar sacerdote (em 1974), ele era monge do mosteiro, convidou a minha mãe para ser madrinha de ordenação sacerdotal”. Foi nesse cenário que ela disse, antes de se tornar sacerdote, que ele iria, um dia, virar bispo e papa.

Em São José do Rio Pardo e região, a história ficou famosa e chegou a gerar expectativas a cada nova evolução na carreira, como nos momentos em que foi ordenado bispo (em 1997), arcebispo de Belém (2004), do Rio de Janeiro (em 2009) e depois cardeal (em 2014). 

Essa proximidade, segundo avalia a família de Lourdinha, contribuiu para a abertura do processo de beatificação dela. “Orani veio de uma família extremamente humilde, mas pareceu desde sempre muito preparado, sóbrio, sereno, tranquilo, focado, estudioso e de paz”. 

A filha de Lourdinha, Maria de Lourdes, testemunha que, em sua região, a história da família e a proximidade com dom Orani têm chamado mais a atenção dos vizinhos. “Orani é um irmãozão em todas as nossas lutas. Ele está sempre muito presente em nossa vida”.

As famílias moravam próximas. Depois que a religião foi dando novos altares para Orani, a amizade não diminuiu. Ela guarda na lembrança o fato de o então padre celebrar o casamento dela e batizar os três filhos. “A gente sempre se fala por mensagens, dividimos as experiências e lembramos das lutas”. 

Quando Tempesta foi nomeado cardeal, filhos de Lourdinha, inclusive Maria de Lourdes, foram a Roma para prestigiar e se emocionar com o momento. “No evento, não tinha somente católicos porque ele gosta muito de unir as religiões”, testemunha a amiga do cardeal.

Inspirações 

O filho de Lourdinha, Paulo Fontão, acredita que os passos dele como médico, que incluem atendimento a pessoas em situação de rua, têm relação com os ideais que recebeu da mãe. “Eu sempre procurei entender que seria essa a maneira de fazer o meu trabalho como médico, iluminado pela realidade dessa relação com Deus”. 

Como pesquisador, procurou compreender como o pensamento do papa Francisco poderia integrar a ciência e a vida profissional na prática. “Eu assumi a bandeira de defendê-lo”. 

De acordo com o médico, o pensamento de Francisco representa material riquíssimo, que o inspirou para o mestrado e doutorado em que estudou a conexão entre saúde e espiritualidade.Os dois temas, para ele, são complementares e não excludentes.

 “Quando comecei a fazer o mestrado e a estudar os textos do papa Francisco, vi que ele fala das periferias existenciais e geográficas. A gente deve se deixar tocar pela realidade.

“Devo a ela a minha vocação”

No mosteiro em que o atual cardeal dedicou a vida, em São José do Rio Pardo, dom abade Paulo Demartini, de 60 anos, diz que os legados desses dois personagens da cidade são bastante representativos.

“Ela era uma mulher muito piedosa e hoje em processo de beatificação. Eu devo a ela a minha vocação. Foi ela que levou dom Orani para rezar as missas no sítio do meu pai. E, por meio deles, conheci o mosteiro”, conta. 

O religioso acrescenta que tinha 10 anos de idade e recorda que a mãe fazia doces sob encomenda para Lourdinha, que doava para os mais pobres. “Ela era muito generosa”. Inclusive usava o salário de aposentada para ajudar as pessoas.

Orani foi também inspiração diária para o atual abade no mosteiro em mais de 20 anos de convivência. “Ele tem o dom da escuta e da humildade”, diz Demartini que conversa diariamente com o cardeal, pelo menos até antes do conclave, quando Tempesta deverá ficar isolado das comunicações externas até o próximo para ser eleito. 

Fonte: Agência Brasil

Ferroviária vence para continuar na liderança do Brasileirão feminino

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A Ferroviária garantiu a permanência na liderança da Série A1 do Campeonato Brasileiro de futebol feminino após derrotar o Palmeiras por 2 a 1, na noite do último sábado (26) na Arena Barueri, em partida da 7ª rodada da competição que foi transmitida pela TV Brasil.

