Empresário e ex-deputado apostou em alianças com o campo oposto de olho em uma vaga no Senado, mas cenário desfavorável sela futuro melancólico na política.
Por Redação
Trajetórias políticas longevas e de forte influência regional muitas vezes encontram desfechos melancólicos. É o caso de Luciano Bivar, empresário de sucesso e figura proeminente da política nacional por décadas, cujo percurso recente tem sido marcado por fortes turbulências, rupturas estratégicas e um profundo declínio de prestígio em Pernambuco.
Dono de um histórico político robusto — com múltiplos mandatos como deputado federal, a fundação e liderança histórica de partidos expressivos e uma candidatura à presidência da República —, Bivar viu sua força minguar após uma série de movimentações que culminaram no distanciamento de sua base eleitoral tradicional.
A aposta arriscada de olho no Senado
Na engenharia política que desenhou para o seu final de carreira, Bivar firmou-se como o primeiro suplente na chapa ao Senado encabeçada por Humberto Costa, seu adversário histórico. A aposta de bastidor era clara: caso o projeto do grupo governista federal lograsse êxito, Humberto Costa assumiria um ministério no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, abrindo caminho para que Bivar ocupasse em definitivo a cadeira no Senado Federal.
No entanto, o cálculo político revelou-se um risco monumental. Com o passar do tempo e o desgaste da base governista, o cenário político nacional virou o jogo. No panorama atual, a derrota de Lula nas urnas desenha-se como um desfecho inevitável, sepultando as esperanças do grupo e deixando Bivar sem o mandato sonhado.
Do topo ao isolamento
Para os aliados mais próximos, o ocaso de Bivar já era previsível. Críticos apontam que o capital político acumulado ao longo de sua trajetória empresarial de sucesso foi dilapidado por escolhas que alienaram seu eleitorado original — majoritariamente conservador e de direita, o mesmo que ele ajudou a mobilizar em momentos cruciais da política nacional.
A guinada nas alianças e o papel assumido nos arranjos de campanha custaram caro à sua imagem pública. Ao ver seu reduto político em Pernambuco esvaziado, o estado que já revelou grandes lideranças históricas e projecões nacionais hoje convive com uma representação enfraquecida e polarizada.
Sem o mandato, sem o espólio político de antes e confrontado com a iminente derrota de seus aliados no cenário federal, Luciano Bivar caminha a passos largos rumo ao ostracismo político — um epílogo melancólico para quem um dia já ditou os rumos da direita pernambucana.
