Brasília — Renan Santos, candidato à presidência pelo Partido Missão e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), insiste em se apresentar como representante da “nova política”. Mas sua trajetória, os bastidores financeiros e digitais do movimento e as relações de sua equipe revelam incoerências, oportunismo e populismo, expondo o MBL como uma engrenagem da velha política travestida de novidade.
Bastidores do MBL
O MBL nasceu em 2013 surfando os protestos contra Dilma Rousseff, vendendo-se como movimento independente. Nos bastidores, porém, sempre funcionou como máquina de marketing político, apoiada por partidos tradicionais e empresários interessados em desgastar governos.
A criação do Partido Missão em 2023 reforça esse padrão: uma legenda que se apresenta como alternativa à polarização, mas que repete alianças com figuras do establishment e práticas de oportunismo político.
Contradições de Renan Santos
- Programas sociais: ora promete manter o Bolsa Família, ora defende sua extinção.
- Educação: fala em oportunidades, mas quer acabar com as cotas.
- Segurança pública: defende combate ao crime, mas sugere medidas autoritárias como estado de defesa.
Oportunismo e populismo
Renan construiu sua carreira aproveitando momentos de crise. Do impeachment de Dilma à criação de seu partido, sua trajetória mostra um padrão: apropriar-se de instabilidades para se apresentar como “salvador”.
Seu discurso populista inclui promessas como extinção das favelas em 10 anos e narrativas de ameaças de facções criminosas, transformando sua candidatura em espetáculo pessoal. O Livro Amarelo, apresentado como “manual de salvação nacional”, reforça a retórica messiânica.
Financiadores e propaganda digital
Entre os empresários ligados ao agronegócio que apoiaram o MBL, destacam-se figuras que enxergaram no movimento uma ferramenta para pressionar por reformas econômicas e políticas favoráveis ao setor.
O MBL se consolidou como um dos grupos mais influentes na internet, dominando a narrativa política com memes, vídeos e campanhas virais. Seus mecanismos de propaganda digital incluem perfis falsos, ataques coordenados e segmentação de públicos com base em dados de redes sociais, explorando medos e preconceitos para aumentar engajamento.
Relações e suspeitas
Além de Renan Santos, o MBL tem em Kim Kataguiri outro protagonista. Kataguiri construiu sua carreira como deputado federal e articulador digital, mas sua atuação é marcada por polêmicas e suspeitas de proximidade com figuras do Judiciário, como Alexandre de Moraes. Embora não haja confirmação oficial, essas especulações reforçam a percepção de que o MBL atua mais como peça de negociação de poder do que como movimento independente.
Conclusão
Renan Santos, Kim Kataguiri e o MBL não representam a renovação que proclamam. São personagens de uma política falida, sustentados por financiadores ocultos, estratégias digitais manipuladoras e alianças convenientes. O discurso de “nova política” é apenas fachada: por trás dele, há práticas antigas e narrativas fabricadas para enganar o eleitorado.
No fim, o MBL e seus líderes não passam de uma farsa — mais um capítulo da política brasileira que insiste em reciclar velhos atores e velhas estratégias, sem oferecer soluções reais para o país.