Com o triunfo fora de casa, as Guerreiras Grenás chegaram ao total de 19 pontos (mesma pontuação do Cruzeiro, que também no sábado derrotou o Bragantino por 2 a 1 em Contagem). A vitória da Ferroviária foi construída com gols de Júlia Beatriz e de Darlene, enquanto Pati Maldaner descontou para as Palestrinas, que ocupam a 4ª colocação da classificação com 14 pontos.

Vitória do Fla

Quem também triunfou na rodada, em partida que também foi transmitida pela TV Brasil, foi o Flamengo, que bateu o Juventude por 2 a 0 no estádio Luso-Brasileiro. Os gols foram marcados por Gláucia e por Monalisa Belém. O resultado levou o Rubro-Negro aos 10 pontos, na 8ª colocação. Já a equipe gaúcha é a 13ª colocada, com cinco pontos.



Fonte: Agência Brasil

Brasil conquista 10 medalhas na etapa de Indianápolis do World Series

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Tendo o campeão paralímpico de natação Gabriel Araújo como grande destaque, o Brasil encerrou a participação na etapa de Indianápolis (Estados Unidos) do World Series (um circuito internacional da modalidade organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional) com o total de dez pódios (quatro ouros, cinco pratas e um bronze).

Dessas dez medalhas conquistadas pelo Brasil, seis delas foram obtidas por Gabriel Araújo, a última delas na noite do último sábado (26) nos 50 metros estilo livre classes S1-S13. O vencedor da disputa foi o italiano Simone Barlaam, enquanto o australiano Callum Simpson completou o pódio.

Antes, Gabrielzinho, que é da classe S2 (comprometimento físico-motor), garantiu o ouro nas provas dos 100 metros livre, 150 metros medley, 50 metros costas e 50 metros borboleta, além de ter sido prata nos 200 metros livre.

As outras medalhas do Brasil foram conquistadas pela sul-mato-grossense Milaini Araújo e pela gaúcha Larissa Rodrigues (respectivamente uma prata e um bronze nos 50 metros costas da classe S3), por Talisson Glock (uma prata nos 400 metros da classe S6) e por Matheus Brambilla, (uma prata na classe S7).

Em 2025 a seleção brasileira de natação paralímpica já havia participado de duas etapas do World Series. Em Lignano Sabbiadoro (Itália), o país encerrou a participação com quatro ouros e quatro pratas, ficando na segunda colocação geral do quadro de medalhas. Já em Barcelona (Espanha), o Brasil fechou sua campanha com 11 pódios, sendo seis ouros, três pratas e dois bronzes.



Fonte: Agência Brasil

No Rio, carnaval virtual promove folia digital e revela novos talentos

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A história do biólogo Ewerton Fintelman de Oliveira com o carnaval virtual começou na adolescência, quando viu em uma notícia de jornal o anúncio das escolas de samba virtuais campeãs. Ewerton, que faz doutorado em ciências biológicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), é o atual presidente da Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais (Liesv), uma das duas representações que organizam os desfiles das agremiações digitais. 

Pioneira, a Liesv foi criada em 2002 por um grupo de amigos entusiastas do samba e do carnaval. O primeiro desfile foi no ano seguinte, 2003, com participação de seis escolas, duas das quais, Imperial do Samba, de São Paulo, e Colibris, do Rio de Janeiro,  continuam a competir virtualmente e vão se apresentar em julho. A Colibris tem como inspiração a Beija-Flor de Nilópolis, vencedora do Grupo Especial do Rio de Janeiro neste ano. 

A cada dois anos, um presidente e quatro vice-presidentes são eleitos para a estrutura administrativa da liga. Além da presidência e da vice-presidência, a Liesv conta com conselho de administração, diretoria jurídica e um conselho de avaliação das novas escolas de samba virtuais. As escolas representadas pela liga são divididas em dois grupos, o especial e o de acesso. Cada agremiação tem pelo menos três cargos – presidente, intérprete e carnavalesco –, que podem ser exercidos pela mesma pessoa.

“Organizamos todo mundo para manter o projeto, manter a chama acesa, mesmo sendo cada vez mais difícil se manter visível na internet”, diz Ewerton sobre o papel da Liesv no carnaval virtual. 

