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Crise no PL da Bahia: Dra. Raíssa Soares vai a Brasília cobrar repasse de verbas prometidas por Valdemar Costa Neto

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Apontada em pesquisas como uma das favoritas a uma vaga na Câmara dos Deputados, médica relata boicote do diretório estadual na distribuição do Fundo Eleitoral e busca intervenção direta da cúpula nacional.

BRASÍLIA — O clima nos bastidores do Partido Liberal (PL) na Bahia atingiu temperatura máxima. A médica e pré-candidata a deputada federal Dra. Raíssa Soares desembarcou em Brasília para uma reunião de emergência com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. A pauta do encontro é a cobrança de explicações e a liberação de recursos de campanha prometidos pela executiva nacional, mas que estão travados na direção estadual da sigla

.A movimentação ocorre em um momento de forte projeção eleitoral de Raíssa. Em levantamentos recentes de intenção de voto para a Câmara dos Deputados na Bahia, a médica figura em sexto lugar na colocação geral, consolidando-se como um dos principais nomes com potencial de “puxadora de votos” dentro do partido.

Apesar dos índices favoráveis, interlocutores da candidata relatam a existência de um boicote interno articulado pelo diretório regional do PL. A alegação é de que os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) garantidos por Valdemar não chegaram à sua estrutura, gerando descompasso operacional frente a outros nomes da chapa. A avaliação do entorno da médica é de que a cúpula em Brasília desconhecia o grau de represamento imposto pela ala baiana.

Atrito entre máquina partidária e voto orgânico

O impasse reflete um choque clássico na montagem de chapas proporcionais: o embate entre lideranças partidárias tradicionais e candidaturas de alta densidade ideológica e popular.

Dra. Raíssa Soares se tornou nacionalmente conhecida pela atuação na saúde durante a pandemia e consolidou seu capital eleitoral em 2022, quando obteve mais de 1 milhão de votos na disputa ao Senado pela Bahia. Desde então, firmou-se como a principal voz feminina da direita conservadora no estado, mantendo alinhamento direto com o ex-presidente Jair Bolsonaro e forte apoio de Michelle Bolsonaro.

Para a ala bolsonarista do partido, sufocar financeiramente uma das candidaturas mais competitivas da legenda compromete o cálculo eleitoral do próprio PL, que tem como prioridade estratégica a ampliação de sua bancada no Congresso Nacional para maximizar tempo de TV, presença nas comissões e repasses futuros de verbas públicas.

A reunião com Valdemar Costa Neto em Brasília é vista como a cartada decisiva para destravar a distribuição do fundo eleitoral. Caso a direção nacional confirme a intervenção ou execute repasses diretos pela cota nacional, a expectativa é recompor as condições financeiras da campanha de Raíssa Soares e encerrar o isolamento imposto pelo comando local.

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