A Liga

No início da Liesv, os sambas eram cantados à capela (sem acompanhamento instrumental) e transmitidos pelo programa de software Yahoo! Messenger, o que afetava a qualidade dos áudios.

Na edição deste ano, 35 escolas de samba virtuais desfilarão pela liga. Serão 20 agremiações do grupo especial e 15 do de acesso, além das escolas convidadas, que não serão julgadas. As quatro últimas colocadas do grupo especial caem para o grupo de acesso no próximo ano, e as quatro mais bem avaliadas do acesso sobem para o especial em 2026. 

“A tendência é que as escolas convidadas abram o desfile, fazendo apresentações de 15 a 25 minutos, com uma a três alegorias e com oito a 12 alas. É mais enxuto, mas tem a mesma visibilidade que as outras escolas”, explica o presidente da Liesv. Segundo Ewerton, o carnaval virtual diferencia-se do real pela pluralidade das escolas e dos foliões, que não se concentram somente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, tradicionalmente reconhecidos pelo que apresentam na  Marquês de Sapucaí e no Sambódromo do Anhembi, respectivamente.

“Tem escola da Paraíba, de Pernambuco. Não que não exista essa centralização no Rio de Janeiro e em São Paulo. É claro que tem uma concentração, mas o Brasil todo faz carnaval conosco”, ressalta Ewerton. Ele destaca que existem escolas que competem nos desfiles físicos e têm também a versão virtual, como a Mocidade Unida da Mooca. Uma das campeãs do grupo de acesso de São Paulo neste ano, a agremiação foi a vencedora do grupo especial da Liesv em 2024, com o enredo Direitos da Terra

“É muita diversidade. É um orgulho que tenho, ver tanta diversidade de pessoas, de regiões, de temáticas e de características das agremiações. Quando se tem o carnaval em nível de Brasil, e já tivemos escolas de outros países também, vemos essa diversidade. O carnaval virtual é um desses recortes de culturas diversas”, complementa o presidente da Liesv.

O presidente da Carnaval Virtual (CAV), Diego Araújo, também diz que se orgulha de ter escolas de vários estados, e não apenas do Rio ou de São Paulo. A CAV, que reúne escolas de samba virtuais de diferentes regiões, surgiu em 2015, a partir de uma divisão entre membros da Liesv. 

“Temos pessoas de todos os cantos do Brasil e nos orgulhamos de ter uma agremiação de um brasileiro que vive na Europa, mas que mantém sua escola de samba virtual em atividade. Também temos dois carnavalescos argentinos que atuam em escolas do grupo especial da Carnaval Virtual. Temos a alegria de dizer que o carnaval virtual não tem fronteiras geográficas.”

Fundador da escola de samba virtual Império do Progresso, em atividade desde 2004, Diego destaca a presença de mulheres como intérpretes nas agremiações virtuais. Um exemplo é a cantora, atriz e dubladora Thatiane Carvalho, da Império do Progresso, que é intérprete de apoio da Imperatriz Leopoldinense, que ficou em terceiro lugar no grupo especial do Rio este ano.

Diego ressalta que, na Carnaval Virtual, há cinco ou seis cantoras e também mulheres presidentes, carnavalescas e ocupando postos em todos os níveis de atuação nas agremiações. “É um orgulho para nós, porque, se o carnaval real ainda não acredita nas mulheres, o carnaval virtual está de portas abertas para que elas ocuparem esses lugares com o devido respeito e valorização.”

Atualmente, a CAV tem 59 agremiações filiadas, das quais 20 competem no grupo especial, 16 no de acesso 1 e 23 no de acesso 2. Da mesma forma que na Liesv, os desfiles são realizados por uma administração formada por um presidente e três diretores.

Desfiles

As apresentações virtuais serão realizadas em novembro, começando pelas escolas do grupo de acesso 2. Nas três divisões, cinco quesitos são julgados: enredo, samba-enredo, fantasia, alegoria e conjunto. Nos grupos especial e de acesso 1, quatro jurados avaliam as escolas, enquanto no de acesso 2, três especialistas dão nota para as agremiações. Nas três divisões, a menor nota é descartada, e a avaliação é feita como no carnaval real.

A ordem dos desfiles será sorteada em 30 de agosto; o grupo de acesso 2 se apresentará em 1º de novembro; o de acesso 1, nos dias 8 e 9; e o especial, nos dias 22 e 23 do mesmo mês. A apuração das notas está prevista para 7 de dezembro.

A transmissão das apresentações é feita simultaneamente pelo site da Carnaval Virtual e pelo perfil da liga no YouTube. “No site, as pessoas têm acesso direto às passarelas de desfile das escolas, que são individuais, mas, no dia da apresentação, unimos todas conforme a ordem do desfile. No YouTube, ancoramos a equipe de transmissão e os comentaristas”, descreve o presidente da CAV.

De acordo com Diego, o formato atual dos desfiles virtuais busca simular o carnaval real, com a concentração e a dispersão das escolas e os repórteres. “Tentamos fazer uma transmissão dinâmica, fluída, porque os desfiles, dependendo do grupo e da quantidade de escolas, levam de 6 a 8 horas de transmissão. Então, hoje, os desfiles são realizados nos fins de semana, por volta das 16h ou 17h, e se estendem até a 1h, dependendo do número de agremiações.”

Novos profissionais

Mais que um ambiente de diversão e experimentação, o carnaval virtual também é um espaço de formação para seus dirigentes, que ressaltam a importância do evento ao preparar novos profissionais. Muitos, com o tempo, encontram oportunidades no carnaval real, como Diego. Além de presidente da CAV e fundador da Império do Progresso, ele trabalha como enredista das escolas de samba Unidos do Porto da Pedra e Bambas do Ritmo.

“Queríamos muito, quando a liga surgiu, que ela fosse justamente essa janela para o carnaval real, que pudéssemos transformar essa brincadeira em um portfólio audiovisual para muitos artistas. Temos profissionais espalhados em todos os cantos hoje.” A CAV, segundo seu presidente, tem diversos profissionais que atuam nas passarelas não só do Rio e de São Paulo, mas também de outros estados.

Figurinista e carnavalesco, Rômulo Roque é um exemplo de profissional formado no meio digital. Com início na Acadêmicos da Zona Oeste e há seis anos na Império do Progresso, descobriu o carnaval virtual em uma publicação na rede social Orkut, desativada em 2014, que buscava desenhistas. Para Rômulo, a folia virtual serviu como treinamento e aperfeiçoamento de seus desenhos, assim como uma forma de “se divertir” com enredos que poderiam não ser tão bem aceitos no carnaval tradicional. 

“As semelhanças entre o carnaval virtual e o real ficam mais na questão dos sambas e dos enredos. A parte dos desenhos é um pouco mais imaginativa, com mais liberdade e sem os limites financeiros do carnaval físico, por exemplo”. Rômulo observa, no entanto, que o carnaval virtual, por ser “um produto para um público muito específico”, enfrenta dificuldades de atingir um número maior de audiência. Ele ressalta que o próprio carnaval tradicional já enfrenta dificuldades com isso. “Em alguns momentos, houve, sim, uma adesão maior do público, mas foi por causa de fatores como escolas do mundo real desfilando no carnaval virtual.”

De acordo com Ewerton, para o carnaval virtual, o principal desafio é a falta de fomento, já que, diferentemente do carnaval físico, não conta com investimentos públicos. Neste ano, por exemplo, o governo do Rio destinou mais de R$ 90 milhões a 42 municípios para o carnaval. Apenas na Marquês de Sapucaí, foram destinados R$ 40 milhões para o grupo especial, R$ 16 milhões para o grupo de acesso e R$ 11 milhões para os eventos que antecederam o carnaval.

“Isso me entristece, porque vejo que são 22 anos formando talentos, levando cultura, entretenimento, fazendo as pessoas felizes e mudando vidas, embora ainda existam muitas barreiras no campo de vista burocrático que nos impossibilitam de concorrer a um edital de cultura. No momento, o principal impedimento do carnaval virtual ter maior projeção está nesse fato”, diz o presidente da Liesv.

*Estagiária sob supervisão de Gilberto Costa

Fonte: Agência Brasil